O regresso de Sócrates – ironia e maiêutica

Tal como opinaram António Costa e Francisco Assis, a ida de Sócrates para a RTP no papel de comentador político começa por não parecer boa ideia. Por um lado, vai fatalmente interferir na relação do PS com o Governo e sua coligação parlamentar, criando uma diversão que será explorada pela direita; por outro, a função de comentador, para mais tão em cima dos acontecimentos que levaram à sua saída do poder e que permanecem plenos de actualidade, corresponde a um estatuto que apouca a sua memória tamanha a importância histórica e cultural da sua governação. Mas ainda mais bizarramente, a sua entrada na RTP pode ser vista (e de imediato a arraia-miúda histérica expressou essas insinuações conspiratórias ou debochadas) como o resultado de ter feito um qualquer acordo com o Governo ou de ter recebido a anuência do ministro da tutela, o indestrutível dr. Relvas (o qual é só o maior especialista vivo nos critérios de vergonha que devem reger a consciência moral dos familiares de Sócrates). Esta é a dimensão irónica do caso.

Acontece que Sócrates é livre. As suas prestações rapidamente esclarecerão o que o convoca e motiva. Qualquer previsão a respeito das consequências da sua presença mediática é menos certeira do que um palpite na roleta. Inclusive até poderíamos fantasiar por desfastio uma alucinada teoria da conspiração alternativa onde ele estaria a vir a convite da Comissão de Trabalhadores da RTP e com a missão de salvar a casa das garras dos fanáticos que a querem destruir e vender. O facto é que há um trabalho a fazer em nome da democracia, do Estado de direito, da salubridade do espaço público, da decência, da coragem e de Portugal. Esse trabalho consiste no confronto sem piedade com os agentes da indústria da calúnia, os manipuladores das misérias económicas, educativas e psicológicas, os serventuários da oligarquia, os vendilhões da República. Esse trabalho devia ter sido assumido por Seguro, quão mais não fosse por módica lealdade ao partido. Ora, Seguro não só se calou como até alinhou no massacre. Enfim, o que vier a nascer da intervenção de Sócrates será sempre um acrescento de racionalidade argumentada e de contraditório benéfico. Esta é a dimensão maiêutica do caso.

Sócrates desperta o ódio em senhoritos muito vaidosos e em senhoras podres de sérias. Sócrates também desperta o ódio em quem acha que sabe tudo acerca de tudo e em quem realmente não sabe nada acerca de nada. O ódio é a cicuta da inteligência.

50 thoughts on “O regresso de Sócrates – ironia e maiêutica”

  1. Na Quadratura do Círculo, a reacção do mais vocal comunicador da actualidade portuguesa, igualmente famoso pelo seu apurado ouvido, ao regresso do Napoleão do Crime, foi interessante: o Mal (sic) que estava em Paris vai passar a estar em nossas casas. É tudo. Nem são precisos mais comentários porque vocês sabem, toda a gente sabe, toda a gente percebe, só resta tentar perceber as motivações de Satanás…

    Portugal é de facto uma nação miserável. Não é a única, longe disso, mas é uma delas, e não tanto moral, mas sobretudo cultural e intelectualmente. Não gosto de dizer isto, mas há que reconhecer, ter compaixão e reforçar a nossa própria fortaleza individual. Salve-se quem puder, e se puder salve mais alguns.

  2. A propósito de maiêutica socrática, e para passar da filosofia à metáfora histórica, há um terrível nó górdio na sociedade portuguesa actual, e em minha opinião passa pelo processo Casa Pia. Tudo o resto que ocupa a atenção equivale a uma sobreposição de mais e mais nós — de enorme importância mas menor significado — que esconde o pecado original contemporâneo das nossas atribulações presentes. E é assim não tanto pelo desenrolar do processo em si, ou sequer pelos seus resultados, mas pela indiferença ímpia com que se aceita, elogia e aproveita o sacrifício de inocentes ao regular funcionamento das instituições alucinadas. Não se trata apenas de cobardias e comodismos. Não é apenas a conspiração política, nem a sordidez de orgãos de informação, nem a invulgar obtusidade de magistrados, nem a ausência generalizada de informação, cultura e ponderação crítica da sociedade como um todo. É pior do que isso: é o hábito de longa data, é a deformação alienante, é a presença do fantasma da Inquisição, são os séculos de Cristianismo que corromperam a moral e a razão. Se a desgraçada sociedade em que vivemos quiser de verdade desatar as cordas que a amarram, comece por quebrar o nó górdio.

