O reino da estupidez

Não se imagina esta campanha imoral e antidemocrática onde o PSD se barricou a ser feita pelo PS. Será impossível, pelo menos enquanto o partido mantiver a actual demografia feita de resistentes à Ditadura e paladinos da democracia. Nem as bases nem os dirigentes históricos o permitiriam, jamais deixariam cair o partido nas mãos de reaccionários e decadentes, ranhosos para quem vale tudo. É, por isso, sumamente burlesco que o partido do cavaquistão e da sociedade dos lusos negócios, o partido da vergonha democrática e humilhação presidencial na Madeira, o partido que ainda recentemente calou Marcelo na TVI só porque não aceitava a sua crítica política e ainda quis impedir o trabalho de Fernanda Câncio na RTP com um argumento abaixo de cão, o partido que forjou documentos para perverter as eleições de 2005, agite agora o espantalho da censura para atacar o partido responsável pela defesa das liberdades e garantias ameaçadas após o 25 de Abril pela tirania comunista. O PS é tão plural, com uma cultura democrática tão sólida, que manteve Manuel Alegre como líder de facção interna em permanente oposição, chegando-se à sistemática tentativa de boicote legislativo quando Alegre e os seus votaram contra o PS em momentos especialmente críticos. E, apesar da postura soberba e bacoca de Alegre, continuou a ser protegido e acarinhado por Sócrates, que tudo tentou para o manter como deputado na próxima legislatura e participante nesta campanha. ‘Nough said.


Paulo Rangel, o mais forte candidato à sucessão de Ferreira Leite, disse que Sócrates limitou a liberdade de expressão e, para combater essa situação agravada com o caso TVI, apelou a um levantamento da sociedade civil. Como Rangel é um dos notáveis representantes da Política de Verdade, seria grave ignorarmos o que diz. Assim, diz isto: que Sócrates é investigado, exposto e criticado por qualquer órgão de comunicação social que o pretenda fazer, como o Público, Sol, TVI, SIC, Sábado, Correio da Manhã e 24 Horas, por exemplo, fazem sem qualquer impedimento ou consequência; que os processos levantados contra certos jornalistas resultaram do aproveitamento eventualmente calunioso de certas matérias do foro pessoal, não da publicação original dessa mesma informação; que 4 anos e meio depois do Governo tomar posse, não se conhece um único caso de limitação da liberdade de expressão que tenha sido formalmente estabelecido. É isto que Rangel nos diz sem margem para dúvidas, porque é esta a verdade, é este o terreno comum a que chamamos realidade. E pensemos: com milhares e milhares de militantes e simpatizantes do PSD, CDS, BE e PCP por todo o País, em todos os sectores de actividade e, especialmente, na comunicação social, seria possível este Governo interferir na liberdade de expressão, fosse onde fosse e como fosse, e tal não ter sido já registado, denunciado e explorado? Por que razão as acusações ao PS e a Sócrates não vêm acompanhadas de provas, sequer indícios? Conclui-se que o levantamento pedido por Rangel é contra este asfixiamento da capacidade de provar qualquer uma das calúnias, suspeitas e conspirações que os sociais-democratas não param de bolçar.

O Jornal de Sexta tinha perdido influência política e social, era agora mais uma das rotinas mediáticas. Nada de útil para a investigação do Freeport veio do trabalho jornalístico ali desenvolvido. O caso foi explorado exclusivamente do ponto de vista do espectáculo e do ataque político, não da verdade jornalística e da justiça. No seu ponto mais alto, a divulgação aos bochechos das filmagens da tal reunião onde se fala em Sócrates, o resultado foi um anticlímax: se a investigação se baseava no que aquele diálogo, por aquelas pessoas, revelava, então estávamos muito mais próximos da fantochada do que da corrupção. Quanto muito, ali tinha ficado registado o momento em que um tratante tenta indrominar alguém recorrendo a uma história com fortes marcas de ser inventada. Contudo, aferir da sua veracidade era a missão das polícias e da Justiça, não da TVI através de um tratamento que antecipava a culpa de Sócrates.

Como sabem os que não são pulhas, as declarações de Sócrates contra a TVI foram uma resposta em nome da honra pessoal, não um ataque à liberdade de expressão. A liberdade de expressão é uma coisa, e as calúnias e a difamação são outra. Quem não entender a diferença que ponha o dedo no ar para anotarmos quem são e onde estão. Acontece que a honra pessoal se pode confundir com os legítimos interesses de um partido, de um Governo e de um País. Ora, o que é notável neste caso TVI é que os ataques começaram em finais de 2008 e continuaram em crescendo até à interrupção do programa para férias, em 2009. Em nenhuma circunstância a TVI esteve impedida de anunciar que Sócrates se alimenta de sangue humano e tem um plano para matar o Papa. Fizeram tudo o que lhes deu na gana, e, sem disso terem intenção, comprovaram que a liberdade de expressão é uma das características principais da actual governação que ora finda. Pois, apesar das extraordinárias adversidades da campanha de assassinato de carácter, não se detectou nenhum revanchismo do poder político. Quando se aponta a recusa de Sócrates, e alguns outros ministros, a ir à TVI, está a dizer-se isto mesmo: vejam, estão amuados!

