8 thoughts on “Ser democrata é”

  1. Não aceitar governos que não sejam de maioria absoluta, de outro modo as eleições são, além de um esbanjamento de recursos, uma farsa levada ao palco 365 dias no ano. Quem tiver dúvidas, olhe para os mais de trinta anos de democracia.

  2. Face Oculta. Financiamento do Partido Socialista sob suspeita
    Publicado em 30 de Outubro de 2010

    Não são só as acusações formais que contam. No despacho final do processo Face Oculta, sobram indícios de pressões que tocam várias pessoas da máquina socialista. A troco de alegados favores a Manuel Godinho, surgem em vários momentos referências a donativos para o PS e, a três meses das eleições legislativas de 2009, há uma “disponibilidade para contribuir para uma campanha partidária”. Terão efectivamente sido dadas verbas pelas empresas do universo de Godinho ao Partido Socialista?

    A resposta não é dada na acusação. O i questionou se foi autonomizada alguma investigação sobre esta matéria, mas o Ministério Público responde com meias palavras: “Foi determinada a extracção de várias certidões que darão origem à eventual instauração de inquéritos.” Quanto às matérias em concreto, remete para a consulta do processo, que ainda não foi aberto aos jornalistas.

    Armando Vara é acusado de abrir portas e fez vários contactos com Mário Lino para resolver o diferendo de Manuel Godinho com a Refer. Lopes Barreira, que quando Vara era secretário de Estado foi um dos fundadores da polémica Fundação para a Prevenção e Segurança, apresenta o empresário de Ovar a altos quadros, marca almoços com a secretária de Estado Ana Paula Vitorino para interceder contra o presidente da Refer, Luís Pardal, e terá prometido pedir ajuda a Jorge Coelho para conseguir negócios na área dos resíduos. Mário Lino terá ordenado expressamente a Luís Pardal que se reunisse com Godinho. E também o advogado José Manuel Mesquita, 11º na lista de António Costa para a Câmara de Lisboa e seu assessor jurídico, surge mencionado em encontros sobre a guerra na Refer.

    Na acusação proferida esta semana, surgem igualmente alusões que deixam dúvidas sobre o conhecimento que José Sócrates teria das movimentações. Segundo o Ministério Público, o presidente da Refer não era amado por Mário Lino nem pelo primeiro-ministro. Luís Pardal é descrito pelo Ministério Público de Aveiro como alguém que pugnou pelos interesses daquela empresa pública contra as sucessivas investidas do sucateiro de Ovar. Godinho queria reconquistar a relação empresarial privilegiada com a empresa pública, perdida no âmbito de um diferendo judicial, e Pardal era o entrave. O presidente da Refer foi coleccionando anticorpos dentro na própria empresa e em especial no governo.

    Numa conversa em 2009, José Valentim, da Refer, diz a Godinho que Pardal tinha um mau relacionamento com Sócrates, por alegadamente o presidente do conselho de administração daquela empresa pública não ter acatado uma ordem do primeiro-ministro. Noutra ocasião, Lopes Barreira refere-se a Luís Pardal como sendo “um estorvo” e alude ao conhecimento que Vara, Mário Lino e Sócrates tinham do assunto.

    Nos bastidores Os quadros da Refer afectos ao PS moviam-se pela destituição do seu presidente. Apenas Ana Paula Vitorino, secretária de Estado dos Transportes e Obras Públicas de então, protegia Pardal. Lopes Barreira chegou a almoçar várias vezes com Ana Paula Vitorino para a convencer da necessidade da demissão. Mas percebeu que para demitir Pardal era necessário tirar a secretária de Estado da tutela.

    Um dos episódios mais expressivos da contestação ao homem do “feitio lixado” – como o MP diz que Pardal é descrito pelos seus inimigos – foi a reunião entre o núcleo de trabalhadores socialistas da Refer e Ana Paula Vitorino. A 14 de Maio de 2009, José Valentim diz a Manuel Godinho que os funcionários expressaram à secretária de Estado o seu descontentamento com a conduta de Pardal e exigiram medidas. Ana Paula Vitorino foi a única que impediu, segundo o MP, a demissão do presidente da Refer.