  3. Este Gungunhana mete dó, coitadito…

    Mas se o Sócrates ainda não abriu o bico e já está tudo apavorado, desde o Inseguro ao borra-botas cavaquista mais básico, é sinal de que o MAL – o ódio cego – está ainda bem dentro de nós a consumir-nos, violentamente, a alma. E a melhor forma de derrotar esta besta é levantarmo-nos todos com ímpeto e enfrentá-la de uma vez!

    Nem que acabemos todos numa guerra civil! Há muito por aí quem a mereça e outros tantos já a desejam. E se calhar é um caminho mais rápido para pôr FIM AO MAL do que esta desgastante e interminável guerra civil servida fria e em doses diárias homeopáticas.

  4. Q.E.D. = “Quod erat demonstrandum”, que se usa muito pomposamente nos Cursos de Direito quando se pretende concluír “c. q. d.” (como queríamos demonstrar), mais usado nos Cursos de Ciências.

  5. absolutamente de acordo com valupi.o regresso de socrates,vai permitir mais verdade no debate,por força do contraditorio.vamos ver os trauliteiros do costume, a moderar a sua narrativa.quando estava em paris,era criticado,vem a portugal é criticado. perante esta evidente falta de democracia, a socrates só resta um lugar: o tarrafal e com umas idas à celebre frigideira para a direita e porque não o pcp ficarem mais descansados para as suas coligaçoes espúrias que conhecemos.

  6. Val,
    Sócrates, mesmo longe, faz tremer as colunas dos palácios!

    A direita correu a unir as hostes com uma estapafúrdia petição onde as assinaturas são como coelhos, pois reproduzem-se à velocidade dos interesses estabelecidos, a esquerda começa a borrar-se de medo – veja-se a título de exemplo a unanimidade repentina no PS.

    A intenção de desviar as atenções do governo, parcialmente já foi conseguida, pois há mais gente a falar na possível reaparição de Sócrates do que da afirmação dum pm de opereta que já decidiu não aumentar o smn.

    A Sócrates assiste-lhe o direito de não ser tratado de modo diverso a: Marcelo, Mendes, Santana, Sarmento e tantos outros que vão recebendo algum para esplanar as suas ideias/convicções, mas para já, Sócrates mete a primeira lança em África ao ser comentador sem remuneração o que não será dispiciendo.

    Quem gizou o golpe do convite e a orquestrada manifestação espontânea comandada por um autarca do CDS, mais uma vez, fez mal o trabalho de casa e pode vir a sair-lhe caro.

    No PS, parece já se ter feito sentir a influência, vamos a ver o que nos espera…

  7. “O facto é que há um trabalho a fazer em nome da democracia, do Estado de direito, da salubridade do espaço público, da decência, da coragem e de Portugal. Esse trabalho consiste no confronto sem piedade com os agentes da indústria da calúnia, os manipuladores das misérias económicas, educativas e psicológicas, os serventuários da oligarquia, os vendilhões da República. Esse trabalho devia ter sido assumido por Seguro, quão mais não fosse por módica lealdade ao partido. Ora, Seguro não só se calou como até alinhou no massacre.”

    É a loucura! A atribuição a Sócrates deste papel só pode vir de um estado de total alienação. Que loucura , meu deus!

  8. Julio de Matos, tu é que metes dó! Gostava de te ver na linha da frente revolucionária… Viva o Sócrates, pelo que fez e tentou fazer, neste sistema que o G.Meireles tão bem descreve! Tem que ser tudo relativizado e… bem definido, com as causas e contextos do que somos como “nação lusa” e que o G. Meireles tão bem e sucintamente o fez! Sim senhor o povo deve levantar-se, mas o povo tem de ter quem o conduza, como se sabe e aconteceu no 25A, em que o povo não se levantou, seguiu os militares revolucionários e… passados 39 anos estamos quase como dantes! Viva o Sócrates pelo que fez e tentou fazer ainda mais, no sistema capitalista vigente, em que o povo faz o que os media ordenam, se não houver um Sócrates que tente dar a volta!

