Mulher feliz

O texto mais popular do José do Carmo Francisco, aqui no blogue, está quase a fazer dois anos: Coisas infelizes numa revista chamada Happy. É um pinga-pinga de comentários, ontem mais um, e isto sem qualquer envolvimento do autor no polémico ambiente.

Acontece que a revista tem mesmo problemas no que concerne à expressão escrita. Atente-se nalguns exemplos inclusos na edição de Fevereiro do corrente, no artigo SEXO: TUDO O QUE DEVE EXPERIMENTAR PELO MENOS UMA VEZ (com os seguintes subtítulos: Salto da fantasia para a realidade num baptismo erótico e Conheça a check list das experiências sexuais que nenhuma mulher deve perder). Comecemos por este:

Entre num bar, seduza os homens presentes e convide para ir consigo para a cama o mais atraente deles.

Se entrar num bar não merece reparo, já seduzir todos os homens presentes levanta alguns problemas morais e logísticos dignos de nota. Porém, o que escandaliza é a artificial construção convide para ir consigo para a cama em vez da natural versão convide para ir para a cama consigo ou a económica opção convide para a cama. Isso que publicaram, caras amigas, é mau português, é de evitar, tira a tesão.

Outro exemplo:

Faça o seu próprio filme erótico, com direito a striptease e masturbação, e envie-o por correio ao seu companheiro. Vai ser uma surpresa muito excitante.

Estamos perante um caso de léxico equívoco. Afinal, o termo correio a que se refere? A menos que esteja pressuposto o uso de película Super-8, raríssima e demasiado dispendiosa nos tempos que correm, a ideia de enviar um filme digital por envelope será realmente uma surpresa muito excitante, mas pelas mais anacrónicas razões.

Mais um:

Experimente a dupla penetração com dois homens desconhecidos. A excitação será ainda maior.

Este é um exercício de escrita formalmente irrepreensível, mas com graves falhas informativas. Às leitoras não é revelado que a prometida maior excitação assim obtida resulta, afinal, de um inevitável desastre – aquele que advém de se tentar proeza tão técnica, tão carente de longo treino e especial cuidado, logo à primeira e logo com dois desconhecidos. Por favor, não enganem as senhoras em matérias tão sensíveis.

E finalmente:


Ofereça ao seu parceiro um vibrador. E quando ele lhe disser que o vai usar para lhe dar prazer, surpreenda-o dizendo-lhe que o brinquedo é para ser utilizado nele.

Ora bem, não sei quem é que manda mesmo na revista, no sentido de ter o poder para dar uns berros e ameaçar com despedimentos, mas importa que essa pessoa, seja mulher ou homem, tenha maior respeito por uma indústria em franco crescimento e capaz de, por si só, vencer a crise financeira internacional. É que se esta moda pega, isto das mulheres forçarem os amantes a utilizar os vibradores em si mesmos, o negócio pode entrar em colapso. Estou a avisar.

Em suma, continuam a escrever-se coisas infelizes numa revista chamada Happy.

19 thoughts on “Mulher feliz”

  1. Valupi, fazer posts às 2.22 cheirou-me a influências do Z, não fosse ter lido o que por aqui deixaste esparramado. O Z, depois do presunto com grão de hoje, sem savora, espero, nunca teria aprovado uma heresia destas numa sagrada kpk.

