O mano Costa pede sangue

O mano Costa, inspirando-se no zeitgeist, quer ver cabeças a rolar. Vai daí, lançou uma campanha para que Cavaco vete ministros socialistas, pelo menos um: O Presidente pode vetar algum ministro? No artigo dá-se a ler a jurisprudência que coligiu entusiasmado de forma a que em Belém não haja dúvidas nem hesitações. Simultaneamente, consegue a proeza de ter dois artigos lado a lado, no espaço digital do jornal, onde defende posturas diametralmente opostas. Enquanto neste artigo promove o vale tudo contra os candidatos ministeriais sem necessidade de explicações por parte do Presidente, no Cavaco optou pela única solução que tinha canta o faduncho do formalismo, das regras constitucionais e do institucionalismo no afã de se justificar por ter defendido um Cavaco sectário e irresponsável. Não contente, ainda conseguiu pôr a anedota do Bernardo Ferrão a ir buscar Sócrates para o atirar contra Van Dunem. O mano Costa é mesmo aquela máquina a despachar serviço.

Ora, os candidatos socialistas a ministros de Costa exibem retintos e perigosíssimos socráticos. Santos Silva, Vieira da Silva e Capoulas Santos, qual deles o pior; e estes são apenas os mais cabeludos. O Capoulas carrega a chaga de ter sido a primeira visita de Sócrates em Évora. O Vieira da Silva também lá foi ao beija-mão. O Santos Silva, julgo que não foi a Évora, mas nem precisava. Estamos a falar de mais um Santos Silva, como se o outro bandido não chegasse, pelo que não é preciso dizer mais nada. Para além destas vergonhas que Costa foi desencantar só para afrontar o chefe de facção que ocupa Belém, é impossível que Cavaco já se tenha desmemoriado do que sofreu com esta gente quando os três eram auxiliares do Diabo. E para quem nada aprende e nada esquece, a pulsão para a vingança deve estar no máximo da força.

É para esse desfecho que o mano Costa trabalha. Não chega fazer exigências pataratas e indicar que não se indigitou o outro Costa para formar Governo. É preciso que haja mesmo sangue a valer. Foram 7 anos seguidos de impunidade e rancor para o líder da direita portuguesa, o ciclo tem de terminar num festival de pulhice – berra a claque paga pelo militante nº 1 do PSD.

31 thoughts on “O mano Costa pede sangue”

  1. Há muito tempo se percebeu que o Ricardo Costa é um dos maiores inimigos políticos do irmão. Há uma numerosa classe de opinadores (90 % dos jornais e televisão) que se refugia a trocar bolas de ressabiamento e fantasia entre si, sem se dar conta que o país está noutra.

  2. ò escalracho, fazias assim e poupavas-nos 1/2 metro de scroll com essas piadinhas de infantário.

    Ricardo Caim? Ricardinho Rolha? Uma no cravo, outra na ferradura? Cor de burro quando foge? Não é carne nem é peixe? Vende cabritos a gregos e troianos? Distribui os ovos por várias cestas? Contorcionista? Coluna maleável? Há audições para o Circo de Pequim? E para o Cirque du Soleil?

  3. Olhos Nos Olhos. Bem…eu ouvi o Medina Carreira a afirmar que “estava muito agradado” com o elenco para o novo governo, mas não entende de que forma o Mário Centeno vai fazer milagres com um crescimento anémico esperado por toda a gente. Por isso, conclui, vai bater contra a parede da realidade.
    Ainda ouvi, dele e do Loureiro dos Santos, o convidado, falar da farsa da guerra contra o EI. Segundo eles, os financiadores destes desumanos terroristas são a Arábia Saudita e o Qatar. Nem mais! Os amigos árabes de Obama e Hollande!!! Além daTurquia, claro, e esta de forma escancarada, com uma autoestrada cheia de camiões a transportar o petróleo de Mossul, conquistada há muito pelo EI. O Putin estava a bombardear este “oleoduto” dos amigos da Nato, o tal EI, vai daí o braço-armado da Nato na Turquia abate um caça, e os terroristas amigos metralham os pilotos nos seus para-quedas.
    Judite, Medina e Loureiro dos Santos ficaram a olhar uns para os outros, como que a dizer “mas que merda é esta?!”

