Síndrome de Gaza

A Síndrome de Gaza é uma patologia mental caracterizada por sintomas de forte identificação com o Hamas, o qual aparece como a parte boa do conflito israelo-palestiniano. A psicose opera através da recuperação das matrizes bíblicas, projectando-se nos palestinianos as estruturas das narrativas judaicas onde se fala de um Povo Eleito. Concomitantemente, transformam-se os israelitas em romanos, real e simbolicamente vistos como o invasor.

Cá pela terrinha, a vítima mais conhecida deste distúrbio psíquico é o Daniel Oliveira. O que ele escreve aqui é apenas um pequeno exemplo da distorção habitual. No entanto, os comentários respectivos merecem leitura exaustiva, repondo sanidade naquele ambiente. Confrontam o autor com as suas incongruências, contradições e cumplicidades. Dizem que pouco lhe importa saber dos crimes cometidos pelo Hamas contra o seu próprio povo e os planos de extermínio do povo vizinho, pouco lhe importa saber das mentiras e manipulações que diabolizam o exército israelita, pouco lhe importa a existência de uma verdadeira democracia que permite protestos públicos contra a política de Israel dentro de Israel e confere direitos cívicos e políticos aos árabes, pouco lhe importa a tirania nascida da ignorância e alucinação de grupo em Gaza, pouco lhe importa que a demência seja o alimento da luta que apenas consegue aumentar os sofrimentos dos envolvidos.

Isso para nada importa. A Síndrome de Gaza reduz toda a complexidade do presente, e todos os nós cegos da História, a uma faixa de percepção demasiado estreita para que lá caiba a coerência.

16 thoughts on “Síndrome de Gaza”

  1. Já este seu texto, como a generalidade dos seus textos, aliás, apanha bem a complexidade do presente. Sendo um tema que domina, é natural. Está informado sobre os direitos que os árabes (que vivem na sua terra – foram os poucos que não foram expulsos) em Israel? Acha que são cidadãos com os mesmos direitos que os demais? Se não, quais são os direitos que lhes faltam? Imagino que conheça bem o assunto e não esteja apenas a repetir frases feitas. Sobre quem é Lieberman, sobre o qual o post fala? O que propõe ele? Sabe? Incluindo em relação a esses cidadãos árabes? Estou seguro que sim e que me vai dizer o que acha. E em relação a Netanyahu, conhece as suas propostas? O que acha delas?

    Sobre o Hamas, já disse repetidas vezes (pode procurar longos textos em que dei a minha opinião) o que penso. O post é que não era sobre isso.

    Estou ansioso. Todos os debates consigo são sempre enrriquecedores, pela sua profunda cultura política, sobretudo em matérias internacionais, e ainda mais no que diz respeito ao Médio Oriente. As suas opiniões são sempre originais, nunca ficam pela superficialidade e arriscam, quando não se limitarem a repetir a vulgata de outros. Um bem haja por isso.

  2. Não. Tu não és o professor da escolinha. E tudo o que domines será igualmente do domínio público, a menos que tenhas amigos nas secretas ou tenhas levado livros da biblioteca que nunca mais devolveste. Estás a patinar porque são cada vez mais aqueles que te topam à légua. E não chegam uns textos no passado para apagar, ou desculpar, o frenesim do presente.

    Pois, o post não era sobre “isso”. Mas foi disso que te falaram os generosos comentadores.

  3. Já que temos o Daniel por estas bandas, pergunto-lhe se sabe quais são os direitos dos judeus da Palestina. Há algum que viva sem um muro de betão à volta e um soldado de vigia? Há algum que viva no meio dos árabes e que tenha concorrido às eleições? Há alguma sinagoga em Ramallah? Há algum menino judeu numa escola de Tulkarem? Há algum canalizador israelita a ir fazer um biscate a Gaza?

    Pergunto-lhe também quanto ao futuro governo israelita, já que está mais informado que nós. É o Lieberman que o vai chefiar? E o Netanyahu, vai deixar de defender a solução de dois estados? Vão dissolver o Supremo Tribunal para tirar a cidadania aos árabes? O Peres vai deixar? Os trabalhistas e os centristas vão ser atirados das varandas? Vão dar ao Lieberman os códigos nucleares? E depois, o Lieberman vai mesmo largar a bomba sobre territórios salpicados de colonatos?

    Digo o mesmo que o Valupi. A goleada que o Daniel leva nos comentários aos seus posts só mostra que já quase ninguém cai nessa. Só mesmo os infiltrados do PNR que lá aparecem.

  4. Que dignidade poderá restar a uma nação como a Palestina, que lhe só é permitido realizar o que Israel permite.
    Ainda hoje, a pedido da Holanda, Israel permitiu que a Palestina pudesse exportar flores, para o dia dos namorados, para a U.E.
    Mas atenção, só 25.000 flores. As outras servirão para alimentar as ovelhas.
    Não me consigo libertar duma má consciência em relação a tudo isto.