  9. Em pouco tempo mais de quarenta mil borrados de medo foram a correr assinar uma petição contra a RTP e Sócrates.
    DEvem ser os que há pouco tempo de queixavam de não deixarem “botar faladura” o dótor em equivalências relvas
    Canalhas!

  10. Helder, a coisa pode tornar-se uma bocado perigosa porque se lhe concedem tempos equivalentes aos do dilúvio de disparates, meias-verdades acintosas, mentiras completas e calúnias infamantes despejado sobre a sua pessoa ao longo de anos e anos, arriscamo-nos a ver a RTP reduzida a tanto tempo diário de Sócrates como a velha TVI do tempo da desbocada.

    E depois, se entregamos a RTP paga por todos nós — sem sequer isenção de taxa para os anti-socráticos — ao Napoleão do Crime, como é que vai ser? Como é que os outros comentadores, já com o seu direito à indignação tão oprimido e as suas asmas crónicas tão marcadas para sempre pela asfixia democrática, vão evitar o desemprego e a emigração forçada?

  11. Um pedragulho no charco de àguas podres em que os “políticos” chafurdam !
    Os aldrabões e ladrões do PSD e seus acólitos do CDS-PP já estão a acrescentar
    alguns factos novos às suas narrativas, vão admitindo existir uma críse interna-
    cional que eles só detetaram em meados de 2012, hoje o País está muito pior do
    que em Junho de 2011 mas, não podemos esquecer que em Março de 2011 está-
    vamos quase na bancarrota pior, o memorando foi mal desenhado … neste caso
    a culpa deve ser do Catroga porque já começou a dizer que foi mal aplicado!
    Os hipócritas do PCP que vivem no século passado no tempo em que até havia um
    muro que dividia Berlim, a sua principal luta é pela defesa do seu “castelinho” e
    ficam muito felizes se continuarem com 10% de votação o seu inimigo é o PS!
    O BE faz o seu papel de “surfista” e diz que quer promover a união da esquerda!?!
    No PS temos uma direção feita à semelhança do seu lider Tózé que, bebeu ou
    engoliu toda a intoxicação criada contra o Governo, sem chama, sem acutilância,
    sem idéias … mas, muito responsável e, incapaz, salvo raras excepções de con-
    trariar as “narrativas” dos estarolas amesentados no POTE!
    As reações de Assis e Costa só revelam a sua incomodidade pelo regresso de José
    Sócrates porque, dizem ser “amigos” dele e que as coisas, quais? estão muito
    frescas e, naturalmente as suas próprias ambições podem ir para o Inferno!!!

  12. Mas que espectáculo!!!!

    Lá vão as audiências do doutor Marcelo e do meia leca para o galheiro!

    O país vai parar de boca aberta!!!!

  13. Já agora, Professor Buíça, « c.q.d.» só quer dizer «como queríamos demonstrar» quando utilizado por: 1) autores colectivos (concedo que geralmente científicos); 2) eminentes autores singulares inclinados ao plural majestático (como a rainha de Inglaterra quando dedica algum tempo aos teoremas algébricos); 3) jovens jotas individuais quando multiplicam assinaturas em manifestos de indignação (por exemplo, contra tempos de antena asfixiantes).

    Fora disso, em português, que dizer «como queria demonstrar».

  14. Acho que estamos todos a falhar um bocado o alvo. A verdade é que a campanha anti-Sócrates foi um sucesso inegável. Uma petição tonta que suscita tanta adesão é por si só reveladora. Logo, parece-me, que Sócrates deveria ter esperado mais algum tempo até que o tempo se encarregasse de desmoronar esta construção. Era de prever que o laranjal, esgazeado que está com a aposta completamente falhada, desviasse as iras para Sócrates: de uma cajadada matam dois coelhos: lavam a nódoa que foi o seu voto e descarregam no ódio de estimação. Agora, não é tempo de recuar: Mesmo que as assinaturas cheguem a um milhão, Sócrates só tem um caminho, que é o de ir em frente…
    Entretanto, alguem devia dizer ao diretor da RTP que a invocação da frase de Voltaire neste caso é acintosa, miserável e indigna. Dá a idéia que é uma condescendência a um pobre diabo perdido irremediavelmente. Ora, eu penso que o diretor da RTP não tem sequer nível intelectual para confrontar um Relvas, quanto mais uma das figuras políticas mais notáveis dos últimos tempos.

