Não há provas contra Sócrates, garante o Observador

«O centro nevrálgico da acusação da Operação Marquês contra José Sócrates e Carlos Santos Silva assenta essencialmente em prova indireta que permite sustentar, de acordo com o Ministério Público, que Santos Silva é um mero testa-de-ferro do ex-primeiro-ministro, logo os mais de 30 milhões de euros que foram descobertos nas contas bancárias tituladas por aquele em Portugal e na Suíça pertencerão, na realidade, a Sócrates. As palavras de Morais Pinto foram vistas por diversas fontes do Ministério Público como uma defesa do trabalho da equipa de Rosário Teixeira e um recado para o juiz Ivo Rosa.»


Luís Rosa

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Abriu a época da pressão máxima sobre Ivo Rosa. Para além dos últimos 15 anos onde na comunicação social o tabloidismo de direita e a indústria da calúnia não só triunfaram como vão a caminho de se tornarem ubíquos – assim criando o “clima social” mesmo à maneira para ser invocado por juízes de todas as instâncias como singular fundamento das condenações “exemplares” de alguns “poderosos” escolhidos a dedo – trata-se agora de mostrar a um certo juiz, detestado pelos canalhas por querer cumprir zelosamente a Lei em nome do Estado, que aquilo que tem entre mãos não é um caso de Justiça, antes um caso de regime. E que o regime já decidiu qual o desfecho que pretende.

Como Luís Rosa escreve, a “Operação Marquês” dispôs de recursos humanos, materiais e funcionais ilimitados, a que se juntou um juiz de instrução que actuava como procurador, e não conseguiu produzir prova alguma da corrupção de Sócrates. Pura e simplesmente, no Ministério Público ninguém sabe como demonstrar que uma certa decisão governativa foi tomada em resultado da entrega de dinheiro a Sócrates ou a alguém em seu nome. Como não sabem, inventam. Foi isso que fizeram ao longo da investigação, daí andarem a saltar de calúnia para calúnia ao longo dos anos só para chegarem sempre à mesma conclusão: não há nada por onde se possa sequer começar a provar, com documentação ou testemunhos, a suposta corrupção que alegadamente justificou a colossal reunião de forças policiais e judiciais. Não havendo, juntaram aos molhos o nada que tinham sobre o tanto que vasculharam e devassaram, colocaram-lhe o carimbo “provas indirectas”, e agora querem que se repita exactamente o que aconteceu com Vara no “Face Oculta”. É que o caso de Vara é uma prova, sim, mas do arbítrio e prepotência indefensável da Justiça quando quer esmagar um cidadão. Lá em Aveiro, 25 mil euros que ninguém viu a serem entregues nem foram encontrados, nem sequer existindo racional para terem sido pagos, serviram para fazer o que nunca tinha sido visto em Portugal: disparar cinco anos de prisão efectiva numa condenação por tráfico de influência. Na “Operação Marquês”, se for repetida a fórmula e respeitada a proporção face ao valor político do alvo embrulhado numa acusação que agita 30 milhões, podemos esperar condenação que chegará aos 500 anos, mínimo de 50 efectivos.

Provas contra Sócrates, nicles, mas abusos de poder, irregularidades, crimes e explorações políticas de boca cheia e à doida, isso nunca faltou na “Operação Marquês” por parte do Ministério Público, partidos políticos e impérios de comunicação. Ainda antes de sequer existirem arguidos constituídos já a manipulação mediática e política de materiais judiciais única e exclusivamente na posse de magistrados corria solta no espaço público. A lógica é ancestral e oligárquica: vale tudo para destruir o inimigo. E quem tem poder vai usá-lo nos limites da sua eficácia, essa a regra que este Luís Rosa está a seguir ao dar alcance e densidade às ameaças dirigidas contra um juiz. A intenção é a de obrigar Ivo Rosa a deixar que sejam outros juízes, mais amigos do “combate a certos corruptos” do que da inocência até prova em contrário de qualquer pessoa, a tratarem da “corrupção” por “prova indirecta”.

