PSD – Partido Sem Direcção

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Até agora, não há nada que interesse nas eleições para o PSD. A inanidade é tal que chega a ser indiferente o resultado, cada um dos candidatos apostado em provar que nada percebe da realidade que lhe entra pelos olhos; por não ser esta transformada, nos seus neurónios, em projectos políticos relevantes para o País. Há fenómenos assim, onde a imbecilidade é tão frequente num dado grupo que nenhum dos envolvidos tem a distância suficiente para a conseguir detectar.

Entretanto, Portugal transforma-se. Completamente indiferente ao que acontece no PSD, um partido que acabou em 1995.

28 thoughts on “PSD – Partido Sem Direcção”

  1. Pois. O pior é que isto não anda. Não funciona a saúde, a justiça, a educação, sobe o desemprego, os passeios enchem-se de pedintes de braço estendido, continuamos a divergir e, não tardará, olhamos para trás e não vemos ninguém: todos os parceiros comunitários nos terão passado.
    Portugal transforma-se? Em quê?

  2. Portugal transforma-se numa sociedade onde a mentalidade salazarista irá desaparecer, aparecendo soluções para os problemas que referes (e tantos outros, claro).

    Quanto aos desempregados, uma nota: se temos o País cheio de imigrantes, temos trabalho. O mesmo não se poderá dizer da vontade de trabalhar ou da inteligência na sua busca.

  3. dá muito jeito aos ‘poderosos’ ter uma massa de desempregados à solta que funcionam como almofada para os que aceitam trabalhar em condições de precariedade que significam sujeição e exploração acrescidas, ou achas que isto são histórias da carochinha? É que se achas, encomendo-te que passes por uma: é só rebelares-te contra interesses poderosos mdo status quo e vais ver. Aliás tiro ainda a conclusão que quem nunca teve problemas reais nesse campo é porque foi absolutamente conivente com os chefes, sejam lá quem for.

  4. Não se duvida disso, mas esses poderosos não são os únicos poderosos que existem. Acima de tudo, o teu pressuposto é o de que nada se pode fazer, quando foi precisamente aí que o Marx encontrou o ponto para a alavanca que iria elevar o Mundo: a massa cada vez maior dos proletariados, os quais – e inevitavelmente, na sua imaginação – iriam acabar revolucionários.

    Do que eu falo é do poder dos trabalhadores, empregados ou desempregados, e o qual remete para o conhecimento e para a vontade.

  5. z, essa conclusão é precipitada, porque implica que todos os chefes são abusadores, e não é assim.
    quanto ao trabalho precário, ele tem mais que se lhe diga. concordo com as medidas que facilitam os despedimentos, desde que em situações de transparência, como é óbvio, que a justa-causa se verifique justa. em inglaterra, e embora recentemente as taxas de desemprego tenham subido, mantiveram-se residuais ao longo dos anos porque os despedimentos são fáceis. pode parecer paradoxal, mas vejamos: para um empregador poder fazer um contrato correndo o risco de se enganar, esse risco só pode ser assumido se a situação for passível de correcção. aqui acontece a toda a hora um pequeno empresário fazer um contrato precário, ter alguém dedicado no posto de trabalho durante uns tempos, alterar as condições contratuais e o empregado deixar de fazer o que fazia, porque já se sente seguro para mandriar. e que faz a entidade patronal? numa pequena empresa, pode não ter condições financeiras para contratar mais alguém, nem pode despedir o trabalhador que afinal já não é tão bom como quis parecer por uns tempos. e lá vai mais um à falência.
    mesmo sabendo que há casos de atropelo e exploração, parece-me que este estado das coisas é perverso. que interesse tem um patrão em despedir um empregado que lhe é útil, que desempenha bem o trabalho para o qual foi contratado? e, inversamente, que sentido tem manter-se alguém num posto de trabalho em que não é de qualquer utilidade, só porque é injusto que tenha que procurar outra coisa e a todos parece bem que o patrão, essa entidade maligna, pague as favas?
    se não assumirmos que este é um tempo de mobilidade, em que todos podem ter que adaptar-se a fazer coisas diferentes daquelas que sempre se imaginaram a fazer, isto acabará por agravar-se. e há ainda muito desempregado que na verdade trabalha sem declarar, acumulando um rendimento ao subsídio.