  15. No livro “O Triunfo de César”, de Steven Saylor — que li há alguns anos, e vivamente recomendo — descreve-se um costume de Massília [Marselha], ao tempo uma colónia grega de regime timocrático. Uma timocracia é uma forma de constituição em que o governo é detido pelos cidadãos mais distintos, geralmente os mais ricos.

    Quando algo corre muito mal à cidade (no caso ficcional do livro, era um cerco movido por Júlio César) os timocratas escolhiam um “bode expiatório”, que costumava ser um dos seus que havia caído em desgraça ou tinha feito inimigos perigosos. Durante uma semana tratavam o “eleito” como um príncipe. Mas, findo o prazo, atiravam-no da Rocha do Sacrifício para a morte, depois de uma procissão ao estilo da Via Sacra. Deste costume vem a expressão “bode expiatório”, que hoje usamos para designar costumes modernos com a mesma função social: a de exorcizar um mal comum através do sacrifício de um notável.

    Do livro:

    http://novoslivros.blogspot.pt/2009/02/morte-na-roma-antiga.html

  16. joaopft

    Feiticeiros do manto laranja! Acho que não estas a ver bem o guião. Por aquilo que deu para ver, o produtor desse filme foi o Relvas e vai ser rodado nos estúdios que foram concessionados à empresa laranja no dia 5/06/2011.
    No elenco, a interpretar o papel de vítima, até agora, só foi conhecido o grande ator choramingas Seguro.

  17. @ FV,

    Claro que as campanhas de difamação, insidiosamente concebidas como irrespondíveis por motivos processuais e jurídicos, tiveram um enormíssimo sucesso. Os exemplos mais acabados são o Face Oculta com o seu Quinto Segredo de sentido único confiado a um pastorinho de multidões de muito sucesso e pouco miolo, e o Freeport com o seu termo efectivo adiado sine die através do encerramento jurídico acompanhado da manutenção de suspeitas devida a «falta de tempo» para colocar meia-dúzia de perguntas, aliás completamente inócuas.

    Existem duas espécies de comedores de trampas [em castelhano no texto] deste género: os culpados, que até gostam, e os inocentes, que não têm mais nada que comer. Paradigmáticos destes dois tipos são o elegante comentador que numa televisão qualquer, com um sorriso de bon vivant endinheirado, alinha na calúnia porque sabe que numa época que proscreve os duelos os cobardes não têm resposta possível, e o desafortunado que emprenha pelos ouvidos simplesmente porque nasceu onde nasceu e nunca aprendeu a duvidar de nada.

    A minha esperança no regresso do Conde de Monte Cristo, recentemente avistado ali para as bandas da 5 de Outubro, não se baseia em nenhuma expectativa de regeneração milagrosa da nação, e nem sequer em profundas afinidades ideológicas, para além do realismo pragmático, com a vítima de todas estas estórias pessimamente contadas por hordas de répteis. Mas julgo reconhecer-lhe coragem, honestidade, inteligência e habilidade na argumentação, o que o coloca na posição de poder resgatar mais algumas alminhas (do segundo tipo, está bem de ver) do purgatório intelectual português.

    É por isso e também — confesso com alguma vergonha — porque a televisão está cada vez mais chata.

  18. francisco

    Se assim é, bem se vê pelas reacções apaixonadas de uns e outros que Relvas anda a meter água (nada de novo, neste particular). Sócrates é uma personalidade carismática que, onde quer se se encontre, desencadeia ódios e paixões. O programa vai ter enormes audiências; e “aquele cujo nome não pode ser pronunciado” vai aproveitar a generosa oferta de Relvas para voltar à política activa com o discurso populista que os feiticeiros do manto laranja não podem ter.