  5. Carlos Santos, a geopolítica é esse infindável romance.
    __

    Pedro, nem mais. Mas é inútil tentar levar a discussão para o território da neutralidade possível, porque o homem quer é escolher um dos lados. E foi logo agarrar-se ao pior, para falência da sua credibilidade.
    __

    jv, e se a Palestina afastasse as armas e a barbárie e apostasse tudo na diplomacia global, quanto tempo Israel conseguiria resistir? Muito pouco tempo, certamente, até chegarem os acordos possíveis.

  6. O que move o tal de Daniel Oliveira é o ódio a Israel e aos USA. Tudo que sirva para destilar o seu ódio naqueles, é bem vindo. Principalmente os mortos palestinianos, alegadamente inocentes, muitas vezes utilizados como escudo do Hamas. Quem o leia distraidamente, é capaz de julgar que ele se preocupa com aqueles mortos. Puro engano.

  7. Este Sebastião José, Deus Nosso Senhor me perdõe, ainda consegue ser um merdas maior que o Pedro aí em cima. Papagaios pagos pela judiaria ou fretados pelo Directório Geral da ignorância para virem aqui largar os grandes cagalhões opiniáticos do momento “político” palestínico. Que dupla, que claque de hamasmáticos com evidentes dificuldades respiratórias ou acidezes metabólicas que os impedem de refutar com jeito um único ponto do Daniel de Oliveira.

    Já no termpo do Salazar era assim: a escumalha de emprenhar pelo jornal (que, apesar de católica, também fazia panelinha com o sionismo israelita que já nessa altura fazia parte da Grande Liga do cacau bancário para organização periódica de depressões económicas) abria muito a boca, mas no fim não dizia absolutamente nada. Só que nesse tempo ainda havia desculpa. Patarecos.

  8. Estaca, não tenho fé nem tenho dono. E é paradigmático que só saiba responder com o ódio e com a constante evocação da grande conspiração sionista. O seu discurso tem semelhanças fantásticas com o que se lê em blogues da extrema-direita. É gente desta que aplaude o Daniel e que espuma da boca quando alguém ousa pensar por si próprio, ler uns jornais, falar com pessoas diferentes.

  9. Esse tal de Estaca muito escreveu, mas dali nada saiu que fosse perceptível. É compreensível, ele não sabe português.

  10. PEDRO,

    Que divertido saber que não tens “dono”. Divertido para mim. Para ti, mais alegria,acho, alegria presa à ilusão de que não andas a dormir sob a influência de qualquer coisa. Mas, concordo, esta tua arrancada a despachares serve muito bem em tempos de crise no debate – é o que toda a gente diz quando há falta de trocos e cai sempre bem no goto dos leitores.. Mas tens donos, fica sabendo, malta que investiu quimicamente e espiritualmente no teu corpo. Vais produzindo umas coisas, quando metes a cabeça de fora. Nada de espantar ou que cause arroto, mas grão a grão vai a galinha sionista enchendo o grande papo.
    E para um cidadão que também não tem, surpresa, surpresa, a menor fé – logo, por isso e e em conclusão lógica, bem armado para alugar um andar com duas assoalhadas no regaço da esquerda MM – deixa-me dizer-te que essa de me veres na “extrema-direita” incomoda-me tanto como observar um caganito de rato à distância de cem metros com binóculos. Exactamente a mesma reacção que teria se te tivesse dado na mona de me chamares fanático esquerdista, ou qualquer outra merda inventada pelos distribuidores dos assentos politicos nos parlamentos históricos.
    E tens muita razão de classificares de “fantásticas” as semelhanças que vês quando comparas o que eu, com “ódio e espuma na boca”, digo e o que dizem os “blogues da extrema-direita”. Não te movas em areias movediças, meu filho, não me obrigues a ir à Dinamarca e pedir a um famoso sionista da extrema difreita que te explique isso.

    Sebastião José,

    Essa do “perceptível” não me admira, talvez tenha a ver com os primeiros sintomas de Alzheimers. Na tua sebastiana pessoa, não na minha. Não te esqueças: eu bebo “leitinho” de soja de vez em quando. Acalma os vendavais histamínicos e defende-nos contra outros temporais.
    Quanto ao Português, não estou nada, mas mesmo nada, interessado em sabê-lo nem em aprendê-lo bem, senão viro escritor e fico tão burro como eles. Tu sabes que falo verdade mas não tens palavras para descreveres o teu agrado. Isso tem nome.

    .

  11. Você Valupi, às vezes faz cada pergunta!? O Estaca sabe lá que pontos é que não foram refutados!? Ele não sabe português nem está interessado, que é para não ficar burro!? Só bebe leitinho de soja para evitar os vendavais histamínicos, seja lá isso o que for!?

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.