Raçudos

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Cavaco, apostado em se tornar num dos melhores piadistas nacionais, teve raro momento de profundidade e informou a Nação de ser o 10 de Junho uma celebração da raça. É muito importante ser o Presidente da República a assumir esta escandalosa verdade: os portugueses, apesar das evidências em contrário, também pertencem à raça humana.

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Já agora, um dos meus lemas de vida é: Cavalo de raça relincha sempre. Mas não contes ao Fernando Rosas, não vá ele desatar a falar do Pepe.

29 thoughts on “Raçudos”

  1. Dom Diniz quando fundou a Univercidade de Coimbra,numca pensou que iamos ter como um presidente da républica um tàtà como este.Foi na peninsula do Kamtchaka que os quimicos descobriam as células que déram a origem da vida.Todos os àcidos mais a temperatura estàvam reunidos,a avò Lucy com 7 milhôes d’anos é uma indicaçâo,a duvida està porque nòs homens têmos 85% d’àgua e as nòssas companheiras 87% vou deixàr o Z vous explicar melhor.Dia da ràça e os câes?

  2. Quem ler Oliveira Martins perceberá facilmente que não pertencemos a uma raça específica… Somos uma mistura de gente proveniente das mais diversas latitudes, que forjaram uma identidade, nomeadamente através do anseio da conquista do mar.

    Mas hoje em dia, resta-nos a saudade, a asneira e a corrupção.

  3. hehehe, podia até ter falado na nacionalidade, a única relevante no contexto da portugalidade. mas mesmo no sentido pretendido seria qualquer coisa como «a celebração da etnia». se ele tivesse percebido o que queria dizer teria visto que não cairia lá muito bem…

  4. A primeira fífia grave do Cavaco. É para saberem como o salazarismo impregnou as mentalidades. Por este andar, um dia ainda faz a saudação da pata levantada.

  5. Canuck rapaz, gostei muito de Toronto e dos esquilos fulvos, mas pouco mais conheci – não me arranjes trabalhos pá, então estou eu aqui a preparar-me para a préreforma com a ajuda do Alzheimer … Havia uma tal experiência de Oparin: uma descarga electrica numa sopa de aminoácidos que deu proteína. Mas como diz o Valupi lá em baixo, em tempos acampei mas agora só voltejo. Mas quando acabar o artigo prometo que boto uma citação múltipla, tem lá um Queiroz revisitado.

  6. mas já agora: no Norte de Portugal, a modos que Galiza, eram suevos e no resto todo, Centro e Sul, visigodos. Será que os suevos eram louros ou foi depois das invasões francesas?

  7. Cavaco, por detrás da face hierática, deve ser uma pilha de nervos (para usar uma expressão favorita da minha mãezinha). Acossado por perguntas que o obrigavam a pensar num assunto difícil, a paralisação dos camionistas, entrou em regressão. No seu íntimo boliqueimado, os camionistas não estavam a ser patriotas, e saiu-lhe uma memória de infância.

    Agora, Nik, esta não é a primeira fífia grave de Cavaco. Nem sequer tem gravidade, só a leveza folclórica da remissão ao Estado Novo. Grave, e monumental fífia, foi a sua cobardia na Madeira. Indigno do Chefe de Estado a conivência com o Bokassa bananeiro.

  8. Tens razão Val, a história da Madeira, já não me lembrava (!?!), foi a primeira grande fífia. Tens toda a razão.

    Esta não é menos grave, pelo contrário. Aí divergimos, e muito. Mas tu és muito condescendente nestas matérias, não é? Os raçudos, pois… Hoje, falar em raça e dia da raça é obsceno e provocatório. Olha, os skins ficaram exultantes.

    Eu lembro-me do ensino racista no meu liceu, há algumas décadas atrás. Ainda tínhamos como livro único de história pátria o Martins Afonso, que nos demonstrava que a raça lusitana, perdão, portuguesa, tinha características bem salientes: perímetro cefálico (é verdade!), etc., etc.

