Salvem o fascismo

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Manuel Alegre disse, de umas directrizes banais relativas ao profissionalismo das funcionárias da Loja do Cidadão em Faro, o seguinte:

é uma coisa de cariz fascizante, totalitário, contra a liberdade individual, é inconstitucional, tem que ser revogada sob pena de qualquer dia numa repartição alguém querer dizer como usar o cabelo e que livro ler, estas coisas são sinais, multiplicam-se estes sinais, tem que ser levado a sério

Manuel dispõe de poder suficiente para aparecer na comunicação social sempre que quiser. Reúne à sua volta algumas figuras públicas com importância política dentro do PS e à volta dele. No Parlamento, comporta-se como líder independente, votando como lhe dá na real gana. Fora do Parlamento, é parte da oposição ao Governo, deixa-se manipular pelo BE, ameaça criar um novo partido, não se envergonha de apoiar figuras como João Palma, Presidente do Sindicato dos Magistrados. Correm boatos de que está a tentar negociar, ou forçar, o apoio do PS a uma nova candidatura presidencial. Sempre que abre a boca, salta cá para fora o milhão de votos, seguido ou antecedido do 25 de Abril, da esquerda e da sua magnífica pessoa. A sua pessoa, é o próprio a lembrá-lo sem descanso, tem muita importância para a sua pessoa.

Pois bem, o homem faz 73 anos em Maio. Existe a possibilidade de que ainda se imagine a chefiar a Frente Patriótica de Libertação Nacional, tendo em conta que se apresenta no papel de salvador da democracia portuguesa, chantageando o próprio partido onde ganhou a vida. E que terá ele para mostrar? Que feitos, ideias, meros acontecimentos relacionados com as suas funções políticas, pode Alegre referir que tenham contribuído para algum salto qualitativo na sociedade? Não há memória de nada, nadinha, nicles. Tem sido funcionário do PS, profissional do Parlamento, apenas mais um daqueles cidadãos que contribuíram de alguma forma para a mudança de regime, como largos milhares, e depois ficaram com privilégios oligárquicos e vaidade infinita, como algumas centenas. Se porventura viesse a ocupar a Presidência da República, realizando a soberba de se apresentar ao povo como rei-trovador, a boçalidade pacóvia seria torrencial ― e os riscos de intervenções populistas, e dementes, seriam tantos quantos os dias em que tivesse poder político para tal.

Se isto é assim, e não parece que venha a melhorar, antes pelo contrário, vamos combinar uma coisinha, Manuel Alegre de Melo Duarte: diz as maiores bacoradas que te surgirem na moleirinha sobre o Governo, Sócrates, o PS e a esquerda, fogo à peça, mas não apagues o fascismo da História. Por favor. Não nos estragues essa tão útil memória, que tanto revela dos nossos avós, pais e irmãos.

Sim, poeta, quando te permites relacionar o fascismo com um episódio de legítima e bondosa ― mesmo que discutível, como tantas outras dimensões da vida social e profissional ― regulação da aparência de quem serve o público representando o Estado, estás a ofender as passadas, presentes e futuras vítimas de todos os tiranos e seus cúmplices. E pior: estás a reduzir o fascismo aos conflitos morais inerentes à democracia. Isso é grotesco e, se tivesses um pingo de sensatez, chegava para que pedisses perdão pela desonra que cometeste cego e bruto.

34 thoughts on “Salvem o fascismo”

  1. Valupi vales O :
    Só mendigos como tu, pensam que são donos da verdade.
    No fundo tentam limitar as ideias dos outros, sonhando que assim conseguem dinfundir as suas como únicas.
    O resto é 0.
    JOJORATAZANA

  2. O Manuel Alegre é um ignorante dos costumes actuais. Ignora a falta de bom senso de alguns dos nossos jovens. Um exemplo: Na empresa em que trabalho usa farda quem trabalha em contacto directo com o público . Há alguns meses entrou uma novata para trabalhar em contacto directo com o público. Ao terceiro dia de trabalho ainda em ” on job training” e sem farda atribuída, apresentou-se com o umbigo à mostra. É claro que foi de imediato advertida. Relacionar esta tomada de atitude com facismo é acima de tudo uma patetice.

  3. Bem , ainda que já o ache um palhaço , tenho a dizer que está no seu direito defendendo a casa que construiu. Gostavas que a tua casa fosse invadida por ets com os quais não te identificas? não davas luta , V?
    Foi isso que aconteceu ao PS , que virou PSd , com um tipo que dá prós dois lados.

