Chico Mota no Dia Internacional contra o Fascismo

«É certo que a excessiva mediatização dos investigadores e das investigações sobre corrupção envolvendo figuras públicas – muitas vezes com violação do segredo de justiça – parece pôr em causa a seriedade e acerto das investigações, mas também é certo que, se não houvesse mediatização, muitas investigações morreriam asfixiadas em gabinetes e corredores. E não só pelos interesses políticos que são postos em causa com tais investigações, mas sobretudo pelos milhões e milhões de euros que se movem de offshore em offshore até aos beneficiários finais não declarados.

A falta de pudor de Sérgio Moro não apaga, seguramente, a gigantesca teia de corrupção em boa hora desvendada pela Operação Lava-Jato.»

Anda Moro na costa…

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O Chico Mota cola-se aos violadores do Estado de direito em nome do combate à “corrupção”. Ele prefere factuais criminosos que cometem crimes a partir da Justiça e vão para o poder pela mão de assumidos fascistas a eventuais criminosos cujos crimes nem sequer precisam de ser provados. Fica radiante com a perspectiva de se poder pôr em causa “interesses políticos” através de investigações que usam a comunicação social como terreno de combate e arma de assassinato de carácter e de perseguição política. E se tivesse de nomear as tais investigações que “morreriam asfixiadas em gabinetes e corredores” sem a actividade criminosa de certos agentes da Justiça e de certos jornalistas, de imediato se calaria como o cobarde cívico que é. Ou será que se está a referir a investigações que morreram em gabinetes e corredores por terem como alvo passarões do PSD e do CDS, e agora o Chico Mota não pretende cometer a deselegância de estar a macular o bom nome dessa gente séria?

É por isso que o Chico Mota está felicíssimo com o prémio dado a Sérgio Moro por ter conseguido prender Lula através de um suposto crime para o qual não existem provas nem relevância – de caminho abatendo o candidato mais forte às eleições presidenciais. Tal como felicíssimo está por se ter feito algo análogo em Portugal a Sócrates, alguém que não precisa de ser julgado em tribunal, que não precisa de exercer o direito à sua defesa, para que o Chico Mota consiga identificar a quem pertencem certos bens no nome de outro sujeito.

É este franco-atirador que passa por especialista em Direito e se pavoneia como defensor das liberdades. Um traste que espelha a cultura da casa.

32 thoughts on “Chico Mota no Dia Internacional contra o Fascismo”

  1. pode ser a cultura da casa e mais tudo o que tu quiseres mas a verdade é que a situação descrita como “sobretudo pelos milhões e milhões de euros que se movem de offshore em offshore até aos beneficiários finais não declarados” responsável também pela falência dos sistemas de segurança social e pela crescente desigualdade económica em todo o mundo (a que ninguém chama falta de liberdade mas é mesmo disso que se trata) apenas teve direito por parte da esquerda dita moderada e responsável a uma série de platitudes sobre meritocracia e coisas que tais permitindo assim que tamanha evidente injustiça servisse de bandeira aos inimigos da democracia.
    agora choram, pois

  2. No excerto que citas, ele não se cola ao Moro, mas diz apenas que a lamentavel e escandalosa decisão de Moro de aceitar o convite do Bolsonaro não apaga necessariamente a realidade do escândalo de corrupção em larga escala posto a nu com a operação lavajato.

    Agora que a decisão em causa contribui para reforçar todos aqueles que diziam que a investigação não foi levada a cabo com imparcialidade, é evidente que contribui, e esta é mesmo uma das muitas razões que ha de lamentar esta decisão infeliz. Infeliz, ou significativa…

    Boas

  3. 1. O processo penal é público. Pode ser sujeito, na fase de inquérito, a segredo de justiça.
    2. O segredo de justiça não visa resguardar a intimidade e a vida privada dos arguidos mas a eficácia da investigação.
    3. A jurisprudência europeia anda fartinha de colocar a tónica na liberdade de imprensa em detrimento de uma eventual violação do segredo de justiça (em muitos acórdãos a comunicação social é rotulada de cão de guarda da democracia – expressão muito pertinente a assertiva para quem possua mais de dois neurónios em pleno funcionamento) .
    4. Os políticos e seus lacaios andam preocupadíssimos com a violação do segredo de justiça. Percebo perfeitamente. Mas se a notícia não vier pelos órgãos de comunicação social virá pelos whatsapp, facebook, youtube e coisas assim. Eu sei que para muitos políticos ter a informação controlada é confortável. Mas não vos adianta querer parar o vento com as mãos. A notícia virá por qualquer meio. Para vosso infortúnio.

