Marx faz tanta falta

A ideia de que o PS não vai conseguir chegar a um eventual acordo com o BE e/ou PCP para um eventual novo Governo na próxima legislatura à conta dos recentes episódios de desavenças na Saúde e no Ensino é tão-só uma projecção de quem não leu nada de nada de nadinha de nada de Marx. Como não leram, e recebem dinheiro para falar e escrever na comunicação social profissional, passam o tempo a expressar os seus desejos e temores. Invariável e infelizmente, os temores e desejos de quem não percebe patavina da “ciência da História” e do “materialismo dialéctico” é uma chachada que se resume ao espectáculo de vermos cínicos a dizer mal de quem não gramam. Ora, um cínico não grama a maior parte dos bípedes implumes que o cercam e prefere ver Roma a arder do que carregar mármore para o Pártenon. O resultado é o estéril aborrecimento que preenche o comentário político engajado à direita, maioritário por larga margem no espaço mediático.

Passaram-se quase 4 anos de uma experiência inaudita no sistema partidário português, isso de termos visto dois partidos sectários a aceitar trocar a sua retórica fanática e impotente pelo risco de conseguirem puxar o PS para a esquerda do centro. O risco resulta da novidade cultural (portanto, novidade também cognitiva e axiológica) de instituir uma práxis de negociações permanentes, as quais produziram resultados apreciados pela generalidade da população mas cujo desfecho eleitoral não é previsível. PCP e BE não sabem o que lhes vai acontecer nas urnas, apenas sabem que foram co-autores de um dos mais pujantes e consensuais ciclos governativos em democracia.

O que parecia impossível já foi feito. Aconteceu em 2015, a efectivação da derrota da PAF no Parlamento e subsequente início da recuperação do tempo, recursos, dignidade e esperança perdidos por causa de uma coligação negativa em 2011 que afundou Portugal. Para uma repetição, ou evolução, da fórmula positiva que estamos a poucos meses de concluir há primeiro de voltar a descobrir o que quer o Soberano. A sua vontade é dialéctica precisamente porque depende da matéria para se concretizar. A matéria fundamental das democracias onde queremos viver é o voto livre – ou seja, é a liberdade. Liberdade de escolha, liberdade de interpretação do voto e liberdade na representação desse voto. Eis a ciência da História pós-marxista, uma juliana de imprevisibilidades que não garante amanhãs que cantam nem impede que hoje, no eterno agora, haja quem esteja disponível para ouvir, falar e chegar a acordo sobre o bem comum.

10 thoughts on “Marx faz tanta falta”

  1. “Aconteceu em 2015, a concretização da derrota da PAF no Parlamento e subsequente início da recuperação do tempo, recursos, dignidade e esperança perdidos ”

    porra, recuperação do tempo? qual tempo? quanto tempo? 9 anos, blabla meses, e xpto dias? hahahahaha é preciso ter grande lata
    quanto ao marx, o ps decidiu que tem mais futuro à direita do centro? acha que as ppps é que são a melhor forma de gerir o SNS? bom pra ele. com a ideia bastante incutida no centro, e provavelmente correcta, de que o ps é o principal responsável pela corrupção e nepotismo do estado português pode ser que ainda se foda.
    cá estaremos para relembrar quando o tempo for de choradeira

  2. Se uns pensam que estar sempre no mesmo sitio é o melhor modo de atrair votos, outros pensam que para alcançar o mesmo fim o melhor é saltitar de aqui para ali.

  3. olha que não olha que não o PCP vai-se afundando na demografia envelhecida e o bloco nem 9% tira nas próximas

  4. Está à vista que esta bronquite crónica da Direita brutoguesa nada aprendeu com a realidade dos últimos e espantosos quatro anos da vida política nacional.
    Não aprendeu, nem sequer compreendeu nada!
    Está ainda incrédula, confusa e em estado de negação, à espera do Diabo (Godot).
    Pois, continuem a desesperar.
    Coitaditos…

  5. “… mais pujantes…” ehehe Não largues as drogas… Provavelmente querias escrever medíocre e a autocorrelação passou-se a perna.

    Sabes o que gosto mesmo? É de trabalhar 40 horas por semana e não poder progredir na carreira porque para cada euro extra que ganhe tenho de produzir 2 para pagar aos que trabalham 35 ou menos e à família de César

  6. ai pá, estas arengas de prosa poética matam-me. e ok, vou ali falar ao exército e tentar convence-lo, mesmo que ganhe o ps em número de votos e por maioria, que posso interpretar esses votos como quiser e se não se importam, dão-me uma ajudinha com metralha, e põem lá o pan a representar essa maioria de votos pq según el gran poeta V. há toda a liberdade para interpretar os votos e liberdade para representá-los…viva a liberdade!!!

  7. Por alguns dos comentários aqui plantados verifica-se que, os pafiosos e
    associados, não perceberam o que se passou com o murro na mesa do P.
    Ministro! Tem toda a razão o Valupi na apreciação que faz sobre o compor-
    tamento das opiniões publicadas e emitidas … andam todos à nora!
    A outra treta que se agarram é de que, a campanha para as europeias está
    a correr mal para o PS !?! Como se o sobrinho do cónego e, o pézinhos de
    garrafão tivessem mais competência do que o candidato apresentado pelo PS
    o que, mais não é do que um “desejo” não confirmado, apesar das sondagens
    marteladas favorecendo quem pouco ou nada tem feito pelo país!!!

  8. Ó Madeira com tanta inteligência continuas cá dos meus, pá!
    Então, já foste cumprimentar o burro no blogue do Jumento hoje?

  9. Não invoquem o santo nome do cónego. em vão!
    Está, no outro Mundo, a preparar a bomba celestial que nos porá a todos a entoar o *Queremos Deus* atrás da dona Procissão Cristas !!!
    Só assim resolverá as Europeias.

  10. progressão na carreira nos professores,em nome de que principio? não chega os aumentos salarais? um professor que todos os anos dá a mesma materia porque motivo há-de progredir na carreira? ser competente é a sua obrigação.

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