Por prova indirecta é uma delícia, porque se pode soterrar juridicamente um ser humano em suposições absolutamente subjectivas, e esta peça de um dos mais fanáticos carrascos do PS será apenas a primeira de centenas ou milhares que veremos nos próximos meses escritas, gravadas em rádios e filmadas nos estúdios de TV a exigir a cabeça de Sócrates numa travessa e a mostrar as favolas afiadas ao juiz que os ingénuos ainda esperam que consiga decidir livremente. De um lado, temos um caso judicial nascido com um certo Presidente da República, um certo Governo, uma certa maioria parlamentar, uma certa procuradora-geral da República, o qual andou a servir de bandeira para o logro obsceno do “fim da impunidade” e a servir de capa para um rol imparável de violências sobre alvos políticos festejadas como condenações antecipadas. Do outro, um cidadão que gastou dinheiro vindo da conta de um amigo que comprou bens à sua família ou lhe emprestou dinheiro e outros bens – e cuja avaliação moral da sua conduta é nesta situação completamente irrelevante para o que está aqui em causa no foro da Justiça. É só isto que existe no processo. Daí estarem a soltar todos os cães de guerra. O regime tem de condenar Sócrates por corrupção para sobreviver.

14 thoughts on “Não há provas contra Sócrates, garante o Observador

  1. A sentença de Sócrates já foi escrita.
    Que a venham tentar justificar, ninguém de bom senso o tolerará. Sem provas,sem testemunhas…meu Deus,toda a admnistração pública teria de ser testemunha da irregularidade que,ao materializar-se,seria objectiva e incontornável…
    E denunciantes? quantos denunciantes se arranjarão? Até Jesus Cristo teve o apaixonado por figueiras,que fez bom negócio… está bem,Sócrates não é Deus,ainda que pareça infinito ao lado da maioria dos inimigos!
    Vamos ver o cortejo e os seus abortos horrendos! Horrores de feira cheiram mal, mas não esfarelam osso.

  2. O Barreto tambem já diz que houve um golpe na Justiça eheh e isto é um bom sinal, estão a ficar nervosos porque já não controlam o juiz.
    E a pressão vem também do PR a escolha do Tavares para presidir ao dia de Camões não é inocente, o simbolismo (e não só) é evidente e encaixa no cronograma do processo e no ambiente que se pretende criar. A direita a meter toda a merda na ventoinha.

  3. O rancor é o veneno da alma :D

    Ó grande culto do 44! Na vossa opinião, o que seria mais divertido ver no país, o Sócrates ser condenado, ou ser ilibado?

    Eu gostava de o ver ilibado, mas em vida :o

  4. Yo,

    Esse Santos Cabral não é o Juiz dos cabritos e das cabras?

    O que dirá ele da prática de um Juiz pedir dinheiro emprestado a um Procurador que foi condenado por corrupção? E será que “pediu emprestado”? Ou o facto dele só ter devolvido o dinheiro após se ter tornado pública a sua movimentação também permite indiciar a prática de algum crime? Puxar pela imaginação só serve para atacar os nossos inimigos políticos?

  5. Evidente. Não há provas nem podia haver se não há crime.
    E a prova de que não há crime foi a necessidade de incriminarem tudo que era família e amigos de Sócrates e até o próprio amigo e padrinho deles banqueiro caído em desgraça e com isso encherem dezenas de caixotes cheios de papelada onde despejaram milhares de tinteiros carregados para justificarem o vazio do processo e os milhões gastos do erário público.
    Outra prova de que não houve nunca qualquer prova foi os múltiplos atropelos à Lei a que tiveram de jogar mão continuamente para “dar ares de prova” tudo transmitido em directo ao pagode através do “cm”, porta voz oficial do MP.
    Outra prova de que nunca houve prova foi que o processo estava minado de corrupção à partida pelo pobre diabo pedante juiz de Mação como se constatou no recém-julgamento do magistrado seu amigo Figueira.
    A prova de que nunca houve provas foi a busca incessante de provas pelo mundo onde Sócrates alguma vez estivera e em tudo cá dentro onde tocara e sempre em branco para, por fim, em desespero de causa quando apanharam caído em desgraça o antigo padrinho Salgado, sabendo de experiência própria que tal personagem era o maior padrinho de corrupção vivo com ligações a metade do país, o tomaram como bóia de salvação e logo inventaram uma ligação íntima com Sócrates que nunca antes ninguém tinha ouvido falar, visto ou escrito.
    Se alguma vez tivesse havido qualquer prova jamais o processo teria a necessidade de atropelar sucessivamente a Lei e tal prova seria escarrapachada imediatamente nos “cm” da nossa praça e uma acusação teria sido imediatamente constituída sem necessidade dos tablóides andarem anos a traçar esquemas e diagramas de ligações mirambolescas diariamente.
    Ou então, às tantas, viram no caso sem provas e sem fim à vista um meio para fazerem uma parceria a meias altamente rentável e deixaram correr o marfim.

