Passos vai curar-nos da preguiça

Miguel Relvas é uma das personalidades mais degradantes e hostis na política nacional de todos os tempos, suando raiva por cada um dos seus tóxicos poros e nada fazendo para a esconder. Relvas é o par siamês de Passos Coelho, muito mais do que um braço-direito. Passos não poderia repetir a versão Mr. Hyde em público sob pena de perder toda e qualquer eleição, por isso apresenta-se numa caricatura de Dr. Jekyll para consumo mediático e eleitoral, na qual surge a tratar os cidadãos como se fossem crianças desamparadas e a tentar agradar aos poderosos de modo subserviente. Porém, há alturas em que o esforçado Jekyll deixa transparecer o desbagrado Hyde que o anima, e o veneno e as cenas tristes irrompem de jorro. Recorde-se este episódio, onde cresce para cima de uma mulher que lhe estava a mandar bocas sem qualquer importância. É notório o gosto pela prepotência e o feroz desprezo pelos fracos.

É do mesmo quadro mental que vêm as seguintes barbaridades:

Para Passos Coelho, “hoje, mais do que nunca”, é preciso “enfatizar a relevância” de os portugueses serem “totalmente exigentes e nada complacentes com a facilidade”, apelando à “transformação de velhas estruturas e velhos comportamentos muito preguiçosos ou, às vezes, demasiado autocentrados”, por outros “descomplexados, mais abertos, mais competitivos”.

“Devemos persistir, ser exigentes, não sermos piegas e ter pena dos alunos, coitadinhos, que sofrem tanto para aprender”, ilustrou, considerando que só com “persistência”, “exigência” e “intransigência” o país terá “credibilidade”.

“Se queremos que nos olhem com respeito temos de nos olhar com respeito”, insistiu, criticando ainda discursos que consideram que há “demasiada austeridade”, que as medidas adoptadas para corrigir os défices do país são “muito difíceis” e, portanto, é melhor “andar para trás” e voltar “a gastar o dinheiro” que o país não tem, até porque “o FMI e a UE hão-de emprestar mais dinheiro, que remédio”, já que Portugal faz parte da zona euro.

As declarações, para além de primárias, cínicas e fanáticas, são ostensivamente provocatórias. Este homem é Primeiro-Ministro de um Governo que vive em processo de auto-profecia a respeito de tumultos sociais que permitam confirmar que os portugueses são esses gastadores irresponsáveis que chegaram a 5 de Junho de 2011 a precisar de castigo e chicote. Ele vai esticando a corda na esperança de que rompa por algum lado, pois anseia por preencher com destruição de propriedade e polícia nas ruas a crença alucinada.

Vai ser decisivo para o futuro de Portugal, ou tão-só para o destino cívico de cada um de nós, descobrir após mais uma exibição da decadência intelectual de Passos Coelho quais serão aqueles que alinharão com este desmiolado, aqueles que ficarão calados por íntimo acordo ou fatal cobardia e aqueles que terão algo a dizer, e algo a fazer, apesar da sua endémica preguiça.

12 thoughts on “Passos vai curar-nos da preguiça”

  1. Bom dia Val,
    Este cavalheiro com cara puto imberbe e bem comportado está a começar a ultrpassar todos os limites nas provocações e insultos.
    Vamos ter que lhe dizer que somos parvos mas não tanto.
    Abraços

  2. tristeza e decadência adicional é haver uma filha da puta de uma oposição que vive com ovos debaixo dos braços. são todos uma cambada de fachos, betinhos e betinhas que ocupam lugares por cunhas ou brasões de família e que se estão marimbando para as reais necessidades do povo por beneficiarem de imunidade de carências. podre, o corpo político está podre, cheira mal, e anda a contaminar a saúde pública.

