Os tartufos

Os tartufos do PSD, e dos interesses económicos afectos, lamentam o atraso no pedido de ajuda financeira. Para eles, devia ter sido feito há 3 ou 4 meses, juntamente com a Irlanda, ou até com a Grécia, logo em Abril passado. Teríamos negociado em melhores condições do que aquelas a que agora vamos estar sujeitos, choram-se. E teríamos poupado rios de dinheiro, exclamam, gasto em juros apenas por causa da intransigência criminosa de um único homem. Homem esse que os tartufos conhecem de ginjeira, com aquela intimidade que só se alcança depois de virar a vida do avesso e violar a privacidade a alguém. Alguém que eles odeiam pelas melhores razões, evidentes razões, patrióticas razões. Alguém que nos trouxe até aqui, o gólgota da miséria, preferindo arruinar o País quando tinha tanta gente boa e honesta, amante da verdade, pronta para salvar as nossas riquezas e feliz modo de existir. Só que as suas mentiras, a sua arrogância, as suas ameaças, as suas chantagens, os seus truques, o seu hipnotismo, as suas manobras, as suas jogadas, os seus golpes, os seus grupos secretos, os seus rituais maçónicos, as suas poções mágicas, os seus feitiços, o seu pacto com o Diabo, a sua dieta à base de sangue fresco, e aquela cena que lhe acontece à pele e ao cabelo em noites de luar, tudo isso, e muito mais para o qual ainda não foram criadas palavras nas línguas humanas capazes de nomear e descrever, obrigou os tartufos a viabilizarem o PEC em 2010 e o Orçamento para 2011, levando-os a suportar uma impaciente e dolorosa espera que só terminou a 23 de Janeiro. À noitinha.

9 thoughts on “Os tartufos”

  1. “A partir de um certo ponto deixa de haver regresso. É esse ponto que é necessário atingir.” F. Kafka (1983-1924), antologia de páginas íntimas, Guimarães eds.,143

  2. se eu bem me lembro, só para recordar os passos mais marcantes, foi a Ferreira Leite que começou e até antecipou a Grécia, depois aquele rangido bolinha fez para lá o número de Bruxelas agravado pelo Almunia (?) enquanto o Borges lá se fincava no poiso. Bem montado, sim senhor. Depois há o povo senhores, não vos esqueçais do retrato dos embaixadores…

    Portugal resistiu mais que todos os outros do mesmo escalão.

    Grato a quem ousou colocar a voz na justiça, falando em nome de muitos, e abrindo um caso sui generis.

  3. “Monsieur de la Palice” Passos Coelho continua a enriquecer-nos culturalmente ao abrir a boca:

    (Jornal de Negócios) Pedro Passos Coelho, presidente do PSD, considera que o “grau de liberdade que temos quando pedimos ajuda não é o mesmo quando essa ajuda é solicitada em circunstâncias menos apertadas do que aquelas que temos hoje”.

  4. OS TARTUFOS. O meu contacto com os medias deste país está reduzido à sua mais simples expressão: apenas oiço música na Antena 2. Pois nem aqui consigo evitar o massacre constante com que se pretende “fazer a cabeça” (e se faz) a cabeça da nossa gente. Há momentos a Antena 2 que eu queria para a penas “me dar música” entendeu que nessa linha de coerência me devia dizer que o bispo excelentíssimo ou reverendíssimo ou lá o que é, D. Manuel Martins “não esconde a sua indignação sempre que ouve responsabilizar a crise internacional pela crise que se vive no país” (sic)!

    Eis, pois, um homem que se diz seguidor de Cristo e que se indigna quando ouve a verdade. Das duas uma, ou a sua indignação é genuina, autêntica e nesse caso não passa de um pobre de espírito incapaz de perceber o que se passa à sua volta; ou a sua indignação é mentirosa porque conhece muito bem a verdade e apenas pretende enganar o seu rebanho. A ser assim como creio que é, não passa de um miserável e hipócrata TARTUFO.

  5. Pois foi, fartaram-se de esperar, coitadinhos. Entretanto, Passos Coelho não se cansa de repetir que, ao aprovar os Orçamentos e os PECs, o PSD se mostrou muito responsável e que com isso ajudou o País e o Governo. Fica-lhe muito bem, só é pena ser mentira. Fizeram-no sempre a pensar ou nos interesses do partido ou nos de Cavaco ou em ambos. O Orçamento de 2010 foi viabilizado porque nessa altura o PSD nem sequer tinha um líder para levar a eleições, a Ferreira Leite viabilizou-o, não por estar preocupada com os interesses do País, mas sim com os do seu partido. Quanto aos PECs e ao Orçamento de 2011, Passos Coelho não teve alternativa, basta que nos lembremos do que diziam banqueiros, empresários, economistas e todo o tipo de analistas e comentadores a propósito de uma eventual crise política. De facto, até à reeleição de Cavaco, gritavam em coro que tal era de todo impensável. Aliás, a SIC-N que tem umas montagens tão giras, para passar nos intervalos, com os dizeres de Sócrates, podia fazer umas brincadeiras com o que dizia toda essa gente, incluindo Cavaco, antes e depois das Presidenciais. Portanto, foi a Cavaco e ao seu partido que Passos ajudou. Nunca viabilizou coisa nenhuma a pensar no que seria melhor para o País e muito menos para ajudar o Governo.

  6. Os tartufos do PSD da última vez que “governaram” isto duraram dois anos e agonizaram mais oito meses. Com maioria absoluta negociada na Assembleia. E o chefe deles, à altura, até era o actual feitor da U. E., coisa com que o chefinho actual só muito ingénuamente poderá sonhar, mesmo numa noite de Verão. Não contem comigo para segundas vias dessas faenas…

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