Quem alega não entender este parágrafo estupidamente óbvio, merece ser punido judicialmente

“O jornalismo tem a obrigação de manter-se como contrapoder”, argumenta Ricardo Costa. Opinião com que ambos os advogados presentes concordam. No entanto, salienta José António Barreiros, “não podemos esquecer que qualquer peça jornalística cria uma ideia na opinião pública, mas também nos intervenientes judiciais que leem jornais e veem televisão como qualquer outro cidadão”. Paulo Saragoça da Matta reforça: “Na televisão, a reconstrução do passado mediatizado pela leitura que o jornalista faz de alguns meios de prova nunca representa a totalidade de um processo.” E, defende: “O povo só é soberano se vir tudo.”

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26 thoughts on “Quem alega não entender este parágrafo estupidamente óbvio, merece ser punido judicialmente”

  1. O que tu queres dizer é quem entende merece ser preso, mas eu sou candidato sem hesitação porque não vejo qualquer contradição e, sobretudo, porque a tua cruzada contra os abusos da imprensa e contra as fakes news é infantil e parva.

    Entendamo-nos : ninguém ignora que existem excessos e abusos cometidos por jornalistas, por incompetência, por cinismo, por maquiavelismo de pacotilha, etc. Isto é mau, não ha qualquer duvida acerca desse ponto.

    Mas a unica questão que interessa é saber quais são os remédios. Ora os unicos remédio admissiveis, em democracia, são muito claros : mais imprensa livre (logo mais diversidade na informação) e, acima de tudo, maturidade e espirito civico e democratico por parte dos leitores, ou seja por parte duma maioria de cidadãos. Pode também haver, marginalmente, (como ha alias em Portugal) incriminação de alguns excessos, mas é obvio que a resposta não pode passar principalmente por ai.

    A Fernanda Câncio que me perdoe, mas quem faz da caça às fake news uma prioridade politica absoluta é o Trump, e não é por acaso… Arranjem, promovam e desenvolvam a educação e o espirito critico, verão que o problema das Fake News desaparece num instante…

    Boas

  2. Mas, então, não haverá remédios admissíveis em democracia para os excessos e abusos jornalísticos?
    Mas, então, é só aos leitores que se deve exigir maturidade e espírito cívico democrático?
    É por ter percebido o parágrafo em questão, julgo eu, que me faço tais perguntas, que tenho tais dúvidas.

  3. Manojas,

    Os leitores são o (principal) remédio ou, mais propriamente, os cidadãos responsaveis. Noticias falsas sempre houve, e até jornais especializados nelas, tipo o jornal do incrivel (a que outrora o correio da manhã era equiparado, e bem).

    Também existem limites legais por forma a “salvaguardar o rigor e a objectividade da informação, a garantir os direitos ao bom nome, à reserva da intimidade da vida privada, à imagem e à palavra dos cidadãos e a defender o interesse público e a ordem democrática” (diz a lei da imprensa). Neste âmbito, é concebivel que se incrimine a propagação de noticias falsas com vista a por em perigo a ordem publica, ou coisas desta ordem, mas isto normalmente abrangera apenas casos relativamente marginais e não podera servir para a maior parte dos abusos que o post tem em vista.

    Convém colocar os pontos nos “is”. Existem no mundo muito mais ameaças sérias e preocupantes sobre a liberdade de imprensa, que é uma conquista importante do Estado de Direito e uma garantia indispensavel do seu bom funcionamento, do que ameaças sobre o Estado de Direito em consequência de abusos da liberdade de imprensa…

    Boas

  4. O absurdo deste texto é ver o bannoninho Costa defender uma asserção que não pratica . Quando vaza interrogatórios na sic fornecidos pela justiça que contrapoder esta o bro Costa a atacar? Como é obvio só está a ser servil para com o poder, ou a Justiça não é um poder? Ou a Rosa Grilo é que é poder?

    Não existem poderes absolutos, a liberdade de imprensa não se pode sobrepor ao direito a um julgamento isento e as garantias e liberdades individuais. Nem a democracia e um sistema fixista, pode e deve reagir aos problemas de modo a equilibrar os poderes. Alias o equilíbrio das fontes de poder é um dos objectivos maiores da social democracia.