  6. susana, concordo inteiramente com transparência e critérios definidos na contratualização. Agora que o sistema por cá contém inúmeros laços endémicos de corrupção, contém, e isso dá pano para mangas e cortinados

    até se pode dar o caso de as pessoas sentirem que lhes advém uma utilidade marginal em branquear a coisa, afinal a ‘vida é assim’, e ‘não vá o diabo tecê-las’, ‘mais vale um pássaro na mão’, etc

  7. mas seja como fôr acho que o que vai salvar isto, no sentido de esfarripar a corrupção sistémica, é a Revolução Digital

    não está em causa para mim que muitas pessoas sejam individualmente bem formadas e honestas, o problema é sistémico

    dou-te o exemplo da ponte romano-filipina de S. Pedro, que nem classificada está, e sou eu feito arqueólogo que tenho de andar a mostrar à câmara que existem nitidamente duas fases, e que portanto se eles têm documentação a provar é filipina a outra fase vê-se que é anterior, e blá-blá, até já ando a morder os cimentos

    tudo escondido à conta de uma tese académica: de que não existem vestígios romanos no litoral porque os romanos estabeleciam as suas villas nas terras férteis do interior – os interesses imobiliários a comprarem formulações e silêncios coniventes entre o pessoal que era suposto comportar-se na defesa do património histórico, bem comum

    e quantas vezes essas pessoas se calam com medo de perder o emprego?

  8. Li há dias um interessante artigo sobre dança que cabe perfeitamente neste tema. “Um dos passes mais curiosos do ‘break dance’ é aquele em que o executante simula andar para a frente, mas desliza habilmente para trás. Ora quando o actual primeiro ministro (PM) insiste em que o país está a andar para a frente, mas os portugueses sentem a vida a andar para trás, é caso para dizer que além do ‘jogging’, o actual PM abraça decididamente o ‘break dance’. (Jorge Oliveira, in Diário Económico).
    O mais dramático, na actual situação política, é o problema da redistribuição, que tem alargado, e continua a alargar, o fosso entre ricos e pobres pondo em causa o principio da solidariedade, teoricamente muito caro aos socialistas, mas sem aplicação prática como se verifica. Ora eu pensava que, 34 anos sobre o 25A, se deixasse o Salazar em paz e assumíssemos as nossas responsabilidades. Mas o que observo é a confusão entre o 25A e o período que tem decorrido desde aí, governado pelos homens do 26A que, por exemplo, discutem o aumento de tostões no ordenado mínimo, mas são uns mãos largas para os gestores públicos e privados que auferem vencimentos despudorados, mesmo comparativamente aos congéneres de países mais desenvolvidos. Sem falar nos estádios às moscas, nas monumentais ‘derrapagens’ nas empreitadas, etc, que vão depauperando o erário e desviando meios dos necessários investimentos estruturais.
    Enfim, há os que veêm o futuro com cores negras e outros, como o PM e Valupi que, para se convencerem do contrário, usam lentes coloridas e adoptam o tal passe do ‘break dance’.

  9. z, sempre houve corrupção, e há corrupção em todas as sociedades e sistemas. Não estás a olhar para a solução, parece-me.
    __

    Zé, os que vêem o futuro com cores negras têm de tirar a venda dos olhos. Ou o barrete. Em muitos casos, ambos.