  4. Cá está, brincadeira a rodos. Mas deixa-o andar, este ridículo papel de fiscal da democracia vai chamar a atenção para os 73 aninhos e não tarda desistem de lhe dar corda. Decididamente vai pela ladeira abaixo.
    Também com “amigos” como esta RATAZANAJOJO…..

  5. A vaidade do odre é de sempre, a nulidade é só pós-25.

    Tive que usar a Loja do Cidadão recentemente. Dou graças ao deus dos ateus por haver em Portugal uma coisa a funcionar como esta. Fui atendido aos balcões das empresas Gás de Lisboa, EDP, EPAL e ZON TV Cabo por pessoal aprumado, educado, cortez, super-eficiente, com ar limpo e… com vestimentas uniformizadas. Quando passei aos funcionários públicos presentes na mesma loja, foi o choque do costume. Gente de maus modos, vestida às três pancadas, com ar de quem de quem não é de lá nem ganha o que eles ganham, de quem não tem a segurança de emprego que eles têm, de quem está ali a fazer o enorme frete de nos aturar. Claro que tive de voltar mais duas vezes à dita Loja, porque os ditos funcionários públicos não tinham (por incompetência e desleixo) o modelo não sei quantos para alteração da carta de condução (que tive de ir comprar a uma das duas únicas lojas da Imprensa Nacional Casa da Moeda que ainda há em Lisboa) e porque não me informaram claramente sobre várias coisas.

    Quando agora li a última bestialidade do Manuel Alegre, deu-me vontade de lhe cuspir em cima.

  6. Completamente de acordo Valupi. Só que aquilo que Valupi só agora vê, descobriu, já eu o sabia aquando das presidenciais. Estava na cara e mais, o homem não quer qualquer cargo de trabalho e muito menos PM ou Presidente. Ele quer caçar, poetar, pensar, fazer livros, lançar livros e pescar. E lançar idiotas bocas de pescada que acha que o mundo deve ouvir com respeito e em sentido. O resto é trabalho de cu sentado na AdR.

  7. E , V , se o teu post é só sobre regras de vestuário em atendimento ao público , público que pode ser muito púdico , tens toda a razão. pessoalmente já me senti agredida visualmente no BCP por jovem que não ganhou raízes lá , provavelmente pelas botas de cano alto e calção , que faziam furor na nacional 1 , mas que soam bué esquisito num banco. A gente trabalha ou engata? E é daquelas coisas que antigamente se aprendiam na escola : vida privada , lingerie preta ; vida pública , lingerie invisivel.. até é saudável , resguarda o espaço privado como espaço onde se pode transgredir.

  8. Pôr regras no vestuário de quem atende o público é uma parvoice. Façam como a Carris ou a TAP; farda para todos os que têm contacto directo com o público. E eu sou dos que gostava de ser conduzido num autocarro em que a motorista tivesse as mamocas de fora…

  9. Pois é Val, o “Beto” Alegre (também os há na esquerda) trata o PS como as pratas de família. Pensa fazer delas o que quer. Depois julga-se, ou fizeram-no julgar-se, a consciência cá da aldeia. E , como diz a Sinhã, ele há os ímpetos pós-andropausa. Agora vou abrir a porta que já cá estão as meninas com o almoço. Para o “Beto Alegre” sai na Catedral do Cais do Sodré um “ginger beer” que nunca ultrapassa um grau de teor alcólico

  10. Leio sempre o “Aspirina”, mas desta vez tenho de vir ao terreno GRITAR “É MESMO ISSO QUE EU PENSO DO manelinho-pavão”! E eu pertenço à geração da maioria dos que querem fazer “carreira civico-politica” com tal figura como estandarte…! É que o homem – que até fraco poeta é – tem vivido sempre à custa do PS, não consegue apresentar uma ideia minimamente estruturada, mas continua a morder em quem devia apoiar…Porque só a união de esforços, dos que se dizem socialistas, reformistas e democratas, pode vencer a “frente colaboracionista” das oposições que engordam à sombra da crise para a qual ninguém tem a solução adequada.

  11. Apesar de ser cada vez mais evidente a tentação de estabelecer equívocos entre o que é opinião pessoal e o que é realidade, entre liberdade e responsabilidade, comunicação social e blogosfera é reconfortante verificar que a argumentação é o melhor engodo. É que caiem que nem ratos!