    A Isabel Moreira escreveu um belo texto no Nexpresso mas quando critica Cristas por escrever no CM deveria ter criticado Costa e Medina por também o terem feito, sem auto-critica a critica não serve de nada, torna tudo e todos iguais e baixinhos (a hemiplegia moral de Ortega y gasset) para isto ter solução é preciso ter mais altura, mas que não seja a de um sisifo no cimo da montanha antes de rolar por ela abaixo.

  5. Obriguem a indicar a data e hora depois de peças passarem a primeira vez na TV ( em letras legíveis, não como os papéis dos seguros !) e verão como as coisas esmorecem. A quantidade vergonhosa do passa , repassa e cita tentando enganar o Zé Pagode é um fartote. E isso não tem nada a ver com a liberdade de imprensa. Só a torna mais verdadeira.

  6. João Viegas
    Não são, ou não são só, os leitores o (principal) remédio, mas sim os cidadãos responsáveis, e destes, em particular,´os jornalistas (a sua educação, o seu espírito cívico, a sua honestidade, a sua isenção). É muito do jornalistas, da sua acção, da sua competência, da sua integridade, que depende o respeito que se deve ter pela liberdade de imprensa.

  7. Como tais Viegas?

    E eu até concordo que a escola é solução para tudo. Inclusive para Bolsonaros. O problema é que o Mundo nunca atingiu essa utopia como ainda agora vimos com a eleição de Bolsonaro. E o mesmo no 1º Mundo.

    A imprensa livre é um dos pilares do Estado de Direito. A par com noções tão importantes como eleições livres, a separação de poderes ou a independência da Justiça. A imprensa actual, com dono, só serve para subverter o Estado de Direito na medida em que não cumpre nenhum dos seus papéis já históricos em Democracia. Falemos nós do contrapoder de Monstesquieu ou do que normalmente também chamamos de quarto poder. A par com o legislativo, executivo e a justiça. E o que seria também deste último sem independência? O Estado de Direito é um conjunto de institutos, todos de igual importância e não existe sem um deles. Aliás, o crime de atentado ao Estado de Direito só prevê três modalidades. Destruição, alteração e subversão. As fake estão intimamente ligadas à sua subversão. São pois matéria muito importante. Que como é óbvio devem ser denunciadas e combatidas e nunca desvalorizadas.

    P.S. As fake do Incrivel sobre o tamanho das batatas do Entroncamento não representam o mesmo nível de ameaça ao Estado de Direito que as fake do WhatsApp que levaram Bolsonaro ao poder. Como é óbvio.

  8. Carissimos,

    Acho que não estamos assim tão longe de dizer a mesma coisa.

    Eu nunca disse que era ilegitimo criticar as noticias falsas ou um jornalista/orgão de comunicação por publicar ou por divulgar uma noticia falsa. Esta critica é salutar, necessaria e faz parte do exercicio normal e desejavel da liberdade de imprensa. De resto, conheço poucos jornais ou meios de comunicação que discordariam dessas criticas e, tanto quanto me lembro, este blogue ja fez eco a pedidos de desculpa de directores de jornal apos terem publicado boatos infundados como se se tratasse de informação séria.

    Dito isto, mantenho que é um erro perigoso partir de um ou outro abuso para eleger a imprensa, ou uma parte dela, como uma ameaça grave para a democracia a ponto de propor legislação mais restritiva do que a que ja existe (salvo em pontos marginais, pois pode sempre haver regras que necessitem de ser actualizadas ou completadas, não digo que não).

    Não sejamos angélicos. A imprensa publica noticias com o proposito de informar, mas também com o proposito de debater, o que implica sempre, numa certa medida, o proposito de alertar, ou de denunciar, ou de influenciar. Quem sonha com uma imprensa totalmente objectiva e isenta, totalmente impermeavel a intenções politicas, vive na lua ou esta a pugnar para restabelecer a Pravda de ma memoria. Não é isso que caracteriza uma sociedade livre e é inevitavel aceitarmos, em nome da pluralidade da informação, o risco de abusos. Esses têm o seu correctivo natural na publicação de boa informação pelos outros orgãos de comunicação, que contribuira para que todos os jornais sintam uma pressão suficiente para seguir a deontologia jornalistica, sob pena de perderem totalmente a sua credibilidade (e o seu publico).

    Em ultima instância, é o publico que julga de forma soberana, tal como é também ele que decide em democracia. O publico tem de ser, maioritariamente, responsavel e adulto. Ninguém diz o contrario. Quem acredita que ele não pode sê-lo, ou que não alcança sê-lo sem uma ajudinha da policia, tem uma ideia fraca da democracia.