    De resto, nada a dizer ao comportamento do Cavaco diante da actual crise: acho exemplar a atitude dele em comparação com a do Soares, em situações idênticas, no passado. O direito à indignação como fonte soarista do Direito… O que ainda ninguém disse neste país de atrasados mentais é que a actual “greve” dos transportadores não é uma greve, é um lock out, expressamente proibido pela Constituição.

  9. Pois eu cá dá-me para achar que até esta fífia vem ajudar ao estado de graça do presidente, altamente beneficiado pelo contraste com o resto dos gravatas-azuis-ou-vermelhas, que conseguem ser tão mauzinhos que o Silva só tem que não se esticar . O que penalizou Cavaco (e o país, por arrasto, que se ficou com um presidente eleito por ser um mal menor e não a escolha dos portugueses) foi a arrogância, aquela pesporrência toda e não os episódios ‘bolo-rei’ da figura. Cavaco é carismático, tudo nele o é, a voz, os tiques, a inabilidade natural para o show-off que é hoje prática corrente na alta-roda da política nacional, por exemplo; com alguns desempenhos notáveis, até, cada um no seu género, evidentemente. Agora Cavaco é Presidente e D.Maria e é a D.Maria mais a Presidência da República Portuguesa, o que não é pormenor de somenos, que não seja de lavrar nos anais, enfim, para a posteridade. Chamar ao Dez de Junho o Dia da Raça é mais que um deslize, é certo, é um ‘slaide’ do presidente. Há que vê-lo numa perspectiva radical, tás a ver? Ya, tipo bué da fixe, tás a ver? O kota é cool. ‘Xa lá, meu: o kota é cool.
    Tá-se.

  10. … e já agora uma pergunta séria: os senhores viram bem a quantidade de disparates que cabem em tão poucas linhas? Alguém reparou, por acaso?

  11. Ó Adelaide, tu devias ser a última a trazer aqui essse assunto. Aí em Manteigas 80% são judeus de nação, de sangue sujo, traidores de Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Sagrada Família.

  12. Nik,
    Aqui em Manteigas, eu, os judeus (Jesus Cristo incluído), a Sagrada Família e a selecção nacional, somos descendentes das trilobites. Tás a ver, meu?

  13. Dizes bem, luis eme, muito de vez em quando lá se aproxima da verdade…
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    Nik, essa é genial, a do perímetro cefálico! Não fazia ideia de que tal chegava às escolas. Mas, convenhamos, daí não resultou a promoção do racismo, pois o povo não é mais racista, e talvez até o seja menos, do que outros povos com muito melhores índices de educação há muito mais tempo. Isso não se levava a sério, e o racismo não existe em Portugal, factualmente. Nem creio que fosse possível existir, sendo que fenómenos como o PNR são nichos psicóticos, não tendências sociológicas.
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    Rui, tens aí um muito bom retrato da cena e do artista. Porque, e tal como dizes, Cavaco, apesar de tudo, é carismático. Só que é um tipo de carisma que ele parece querer desbaratar. Porque pode ser qualidade artificial, apenas simulacro. Talvez. Ou sim.

  14. Família nobre, os Trilobytes, conheço muito bem. E têm belos retratos em pedra, com milhões de anos de idade, nos melhores museus do mundo.

  15. Nik,
    E não te esqueças da sucedânea, mais a sul, dos Trilobytaites, da qual Cavaco e vossemecê são figuras proeminentes.

  16. O portuga de raça, according to Martins Afonso, era levemente dolicocéfalo e… saudosista!

    Ó Adelaide, não estarás a confundir com os Tate-Bytatts, gente muito fina aí das tuas relações?

    rvn, preferes Ermengarda?

  17. nik,
    por quem és, nada me custa uma pequena colaboração numa tua fantasia. Desde que não seja dar uma mão, mesmo, claro.
    Dispõe.

  18. Desculpem lá, mas há aqui muita “coerência política” e total consonância com um governo que é dominado por um partido que – de há uns tempos para cá – pouco difere da União Nacional.
    E…se duvidam,lembrem-se que: QUEM SE METER COM O PS LEVA!

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