  19. Entre a ironia e a maiêutica, acho mais mal que bem que Sócrates regresse agora ao tablado da política mediatizada. O PS do Tozé já mostrou à saciedade que nem Sócrates nem nós podemos contar com ele para dizer o que seria necessário. Faz falta o que Sócrates teria para dizer, sem qualquer espécie de dúvida. Mas se Sócrates deixar agora de pensar que o melhor é o silêncio (por mim, não deixei de achar isso), vai trazer com ele à ribalta o bombo da festa preferido da direita. Tudo o que a direita caceteira e corrupta investiu na campanha negra e já estava a deixar de dar dividendos na opinião pública sugestionável, vai voltar a render. Depois, Sócrates não pode, obviamente, ser comentador da política portuguesa sem ser comentador também da oposição, a começar pela oposição socialista. Como se vai desenvencilhar disso?

  20. @ Júlio,

    Mas desde quando é que a distância tem impedido alguém de malhar no bombo da festa? Por onde é que o Júlio tem andado desde a queda do PECIV?

    Quanto à cacetada «que volta a render» não se esqueça da filosofia do judo: aproveitar a força alheia, coisa que só se pode fazer sem os braços amarrados atrás das costas.

  21. Uma pergunta para o Messias:

    Garante ainda hoje que o BPN nao terá efeito nos deficits?

    Sócrates garante que BPN não afectará contas deste ano e dos próximos
    MARIA JOSÉ OLIVEIRA 18/03/2011 – 15:31

    BPN foi nacionalizado em 2008 SARA MATOS

    O primeiro-ministro garantiu hoje, no Parlamento, que o registo do buraco do BPN não terá reflexos no défice de 2011 e dos próximos dois anos, respondendo assim a Paulo Portas, líder do CDS-PP, que, durante o debate quinzenal, questionou Sócrates sobre a possibilidade de essa operação vir a ser registada no défice deste ano.

    Portas perguntou ainda qual a posição do Governo face à hipótese de o Eurostat não aceitar que o impacto do BPN seja registado em 2008 e se o Executivo pondera apresentar um PEC V. “Não é o Governo que decide isso”, respondeu Sócrates, “é a autoridade de estatística nacional”. E assegurou: “[O impacto] não terá consequências nos próximos anos”.

  22. José Sócrates assegurou ao “Financial Times” que não tem “a mínima dívida” de que o Governo vai atingir os objectivos orçamentais, de baixar o défice orçamental para 7,3% do PIB em 2010 e 4,6% no próximo ano.

    Numa entrevista publicada esta tarde no “site” do jornal britânico, o primeiro-ministro repete o que já tinha afirmado ao Wall Street Journal e ao New York Times. Que “não teve alternativa” a apresentar mais medidas de austeridade, devido aos receios injustificados dos mercados.

    “Estávamos a ser penalizados pelos mercados financeiros devido ao ritmo gradual de redução do nosso défice financeiro”, afirmou Sócrates, acrescentando que “tínhamos que colocar um ponto final nesta incerteza de uma vez por todas”.

    Classifica de “injustificados” os receios dos mercados quanto à capacidade de Portugal cumprir as suas obrigações com os credores. Ainda assim, reconheceu que errou quando pensou que Maio não tinha que tomar medidas de emergência mais drásticas para acalmar os mercados.

    “Não teve nada a ver com falta de coragem ou determinação. Pelo contrário, resistimos a uma decisão desse tipo [cortar salários] até termos a certeza absoluta de que não tínhamos alternativa”.

    “Cortamos salários, aumentamos impostos, congelamos pensões e reduzimos prestações sociais”, disse Sócrates, questionando se “há mais alguma coisa que possamos fazer para mostrar que estamos absolutamente determinados em atingir os nossos objectivos custe o que custar?”.

    Sócrates acrescentou que o crescimento económico deste ano deverá ficar quase de certeza acima de 1% mas reconhece que as medidas de austeridade vão penalizar o crescimento de 2011.

    Ainda assim, quando às metas para o défice orçamental – vai baixar para 7,3% do PIB em 2010 e 4,6% do PIB em 2011 – Sócrates é claro: “Não tenho a mínima dúvida que esses objectivos vão ser atingidos”, afirmou.

    Quanto à aprovação do Orçamento na Assembleia da República, Sócrates diz que está confiante que o PSD “não vai faltar à sua responsabilidade política”.