    Apelar à restrição da liberdade de imprensa – o que é inevitavelmente o que esta a fazer quem apresenta a imprensa como uma empresa principalmente apostada em espalhar fake news com o fim de subverter a ordem democratica – não constitui solução para nada e apenas é uma forma ingénua de reforçar quem tem a nostalgia da censura, ou quem vive bem com uma menorização total do publico e da sociedade civil, como é o caso do Trump.

    Por mais cambalhotas retoricas que se possam dar, quem esta a dizer que deviamos sancionar jornais porque eles espalham boatos e desinquietam o bom povo esta a obviamente a apelar para uma restrição da liberdade de imprensa.

    Boas

  9. So mais uma coisa, em resposta ao comentario do P,

    Neste blogue tão apostado em apenas proferir afirmações fundadas em factos comprovados, e se necessario confirmados por sentença transitada em julgado, como é que poderiamos qualificar a informação de que a propagação de boatos pela Internet, com a ajuda dos Russos (no caso dos EUA) ou dos Marcianos (no caso do Brasil), foi o elemento determinante para explicar as vitorias eleitorais de Trump e de Bolsonaro, quando não esta ainda nada comprovado e quando é sabido que existiam também muitos outros factores que podem ter contribuido para tal ?

    Em Inglês, estas noticias são que tipo de News ?

    Pois.

    Boas

  10. Só faltava mesmo confundir o combate contra as fake news com a censura e o ataque a liberdade de imprensa. Pelo contrario é uma luta pela defesa do jornalismo por todos aquele que ainda o prezam. Basta ver a contínua degradação e descredibilização do jornalismo e a falência do modelo de negocio.
    Felizmente há soluções.
    https://www.theguardian.com/media/2018/nov/05/guardian-passes-1m-mark-in-reader-donations-katharine-vine

    Mas o sucesso deste jornal (para o qual modestamente contribuo)só confirma que o jornalismo só tem saída com o verdadeiro jornalismo. E claro, que a cena do espirito critico dos leitores é uma treta, existem sempre leitores para o bom jornalismo, nunca tivemos uma geração tão bem preparada.

  11. “o jornalismo só tem saída com o verdadeiro jornalismo”

    Não posso concordar mais. A questão é mais saber como é que imaginam que este verdadeiro jornalismo se impõe, a não ser pela escolha do publico, com espirito critico, e ja agora com consciência de que a informação profissional tem um valor, o que significa que é suicidario continuarmos a aceitar jornais gratuitos ou maioritariamente financiados pela publicidade.

    A censura autoritaria do “mau jornalismo” é que não é com certeza a resposta…

    Boas

  12. Viegas

    A manipulação via WhatsApp não está mais que confirmada no Brasil? E eu nunca disse que foi só o WhatsApp que decidiu as eleições no Brasil. Até estou convencido que os abusos de uma Justiça completamente politizada fez muito mais por Bolsonaro. E é este tipo de Justiça que também é imperativo denunciar. No Brasil e em Portugal.

  13. Penso que há aqui uma confusão, se eu escolher ou consumir uma coisa considerada ma não se pode dai concluir que não tenha espirito critico, muito menos se for jornalismo. O que está aqui em causa é mais uma validação ideológica. Ha que separar a procura da oferta.

    O bom jornalismo não é incompatível, nunca foi, com a publicidade, antes pelo contrario. Só a falta de independência.

  14. @ P : OK, o meu comentario visava sobretudo mostrar como é facil e barato acusar alguém de propagar Fake News, o que apenas corrobora o que digo sobre os perigos de irmos acriticamente atras da cruzada contra as ditas, cruzada de que o Trump é o grande campeão, como sabemos. Mas é obvio que a preocupação com a qualidade da informação é importante e tem de ser acautelada.

    @ Joe Strummer : totalmente incompativel não é, mas a vigilância nunca é demasiada. Afinal de contas, como protestar em coerência contra a qualidade deficiente da informação se ao mesmo tempo aceitamos que ela seja totalmente paga por quem não tem interesse particular na qualidade dela, mas esta antes à procura de outra coisa. Se quiseres ter dados fiaveis sobre o cancro do pulmão, vais pedir às cigarreiras que financiem a investigação ? Não, pois não ?