    Quanto ao fulano em questão só temos que acrescentar uma enorme dose de mau perder e constatar que o fato e gravata dos bancários, gestores ou políticos deve ser coisa de somenos importância.

    Quem sabe, estaremos a desperdiçar a última oportunidade de poder assistir a umas belas galas tvi de caçadas reais na tapada de mafra seguidas de serões artísticos de récitas e cancioneiro revolucionário popular na sala de audiências do convento. Uma pena! Para os amantes do género.

  12. Essa de valeres O é forte, Caro Valupi, e logo a abrir.
    A ratazana queria dizer 0 (ZERO)? Qualquer das fórmulas não é justa.
    Quem vai à guerra dá e leva, não é verdade?
    O que dizes do M.A. é bem observado, mas é limitado à tua janela, o homem está também a fazer de Martim Moniz, (aquele que ficou no meio da porta) uns dizem que por bravura, outros, como eu, estão do lado que consideram azar ter sido entalado.
    Para mim está a fazer o que sempre fez. A viver dos rendimentos. Neste momento o M.A. está tapando o caminho, a quem quer juntar vontades alternativas e legítimas, pois promete acção a muitos que já investiram nele, e estes não se sentem livres para partirem para outra.
    É mais uma vantagem negocial que acumula aos famosos 1.200.000, “se eu largar esta malta até te comem vivo” dirá, possivelmente.

  13. Valupi:
    Tens muitos que pensam como tu.
    Ou então tens muitos lembe botas.
    Pobre Manuel!
    Jojoratazana por viver no meio de tantos ratos.

  14. jojoratazana, lembe botas não tenho nenhum. Aqui fica o esclarecimento.
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    PRIMO
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    nanda, bom exemplo.
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    mf, que história é essa do “tipo que dá para os dois lados”? Que tipo e que lados?
    __

    Ocasional, faria todo o sentido. Mas talvez Sócrates tenha uma paciência de santo, e uma misericórdia correspondente, e não o queira humilhar ou desprezar, esperando conseguir que acabe com dignidade o seu ciclo na política. Veremos, pois.
    __

    Nik, verdadinha. A função pública é o espelho do atraso nacional, embora a culpa não seja de ninguém. Foram muitas décadas (7?) a atrofiar.
    __

    Adolfo Contreiras, mérito teu, pois. Eu não fazia ideia que ele fosse assim, e creio que ninguém poderia prever qual fosse a sua atitude face aos resultados eleitorais. Obviamente, entrou em modo megalómano por ter ficado à frente de Soares, nisso revelando a sua vacuidade como político e como cidadão. Mas aposto que adoraria andar num contínuo banquete presidencial durante 5 ou 10 aninhos.
    __

    z, a Justiça é o grande palco de batalha pela democracia. Finalmente, estamos a acabar com o tabu e estado de negação.
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    Sinhã, tolerantes? Isso é que não, seria mau para a vítima.
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    GL, concordo (muito) contigo.
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    Manolo Heredia, não gostavas nada, seu mentiroso.
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    jafonso, olá se há. Pois se até o BE está cheio de betos, quanto mais…
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    Maria da Guia Prata Mendes, gostei muito do teu grito. Tenho a certeza de que teríamos todos a ganhar com mais gritos teus.
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    tra.quinas, explica melhor essa parte da “argumentação ser o melhor engodo”. Promete.
    __

    ramalho santos, e quem são esses que querem juntar vontades alternativas e legítimas? Onde é que se encontram? Quais são as suas ideias?
    __

    Joao, muito bem lembrado.

  15. “Quando agora li a última bestialidade do Manuel Alegre, deu-me vontade de lhe cuspir em cima”

    A actual democarcia socilaista (tá trocado propositadamente)

  16. Valupi, a afirmação era uma simples constatação. Na sociedade actual só somos treinados para vencer mas vendem-nos a moda, que é efémera, como estratégia ideal para a vitória. Chego a pensar se não é uma contradição insanável porque vencer uma batalha nessas circunstâncias não garante vantagem alguma na guerra.
    Conclusão: frequentemente a argumentação consistente é rebatida com ofensas pessoais e adjectivação diversa e, nesse caso, os bons argumentos são o engodo que denuncia a fragilidade das convicções do opositor. Não falha. Ou então utiliza-se a técnica da avestruz e o calor das nossas ideias é tão confortável que não vejo nem ouço críticas.

