Santa Joana faz o pleno entre a sua gente

PNR também agradece a Joana Marques Vidal o trabalho de equipa:

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«O PNR gostaria de ter visto a actual Procuradora Geral da República, Dra. Joana Marques Vidal, reconduzida no cargo, já que foi uma pedra no charco em que se encontrava a nossa Justiça. Como se costuma dizer, “em equipa vencedora não se mexe” e, como tal, não aceitamos a falácia do argumento pouco transparente de um só mandato. Quem dá provas de um bom trabalho deve ser reconduzido, porque nestes casos o que tem sido “costume” não pode prevalecer sobre a eficácia.

Sabemos que Joana Marques Vidal mexeu com muitos lóbis, teve a coragem de enfrentar os poderosos habituados à impunidade e que essas forças de pressão tudo fizeram para a afastar. Também sabemos que este caso serviu para que os políticos do sistema se digladiassem entre si, não porque estivessem preocupados com a nobre função da nossa Justiça, mas apenas para representarem a habitual guerrinha do faz-de-conta de pluralidade e contraditório.

O PNR agradece à Dra. Joana Marques Vidal pelo bom trabalho desempenhado e por ter conseguido, corajosamente, que a Justiça começasse a funcionar, libertando-a das teias dos interesses e influências de poder político.»

14 thoughts on “Santa Joana faz o pleno entre a sua gente”

  1. Bom, a verdade é que também eu agradeço a Joana Marques Vital o excelente trabalho que fez para desmistificar de vez ideia de que politica e justiça não têm nada a ver uma com a outra, que são compartimentos independentes, que há separação de poderes. Sobretudo agradeço-lhe ter demonstrado que é preciso ter muito respeitinho pelos poderes fácticos instalados, nomeadamente os mediáticos. Agradeço-lhe ainda ter contribuido para pôr a nu a monumental hipocrisia do nosso amado PR, que teve a lata de pedir na tv a demissão de uma ministra por responsabilidade politica no insucesso do combate a fogos, e agora elogia uma PGR que nunca conseguiu acusar ninguém por uma única das dúzias de reiteradas fugas ao segredo de justiça que se registaram durante o seu mandato, como bem lembrou já não sei quem aí numa caixa de comentários. E poderiamos continuar. De facto, há imensa coisa para agradecer à PGR cessante. E é natural que cada um lhe agradeça aquilo que lhe dê mais jeito.

  2. Entretanto, numa galáxia distante, os pequenos agricultores de Monchique afectados pelos fogos de Agosto passado, ficaram a saber que as despesas que entretanto já pagaram em dinheiro vivo para repor as suas infraestrutras em funcionamento ( tubagem e acessórios condução água, paus de vedação, rede galinheiros, whatever ), não serão consideradas para eventuais apoios. Perplexo, o serrenho pergunta ao engenheiro: mas então o uso de dinheiro foi ilegalizado?! Que ainda não, responde o engenheiro, que «isto é só para prevenir certas coisas». De seguida, o ilustre burocrata informa ainda o reformado virtual que, para ter acesso aos apoios reclamados, tem de ter um CAE, i.é, a pequena agricultura familiar para auto-consumo ainda não foi proibida, não senhor, mas só tem direito a apoios à sua recuperação quem fizer de conta que está vocacionado para um mercado que até não existe, mas isso não é um problema do IFAP, que se rege por regras que reinterpreta de acordo com um sentido de missão de curadoria que parece ter recebido directamente das mãos de uma divindade extraterrestre qualquer.

    Parecendo que este desabafo não tem nada a ver com o post, talvez haja aqui um denominador comum. Somos uma sociedade cheia de capelas onde cada santo é dono e senhor de pôr e dispôr dos destinos dos comuns mortais , até ao ponto em que os infelizes visados saem porta fora de chapéu na mão depois de terem agradecido o vexame da exclusão. E o extraodinário é que já ninguém se indigna. O pessoal perdeu a capacidade de se indignar. Ou antes: pode aparentar grande indignação com o tamanho do buraco de ozono ou a censura aos falos de Serralves, mas não se indigna por não conseguir andar de avião sem ser tratado como qualquer terrorista, não poder usar dinheiro vivo sem ser equiparado a banal vigarista, estar a ser investigado sem saber, ser suspeito a vida inteira, passar décadas à espera de uma sentença, ver um projecto de arquitectura mandado para trás por faltar o projecto do “receptáculo postal”, em localização onde é do dominio público que a distribuição de correio não existe. Ninguém se indigna neste novo normal. Comparado com a resignação com que os meus conterrâneos recebem, aceitam, e até agradecem, de chapéu na mão, sucessivos atestados de exclusão de direitos básicos de cidadania, o “agradecimento” do PNR à PGR acaba por ser um importante sinal de vida: afinal ainda há quem mexa, quem saiba exactamente o que quer, e por isso não poupe nos adjectivos para reconhecer aos seus grandes domesticadores o trabalho de amansar o gado. Gado manso recebe melhor o jugo, como bem vi, esta manhã, perante os burocratas, em Monchique.