    (estou ansioso por ler as propostas de lei para combater este flagelo humanitário que são as fake news . Criar um organismo estatal que analise previamente a veracidade da notícia? Punir a imprensa que não obedeça à verdade com a sua extinção? Já vi uma coisas semelhantes em qualquer lado mas agora não me recordo)

  4. Uma vez que os norte-americanos são cabeças duras e não vão perceber a importância de se colocar empresas como a Google e Facebook debaixo da patinha do Estado, resta-nos arranjar uma forma de salvar a grande nação dos perigos das fake news.
    A Coreia do Norte arranjou um mecanismo que poderíamos muito bem replicar em Portugal. E esperar que as instâncias europeias não venham com a treta da liberdade de expressão e outras mariquices. O interesse do político, perdão, da nação está em primeiro lugar.

  5. “em muitos acórdãos a comunicação social é rotulada de cão de guarda da democracia – expressão muito pertinente a assertiva para quem possua mais de dois neurónios em pleno funcionamento) .”

    Seria interessante desenvolver este tópico com base em casos concretos. Por exemplo: em que medida os “labradores” da SIC “guardam a democracia” quando divulgam o áudio do inquérito a Rosa Grilo?! Ou os rotwailer da CMTV quando divulgam a audição do MP a F Câncio ?! Que tem este tipo de “jornalismo” a ver com o “conforto” dos politicos no “controlo da informação”?

  6. Ricardo, vou dar um exemplo então. Se não se tivessem revelado as escutas da Fernanda Câncio com o primeiro-ministro a tentar comprar uma casa de três milhões de euros (minuto 13:45 em diante – note-se qual o argumento do primeiro-ministro: “ainda aparecia no Correio da Manhã”; e eu a pensar que lhe ia dizer que um primeiro-ministro não tem três milhões para dar por mais uma casa) e de todos os pormenores da sua súbita riqueza, nem Sócrates alguma vez tinha sido processado nem as pessoas sabido seja do que for. O escândalo antecedeu o processo-crime. Sem o mediatismo da comunicação social Sócrates faria o seu mandato como se nada fosse.
    Eu percebo que para ele esta coisa da liberdade de imprensa foi incomodativa. Para ele e para o seu partido, que muito perdeu por causa disso. Passamos ao Armando Vara? Ou ao Isaltino? Diga sem se rir: acha que estes processos teriam sido iniciados e concluídos sem uma comunicação social que pusesse tudo cá fora?

    Não é por mero acaso que nenhum regime totalitário permite uma imprensa livre e lhe ponha rédea curta. Como esse método já não é permitido, há que tentar alternativas. É que isto de haver uma imprensa livre está a causar muitos estragos. E os wannabe, em vez de mandarem os políticos às favas por essas aflições postiças com as violações dos segredos de justiça e com as fake news, imitam-nos nas suas angústias. Se há alguém que deveria estar preocupado com a violação do segredo de justiça seriam os funcionários da justiça, pois esse segredo visa oferecer eficácia à investigação e não resguardar a privacidade dos arguidos. Aliás, os processos chegados a julgamento são públicos. Qual o dói dói? E qual o problema se um jornal mentir numa notícia? Se o jornal X amanhã noticiar que o Bruno de Carvalho está de férias nas Caraíbas vai perder clientes. Se um jornal mente outros existem para mostrar a mentira. E qual o problema do whatsapp? Se eu receber uma mensagem a dizer que se a reencaminhar para cem pessoas ganho um prémio ou que o Benfica hoje perdeu por 10 – 0 eu simplesmente apago. Eu não preciso de um organismo do Estado para fazer selecções por mim. Os (alguns dos … a bem dizer, boa parte dos) políticos reduzem-nos a mentecaptos. E os seus wannabe aplaudem alegremente esses exercícios.