    Em entrevista “New York Times” , Sócrates admitiu que o País foi penalizado por o Governo só ter tomado medidas de austeridade tão agravadas neste momento como os cortes salariais, algo que os outros países periféricos europeus fizeram muito mais cedo

  23. José Manuel Fernandes, o comentador político, agorinha mesmo na SIC: «Sócrates não é um comentador político, não tem jeito nenhum para comentador político»…

    Hahaha, genial.

  24. Júlio,

    acho que menosprezas a estratégia e capacidade do Sócrates; como animal político que é, qual o problema de comentar a actuação da actual oposição socialista? Isso pode até ser um não-problema, uma vantagem para o país (mesmo que incómodo para a actual direcção socialista). Mas o Sócrates não é o Seguro. O nível será conceteza muito mais interessate e construtivo.
    A actual oposição socialista não o comentou a ele também? It’s a free country, mais ou menos, não há que ter receio de falar, pode ofender, pode estragar aquilo que alguns acham que caminharia melhor sem voz contrária. Mas a diversidade de ideias só nos torna mais fortes. É disso que os histéricos têm medo, porque sabem que são fracos e querem uma democracia fraca.

  25. «José Manuel Fernandes, o comentador político, agorinha mesmo na SIC:»

    Correcção: foi na TVI-24.

  26. Não imagino como Sócrates quer ser apenas um comentador político, quando se está a meter no centro do vespeiro. Das duas, uma: ou comenta como se estivesse na lua, alheio ao que por aí se ladrar contra ele, ou passa a usar o tempo de antena para se ir defendendo dos ataques de que vai ser alvo. Ambas as hipóteses são desvantajosas para ele e para o que seria preciso que ele dissesse.

    It’s a free country, aproveitar a força alheia para o golpe de judo: estou nessas. Nem me amedrontam petições para calar alguém, mesmo assinadas por um milhão de censores. Mas temos de tentar ver para além dessas questões. Será oportuno o momento para Sócrates voltar à ribalta? Tenho dúvidas, but I am open to persuasion.

  27. Mas será que ele quer ser apenas mais um comentador político? Será que não conhece o meio a que regressa?Claro que sim. Não surpreendeu mais do que uma, duas, quantas vezes, contra os “prudentes” fora e dentro do partido?

    O Val tem razão, é difícil antever o totobola socrático. Por isso é que está toda a gente receosa, os pró-Sócrates (caramba, de tanto levarmos na cabeça, quase deixámos de acreditar) e os histéricos – paradoxalmente, estes parecem acreditar mais no poder do homem. Fun.

  28. Val, que contentamento para si e para umas 5000 pessoas que em petição rejubilam com a chegada do “pai” pródigo. Mas não é a opinião de 120 mil pessoas que até agora também em petição estão contra a contratação de um sujeito que com uma governação irresponsável levou o país e as pessoas para a bancarrota.

  29. campus, por esse mesmo motivo, devia ser proibido de falar em Espanha, na Grécia, no Chipre, em Itália, na Irlanda e sabe-se lá quem serão as próximas vítimas da governção irresponsável do homem…Mas se são já 120.000, acho que se devia interditar já o direito à fala por parte de tal energúmeno. Continuemos com o monopólio das dúzias de comentadores dos que aumentaram mais a dívida em ano e meio do que o incompetente em seis anos. Só que estes têm uma crise internacional e ele não. Tudo perfeito. Agora fica a postos para ver as audiências: compara com o Martelo a ver onde foram parar os 120.000. Põe-lhes mais um zero,passa para a RTP, e vais ver que acertas.

  30. campus, ajuda-nos a encontrar a verdade, fala-nos dessa governação irresponsável. Que se passou, afinal? Consegues explicar a coisa?

  31. Passos Coelho & Vítor Gaspar, que aumentaram a dívida (em apenas dois anos) de menos de 90% para mais de 120% do PIB e, como afirmou o actual primeiro-ministro quando era oposição, eles são «responsáveis pelo resvalar da despesa [do Estado com os juros da dívida, pelo que] têm de ser civil e criminalmente responsabilizados pelos seus actos.»