  4. Val, se há posts que eu te elogio são os que escreves sobre o Ricardo Costa e sobre o vazio que se oculta nos miolos do senhor da desgraçada dislexia de nome JMT. Juro-te que a mim me enchiam de vergonha! Excelente também é este, mas a manha só se pode dirigir ao Augusto Santos Silva no MNE (o gasto José Manuel Mestre, na SIC, deu a entender quase o mesmo). Aliás, depois de andarem dias a fio a adivinhar o elenco governativo do António Costa, ontem, houve uma rapariga que lhe perguntou directamente se «achava bem» (!!) que o PS divulgasse os nomes dos ministros sem ter autorização do PR algarvio. Autorização!, acho que a palavra era esta.

  5. Snr. Valupi, ao abrigo de que dispositivo legal pode o PR vetar uma personalidade integrante da lista de ministros, indicada pelo PM indigitado/indicado para formar governo ?
    Compete ao PM formar governo e como tal desenvolver contactos para a formação do mesmo, no âmbito desses contactos o PM obviamente deve ter em conta tudo o que é relevante relativamente aos membros do gabinete .
    Se a questão é ” pode vetar ministros socialistas “, então, aí sim, pode vetá-los a todos, e não só por mero capricho, mas antes do mais e sobretudo por incompatibilidade política, visto que o PR é de área política diversa .
    Claro que isto vertido no segundo paragrafo é uma rigolade. Mas com Cavaco, nunca se sabe se uma rigolade se pode transformar em realidade .

  6. ´Será verdade que Cavaco vai mesmo questionar Costa sobre os ministros escolhidos? Nem quero pensar, sequer, em vetos. Se é só para chatear o Costa, bateu à porta errada. Ele tem paciência de chinês. Agora pensem um pouco. Se isto é assim por parte do Supremo Magistrado, o garante do bom funconamento das instituições, imaginem a avalanche de achincalho que aí vem na AR. Ferro Rodrigues já começou a ser gozado, gozado!, pela Teixeira da Cruz. Portas e a sua trupe insistem que o governo de Costa “é ilegítimo e tiraremos daí todas as ilações”. Do PSD vem o anúncio do adiamento do Congresso até que seja possivel pedir a dissolução do Parlamento, afirmando, entretanto, que o governo de Costa é golpista. Portanto, tal como o CDS, vai também tirar todas as devidas ilações. Vamos ter um governo da esquerda ou uma guerra já iniciada por Cavaco? Isto vai ficar muito feio. Por mim, não tenho grandes dúvidas de que Costa e o seu governo vão ser enxovalhados diariamente na comunicação social que é toda da direita. Ferro Rodrigues é um ilegítimo Presidente da AR. Costa um PM ilegítimo. Porquê? Porque a tradição, a convenção e não sei que mais..,

  7. «Ele tem paciência de chinês», Maria? O correcto será fazer um trocadilho e dizer que o António Costa tem paciência de goês (uma caracteristica coeva que os ocidentais assinalaram nas elites orientais, e que terá que ver com a presença do espiritual no social, nas trocas económicas assimétricas digamos assim que é uma palavra do novo léxico cavaquês e… no político).