    Eu compreendo que os anónimos deste blogue (obviamente políticos encartados) rasguem as vestes com esta coisa da liberdade de imprensa. E que arranjem todos os tipos de eufemismos para dizerem que o que os preocupa é essa liberdade. Espanta-me é haver tantos portugueses politicamente lobotomizados a obedecer ao dono como se de cachorrinhos de circo se tratasse.

  7. A tese deste Pinto é muito curiosa. Quer então dizer que se o MP não tivesse divulgado no CM as escutas que fez a conversas privadas de JS ( sem qualquer conteudo criminal intrinseco ), não o teria conseguido acusar ?! Porquê, caralho ?! Porque não estaria a alimentar os apetites inquisitoriais do seu galinheiro?

    A confusão do Pinto ( se é apenas disso que se trata ) é tipica de quem não percebe nem quer perceber que a transparência na vida pública não é a mesma coisa que publicidade da vida privada, que a liberdade de imprensa não é a mesma coisa que liberdade para atropelar as garantias do Estado de Direito e em particular o direito de todos e cada um ao bom nome, sejam eles esquerdalhos ou direitolas.

  8. MRocha, a utilização da asneirada é para quê? Para dar um toque de irreverência? Se depois demonstrasse ter algum argumento inteligente até não ficava mal mas sem nada agarrado soa a outra coisa que não vou aqui escrever. Bem, adiante.

    1. A publicidade do que vem no processo pode ser do conhecimento no julgamento. As portas dos julgamentos estão abertas e qualquer pessoa pode assistir ao que lá se diz. Como já escrevi, o segredo de justiça não visa salvaguardar a vida privada dos arguidos ma a eficácia da investigação. Por isso se restringe apenas ao inquérito.
    2. Mais ainda a vida de um político. Os limites da crítica são mais amplos a um político que a qualquer outro cidadão. E obviamente que a sua vida é mais escrutinada pela comunicação social.
    3. A liberdade de expressão e de imprensa não se limita apenas às informações ou opiniões que são favoravelmente recebidas ou consideradas inofensivas ou indiferentes, mas também àquelas que ofendem, chocam ou incomodam.

    Ao contrário do que julga (e do que escreveu), estas teses não são minhas. São do TEDH:

    “Freedom of expression, as secured in paragraph 1 of Article 10, constitutes one of the essential foundations of a democratic society and one of the basic conditions for its progress and for each individual’s self-fulfilment. Subject to paragraph 2, it is applicable not only to ‘information’ or ‘ideas’ that are favourably received or regarded as inoffensive or as a matter of indifference, b>but also to those that offend, shock or disturb. Such are the demands of that pluralism, tolerance and broadmindedness without which there is no ‘democratic society’. ‘The limits of acceptable criticism are accordingly wider as regards a politician as such than as regards a private individual. Unlike the latter, the former inevitably and knowingly lays himself open to close scrutiny of his every word and deed by both journalists and the public at large, and he must consequently display a greater degree of tolerance. No doubt article 10(2) enables the reputation of others–that is to say, of all individuals–to be protected, and this protection extends to politicians too, even when they are not acting in their private capacity; but in such cases the requirements of such protection have to be weighed in relation to the interests of open discussion of political issues (Lingens v Austria (1986))

    Eu sei que esta linha jurisprudencial – frequentemente relembrada – é um embaraço para muitas pessoas. E se os regimes totalitários têm os seus lacaios a defender o controlo estatal da liberdade de imprensa é óbvio que os políticos mal formados que vivem nas democracias também os têm. É óbvio que esta conversa recente dos perigos das fake news e os apelos à criação de mecanismos legais para a sua supressão ou controlo, são o reflexo da má formação de quem se senta na Assembleia. Mas é o que temos (se temos uma ministra da Cultura a afirmar que Évora fica a Sul do Sado, não podemos esperar grande destreza intelectual de quem tutela dos ministérios).