    Mas nos dias que correm a lógica é mesmo uma batata. Repara, diz o MA que começam por condicionar o que vestimos no emprego e acabam com carecadas e leituras controladas, mas isso tem tanto valor como eu dizer que para a semana vai nevar em todo o território porque o dia está borraceiro. Claro que o tra.quinas para além de anónimo só faz piadas parvas já quando o Alegre abre a boca ouve-se o rugido de 10% da população.

    A argumentação deixo para ti, que eu, já faz muito tempo, nem consigo levar esta gente a sério.
    Dá-lhes que o pessoal agradece! : )

  17. Mais uma, prometo bem prometido que fica por aqui.

    http://www.youtube.com/watch?v=HiN5AqGaSM8

    A voz é do Chico como se vê e do Carlos do Carmo que só se ouve, este último disse-me um dia numa mesa de restaurante, que a sua geração tinha estragado isto tudo, que só quando morressem Portugal tinha um chance.

    Portugal precisa de gente que não sabe onde estava no 25 de Abril, apenas porque ainda não estava em lado nenhum.

  18. cá por mim podes mandar o que quiseres que eu gosto, fico a navegar na história, olha que magnífica canção de amor ao Brasil, ganda pinta mesmo!

    Brasil

  19. ” sua pessoa, é o próprio a lembrá-lo sem descanso, tem muita importância para a sua pessoa.
    E vc meu caro o que fez pela democracia em Portugal?

  20. z, já conseguiste parte do que tu querias. Segue-se a distribuição de dinheiro.
    __

    tra.quinas, muito obrigado. Afinal, tinha razão: guardavas aí uns raciocínios bem amanhados. E aposto que tens muito mais para dizer para a nossa formação…
    __

    Joao, não posso concordar mais contigo. Embora acrescente que muitos dos que sabem bem onde estavam no 25 de Abril, mas que ficaram do lado de fora do banquete, fariam muita falta.
    __

    olho, eu voto e falo. Falo e voto. A democracia, antes de tudo o resto, é uma conversa.
    __

    jv, de facto, é só o que lhe resta anunciar.

  21. Sei muito muito bem onde estava no 25 de Abril. A entrar na RTP no Lumiar de arma na mão convencido que ia mudar o Mundo, ou o no mínimo Portugal. Não entrei no banquete mas também nunca me interessou muito em entrar. Ai, a minha geração…! E esta ? E a seguinte? Estamos mal? E estávamos melhor em 1959? E em 1909? E em 1859? E em 1809 (A corte estava no Brasil)? Não vou recuar mais. Vou voltar para a cama antes que caia uma lágrima no teclado.

  22. jafonso, tu baril pá!

    pois é Valupi fizémos aqui uma simbiose, se te lembras, eu só falava no dinheiro e no chegar às pessoas, sobretudo as que estão mal e têm dívidas pesadas porque esse dinheiro até entra logo pela economia acima,

    tu acrescentaste os ‘conhecimentos’, e eu concordo

    portanto dinheiro&conhecimentos faz o paralelo água&nutrientes no modelo da árvore e da fotossíntese que lhe está acoplada,

    olha aqui que garra, também para João,

  23. Valupi, se alguém tem que agradecer sou eu porque, apesar de nem sempre concordar com as tuas ideias, tem sido com enorme prazer que, de há alguns meses a esta parte, leio os excelentes textos do teu blog e os interessantes comentários de uns quantos amigos que tens por aqui. Numa época em que o pensamento massificado funciona por ondas, diria mesmo tsunamis, é frequente sentirmo-nos sozinhos nas nossas ideias e é com satisfação que vamos descobrindo que essa solidão é falsa.

    ____

    jafonso, partilho completamente que o problema não está numa questão de gerações. Dos hippies aos rapers, passando por todos os rascas ou yupies que nos ocorra, pouco muda. Quando o nome de família, o estatuto económico, no fundo o poder, se sobrepõe, por regra, ao mérito e à justiça continuamos a ser uma sociedade muito medieval. E isso não tem nada de novo : )
    Daí a bagunça a que temos assistido na educação ou a chinfrineira da comunicação social. E tenho para mim que também não nos ajuda a confiança criada pela nossa enorme capacidade de nos adaptarmos e desenrascarmos. Acaba por nos ser desfavorável porque deixamos sempre as coisas chegarem ao limite do admissível.
    Soluções?… Pachorra, claro. E mais pachorra.

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