  10. pois poderás dar-me outra, se assim o achares. Não estou a falar de erradicar a corrupção, estou a falar de melhorar e já agora de melhorar substancialmente. E para mim a solução que se gerou é a Revolução Digital como te disse acima, os decisores sabem que agora as suas decisões podem vir a ser escrutinadas em praça digital, e portanto é mais inteligente funcionar em moldes mais correctos e transparentes

  11. Não sei a que te referes com a “Revolução Digital”, expressão de vasta aplicação. Mas repara como é a desculpa informática a deixar a Câmara de Santarém a cheirar muito mal a corrupção, no caso noticiado há dias. Na verdade, os suportes digitais oferecem possibilidades de falsificação completa, por não deixarem rasto de alterações ou serem periclitantes.

    A solução que te sugiro é aquela que descobrires. Só tu poderás saber qual, pois dirá respeito a uma situação concreta na qual estarás envolvido. Chamo é a tua atenção para o teu poder. Há, de certeza, acções possíveis, posto que estás vivo, lúcido e tens liberdade de movimentos (entre outras capacidades, claro, algumas legais, outras comunitárias, e etc.).

  12. pois, mas por isso mesmo, cada vez vai ser mais valiosa a verdade

    (se te estás a referir agora ao caso concreto dos romanos daqui isso está resolvido, e mais ou menos a bem, o barco já está na água e só me falta soprar as velas um tempo- aliás não me interessa nada dispositivos persecutórios a não ser pelo seu efeito preventivo a montante, a boa conversão da coisa é uma festa, já que estamos nas juninas)

    ———

    já outra coisa é o país, não posso partilhar o teu optimismo, mas acho bem que exista, assim como o pessimismo do Zé, duas facetas da realidade

  13. eu acho muito bem que sejas assim, e aposto que tentas espalhar esse vector como bálsamo encorajador, e concordo que é verdade, mas também tem que levar tempero: cominhos e aimanas

    o optimismo é uma bola aberta

    uma bola aberta não contém a sua fronteira

  14. O pessimismo transforma a virtude, a consciência, em fraqueza, a inacção. É vítima de uma arrogância: não admitir a ignorância. É desta ignorância que vêm os milagres, mas só para os optimistas.

    Mas os optimistas também fazem uso das (boas) lições do passado, enquanto os pessimistas as desprezam.

    Tudo lógico.

  15. olha aqui uma coisa bonita, mesmo que não pareça optimista,

    «
    – Porque vieste? – pergunto.
    – Zedec separou-se de Rahamin.

    Este demónio conhece a Cabala! O que ele diz alude ao rompimento entre a justiça fêmea e a compaixão macho que deu origem ao reino do mal da nossa era.

    – Trago comigo Rahamin – digo -. Juntos, Rahamin e eu vamos casar esta mulher.
    – Poderás entrar e montar-me, mas não conseguirás emergir! – adverte o demónio.
    »

    pag. 206, O Último Cabalista de Lisboa, Richard Zimler, Quetzal, 1998

    fala de Pedro Zarco com um demónio que habita o corpo de uma mulher, Gemila

    mas isto não é para me meter contigo, é só que acho bonito e apetece-me pôr no vento

  16. Um sistema democrático só se desenvolve saudavelmente se tiver como contraponto uma massa crítica atenta e atuante. O unanimismo não é das democracias. É o charco. Quando todos estão contentinhos, nada avança: até o sonho os incomoda, dado o medo de que alguma coisa mude.
    Todos os sistemas devem ser avaliados pelos resultados e os indicadores estão aí a provar que muitos idosos, após uma vida árdua de trabalho, não têm meios sequer para adquirir os medicamentos que necessitam A OCDE revelou, há dias, que somos o país, entre os 25, em que a infância é mais atingida pela pobreza. Num país solidário isto é inadmissível. E não estou, com isto, a defender interesses pessoais, felizmente não estou entre estes, mas por que, no meu conceito de vida, não é possivel ser-se plenamente feliz convivendo lado a lado com miséria. É só.

  17. Zé, falas do quê, afinal? Nenhum Governo, de esquerda ou direita, e apenas numa legislatura, e ainda nas circunstâncias de herança financeira interna e crise externa, pode abolir a pobreza. Donde, do que se reclama?

    Já agora, para apoiar Sócrates é preciso ser ainda mais crítico do que para o apupar.

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