  32. joaopft

    Passos Coelho & Vítor Gaspar, que aumentaram a dívida (em apenas dois anos) de menos de 90% para mais de 120% do PIB

    Tenho-te em melhor conta. Foda-se, tens a noção do que acabaste de escrever?

  33. Val

    É claro que será impossível ajudá-lo.
    Mas explico-lhe porque é que o que disse me pareceu sinal de alienação.
    Ao contrário de si, não tenho agenda política, o que me faz uma pessoa normal.
    Como cidadão comum, não afetado pelas conversas circulares benfica-sporting deste tipo de blogue em que escreve, o que disse acerca de tipo pareceu uma loucura, francamente.
    A minha impressão de Sócrates é feeport, conversas destruidas, tagus parque, jotinha, cunha em camara municipal, mentiroso, vaidoso, obediente ao capital, aos conluios com Soares da COsta e afins, Parque escolar, ajustes diretos, manipulação de números de orçamentos, tentativas de controlar a TVi, telefonemas a ameaçar o diretor de um jornal, licenciaturas tiradas ao domingo, impossiblidade de confirmar o seu trabalho como quse engenheiro de camara, ter deixado o BPN chegar onde chegou, ter nacionalizado o banco, etc. Se isto é injusto ou não, é irrelevante. O que importa é que todos achamos e sentimos.
    É isto que os portugueses pensam do homem que personifica o grau zero de moral na politica para eles. Daí a questão da sua alienação. Se não tem noção disto vive em marte.
    A quantidade de pessoas que falaram comigo ultrajadas (pessoas normais, claro) no dia da saída da noticia foi esclarecedora. Claro que o val deve ter só trocado uns email e uns tel com os seus amigos sobre o assunto. Se andasse no meio das pessoas não engajadas, perceberia o que eu quero dizer.

  34. João Leal

    É isto que os portugueses pensam do homem que personifica o grau zero de moral na politica para eles

    Eu estou à vontade para falar de Sócrates, pois devo ser o maior critico da política dos Governos dele, aqui no blogue.
    Tens razão que, por vezes, o Val exagera na dosagem de remédio que dá aos janízaros do sultão Sócrates, mas é necessário manter as tropas com a moral forte, sempre prontas para qualquer eventualidade. Então, depois do folhetim “António Costa” e, mais grave, ainda, do flop da última manif, era necessário manter as “tropas” unidas, para evitar a debandada. Por isso esta “dose de cavalo” de alienação a que fomos sujeitos nos últimos tempos.
    Mas no essencial do teu post esta errado. Porque não foram estes “fait divers” que tu descreveste aqui que fizeram com que o país tivesse de pedir assistência financeira e fizesse com que, hoje, os portugueses se sintam descrentes e revoltados. Foram as políticas de Sócrates e a sua teimosia em não querer aceitar a realidade que nos conduziu a esta situação. Claro que a culpa não é toda dele.
    Escolhi esta tua frase, por uma razão. Tentar misturar a moral com a política, é como querer misturar água com azeite. Mal de nós, se um governante se reger por conceitos morais que devemos ter nas nossas vidas pessoais, na gestão dos negócios do Estado. Colocará o Estado, indubitavelmente, numa situação de fragilidade e as nossas vidas em jogo.

    Abraço

  35. Joao Leal disse: «A minha impressão de Sócrates é… [sucessão de títulos de telenovelas]»

    A minha impressão de João Leal é que vê telenovelas, lê cabeçalhos, fixa nomes ouvidos no autocarro, retém palavras, mas deita fora a semântica e não se cansa muito em saber de que se está a falar, quanto mais de analisar criticamente.

    Mas enfim, é só uma impressão.

  36. joao leal, escreveste:

    “Se isto é injusto ou não, é irrelevante. O que importa é que todos achamos e sentimos.”

    Agora só precisas de encontrar um dicionário, e pode ser um daqueles mais pequeninos e baratinhos, e procurares a palavra “alienação”.

    Depois volta cá para continuarmos o tratamento.

  37. Para citar apenas o primeiro exemplo, «a minha impressão de Sócrates é Freeport», isto é o mesmo que escrever, por exemplo, «a minha impressão de Eanes é Casa Pia». Quer dizer o quê ao certo?