    Por muito que custe governar em democracia, estamos inseridos numa UE que vai controlando os ímpetos autoritários de dominação e controlo social. Os “feicebuques” desta vida vieram complicar ainda mais a vida a estes aspirantes a políticos de vergasta na mão. Como dizia o outro, habituem-se.

  9. 1. A publicidade do que vem no processo pode ser do conhecimento no julgamento. As portas dos julgamentos estão abertas e qualquer pessoa pode assistir ao que lá se diz. Como já escrevi, o segredo de justiça não visa salvaguardar a vida privada dos arguidos ma a eficácia da investigação. Por isso se restringe apenas ao inquérito.

    poizé. partindo da premissa todos-os-arguidos-são-culpados e que o ministério público não se engana nem comete ilegalidades para arredondar a ficção, porque a lei é uma chatice para a investigação e trabalhar faz calos. confere lá a taxa de sucesso das novelas dos grandes escritores dos tops correio da manhã e de seguida engole o broche que acabas de fazer à corporação mal-paga-e-sem-meios.

    2. Mais ainda a vida de um político. Os limites da crítica são mais amplos a um político que a qualquer outro cidadão. E obviamente que a sua vida é mais escrutinada pela comunicação social.

    do ponto de vista moral és capaz de ter razão: bora lá criar criar tribunais de costumes e credos e dotar a justiça de crematórios para infiéis, mas entretanto há que julgar com as leis que temos em que todos os cidadãos deveriam ser tratados de igual maneira e não pela cor dos atacadores.

    3. A liberdade de expressão e de imprensa não se limita apenas às informações ou opiniões que são favoravelmente recebidas ou consideradas inofensivas ou indiferentes, mas também àquelas que ofendem, chocam ou incomodam.

    ora porra, pensava que isto ainda estava em vigor os crimes de honra e ofensa previstos no código penal ( http://bocc.ubi.pt/pag/estado-portugues-codigo-penal.html ) e se calhar já posso chamar cabrão ao gajo de boliquei-me e vaca não reconduzida. o que tenho perdido e tu sem dizeres nada à malta.

  10. thedhy boy, as ciências jurídicas não se resumem à leitura de artigos. Leia o acórdão do TEDH pois as palavras nem sequer são minhas. Se lhe for útil use o Google Tradutor.

  11. O que se pretende não é limitar a liberdade de imprensa ou de expressão mas de que a imprensa não seja um veículo de assassinato de caracter e julgamento prévio pelo MP. Alguma imprensa e o MP são “partners in crime”, e cada vez menos isto se limita a politicos, como se pretende mascarar, o caso que envolve Rosa Grilo demonstra-o, e demais se seguirão.
    O acórdão é de uma mediania atroz e não rebate em nada o que está em causa.

  12. nem são precisas partituras para o acordeão. a justiça é criativa e livre de improvisar o que lhe der na gana, os bolsoneiros dão o mote e a corporação improvisa. e depois há uns coristas, como tu, de serviço à bloga para martelarem o refrão na cabeça dos tansos para votarem darque side. quanto ao tradutor do google podes metê-lo no cu mais o resto da propaganda .

  13. V. são tão ignorantes que conseguiram por o Pinto em situação de fazer um brilharete e de vos dar uma lição de direito. A unica questão que interessa aqui é saber se é possivel, e como, tomar providências contra os tais “abusos” sem por em risco a liberdade de expressão de forma incompativel com os principios do Estado de direito… Podiam de facto ler a jurisprudência do TEDH, que diz umas coisas ajuizadas a este repeito.

    Mas isso é assumindo que v. estão interessados em debater, e não apenas em fazer fretes ou em expressar sob pseudomino a frustração de politicos que se borram todos com a simples ideia duma justiça a funcionar, e não às ordens. Nisso também, infelizmente, o Pinto é capaz de ter razão.