  3. Meu caro Val, bem pode esperar que haja em Portugal alguém a quem ainda é dada “a vez e a voz” para se fazer ouvir e barrar os loucos assassinos, que receberam o poder total em eleições legitimadas, como a Hitler foi entregue, na legalidade, o poder absoluto. Pode esperar sem esperança, porque a “nobreza” colocou-se, como em 1385, ao lado dos invasores. A diferença é que hoje, em vez de um povo indómito, somos um povo “desalmado” por cinco séculos de diabólica inquisição.
    O Valupi viu como Eanes se prontificou para a Comissão de Honra do presidente que despudoradamente conspirou contra o governo legítimo do país. Viu como Mário Soares se declarou amigo de Passos Coelho. Viu como os socialistas elegeram para chefe aquele que conspirou incessantemente contra o seu “seu” chefe partidário e chefe do “seu” governo. Viu como a esquerda radical, em conluio com muitos militantes PS, se uniram com estes que nos governam, para eliminar de vez o PS-Socialista, uma vez frustradas as tentativas dos processos da pedofilia, do Freeport, da Licenciatura, da Intentona das Escutas e da Face Oculta. Viu o pânico estampado no rosto do presidente Sampaio, quando o processo da pedofilia o ameaçou a ele próprio, porque percebeu que bastava levar para as televisões rapazes pagos e mascarados para queimar quem se quisesse na fogueira da calúnia. Viu como ele se acobardou até ao inimaginável, abrindo caminho a uma das mais negras páginas da história da justiça portuguesa. Sim, negra e bem mais negra que as outras, porque estas foram escritas em plena democracia!
    Acha mesmo, Val, que este povo, depois de atraiçoado à esquerda e à direita nas suas instituições fundamentais, como a justiça e a presidencia da república ainda vai acreditar em alguma coisa?
    O regime acabou. Ou melhor, atingiu o seu climax. A cumplicidade das pessoas em quem os portugueses foram confiando, com a pilhagem da honra e da fazenda, minou a esperança e não vai ser nada fácil recuperá-la.
    Com ligeireza inaudita, por falta de visão ou de coragem, os nossos “maiores” destruiram as instituições que se queriam democráticas.
    Eu pergunto: quem continua a confiar num presidente da republica ou num acórdão judicial?
    Chagamos a isto. “E ninguém fez nada”.

  4. um buraco sem fundo, agradeçam ao alegre e a quem contribuiu para a eleição do cavacóide. foram 40 anos de fascismo e outros 40 de sombra do mesmo.

  5. já que estou em maré de agradecimentos, um beijinho muito grande para a tia judite e abraços para os tios gerómino e aquele do bes que me dá cabo da tensão.

  6. Muito bem Mário. Só não gosto que tenha conseguido passar a escrito aquilo que eu tinha para dizer mas que não sabia como.

  7. Um taxista de Odivelas, desdentado e furibundo, não diria melhor. Este sim, é o autêntico 1º-Menistro de “sopeiras e magalas”, em versão actualizada. O 1º-Menistro que merece este país de lixo. A concretização do célebre aforismo anarquista da minha juventude: «AS PUTAS AO PODER, QUE OS FILHOS JÁ LÁ ESTÃO!”.

    Porém, para quem esteja mais atento, “da ideia a chama já consome a crosta bruta que a soterra”…

    E cuidado, coelheiro, não te afoites, que “hão-de acabar os bárbaros” brutais (…) e o Povo humilhado, pela calada da “noite”, para a vingança aguça já “os punhais”… E de uma forma ou de outra, mais tarde ou mais cedo, “entre o azul do Céu e as amdorinhas”, havemos de ver “errar alucinados” e “arrastando farrapos”… os facínoras!

    Obrigado, Cesário.

  8. Caro Val,
    que dizer que já não tenha sido dito já? Ouvir um primeiro-ministro insultar e achincalhar uma grande parte de um povo que está mergulhado na austeridade e ficar calado já é drama bastante.
    Para mim o personagem morreu.
    Morreu, por muitas e variegadas razões, onde as menores serão a mentira da campanha eleitoral, o choradinho sentido dos sacrifícios pedidos aos portugueses pelo PEC IV, o conluio com a direita mais retrógrada e com o novo-riquismo mais “pato-bravista”, a deficiência de compreensão intelectual de coisas simples tais como solidariedade, redistribuição, serviço público, caridade, piedade, justiça.
    De provocação em provocação, a ganapada lá vai levando a água ao seu moinho insensível à desgraça alheia.
    E pior do que isso é ver que ainda há por aí quem os defenda.

  9. É isso, Val. Esse senhor aspira por atear o fogo à enorme revolta que germina no peito de muitos portugueses que, para além de angustiados, começam a estar famintos.E ele sabe disso: que gente com fome não é controlável. É por isso que, para o que der e vier, já tratou de dar umas pequenas benesses às policias, para os ter na mão.

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