United Deplorables of America

Os EUA escolheram ser governados por quem se gaba de fugir aos impostos, ser trapaceiro nos negócios, prejudicar minorias, reduzir as mulheres à condição de fêmeas à disposição do macho e mentir sistematicamente. Podemos concluir com algum grau de certeza que a escolha não foi feita apesar destas características mas por causa delas. A explicação, como já disse o Eduardo Lourenço, está na televisão.

Tal como num outro país numa galáxia distante onde também uma super-vedeta da televisão foi escolhida como presidente principalmente por causa do seu poder mediático, o que a levou a manter esse estatuto quase até ao período eleitoral e a ter feito uma campanha despolitizada e despolitizante de forma a usar a sua fama para levar a luta eleitoral para o terreno da popularidade, assim nos EUA uma vedeta mediática de primeira grandeza entregou-se a um exercício donde sairia sempre vencedora, especialmente se perdesse as eleições ou nem sequer fosse nomeada candidata. O que tinha a fazer era só aparecer no circo da política a fazer o que já estava fartinha de fazer no circo do show business: dar espectáculo. Um tipo de espectáculo que há décadas, séculos e milénios tem ubíqua prática, e que podemos ver perto de nós na sua industrialização máxima com as seitas religiosas de bandeira cristã. O discurso dos pregadores obedece a esquemas testados com milhões de pessoas e apenas tem de ser adaptado a outro conteúdo caso se pretenda usar a fórmula para obter uma audiência no campo político. Foi isso que fez Trump, usando uma retórica maniqueísta e alucinada onde o ódio foi instrumental para o tipo de marketing em causa. A iliteracia e alienação cívica da plateia que se formou para assistir ao seu número alimenta-se de fantasias para consumo imediato, seja um mar que se abre para fugir aos egípcios ou um muro que se levanta para fugir dos mexicanos. Porém, ao contrário de Hitler e quejandos, em Trump não há um pingo de ideologia, antes tudo se limitando ao simulacro, oportunismo e fruição. Ou seja, tudo se oferecendo à descodificação pelos instrumentos cognitivos do seu público, um público que em vez de um político a quem responsabilizamos pelos seus actos e palavras estava mesmo interessado em continuar a ver um palhaço na TV que tem licença para brincar aos racistas, xenófobos, misóginos, tiranos e crápulas. Porque nele tudo é simples, divertido, de final feliz e com repetição garantida semana a semana.

Estas eleições serão estudadas durante anos. Há tantos pontos de vista à disposição quantas as cabeças interessadas em explicar um fenómeno verdadeiramente maravilhoso. Algo equivalente a termos visto Roma invadida pelos bárbaros. Só que aqui a barbárie nasceu da civilização, da democracia, da liberdade, do voto. Essa a maravilha das maravilhas, pois a nação de Lincoln e de F. D. Roosevelt tem todo o direito a inscrever Trump na sua História como representante de um certo tempo e de um certo modo de conceber a comunidade. Trump não é menos legítimo do que Obama. E não é mais legítimo do que quem lhe suceder, quem sabe se já daqui por 4 anos ou menos.

Correu tudo ao contrário do que os Democratas esperaram: a sua celebrada máquina no terreno foi incrivelmente insuficiente, os afro-americanos não se preocuparam em garantir o legado de Obama, os hispânicos não se assustaram com Trump, e as mulheres americanas talvez gostem de tipos com a pinta e os modos dos patos-bravos. Para além disso, a operação russa através do Wikileaks e, em especial, a golpada do FBI mostram que foi preciso reunir este mundo e o outro para derrotar Hillary.

25 thoughts on “United Deplorables of America”

  1. este canalha perdeu em toda a linha, o que diz no último parágrafo é uma ABSOLUTA E INFAME MENTIRA, nunca na História das eleições americanas, nunca em nenhum país democrático se viu tanta propaganda, tanta ajuda a um candidato. todas as polls, todas as televisões, todos os comentadores, davam a vitória a quem perdeu, repetiram ad nauseam todas as críticas possíveis e imaginadas contra trump. pintaram a hillary como a mais cândida e preparada candidata deste mundo.
    ou seja, escarraram em todos os mais elementares princípios de apresentação imparcial de factos.
    no fundo, subverteram os fundamentos que fazem da proteção da liberdade de imprensa uma garantia fundamental do estado de direito.
    já tínhamos visto isto no brexit. o que se passou foi uma escandalosa, nojenta e anti-democrática tentativa de influenciar o voto soberano do povo.

    não passaste, passarinho. nunca irás passar. nunca!
    grabbed by the balls. mete no cú.

    MAGA!

  2. já hoje nas notícias, ei-los, queimando bandeiras americanas, vandalizando as ruas e insultando todos os que se lhes opõem. exercitam o democrático direito de não aceitar eleições livres.
    eles são os united deplorables of america.