    Boas

  14. Em três minutos logo surgiram dois especialistas a explicar que os juízes do TEDH não percebem patavina.

    mas de que a imprensa não seja um veículo de assassinato de caracter e julgamento prévio pelo MP

    Este é um dos eufemismos mais usados pelos políticos com tiques autoritários, para se defender as restrições à liberdade de expressão e de imprensa.

    a justiça é criativa e livre de improvisar o que lhe der na gana

    Claro. Os juízes metem um palito à boca, abrem uma cerveja, sacam de uma navalha para tirar o surro das unhas e vomitam umas ideias sortidas num guardanapo. As interpretações das normas nem obedecem a critérios de ciência nem nada.
    E nem vale a pena recordar que esta linha não só já foi replicada em várias outras decisões do próprio TEDH e dos tribunais de cada Estado, como tem sido a orientação jurisprudencial seguida por todos os países ocidentais. São todos uns broncos que não percebem nada do assunto.
    O jam session é um gajo fino como o alho. Já viu a léguas que se trata de uma conspiração de bacocos. de gente limitada que não foi agraciada com a sua destreza intelectual.

  15. Pinto, isto não é um caso de liberdade de expressão como queres fazer crer, tentas levar isto para esse lado e postas acordãos e o diabo a 7 para ver se iludes a questão. Explica lá se a Rosa Grilo é politica ou cabeça de lista de algum partido para que o vosso orgão oficial passe os interrogatorios do dia de manhã à noite, fresquinhos? Tens que ler mais Padre Brown.

    Viegas, deixa de ser idiota útil. Ainda estou para saber como ganhas casos a defender pessoas se estas sempre do lado da acusação. Lições de direita, não é?
    .

  16. Joe Strummer, o caso de Rosa Grilo ganhou mediatismo. Vende. Por isso os jornalistas tentam explorar tudo o que conseguirem. Por isso: i. Se há algo que pode sair lesado com a publicação do que vai no inquérito é a investigação. ii. Se há fugas de informações, essas fugas partem de quem investiga. Os jornalistas apenas fazem o seu trabalho. iii. A sua privacidade não é assunto pois na fase de julgamento qualquer cidadão poderá sentar-se na sala de audiências e assistir ao julgamento. E se o processo for arquivado qualquer pessoa pode ler o despacho de arquivamento.

    Isto partido do princípio que o processo foi sujeito a segredo de justiça. Foi? Eu não sei.

  17. Pinto, compreendido. O MP agora é uma produtora de conteudos para a Cofina e Impresa, nada de anormal nisto, se problema houver é ao nível do CAE. Caso para a Asae, assunto encerrado. Estás a ver como não é um caso de liberdade de imprensa?

  18. “1. A publicidade do que vem no processo pode ser do conhecimento no julgamento. ”

    Pinto, tenho frangos no galinheiro com melhores perfomances em ética republicana que vexa. Então v quer equiparar a publicidade de elementos de um processo em fase de inquérito , quando ainda nem se sabia se iria haver acusação , à publicidade em julgamento ? Para si a honestidade intelectual é uma variedade de milho hibrido ?

  19. ” iii. A sua privacidade não é assunto pois na fase de julgamento qualquer cidadão poderá sentar-se na sala de audiências e assistir ao julgamento. E se o processo for arquivado qualquer pessoa pode ler o despacho de arquivamento.”

    E volta ao mesmo ! Pois poder ler o despacho de arquivamento pode, mas entretanto já andou com nome e imagem arrastados pelo lodaçal até não sobrar nada, por mais incocente que seja. O caso Paulo Pedroso, diz-lhe algo ? E nada disso o incomoda ? Que tipo de ave é vc, caralho ?

  20. Ó Viegas, se a jurisprudência do tal tribunal é do quilate que v afiança, quero mais é que ela se dane juntamente com os que a pariram ! Deve ser por a lei ter intérpretes desse ( e do vosso ) calibre que chegamos ao estado em que estamos nas democracias ocidentais e seus satélites.