  8. Este Costa mais novo, ou melhor, costinha, consegue nestes dois artigos opostos (no mesmo dia!) ainda outra coisa extraordinária. No artigo do jornal, dá a sua opinião. No artigo de opinião, faz de jornalista.
    Case study este costinha

  9. Lá se foram os trabalhinhos do ricardito e do seu aprendiz bernardito!
    Acabou a obstrução do Pilatos de Belém ao natural curso da nossa vida
    política, o Governo proposto por António Costa foi aceite na íntrega, com
    “malhador” e todos mais!
    Não há que ter qualquer receio do láparo e seu coligado irrevogável que,
    amanhã vão sentir o chão fugir debaixo dos pés, quanto aos valetes mar-
    quitos vai ter tempo para bem preparar a sua defesa no tal caso de tráfico
    de influências que corre no M.Público, o magalhães da brilhantina bem
    pode estrebuchar mas, consta que tem um caso a correr na justiça rela-
    cionado com uma possível paternidade … em breve deve ser desactivado!
    Só lembrar que o Costa não pode fazer milagres, e o caminho faz-se cami-
    nhando! Há que compatibilizar os justos anseios das centrais sindicais
    com as disponibilidades que, se irão encontrar nas tais arcas cheias … di-
    zem ser de dívidas!!!

  10. Costa tem que agradecer eternamente a Cavaco Silva estas demoras.

    Os dois, Cavaco e Costa, se entendem.

    Os dois sabem que o partido das misses e o partido dos trabalhadores não são de confiar.

  11. Estão indigitados os nomes dos ministros, são conhecidos os nomes dos secretários de estado.

    No Expresso online, há um bom bocado.

  12. ISABEL SOARES – FILHA DO MÁRIO SOARES
    novo governo

    Incomensurabilidade Terá passado pela cabeça de António Costa que a aproximação do PS à esquerda poderia ser um processo simples, linear, para aplicação imediata e sem consequências de maior para o seu partido.
    A incomensurabilidade é um conceito importante em ciência e filosofia. Diz-nos que não se podem comparar ou somar de alguma forma coisas que são qualitativamente diferentes. Mas em política, a julgar pelos nossos políticos e comentadores, tudo é comparável e todas as diferenças são encaixáveis numa qualquer bitola comum.
    A primeira vez que senti um forte desconforto com esta tendência para comparar coisas que na minha modesta opinião são incomparáveis, foi há muitos anos, quando via o Professor Marcelo Rebelo de Sousa dar notas aos políticos. Ficava abismada e irritada quando ele dava, por exemplo, um catorze a Álvaro Cunhal e um quinze a Cavaco Silva ou a Mário Soares, ou vice-versa, e nunca consegui livrar-me da má impressão que tal espectáculo me causava. Não pelo valor das notas em si, mas pelo facto de ele por no mesmo plano realidades (no caso, pessoas) que não tinham nada de comum entre si. E achava profundamente deseducativo e indutor de erro tal perspectiva, para mais divulgada amplamente numa televisão generalista.
    Ao longo do tempo fui tendo em diversas ocasiões a mesma sensação de desconforto, e ainda bastante recentemente isso aconteceu quando ouvi de vários comentadores políticos de diversos quadrantes elogios à actuação de Mariana Mortágua na Comissão de Inquérito ao caso BES. Como se qualquer posição expressa por um qualquer político pudesse ser descontextualizada do resto das suas posições e avaliada isoladamente.
    Volto a sentir o mesmo desconforto no momento actual com a aparente facilidade com que se admite constituir uma maioria de esquerda para governar, somando os votos dos respectivos partidos. Não me estou a referir aos dirigentes partidários dos partidos em questão, porque esses não me surpreendem quando tentam chegar ao poder de qualquer maneira. Isso só mostra que nos últimos quatro anos alguma coisa foi feita para mudar Portugal, e é isso que eles querem travar.
    Refiro-me a alguns comentadores e a gente comum. Somar os votos de partidos diferentes após as eleições pode ser legítimo ou não. No caso de partidos relativamente próximos em termos de matriz ideológica, cultural, ética e de tradição não vejo nenhum problema com isso. Já quando se trata de partidos com uma matriz substancialmente diferente e que ao longo da sua história estiveram frequentemente em barricadas opostas, como é o caso dos três partidos da esquerda portuguesa actual, a minha opinião é outra.
    Aquilo que separa partidos da social-democracia europeia, como o Partido Socialista, dos partidos de matriz marxista-leninista ou comunista, é muito profundo, ou, pelo menos, julgava eu que era. É toda uma história e uma postura cultural, ética, de valores básicos sobre a organização económica, social e política da sociedade que estão em causa. É impossível que não haja muitos eleitores socialistas a sentirem-se desconfortáveis com a actual aparentemente fácil aproximação entre o PS e o PCP e BE.
    Os votos destes três partidos não são, nunca foram e não serão adicionáveis, pelo menos, num futuro próximo, ou eu estou muito enganada. Seria muito mau sinal se um processo desses acontecesse de forma linear, sem muitas curvas e contra-curvas, sem voltas e reviravoltas.
    O PS carrega, talvez mais do que qualquer outro partido em Portugal, espero eu, a menos que tenha sofrido alguma forma de amnésia colectiva, o que foi a nossa história e a história da Europa do último século, e em particular dos últimos quarenta anos, com todos os seus conflitos, alguns deles profundos e violentos. E para além disso, tem muitos militantes provenientes do PC, o que neste aspecto pode ser uma faca de dois gumes. Estes factos não podem deixar de dotar o PS com o lastro de complexidade íntima que lhe permita resistir a algum dirigente menos avisado e mais simplista como parece ser o caso de António Costa.
    Terá passado pela cabeça de António Costa que a aproximação do PS à esquerda poderia ser um processo simples, linear, com resultados rápidos, para aplicação imediata e sem consequências de maior para o seu partido? Se for isso que vier a acontecer, é um muito mau sinal de degradação da vida pública portuguesa.