  38. Val

    como disse, será impossível ajudá-lo. Se é casado ou namora, peça à sua companheira/o afetivo/a ou ao seu pai.
    Tentei explicar o que todas as pessoas com quem falei sentiam e por que razão é que achar que Sócrates poderá ser essa espécie de salvador nacional, como o val insinua, é estar alienado. O ex-primeiro ministro que governou Portugal durante 6 anos, e que não foi capaz de salvar o país de uma necessidade de resgate, é apontado por quase todos como o principal responsável. Se é ou não é, como disse, é indiferente. É assim que a maioria das pessoas pensa. Fruto de má imprensa, de assassinio de carácter ou o diabo a sete, a reputação do personagem não se enquadra no que disse. Ou seja, você está enganado e o povo não lhe vai dar hipótese. Tem de falar um bocadinho com pessoas que não façam parte desse círculo fechado para perceber melhor, parece-me.

  39. Gungu,

    Talvez seja só uma impressão sua. Talvez não.
    Mas é engraçado referir a televisão e cabeçalhos. Sócrates deve tudo à Televisão e aos famosos debates com o Santana Lopes. Um secundário da política nacional é promovido a primeiro-ministro com meia hora de publicidade grátis todas as semanas. Oh, se eu me lembro dessas conversas! Sócrates é um produto de marketing.

  40. joao leal, onde é que me leste a insinuar que Sócrates é “essa espécie de salvador nacional”?

    Enquanto procuras nos meus textos ou na tua alucinação, tratemos de fazer avançar o teu tratamento. Ora, tu repetes que não queres saber se Sócrates fez ou não fez aquilo de que alguns o acusam. Basta que apareça como alvo de acusações, seja lá de quem for, para que tu alinhes com os acusadores. Muito bem. Quer isso dizer que se aparecer um grupo de indivíduos a acusar-te de teres mentido e roubado tu vais concordar com eles e assumires que mereces o castigo respectivo? Conta lá à gente como é que funciona a tua cabeça nesta hipótese comparativa.

  41. torres,

    percebeste-me mal, mas deixa lá, se calhar não me expliquei bem.

    Apenas quis dizer que consumar esta catarse nacional contra o “Diabo”, na pessoa de José Sócrates, é sempre preferível a manter-se este engulho entalado na garganta da consciência colectiva nacional.

    Sócrates tem pois é de saír da “toca” e enfrentar, corajosamente, a besta da incompreensão, da intolerância, da canalhice e da cobardia nacional! Só isso já é um inestimável serviço que ele presta à saúde mental e à ética pública neste País à deriva. Seja qual for o resultado político, para ele e para Portugal, desta defesa da sua Honra, já ficámos todos a ganhar com esta decisão.

    Pactuar com a cobardia e dar a outra face, à espera do “esquecimento”, não é estratégia para nada. É calculismo podre e condenado a prazo.

    É urgente reparar o mal incalculável que fizeram a este País na pessoa de José Sócrates e na forma da rejeição do PEC 4. Temos de passar todos por este Calvário até ao fim, quer os que prevaricaram, quer os que nos sentimos ultrajados e revoltados!

    E a Semana Santa é uma época excelente para confrontar o Mal e para rejubilar com a desejável vitória do Bem.

    A sanidade pública em Portugal tem de ressuscitar, sem demora! Para bem do nosso Futuro colectivo, como Nação e como Sociedade de Homens e Mulheres decentes.

  42. jáo leal quem diz que “socrates governou seis anos e não conseguiu livrar portugal do resgate” esta afirmaçao alem de incompetente não é seria! nos primeiro 4 anos ,reduziu o deficte de 6.8 do governo da direita para 2.7%. e por isso o povo deu-lhe novamente o voto.depois surge o que o mundo viu e continua a sentir na pele.porque motivo só alguns paises foram resgatados paises? dos resgatados,só falo de portugal,para dizer ao “leal ” que fomos resgatados, porque foi rejeitado um pec aprovado pela europa,que tornou inviavel a governaçao.os pecs ao contrario do que muitos pensam, ainda continuam a ser aplicados em muitos paises,pois foi o meio que a europa encontrou para combater a crise financeira mais grave desde 1929.

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