  21. MRocha, a da ética republicana é daqueles carimbos reveladores da reprodução de frases-feitas. A ética monarca dinamarquesa, norueguesa ou holandesa são assim um bocadinho mais fraquinhas? Que conversa é essa da ética republicana? É defender-se a liberdade de expressão e conviver-se mal com ela? Se for por aí até percebo (por razões históricas). Deixe-se de lugares-comuns e comente.

    Então v quer equiparar a publicidade de elementos de um processo em fase de inquérito , quando ainda nem se sabia se iria haver acusação , à publicidade em julgamento ?

    Se o processo não for sujeito a segredo sim. Mais uma vez: o segredo visa salvaguardar a eficácia da investigação e não a vida privada dos arguidos.

    Pois poder ler o despacho de arquivamento pode, mas entretanto já andou com nome e imagem arrastados pelo lodaçal

    Mas isso tanto acontece numa notícia vinda na fase de inquérito (que, mais uma vez recordo, nem sempre está sujeito a segredo) como na audiência de julgamento.
    Mas não percebo essa do nome do lodaçal. Se amanhã me acusassem de ter matado alguém ou de ter roubado uma carrinha de valores, eu fazia questão que todo o processo fosse acompanhado na comunicação social. Porquê? Porque sei que nada fiz e como tal era bom.

    O caso Paulo Pedroso, diz-lhe algo ? E nada disso o incomoda ?

    Que tem o caso do Paulo Pedroso? Mostrou a influência descarada de um partido, que alterou leis (p.ex. art. 30.º do CP) propositadamente para aquele caso? A justiça não provou que era culpado (nem que era inocente) e como tal não foi condenado. Queria o quê? Que não tivesse havido processo? Está a criticar a comunicação social ou a justiça por ter agido? Queria o quê? Que a comunicação social não tivesse noticiado que o deputado da Assembleia havia ficado em prisão preventiva? A população tirou as suas ilações? Claro? Para o MRocha ele é inocente. A justiça, cumprindo os formalismos garantísticos que devem existir, não o condenou.
    Há quem entenda que foi culpado? Sim. Claro. Havendo mais ou menos notícias, a partir do momento que ficou em prisão preventiva há quem ache que ele foi culpado. No caso de um inocente a divulgação do processo só pode ser benéfica, demonstrando que a justiça nada tinha que o indiciasse. Mas não percebi o que está a criticar. A justiça? A comunicação social?
    Asneirada sabe escrever mas construir uma ideia sólida é que nem tanto.

  22. “Mas não percebo essa do nome do lodaçal. Se amanhã me acusassem de ter matado alguém ou de ter roubado uma carrinha de valores, eu fazia questão que todo o processo fosse acompanhado na comunicação social. Porquê? Porque sei que nada fiz e como tal era bom.”

    então eu explico-te o que é o fodaçal. é levares com a toina laranjo a dizer que o teu pai era bêbado, do manhólas publicar fotografias dos teus filhos à porta da cadeia, da cmtv fazer directos com drone no teu quintal, relatos da tua vida íntima e outras cenas que não têm nada a ver com o hipotético assassinato ou assalto.

    “No caso de um inocente a divulgação do processo só pode ser benéfica, demonstrando que a justiça nada tinha que o indiciasse.”

    claro, ficam todos contentes de terem ido dentro, saírem em liberdade e famosos. a caras está cheia de entrevistas destes gajos.

  23. “No caso de um inocente a divulgação do processo só pode ser benéfica, demonstrando que a justiça nada tinha que o indiciasse. Mas não percebi o que está a criticar. A justiça? A comunicação social?”

    Um gajo que escreve uma coisa destas, das duas uma: ou é estupidamente ingénuo ou é um rotundo canalha. Em qualquer das hipoteses, tenta legitimar a mediatização da justiça como um processo natural, inócuo e até desejável, tentando transformar vidas e reputações objectivamente destruidas por interesses nebulosos, que só no campo dos formalismos se pode dizer que tenham algo a ver com Justiça, em meros acidentes de percurso de quem se dispõe a exercer na vida pública.