  3. JRodrigues,

    O que percebo do seu comentario é que existe prioridade dada a explorações que constituam a fonte principal de rendimento para os agricultores (em detrimento das hortas pertencentes a quem ganha a vida noutro sitio ou tem outras fontes de rendimento). Assim explicado, não parece necessariamente irracional. Mas é possivel que algo me esteja a escapar…

    Boas

  4. João Viegas,

    Mesmo admitindo que fosse como diz, onde acha que isso explica a não aceitação de facturas pagas em dinheiro como comprovativo de despesas ?

    E se a politica for de limitar o apoio apenas aos que tenham dimensão económica, como sugere que faria sentido, qual a politica que sobra para os que não a têm ? E como é que o abandono que dessa ausência necessariamente decorrerá, compagina com os apelos à manutenção dos espaços, que se exige ? Se o Estado não pretende nacionalizar o minifundio, como pretende melhorar a sua gestão privada, criando teias burocráticas que só podem promover a desistência e o abandono? Sabe que se eu quiser abater legalmente um cabrito para auto-consumo , tenho de pagar frete a carro autorizado para transporte de animais para o levar a Beja ( 200 km ), e depois a carro frigorifico para regressar com a carcaça , isto depois de na vespera ter de fazer 60 km para ir a Lagos obter uma guia de transporte que já ninguém passa neste Concelho?

    Ou seja, nestas matérias, como nas relativas à PGR, sobram incoerências fundamentais que somos convidados a aceitar em nome duma “racionalidade” cujo valor demonstrativo é diariamente contraditado pelos acontecimentos. Como o demonstra o absurdo da escala dos incêncios florestais ou da dimensão do processo Marquês. Apesar disso, obedecemos.É esse o meu ponto.

  5. JRodrigues,

    Não estou a falar da “dimensão economica”, mas do facto de ser, ou não, a principal fonte de rendimento para os que trabalham na exploração. Presumindo que existe escassez de apoios, logo necessidade de fixar prioridades, o critério continua a não me parecer totalmente descabido.

    O blogue devia organizar um questionario para os comentadores, perguntando-lhes qual é a administração, entre as que existem à face do mundo, que eles consideram que funciona menos mal. Depois poderiamos confrontar as praticas da administração escolhida com as criticas que vejo por aqui. Havia de ser interessante.

    Boas

  6. J Rodrigues tem 100% de razão. Só quem não vive no interior serrenho não vê o raio de país que somos. Estão todos a esperar que o pessoal deserte ( os novos) e os velhos morram. E em alguns concelhos estão lá quase ! E é preciso não esquecer que qualquer burocrata na serra está lá para dizer não! Depois admiram-se do que aconteceu em Pedrogão!

  7. Ou o Viegas não pescou mesmo nada do que o homem escreveu, ou fez de conta, para desviar a conversa.
    Faço-lhe um desenho rápido para ajudar: em nome da “eficácia” praticam-se diariamente arbitrariedades que criam na alma dos comuns um clima de insegurança e hábitos de reverência, que os deixa completamente à mercê do primeiro “salvador” que suba ao púlpito para lhes apontar um culpado expiatório e prometer amanhãs que cantem. Por isso não é de espantar o agradecimento do PNR á PGR cessante. Ela apontou a dedo os culpados disto tudo e apeou-os. . Podem vir os próximos que o poleiro está livre. Porque não outro Coelho ?

  8. Não, não. O Alves é que tem razão. Estamos tramados. E’ o fim do mundo !

    (Porque ? não sei, nem interessa).

    Boas

  9. Apesar de lateral ao post, JRodrigues tem toda a razão. O combate à pequena informalidade tem sido a marreta que prega o caixão na economia que mantinha o equilíbrio nos ecossistemas do pequeno minifundio Interior. Noutro exemplo. Que sentido faz o Estado cobrar IVA aos serviços de limpeza da faixa de gestão de combustível, quando nela não há nenhum valor acrescentado monetário, apenas há um serviço de manutenção de paisagem, não remunerado pela comunidade?

  10. Grande verdade Lucas Galuxo,

    Alias, não seria muito mais simples, e menos caro, irmos buscar directamente o dinheiro que o Estado nos deve, pois afinal fomos vitima de tragédia, directamente aos cofres, repartindo-o depois ao critério espontâneo do chuço ?!?

    Embora matar os Cabrais que são falsos à nação, malta ?

    https://www.youtube.com/watch?v=vQaxgLiW_ow

    Boas

  11. Que imensa sintonia de pensamento, fraseado, adjectivação e mensagem neste agradecimento do PNR com o cujo dito do Passos.
    Um baixou ao outro ou este subiu ao baixado. E agora chafurdam ambos na mesma plataforma ideológica.

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