  13. – “Vossa Excelência dá uma no cravo e outra na ferradura !”
    – “Pudera, Vossa Excelência não pára quieto”!

    Conhecem maneira mais elegante de chamar cavalgadura a alguém ?

  14. Ribas, deverias linkar a fonte não?

    A fonte é o Observador direitolas, o que é importante para se saber em que águas a senhora navega. Por agora, confesso que li três parágrafos e travei, o resto fica para depois. Ora, apesar da linguagem canhestra, percebe-se que a senhora acusa António Costa, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa de tentarem «chegar ao poder de qualquer maneira» certo? E que o presente acordo parlamentar entre os partidos da/s esquerda/s «mostra que nos últimos quatro anos alguma coisa foi feita para mudar Portugal, e é isso que eles querem travar»?! Porra, é preciso ter estômago.

    Incomensurabilidade – Observador
    http://observador.pt/opiniao/incomensurabilidade/

    […]
    Volto a sentir o mesmo desconforto no momento actual com a aparente facilidade com que se admite constituir uma maioria de esquerda para governar, somando os votos dos respectivos partidos. Não me estou a referir aos dirigentes partidários dos partidos em questão, porque esses não me surpreendem quando tentam chegar ao poder de qualquer maneira. Isso só mostra que nos últimos quatro anos alguma coisa foi feita para mudar Portugal, e é isso que eles querem travar.

  15. Não tive pachorra para ler o texto todo da Isabel Soares, retive a faca de dois legumes .

    O PS a seu tempo vir-se-à livre da influência burguesa – e a meu ver nefasta – do clan Soares – Barrosos .

    Basta ver que já no ato de fundação do PS, na Alemanha, nos anos setenta, a matriarca, e mãe da madame Isabel, votou contra a fundação do partido, he he he .

    É gente do contra .

    O João Soares, na primeira oportunidade, bate com a porta, com o pretexto da falta de fundos para subsidiar a cóltura .

  16. Haverá audições para idiotas que acreditam serem 11-ONZE-11 copy&pastes seguidos o melhor exemplo de racionalidade de quem ensina a poupar “1/2 metro de scroll”? Há, sim senhor, e o parvalhatz é o único candidato.

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