  3. Quem andou pelos corredores do poder e nele participou em mais de 18 anos,quase nada fazendo do que por sistema prometiam,do que estava à espera quando se submete a votos? Guantânamo e o bloqueio a Cuba,são exemp.os,talvez pequenos,dessa continuada mentira,desse continuado logro. Outras muitas situações lembram,a começar pelo Médio Oriente e pela maneira como se interessaram pelo terrorismo.

  4. Alguém se informe quem foi o senador Robert C. Byrd, um KKK, filho da puta e antagonista do Civil Rights Act de 1964. alguém procure saber da importância que este verme teve na ascensão ao poder da porcalhona dinastia clinton. quando esse merdas bazou deste mundo, deixou-nos como legado a infame dinastia clinton que tanto lamentou a sua partida. quebrou-se no dia 8/11/2016 o vicioso ciclo do crime e do mal.

  5. Os EUA escolheram ser governados por quem se gaba de fugir aos impostos, ser trapaceiro nos negócios…

    Cá em Portugal, não tivemos recentemente um 1º Min. assim?
    E muito aplaudido por certos grupos cá da St.ª Terrinha.

  6. Esta é uma das mais imprestáveis postagens que li do Valupi. Dizer que Trump ganhou pela televisão quando quase todos os canais, jornais e revistas, na América e mundo fora, alimentaram o ódio e dele zombaram durante meses a fio pertence ao domínio do delírio. A certeza que algum parafuso saltou da caixa dos pirolitos vem com a paranóica insinuação de interferência externa nas eleições da maior potência económica, política e militar do planeta. Vamos ver agora a reacção às manifestações de “respeito pela democracia e tolerancia” que alguns dos que não viram o seu candidato eleito resolveram organizar logo no dia a seguir às eleições, em várias cidade americanas.

  7. Eheheh Há que reconhecer que o gajo fez um home run, além de enganar milhões de americanos conseguiu ainda enganar mais alguns deste lado. Criou a VI Internacional, fascistas, saudosistas da urss, totalitários, idiotas e artistas e circo (passe a ofensa), a mesma luta. Assim todos juntos estraga-se só um condomínio.

    Mas alguém acredita que sem a TV Marcello, Trump ou o Jesse Ventura (https://pt.wikipedia.org/wiki/Jesse_Ventura) ganhavam alguma eleição, perdão, concurso de popularidade?
    Então a tv serve para quê afinal?

  8. Os democratas pensaram mal, a grande América não está preparada para ser
    liderada por uma mulher! Talvez, a explicação para a derrota de H. Clinton se-
    ja a abstenção de muito do eleitorado hispanico que, no seu âmago continua
    muito machista … foi fácil eleger um negro mas, daí passar para uma mulher é
    um grande passo que, borregou!!!

  9. Exacto Soares. É o algoritmo que faz funcionar a app Pop. Exemplo: Se o Mourinho falhar no MUnited e pensar candidatar-se a PR para o parar têm que o prender no aeroporto.

  10. TRUMP – uma vitória da liberdade de expressão contra aqueles que já se consideram os Donos Disto Tudo (DDT’s) – a alta finança (capital global).
    .
    O homem foi tratado pior que um criminoso: por todo o lado choveram comentadores políticos acusadores (marionetas ao serviço da alta finança – capital global)… e o homem não teve direito a um comentador de defesa!
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    Um case-study para a história: a forma como as marionetas da alta finança (capital global) fizeram a campanha anti-Trump.
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    NOTA A NÃO ESQUECER: aqueles que já se consideram os Donos Disto Tudo (DDT’s) – a alta finança (capital global) -… estão apostados em dividir/dissolver as Nações… terraplanar as Identidades… para assim melhor estabelecerem a Nova Ordem Mundial: uma nova ordem a seguir ao caos – uma ordem mercenária (um Neofeudalismo).
    .
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    A construção de ‘pontes’ dos Hilários Clinton: NEGAR O DIREITO DE PROSPERAR AO SEU RITMO!
    Para os Hilários Clinton a sobrevivência de Identidades Autóctones é uma coisa que prejudica os mercados… mais, para os Hilários Clinton, quando um povo nativo economicamente pouco rentável é teimoso (isto é, ambiciona prosperar ao seu ritmo, isto é, ambiciona ter o SEU espaço no planeta)… deve levar com um Holocausto Massivo em cima!
    [nota: existem muitos Hilários Clinton a viver em territórios de povos nativos que foram alvo de um Holocausto Massivo]
    .
    .
    Todos diferentes, todos iguais… isto é: todas as Identidades Autóctones devem possuir o Direito de ter o SEU espaço no planeta (nota: inclusive as de pouco rendimento demográfico… inclusive as economicamente pouco rentáveis).
    Os ‘globalization-lovers’, UE-lovers e afins… que fiquem na sua… desde que respeitem os Direitos dos outros… e vice-versa.
    Pelo legítimo Direito à Sobrevivência das Identidades Autóctones:
    http://separatismo–50–50.blogspot.com/
    {O primeiro passo será/é ir divulgando a ideia de SEPARATISMO-50 nos países aonde a população nativa está sendo submergida pelo crescimento demográfico imparável dos não-nativos naturalizados}

  11. Tenho vindo a consolidar a opinião de que quem é bom em televisão de entretenimento ganha qualquer competição que se decida por votos. Considero Trump muito bom nesse domínio.
    Confirmei este ponto de vista quando o vi no frente-a-frente por três vezes. Não arriscou fazê-lo naquele registo (ou não seria admitido se o tentasse, não eram as regras desse jogo), assumiu um ar mais institucional e foi copiosamente derrotado. Talvez exagere, mas creio que foi a única vez em que se saiu realmente mal.