  6. A direita mafiosa e incompetente que nos saiu na rifa há muito percebeu que, em situação democrática normal, estabilizada, institucionalmente consolidada, muito raramente chegaria ao poder através de eleições.

    Daí a ter desenvolvido, há alguns anos, uma estratégia de infiltração, subversão e, se possível, apropriação de poderes fácticos com capacidade para se opor à acção dos poderes democraticamente eleitos, enfraquecendo-os ou mesmo destruindo-os, quando a sua acção contraria os seus interesses ou dos seus amigos.

    O assalto aos media, às várias instâncias do aparelho de justiça e a várias corporações profissionais com capacidade de desestabilização social fizeram e fazem parte dessa estratégia.

  7. Sempre achei que era um julgamento meramente político e cá e a prova. Esses canalhas que condenam pessoas inocentes, quando tinham o dever de serem imparciais, alguma vez serão julgados e condenados???
    Maldito seja todo este sistema corrupto neoliberal que se instalou no nosso país com a tralha cavaquista e passista.

  8. E agora esses direitolas marram contra o Vara, e ainda misturam este inocente com o inocente Socrates.

    É demais, ter que assistir a tanta mentira .

  9. Sempre achei que era um julgamento meramente político e cá e a prova. Esses canalhas que condenam pessoas inocentes, quando tinham o dever de serem imparciais, alguma vez serão julgados e condenados???
    Maldito seja todo este sistema corrupto neoliberal que se instalou no nosso país com a tralha cavaquista e passista. da Joselina
    Concordo!

    E agora esses direitolas marram contra o Vara, e ainda misturam este inocente com o inocente Socrates.
    É demais, ter que assistir a tanta mentira .

    É demais!
    quem se lembra de tudo?
    canalhice pura e dura com nomes como Manuela Moura Guedes (a terrível “vingadora), Felícia Cabrita (a tipa que arranja tipos falsos para testemunhar falsas provas), todos juntos deveriam ser julgados.
    ainda não perdi a esperança de assistir ao julgamento de um jornalista pulha e covarde. não ponho mais nomes para não chatear: é uma longa lista, disse :)

  10. Tem sido um longo calvario ainda sem fim à vista.
    Já se vai ouvindo e lendo o que poucos mas agora cada vez mais e mais dizem desde a alucinante e horrenda detenção do Ex. Primeiro Ministro de Portugal Eng. José Sócrates de regresso a um país que se mostrou inimigo com estrondo :
    – foi uma prisão política intencional e cobarde.
    Amigos e familiares atacados e expostos.
    Armando Vara lá está detido por um robalo e 25 mil euros nunca vistos nem contados.
    Timing de concretização da detenção bem previsto !
    Os telejornais das incríveis tvs lixo não largam sua família.
    O homem da sucata tem 17 anos de sentença abusiva e desconforme.
    Este país mete mais medo que no tempo da pide.
    O afã de expor e intimidar o juiz que agora foi distribuído o processo é vil, baixo e mostra conivência duma presidência da república que em tudo se mete, fala, escolhe suas duvidosas criaturas e ruidosamente silencia hipócrita e cúmplice campanhas descaradas contra a instituição duma justiça que se deseja isenta e rigorosa sem influências d’ agenda negra.
    Com as eleições ao virar da esquina o que mais veremos no desespero da matilha que se organiza pelos pasquins e tvs lixo num desesperado último impulso assassino
    Oportunidade para o observador virar agulha e ganhar espaço …seria divertido acontecer!
    É bom tomar esta saudável Aspirina B em excelente companhia.

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