    Lopes Barreira sabia-o e em Junho de 2009, num almoço com Vara e Godinho, na casa deste no Furadouro, em Ovar, admite-se surpreendido com a continuação da socialista na secretaria de Estado. Após a entrega de 25 mil euros a cada um deles, Godinho ouviu Barreira estranhar a manutenção em funções de Ana Paula Vitorino, já que Sócrates criticava o seu comportamento e a secretária de Estado criticava, por sua vez, o ministro dos Transportes e Obras Públicas.

    Mário Lino é diversas vezes apontado a ajudar Manuel Godinho. Em Julho de 2009, já depois de publicado o acórdão que revogada a condenação da O2 no caso “Carril Dourado”, terá contactado Luís Pardal, dizendo-lhe ter conhecimento que a Refer continuava a prejudicar a empresa de Ovar. É então que lhe ordena, segundo o MP, que se reúna com Godinho, encontro que acabaria por se realizar a 18 de Agosto.

    Para suportar as acusações, a equipa do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Aveiro aponta uma extensa lista de escutas telefónicas, material informático apreendido aos arguidos e documentação diversa, incluindo extractos bancários e processos relacionados com concursos públicos. Mário Lino, Ana Paula Vitorino e Luís Pardal estão entre as testemunhas indicadas no processo.

  3. Godinho é o menos culpado de todos, aquele que se servia dos podres do país que lhe poderiam ser úteis ! Os podres, que se sentem – e estão – impunes , continuam a apodrecer o país. Mas o foco infeccioso – Sócrates – tem de continuar no poleiro , porque o pseudo-desinfectante – Passos – não quer actuar , não lhe convém. Só que , quando lhe convier, já não há queijo para roer, só buracos !..

  4. O ex-presidente das Redes Energéticas Nacionais (REN), José Penedos, conduziu a empresa entre 2001 e 2010, tendo sido afastado em Novembro do ano passado após o juiz de instrução do processo Face Oculta ter determinado a sua suspensão de funções. Mas o mesmo não aconteceu com três outros altos quadros da empresa, constituídos arguidos mais tarde e agora acusados de vários crimes, entre os quais corrupção para acto ilícito, participação económica em negócio e abuso de poder, que continuam em funções, sem que a REN tenha detectado qualquer tipo de irregularidade no seu comportamento, nas várias auditorias realizadas após a megaoperação de há um ano.

    Dos quatro altos quadros acusados, só o ex-presidente José Penedos saiu

    Victor Baptista saiu da administração, mas continua director-geral da REN-SGPS, Fernando Santos mantém-se administrador da REN Trading e Juan Oliveira permanece na Divisão Comercial. A confirmação foi dada ao PÚBLICO por Rodrigo Deus, da LPM, a agência que assessoria a REN, que se recusa a comentar a acusação, argumentando que a empresa ainda não teve acesso ao documento.

    A REN garante, contudo, que a nova administração – igual à anterior, com a excepção de José Penedos e Victor Baptista – “implementou importantes alterações na gestão da empresa durante o ano de 2010”. E exemplifica: passou a participar na plataforma de compras do Estado, alterou o manual de procedimentos para compras e adjudicações e criou um departamento de compras. “Estas alterações colocam a REN em linha com aquelas que são as melhores práticas a nível europeu”, alega a empresa responsável pelo transporte da electricidade em alta tensão.

    EP sanciona quatro

    Um entendimento bastante diferente tem o procurador Carlos Filipe, no despacho de encerramento do processo Face Oculta. Referindo-se à REN, à Rede Ferroviária Nacional (Refer) e à Estadas de Portugal, o magistrado sublinha por diversas vezes a “absoluta ausência de mecanismos de controlo”, quer do património das empresas, quer dos contratos por estas celebrados.

    Em relação à REN, o procurador realça que “as pesagens dos resíduos, critério de aferição da sua valoração, foram sempre realizadas nas instalações da O2 [a principal empresa de Manuel José Godinho, o único preso preventivo do processo], inexistindo quaisquer mecanismos de controlo por parte da REN para a sua validação”. E salienta: “Aliás, e por paradoxal que pareça, a REN, antes da certificação ambiental, controlou a pesagem de resíduos no momento da carga, quando saíam das suas instalações […], sendo que, a partir de 2003, no quadro do contrato de gestão global de resíduos e suas prorrogações, deixou, pura e simplesmente, de controlar o processo de pesagem.”