    Quanto ao que dizes sobre a validação ideologica, tenho pena mas este é mesmo o fulcro da questão. Que as pessoas procuram conforto e gostam de ler e ouvir o que ja pensam é uma coisa, inevitavel (eu compro jornais proximos das minhas convicções, leio blogues de gente com a qual tendo a concordar, também vou ver outros, mas é mais raro, isto é natural). No entanto tal não impede que se exija das pessoas que saibam dar o desconto e que procurem, também, para além desse conforto, verdadeira informação sobre factos. Isto não é utopico. As rubricas dos jornais que procuram verificar as fontes da informação de forma metodica têm sucesso, as pessoas não são totalmente estupidas e sabem fazer a diferença. Pode ser que às vezes isto não chegue para impedi-las de tomar decisões parvas, mas isso é outro problema e não é certo que derive do mau jornalismo…

    Boas

  15. Viegas que conspiração para ai vai. O que a publicidade procura nos jornais são audiências, nada mais. Mas é muito saudável da tua parte preocupares-te com os malefícios da pub ao tabaco nos jornais enquanto desvalorizas o maleficio das fake news. Por acaso ja pensaste que a solução poderá ser a mesma? Regulação.

    A maior parte das pessoas sabe perfeitamente que aquilo é mentira, já não é isso que está em causa, o que lhes interessa é alcançar um objectivo especifico (vencer) em defesa da sua visão do mundo ou em nome de uma ira surda. Estamos numa era de pos verdade e regressao, as regras do jogo mudaram.

  16. “O jornalismo tem a obrigação de manter-se como contrapoder”, sério?!
    Oh pra mim a pensar que o jornalismo tinha mais a obrigação de informar e contraditar…
    Espero não ser punida.

  17. Não desconversem, por favor,

    1/ “O que a publicidade procura nos jornais são audiências”, certo, e não necessariamente rigor e objectividade na informação, que é (ou devia ser) a preocupação principal do leitor. Logo, é perigoso confiar cegamente num financiamento que ganha mais se houver circo do que se houver seriedade. Isto não me parece muito dificil de compreender…

    2/ O jornalismo so é contrapoder na medida em que informa e contradita…

    Boas

  18. o bosta júnior assume-se como contrapoder ao governo xuxa e brochista da direita. o broas tá na praia dele a surfar merda que o bosta caga.

  19. ” O jornalismo so é contrapoder na medida em que informa e contradita…”

    ahahahahahahah… é isso e embrulhar castanhas.

  20. Viegas, a publicidade se bem pensada e adequada ao meio e um valor extra para uma publicação, já vi campanhas que excedem o valor estético, critico e cultural do meio onde são expostas. Estás a misturar alhos com bugalhos. A pub é uma forma de financiamento dos media que é transparente e tabelada, sem pub os meios ficam expostos ao financiamento opaco que lhes retira independência. Agora, a pub emigra para onde houver audiência , claro, o seu papel é vender. É tão certo como o discurso de um politico, ou de um presidente de um clube de futebol ser as 8 da noite, o pico de audiencia.

    A imprensa e o jornalismo são poder. Contrapoderes são as agencias de comunicação que os políticos contratam para contraditar a desinformação.:)
    Até já há um jornal que quer fazer fact checking fundado por um especialista em desinformação . Isto ja da para tudo.
    https://poligrafo.sapo.pt/

  21. e aqui fica exemplificado que quando mija um português , mijam dois ou três….o post sobre fakes é outro. Valupi, não precisas de punir ninguém -:)

  22. @Joe Strummer : O que acho perigoso é aceitarmos tão facilmente que os jornais sejam financiados por quem se esta perfeitamente nas tintas para a questão de saber se são bons ou não, se são rigorosos ou não, se respeitam a deontologia ou não. A partir do momento em que aceitamos isso, como é que podemos ficar supreendidos se os jornalistas deixam de se reger por imperativos deontogicos e correm atras de qualquer noticia bombastica ?

    @ MRocha : O meu amigo apanhou o comboio em andamento e ainda não recuperou o fôlego. Estamos todos de acordo que o mau jornalismo é uma praga. A questão é saber como combatê-lo…

    Boas

  23. eu queria era ver a cicatriz do bolsonada, quando foi alegadamente agredido havia bué d’imagens para e
    para fazer a cabeça do piople, depois ficou proibido de falar em público pelos médicos e a seguir à chapelada eleitoral fala pelos cotovelos. liberdade de imprensa para o que dá jeito.

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