  12. Eu aposto mais em Estados Desunidos da América.
    A Califórnia parece que quer ser a primeira … a bazar da União.
    Não se esqueçam da guerra civil Norte / Sul dos estados da costa Leste.
    É assim que um homem separa aquilo que outros homens uniram !

  13. Convém não esquecer que o “herói” Bill Clinton destruiu a lei Glass-Steagal. Desde os tempos de Roosevelt, esta lei punha o sector financeiro na ordem, com uma regulação bastante estrita da especulação. Desculpou-se na altura Bill Clinton, afirmando que “foram os republicanos que me obrigaram”. Mas não tinha antes Clinton nomeado, para chefe do banco central norte-americano (a Reserva Federal) Alan Greenspan, um declarado republicano? Nos seus anos de juventude, Alan Greenspan frequentou o venerando (entre as gentes sacerdotais, que educam Wall Street) culto neoliberal criado e encabeçado pela profetiza Ayn Rand.

    Mas Donald Trump — tal como Passos Coelho em 2011 — irá muito rapidamente trair os trabalhadores e a classe média que nele votaram. Muito em breve, o embuste tornar-se-á evidente. Uma das medidas prometidas pelo próprio e, logo agora, uma das primeiras anunciadas pelo seu staff, é o “desmantelamento” da lei Dodd-Frank. Criada em 2010 — sob proposta de Obama — a lei Dodd-Frank é uma tentativa muito incipiente de reconstituir alguma da regulação nos mercados financeiros que foi destruída por Bill Clinton. Mau grado o carácter muito limitado da lei, Wall Street colocou imediatamente os seus lobistas em campo, a exigir o “desmantelamento” da lei Dodd-Frank. Alegavam que a mesma estava a “tornar mais lento o crescimento económico”. O que é, precisamente, a mesma retórica que Trump usou.

    Para aqueles que se apressaram a endeusar Hillary Clinton, convém que se lembrem que , em termos de política económica dos Estados Unidos, o casal Clinton — apesar da demagogia eleitoral que a senhora tentou usar, para convencer os apoiantes de Bernie Sanders — sempre se colocou à direita de Barack Obama. E a julgar pelos apoios financeiros que a sua campanha teve, nada indica que viesse agora corrigir os erros do seu passado.

  14. Há coincidências do caraças, vejam lá que são os habituais defensores da Passarada os que ora exultam com a eleição americana do palhaço maluco.
    O que será que os une?

  15. Valupi à beira dum ataque de nervos! Como foi possível?! A culpa é do marketing televisivo? Só se for por ter entronizado Hillary, a estrela dos “liberal media”, em prejuízo de Bernie o Velho, rezingão e judeu. Em desvario, Valupi acusa hispânicos, negros, russos, o FBI, até a Democracia. Acusa, finalmente, as americanas, que gostarão de ser maltratadas pela rapaziada. Não, as mulheres em geral e não só as americanas não gostam de ser maltratadas. O caso é que ninguém, incluindo homens, gosta de empobrecer. Bernie Sanders explica tudo em https://www.facebook.com/senatorsanders/?fref=ts. Valupi deplorará que não tenha sido quebrado, já, o famigerado “glass ceiling”. As mulheres americanas não sentirão tanta urgência em quebrá-lo! Nada a fazer excepto respirar fundo e talvez tomar um lexotan.

  16. É no que dá a consulta eleitoral .
    Não se lembra do resultado de um dos primeiros referendos ? Deu na libertação do Barrabás.
    Agora deu na eleição de um borrabotas ( abro aqui um parêntesis para explicar que, grosso modo, Trump, traduzido do inglês, dá trampa, em lusitano, que, por analogia, se pode designar, como, borrabotas ) .
    Eu sempre disse que os povos devem ser liderados por uma elite, quero dizer, uma gente altamente civilizada, intelectualmente desenvolvida, honesta, e desprendida dos interesses materiais.
    Cadê ela ?
    É coisa que não existe .
    A consulta eleitoral alimenta uma ilusão .
    Só isso .
    Cumprimentos ao cão Nelo e ao gato Motinha .
    PS : não sou do partido dos animais .
    Porém, defendo o direito de voto dos mesmos .
    Mas a isso, como sabe, se tem oposto ferozmente, o lobby dos caçadores .

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