    Para este gajo, a gravidade das denûncias dirigidas a PP não justificava que a investigação tivesse procedido com pezinhos de lã na tentativa de verificar as alegações e perceber se tinha ali matéria de facto bastante para suportar uma acusação. Nada disso. Partiu para a prisão em ambiente parlamentar com as tvs à ilharga e em directo como se estivessemos na eminência de evitar um atentado bombista. O resultado foi o que se viu . Claro que para um canalha a dignidade da pessoa é irrelevante. São deste calibre as células cancerosas que fodem por dentro as democracias e a Republica. E depois há uns bacanos armados em tolerantes que entram em diálogo com esta malta como se isto se resolvesse com conversa. Com os resultados que estão á vista.

  24. MRocha,

    Em vez de invectivar gratuitamente, era melhor apresentar argumentos fundados. O Pinto esta apenas a dizer, e muito bem, que a comunicação social não é responsavel da violação do sigilo. Se ha um problema nesta matéria, a responsabilidade deve ser procurada entre quem permitiu a fuga e não é do jornalista, que cumpre a sua missão informando.

    Mas enfim, para quê estar a gastar latim com alguém que se afirma preocupado com a defesa do Estado de Direito, mas que não hesita em dizer que dispensava sem problemas o TEDH e a CEDH…

    Boas

  25. O pintelho e o MRocha agora direccionaram o cano da arma para a justiça. Não é demais recordar que o assunto era a comunicação social e não a justiça. Se me perguntarem se concordo com todos os procedimentos que a justiça toma, eu digo que não. Não consigo descotinar, por muito que me esforce, qual o eventual benefício na detenção do ex-presidente do Sporting a um domingo à noite para ser ouvido na terça em primeiro interrogatório. Mas aí estamos a falar da justiça e o assunto não é esse (se o MRocha fosse menos excitado e nervoso quando escreve, teria percebido que o seu descontrolo emocional o leva para outros assuntos sem que a sua consciência o perceba).

  26. Viegas e Pinto, só em cabecinhas galináceas é que faz sentido separar a justiça da comunicação social neste debate, quando é evidente o casamento de conveniência que entre elas se estabelece para atingirem os mais diversos fins, que podem muito bem nada a ter a ver nem com justiça nem com o interesse público.. A comunicação social é uma arma cujo uso extravasa em muito o direito/dever de informar. Grupos dos mais diversos quadrantes investem nela apenas para promover fins dos mais diversos calibres, muitos deles esconsos, e ela deixa-se usar de uma forma completamente despudorada. Quando a justiça lhes fornece autênticas “balas de prata” feitas por medida para atingir fatalmente alguém em concreto e ela ( CS ) não hesita em puxar o gatilho e disparar sabendo de antemão qual vai ser o resultado , o que é mesmo que os distingue no plano da ética republicana, porra ? Ou será que vcs fazem parte daqueles que subscrevem a versão angelical de que as fugas de informação da justiça são aleatórias e acidentais, que um jornal nada mais é que um mensageiro e um jornalista uma espécie de moço de recados ?

  27. MRocha, relembro que me respondeu a um comentário. Esse meu comentário era sobre a notícia da urgência manifestada por deputados para a criação de mecanismos jurídicos para combater este drama humanitário que são as fake news. E que o MRocha parece aplaudir de pé e com muita força até as palmas das mãos ficarem vermelhas.

    Se é sobre a justiça e os seus tempos e procedimentos de investigação, disso não sei porque não sou eu que estou à frente da investigação. O que acho estranho é que numa altura em que a justiça começa, finalmente, a investigar e a prender políticos por corrupção (alguns com pena de prisão efectiva) é que vêm as preocupações. O desespero é tanto que se dispara para todos os lados. Para os juízes que andam a prender, para as polícias que andam a investigar, para a comunicação social que anda a noticiar (onde já se viu a comunicação social dar notícias), e, com um jeitinho, para as empresas que construíram as cadeias, que não tinham nada que fazer aqueles muros altos.