    Começas, no ponto um, por questionar a dificuldade do engate. Valupi, um bar é um bar, à segunda ou à sexta, à hora de almoço ou às duas da manhã. Quem te disse quantos homens lá estavam? Ou qual o tamanho do decote da sedutora? E porque é mais difícil engatar um que duzentos? Estatísticamente pode ser diferente, mas porque é que a fatia do pão tem de cair para cima depois de cair vinte vezes para baixo?
    Engatados que estão, sem dúvidas!, parece-me bem o “convidar para ir consigo para a cama”. Sugeres tu um desenfreado convite para a cama sem o escolhido saber muito bem com quem. Ora deixa ver como ficaria. “Valupi, queres ir para a cama?”
    Penso que gostarias de saber com quem eu te estaria a sugerir que dormisses, isto se fores curioso, mas mesmo que nem estivesses a pensar em dormir, mas só em dar uma queca, penso que antes de decidires gostarias de saber quem terias como companhia.
    Faz todo o sentido o “vem comigo”, “para onde?” , “para a cama!”. Isto parece-me um crescendo de informação adequado com qualquer outro crescendo que na circunstância se deseje.
    Ponto dois.
    Vamos mesmo falar nisso?
    No que a revista Feliz disse sobre correio ou falamos antes no tal filme com striptease e masturbação? É que, muito francamente, a única dúvida que tenho aqui é sobre o suporte da camera e não sobre o tal mail. O realizador deste filme seria a própria ou os penetradores do ponto 3 já estavam em cena? E, caso estivessem, tinham sido engatados no tal bar?
    Ponto 3.
    Recomendo-te que vejas, com a urgência possível, “As idades de Lulu”. Depois conversamos.
    Ponto 4.
    A indústria vai entrar em colapso?
    Quem já compra não é para o usar no amante. Se, as que tu julgas cada vez menos (indústria em franco crescimento, lembras?), mulheres com amantes passarem a comprar também só pode aumentar o número de vendas. É que, se usarmos a tal estatística do pão, que aqui dá jeito, em vinte pode haver um que goste. Ou dezanove, mas isso garanto que nunca vais saber numa conversa de gajos.

    Estavas portanto a dizer o quê às 2.22 da manhã? A falar de infelicidades onde?

  2. Câmara ou câmera.
    As duas palavras podem ser usadas apesar de ter razão, a forma correcta é cãmara. No entanto:
    Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa – remete a grafia câmera para câmara.

    (já agora, Tereza ou Teresa? Ou nem uma nem outra?)

    Z, heresia por estarem a ser feitos juízos morais (e porque me apeteceu brincar contigo…)

  3. Voto que te contratem como freelancer permanente na Happy!!!
    E prometo comprar com mais assiduidade.

    Sempre com esperança para um mundo mais happy.

  4. Temos que viver com aquilo que temos. É uma pena que seja esta a «coisa» mais comentada cá do autor. Mas é ssim que as coisas funcionam. Eu tenho a vaga ideia que na altura me referi a palavras inglesas semeadas no meio de um texto sobre um hotel de Cascais do género – «o que espero de um quarto de hotel é que seja clean».

  5. Ups , também gostei muito da lulu. não vi o filme , li o livro. pois é , V , informa-te nesse ponto g , ai , 3.
    os outros não comento , metem demasiados desconhecidos e demasiados coisos.

  6. Teresa, confesso que não estou em condições para responder à pergunta da dificuldade em engatar um ou duzentos homens. Já mais clara me aparece a resolução do “Valupi, queres ir para a cama?”. Nesses casos, garantido um módico esclarecimento, toda a ambiguidade é ganho. Sobre a colocação da câmara, é uma falsa questão. Do que se trata é da colocação do corpo, né? No que remete à Lulu, não serve de exemplo, passe o exemplo. Finalmente, quanto à minha ignorância entre o um e o dezanove, por causa das conversas de gajos, acho muito bem. Certos assuntos são mesmo de evitar entre gajos que se prezem como gajos.
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    shark, estragas-me com mimos.
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    Maria Bolacha, interrogas-te? Mas, para quê?
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    luis eme, és mauzinho.
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    dina, tens de telefonar para a revista e ameaçar que não voltas a comprar enquanto eles não me contratarem. É que aquele pessoal não sabe o que anda a perder…
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    jcfrancisco, dizes muito bem.
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    Carlos José Teixeira, concordo muito contigo.
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    ui, ui, ok. Vou começar já a recolher informações.

  7. Infiorma-te depressa para não voltares a escrever :”No que remete à Lulu, não serve de exemplo, passe o exemplo.” É que serve mesmo de exemplo. Ui , ui , as coisas que tu não sabes sobre as mulheres. O que nos fazem a gente também curte experimentar fazer. È geral , ainda que inconfessado. Virilidade ? confusões acerca? díficil explicar que homo é só quem deseja homens , não prácticas. Tudo questão de esteorótipos , caro psi.

  8. ui, ui, lamento, mas não serve de exemplo. Aliás, já nem sei a que exemplo te referes; mas seja ele qual for, tá de chuva. Lembro-te que a premissa implica uma mulher, dois homens desconhecidos e dupla penetração no primeiro encontro.

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