    Deste modo, conclui o magistrado, “os valores apresentados pela O2 foram aceites pela REN sem que se tenha previamente assegurado, através da pesagem de resíduos, de que o respectivo valor correspondia à quantidade dos indicados pela O2”. O procurador refere ainda uma série de quatro “incidentes com valores de pesagem” da O2 que prejudicaram a REN, mas dos quais a sociedade não se queixou. Por isso, explica, foi obrigado a arquivar estes episódios.

    O mesmo aconteceu com um caso que envolve a Estradas de Portugal (EP). Contactada pelo PÚBLICO, a EP justifica que do inquérito interno instaurado em Outubro do ano passado “não foi possível obter provas que pudessem consubstanciar queixa-crime contra a O2”. E acrescenta que, na sequência da fiscalização, sancionou quatro quadros da empresa, um dos quais com despedimento com justa causa. A empresa recusa, contudo, tornar públicas as conclusões da auditoria, adiantando apenas que o inquérito foi dado a conhecer na altura própria ao Departamento de Investigação e Acção Penal de Aveiro.

    Também a Refer, que tem sete funcionários entre os acusados (um já não está na empresa), recusa-se a tornar públicas as irregularidades detectadas no inquérito que abriu o ano passado. Diz apenas que está a acompanhar o processo Face Oculta, do qual se constituiu assistente. E adianta que o inquérito, conduzido por um instrutor externo, resultou na instauração de diversos processos disciplinares, alguns com a intenção de despedimento.

    “Atenta a complexidade da sua instrução e tramitação, esses processos encontram-se ainda pendentes para decisão final, situação que, por ora, inviabiliza a Refer de prestar quaisquer informações adicionais”, alega a empresa numa resposta enviada por e-mail. O PÚBLICO sabe que entre os quadros envolvidos há funcionários que se mantêm em funções, alguns suspensos e outros de baixa.

  5. Estes últimos comentadores estão «passadinhos» de todo. Aliás, não serão a Mão Oculta -leia-se , magistrados de Aveiro? Curioso, curioso, curioso: tal como o mensageiro de Aveiro, leia-se Correio da Manhã, não estão nem um pouco preocupados com o saque de biliões no BPN! Vinte e cinco mil euros de Vara, mais um robalitos fresquinhos é que é dinheiro, caramba!
    Biliões não dão manchete nem são preocupação destes justiceiros comentadores aí atrás. Bravo, rapazes! Não têm um pindo de vergonha na cara, bandalhos de merda! E o outro é que é infecção, seus porcos pestilentos!

  6. Vocês, aspirinas, malta tão prestável a limpar as fraldas sempre atascadas de merda do chefe – e incapazes de soletrar ou propor uma versão crítica do pardieiro de crápulas que é este governo e PS, são como aqueles putos imberbes: fogem da realidade e, de preferência, distorcem-na ao vosso belo prazer, de acordo com a lenga-lenga, cassete e frequência que o chefe vos manda reverberar.

    Cresçam rapazes e abram os olhitos. O BPN é outro pardieiro de ratazanas imundas, mas, que eu saiba, foi este Governo infecto que resolveu salvar a corja com o nosso dinheiro. Porquê? Leia um bocadito mais do que a espuma dos telejornais e talvez lá chegue ao outro PS – subterrâneo – metido até ao pescoço no jogo.

    Quanto ao resto, não comparemos actos de governantes, ministros, políticos eleitos com bancos privados. São FDP mas não foram eleitos para servir a república e a democracia.

    Essa droga para lavagem cerebral que vos injectam na moleirinha deve ser mesmo boa, porque, pela capacidade de vos tornar os mais patetas imbecis que pululam na blogosfera, deve ser mesmo “merda da boa” que vos atrofia o resto do encéfalo de uma maneira que parecem uns zombies de filmes da série P e S.

  7. Bancos privados? Quem criou o BPN e lá falcatruou milhões? Foram privados ou governantes e deputados muito bem calejados? O que está preso e o s outros que andam á solta não eram governantes e deputados da nação? Que eu saiba, há muitos anos que Vara não é governante nem conselheiro de Estado. Em que País é que você vive?E quem fiz que não há merda no PS e no PC e no BE e no CDS e no PSD. O que você, honestamente, terá de reconhecer é que tentam impingir-nos que só há «rapazes maus» no PS.
    O governo PS nacionalizou o BPN pilhado por ex governantes e amigos de governantes, exactamente pelo mesmo motivo que a Inglaterra, a Suiça, a Irlanda e tantos outros salvaram dezenas e dezenas dos seus bancos. Ou também não sabe disso?

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