    Caro MRocha, não sei se é um político daí de uma chafarica autárquica, um aspirante a político no seu papel natural de sabujice ou um desgraçado que segura alegremente nas bandeiras. Mas uma coisa sei: é um triste lacaio que ainda não foi capaz de construir um argumento ou rebater uma ideia de forma inteligente.

  28. ò projecto de galinha, toma lá um exemplo da liberdade de expressão que tu defendes.
    https://www.bbc.com/news/world-latin-america-46145986?ocid=socialflow_twitter

    “Não é demais recordar que o assunto era a comunicação social e não a justiça.”
    explica aqui qual é a diferença entre o correio da manhã publica e aquilo que o site do sindicato do ministério público transcreve ou versa-vice.

    “… qual o eventual benefício na detenção do ex-presidente do Sporting a um domingo à noite para ser ouvido na terça em primeiro interrogatório.”

    eheheh “se calhar foi benéfica, demonstrando que a justiça nada tinha que o indiciasse” e o gajo ficar orgulhoso da sua colaboração com a polícia, mas já deverias estar habituado aos atropelos à lei pelo ministério público. quando foi do sócras tinhas opinião diferente, já sei que vais dizer que há mais pintos que galinhas, mas o piar é igual.

  29. Pinto, querido, serei tudo aquilo que diz e ainda gajo para lhe aplicar um valente par de tabefes na crista se v tivesse tomatinhos bastante para me transmitir pessoalmente o que acaba de deixar por escrito. Posto isto, que além do resto tb faz de mim um troglodita, o que não sou é parvo. E não sendo parvo, topo à légua a retórica formalista dos rafeiros que montam guarda aos coutos onde a direita entende que tem o monopólio da caça por concessão divina. Não venha pois com fintas de cintura para tentar iludir o teor da sua entrada das 11:08 de 11 Nov, que foi a que deu azo a esta troca de galhardetes, e onde v pretende fazer passar a ideia peregrina de que as violações pela imprensa do segredo de justiça só são um problema porque incomoda os politicos. A partir daí mais não fez do que bordar merda em redor desse boutade. As violações feitas pela imprensa ( e alimentadas pela justiça ) ao segredo de justiça, são um atentado permanente contra o Estado de Direito porque atentam a dignidade dos cidadãos por elas visados, sejam politicos, operários, célebres ou anónimos, culpados ou inocentes. Ponto. E qualquer gajo a quem restasse um pingo de ética republicana nas veias deveria repetir isto até ficar sem voz. Não era vir para aqui grasnar que temos de nos conformar e não há remédio, pois agora até hà o facecoiso e o whatnãoseiquê. Paste bem.

  30. e ainda gajo para lhe aplicar um valente par de tabefes na crista se v tivesse tomatinhos bastante para me transmitir pessoalmente o que acaba de deixar por escrito
    (temos homem)

    E eu ficava com eles. É que, por princípio, não bato em mulheres, crianças, idosos e deficientes mentais.
    Quando, depois de tudo o que foi escrito, vem demonstrar que não percebeu nada (continuando a bater na tecla que já foi rebatida) e a segurar, de forma saloia e com a baba a cair pelos cantos da boca, a bandeira que o dono lhe pôs na mão, mais não me resta que o deixar a “falar” sozinho.
    Para aturar garotada já aturei os meus.

  31. Parecendo que estão a defender a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão, há arautos do estado em que estamos que mais não fazem que defender o direito dos donos disto tudo a manipular a ingenuidade da plebe a seu belo prazer. Remetem para pareceres iluminados de autoridades á prova de qualquer agenda e argumentam que a cultura é o antidoto da manipulação, ilustrando com os seus próprios exemplos, de gente que sabe geografia e não se deixa enganar quando há Ministro que alvitra estar Évora a sul do Sado. Ficamos pois a aguardar pelo dia em que todos os que votam disponham de niveis semelhantes de literacia do território. E entretanto ? Salve-se quem puder! Com o resultado à vista : os trumps e os bolsonaros deste mundo como produto dessa estratégia antiga de vencedora de ganhar o poder nas democracias corroendo-as por dentro com desinformação metódica e promoção do simplismo como ferramenta de análise social.

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