Não há nenhuma situação em que a interrupção do Jornal de Sexta fosse benéfica para o PS se tal fosse visto como interferência de Sócrates, mesmo que indirecta. Ter acontecido nesta altura, e nestas circunstâncias opacas, é extraordinariamente negativo para a salubridade da campanha. A não ter sido arbítrio ou erro de alguém, foi planeado para prejudicar o PS e favorecer a estratégia terrorista do PSD. Talvez por isso Ferreira Leite tenha tido o desplante de declarar que nunca se saberá o que se passou no caso TVI. A sua política de verdade é, de facto, sui generis. Esta afirmação, juntamente com as reacções histéricas e dementes dos publicistas e responsáveis do PSD, mostra que há cidadãos que confundem Portugal com um reino da estupidez, o reino do Pacheco.

19 thoughts on “O reino da estupidez”

  1. Valupi, depois de tão “bunito” texto há uma coisa que não compreendi.
    “adversidades da campanha de assassinato de carácter” Como se pode assinar algo que não existe?

  2. Valupi: não são estúpidos não, são pérfidos. Vou afiar as unhas amanhã, mas agora vou xonar para a mata da Amazónia.

  3. Para mim que além de eleitor olho para as campanhas como quem vê corridas de cavalos estas são umas eleições deveras interessantes.
    Na próxima semana aparecerá outro *escândalo*, estou curioso em ver qual é.
    por outro lado o PS já devia ter percebido que para mudar a inclinação da campanha precisa de avançar com um acto político que seja eleitoralmente game-changer mas séria – o povo pode ser manipulado mas não é estúpido; vai ter que ser qualquer coisa com valor e de fora da caixa de truques standard. Quanto mais esperarem pior.

    Para adicionar à criatividade deixo duas propostas: i) eleição directa por sufrágio universal de vários procuradores da república autónomos; ou, ii) a publicação integral, detalhada e *em tempo real* de todas as entradas e saídas de dinheiro do partido socialista, num serviço internet pesquisável por qualquer português.

  4. Bem, Valupi, só tenho a subscrever. A Ferreira Leite não tem nenhuma política de verdade. Apanhei-a agora a dizer ao Louçã que ele queria impor a “família”. O que ela ainda não irá pôr na boca dos adversários…

  5. Eu gostava tanto de lançar um feitiço à Manuela Ferreira para ela se apaixonar pelo Sócrates no dia 11 de Setembro. Mas por que razão estas coisas só acontecem nas narrativas medievais?

  6. Clâudia para vovê decifrar:
    Uma noite sonhei que Ana Drago, Luísa Apolónio e Manuela Ferreira Leite, tinham morrido. Fui fazer uma viagem ao Céu e aproveitei a ocasião e pedi a S. Pedro, para lhes fazer uma visita. Estavam em período experimental a ver se ali ficavam ou eram distribuídas pelo Purgatório ou Inferno.
    S. Pedro avisou-me que ali eram bastantes exigentes e caso alguma prevaricasse, eram fechados numa cela, para cumprir uma sanção disciplinar.
    Sanção disciplinar menos grave; era acompanhada por uma mulher feia. Sanção disciplinar grave; acompanhada por uma mulher um pouco mais feia. Sanção disciplinar mais grave; acompanhada por uma ainda mais feia.
    A Ana Drago estava acompanhada por uma mulher menos feia, dizendo S. Pedro, coisa leve. A Luísa Apolónio, acompanhada por uma mulher mais feia, dizendo S. Pedro, mais grave um pouco. Continuamos e chegados à cela da Manuela Ferreira Leite, ela estava acompanhada com uma mulher bonita. Aqui não resisti e disse a S. Pedro. Não são só más notícias, Manuela Ferreira Leite fez uma boa acção. Responde-me S. Pedro. Não é ela que está de castigo.

  7. Tadinho do socrates. Vá lá que para compensar vai de férias para hoteis aonde paga 14 mil euros por 14 dias, 3 meses de salário. Enfim… podia era ser um pouco mais discreto e não gastar de forma tão descarada o dinheiro da corrupção.

  8. Oh Cam, olhe que foram 14 mil euros POR DIA.
    Eu sei pq o primo do porteiro de um amigo do meu cunhado conhece um tipo que ia lá ao hotel entregar cervejas e o tipo das limpezas do bar contou-lhe.

  9. Chessplayer, sendo a sanção disciplinar mais grave o facto de ser acompanhada por uma mulher ainda mais feia, a mulher bonita levou com o traste da Ferreira Leite.

  10. Cláudia,
    Coitada da Sra, nada pior que um amor não correspondido, por muito mal que tenha feito, não merece tal sina!

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