Tens aí uma hora, dezasseis minutos e vinte sete segundos? Dá cá

Randy Pausch partiu no mês passado. Depois de saber que poderia morrer a qualquer momento dentro de 6 meses, fez esta apresentação pública em Setembro de 2007. Falou dos nossos sonhos de infância e da possibilidade de os realizar. Se fores como eu, sabes que o teu tempo vale mais do que o teu dinheiro. Se o vamos gastar, ao dinheiro ou ao tempo, é inteligente procurar lucro imediato, retorno do investimento a prazo ou um sentimento de jactante exaltação por o esbanjarmos como imperadores. Como acontecerá, e às três variantes, a quem puder dispor de 1h16m27s para gastar na palestra supra.

Se gostaste, brinde.

15 thoughts on “Tens aí uma hora, dezasseis minutos e vinte sete segundos? Dá cá”

  1. Caro Valupi,

    Já tinha tido o prazer de usar (e bem) esta hora, dezasseis minutos e vinte sete segundos, a tua sugestão levou-me, no entanto, a gastar outro tanto (e melhor ainda) na contemplação deste sublime momento de lucidez.

    Em tempos comprei um carro grande e seguro (assim o espero) por recear verdadeiramente a morte num qualquer cruzamento esquecido ou ultrapassagem mal calculada. Uma morte assim é tão rídicula e estúpida que me aflige até às ulhas. Quando vier que nos dê ao menos a oportunidade de lhe fazer uma pega de caras. E que pega sublime foi esta.

  2. Bem, os primeiros 3 minutos são incríveis! Não sei se ele vai conseguir manter a pedalada.

    Era suposto ele estar deprimido, tristonho, pessimista em relação a tudo, fechado à convivência com os outros, não era?

    Mas isto não é receita para ninguém na situação dele. Ou se tem já um espírito positivo e uma atitude saudável em relação a si próprio, gestão do ego em que o humor e a auto-derisão têm um papel muito importante, ou a perspectiva da morte a curto prazo é intolerável, paralisante e mais mortífera do que a própria doença. Não penso enviar este link para um amigo próximo que está numa situação muito idêntica, porque ele ainda quer acreditar que as coisas podem estabilizar miraculosamente e ninguém tem coragem de o desiludir.

  3. João, não posso concordar mais. A morte (ou lesões) por acidente de automóvel, ou atropelamento, é a coisa mais absurda, mais estúpida, que existe.

    Entretanto, como terás reparado, Randy deixa-nos com várias lições para a vida. Preciosas.
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    Comendador, é uma boa pergunta. Vou esperar que esclareças em que consiste um processo de abichanamento para poder responder.
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    Nik, mas só viste os 3 primeiros minutos? Seja como for, o melhor vem no fim. Mas é tudo bom até lá chegar.

  4. Temos o prazer de comunicar que tomámos conta disto.

    Estamos a pensar mudar o nome desta coisa para Aspirina R, de Rolha.

  5. O que mais me fascina neste momento sublime é aquilo que o comentador João, lá em cima, resumiu brilhantemente como “pegar a vida de caras”. Outros, antes de Randy, o terão feito, terão pegado a vida de caras quando ela, a vida, se escapava. Muitos, antes de Randy, sabendo que a morte chegaria em breve terão aproveitado para se despedir da vida com dignidade. Randy teve o momento certo para fazer a coisa certa (eu sei, isto de “coisa certa” é capaz de ser só a minha perspectiva) e fê-lo. Depois desta hora e tal de lição, ficamos com mais força para fazer também a coisa certa, Randy torna-se no nosso amigo que parte antes do tempo e que nos faz repensar as nossas vidas, os nossos pequenos egoísmos e que nos faz recolocar os nossos pequenos problemas na sua verdadeira dimensão de pequenos problemas.

    Já tinha tido oportunidade de ver este filme (confesso que estranhei vê-lo aqui, ainda para mais colocado pelo Caro Valupi, daí o meu comentário “ao lado” lá em cima).

    É um momento portentoso, de paz.

    (Curiosamente, a última vez que me tinha quase-emocionado com estas pequenas-enormes coisas foi com aquele tipo que anda por aí a distribuir abraços.)

    (E é fantástico que ainda tenhamos a capacidade de nos emocionar, não é?)

  6. Primo, a tua presença é uma festa.
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    Comendador, excelente comentário. Espero, porém, que o abichanamento de que falavas não consista, afinal, em conservar a fantástica capacidade de nos emocionarmos. Porque seria uma grande chatice.

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