O bom Louçã

O meu Ministro favorito, neste arranque do Governo, é Vítor Gaspar. Porque é impossível não gostar de um gajo que se apresenta com esta humildade, genuinidade e boa onda. Não que tenha alguma preferência por essas características naquela função, mas, por acreditar que o homem é mesmo assim, espero que assim se mantenha apesar do desgaste que vai sofrer. Vejam-se também estas vénias à japonesa, algo que já nem no Japão se usa, e a ingenuidade desarmante perante uma pergunta irónica de um jornalista. São modos, cognições e linguagens corporais típicos de quem passou a vida em gabinetes de estudo por vocação e com proveito, sem caganças.

Ontem fiquei a gostar ainda mais, muito mais, deste cabrão. A sua versão lost in translation da tonteira calamitosa de Passos mostra que há ali um lado de maquiavélica sofisticação que pode aparecer quando menos se espera. Temos político.

20 thoughts on “O bom Louçã”

  1. um brilharete , então , os independentes :))) não andar nas jotas é de facto uma mais valia. até dá para fazer vénias em lugar de esperar e querer ser veniado.

    só espero que seja maquiavélico até à médula e que saiba que um país só funciona com muitos “remediados”, poucos ricos e poucos pobres , baixa corrupção , valores fortes e seguidos por todos. ah , se não sabias , ficas a saber que é isso que Maquiavelo , o melhor dos melhores politólogos , defende. vai lá ler o principe , se não acreditas.
    e sim , dá para enforcar corruptos para se conseguir baixa corrupção : a cena de meios e fins…

  2. Eis uma personagem característica da nova fase de manipulação mediática própria da hegemonia política de uma direita portadora de um ultra liberalismo económico e financeiro que está na génese da crise com que o Mundo se confronta desde 2008 .
    A conferência de imprensa mostrou um ministro mais desajeitado e suporífero do que o Catroga e que tem o desplante de nos querer fazer passar por analfabetos em Economia e em linguagem política , como se viu esta tarde .
    É um exemplo de um político que depende, e desde já, da proteção dos mercenários mediáticos que , através não só dos “media” privados mas também da RTP e da RDP, controlam a informação e o comentário , desde o tempo dos Governos de Cavaco Silva.

  3. Achei exactamente isso mesmo. Gosto de pessoas “não formatadas” em termos vulgares, aliado a um olhar e a humor astutos, rendo-me à sua personalidade! Quero, por intuição, acreditar nas capacidades deste homem enquanto ministro das finanças.

  4. Sim, também gostei do estilo do ministro, uma “avis rara” cá no burgo, o que é sempre positivo, embora eu veja mal como é que esse estilo se pode compatibilizar, sem cair no ridículo, com uma situação em que as coisas corram muito mal, como é o mais certo. Mas desejo-lhe sinceramente, a bem dele e de todos, que corram bem!
    Nota-se que tem a perspectiva de que os ditames da União Europeia são para cumprir à risca e que , se eles o ditam, é porque têm razão, o que é muito discutível e até desafiado (veja-se os interesses especiais em empresas estratégicas, por exemplo) pela maior parte dos Estados membros. Aí deveria entrar uma visão política nacional, de um certo orgulho de ser português, sim, porque não, que dificilmente terá, parece-me. Viveu muito tempo lá fora e trabalhou junto do BCE, logo, será principalmente um executante do acordado com a Troika. Tecnicamente não duvido que o fará bem. A ver vamos o impacto social, e no próprio governo, das medidas de corte da despesa.

  5. Pode ser tudo isso e nada. Para mim é como aqueles ponteiros de manómetros que oscilam desenfreadamente entre o mínimo e o máximo antes de encontrarem o ponto de equilíbrio. Pela amostra inicial, todas as opiniões são ainda prematuras, desde aqui a anónima (“idiota útil”), até às mais benévolas da Penélope e do Valupi.

    Eu confesso que gostei do estilo. Vamos aguardar atentamente pela substância. Até lhe dou de bónus-maçarico o colossal desvio de se pôr a aventar “interpretações pessoais” para as tiradas do maçarico-mor do leme. Não é ainda atribuição dos Ministros das Finanças fazer concorrência às prédicas dominicais do Prof. Martelo, ou à criatividade cronística do Cónego das Neves…

  6. Por acaso, já ouvi essa opinião de um amigo psicólogo….andava por ali muito propranolol.
    Mas ao que parece é produto muito usado entre a classe política para entrevistas e intervenções mais críticas.

  7. Confesso que me diverti. Desde o estilo, um pouco doutoral com alguma precipitação à mistura e tentativas de humor q.b. e excesso de polidez, à aridez do monólogo – longo, demasiado longo e entorpecente – passando por algumas (bastantes) contradições e alguns sofismas, o homem promete.
    A meticulosidade com que enumerava as perguntas talvez o levassem a ter esquecido algumas respostas, mas a assistência embevecida também deixou andar.
    Esperemos pelos cortes na gordura, pois até ao momento só vi darem porrada nalguns moços de lavoura que sustentam o animal.
    Aos capatazes e mordomos nada lhes foi pedido.

  8. Olha, forçado no “bom” (ainda é cedo para adjectivos desses) e também no “Louçã” (que não vejo em que possa ser comparado com Vítor Gaspar, tirando a eventualidade de terem ambos tirado a mesma Licenciatura).

  9. ele precisa de uma máscara de pepino para sacar-lhe aquelas olheiras papudas e ficar com um olhar trinta e três. e depois está apto a ser o tal cabrão querido.:-)

  10. Que jeitosos os Louçã! Gostei das mãozinhas a tentar explicar que afinal o “desvio colossal” não era “desvio colossal” mas ” desvio, blá, blá, blá, blá, blá, blá colossal”.

  11. Caro Val,

    Constata-se facilmente por este e outros posts teus que não percebes nada de economia, quanto mais não seja porque mais uma vez confundes fundamentalismo com crença, cabrões infantis com crianças idealistas e o que mais te fosse fosse possível conceber, estarias sempre a laborar em erro. Bem, na minha interpretação, tal sucede apenas por um motivo, uma razão solitária apesar de líquida, a qual me escusarei, todavia, referenciar.

  12. Porra, são mesmo primos??! E, já agora, também será primo daquele José Rabaça, que foi um destacado dirigente do extinto Partido “Eanista” (PRD)? Portugal é mesmo assim tãão pequeno?

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