Manela no caminho de Damasco

2009

Esta crise foi um abalozinho.

Ferreira Leite – Entrevista

2018

Sobre as causas do endividamento excessivo, Ferreira Leite disse que contribuiu o custo barato do dinheiro após a entrada de Portugal na zona euro (devido às baixas taxas de juro) e o investimento em projetos de infraestruturas que considerou "muitos discutíveis".

"Num concelho com 13 freguesias, que haja 13 piscinas é discutível", afirmou, referindo ainda que nos custos de então não se contabilizou o custo de manter esses equipamentos, que é elevado.

A economista recusou, contudo, apontar o dedo a executivos específicos, afirmando que "há um conjunto de factos que ocorreram ao longo dos anos e que afetaram muitos governos", e criticou também as instâncias europeias que, aquando do início da última crise, pediram aumento da despesa e depois se tornaram rígidos nesse tema.

Ferreira Leite mostrou-se ainda preocupada com a arquitetura da zona euro por ser pouco adaptável a crises.

Manuela Ferreira Leite diz que não é possível pagar a dívida e defende reestruturação

5 thoughts on “Manela no caminho de Damasco”

  1. “não se contabilizou o custo de manter esses equipamentos, que é elevado”.
    Mas isso é o pleno de tudo o que se faz neste país , seja em que setor for ! Nunca se conta com a manutenção e logo a seguir cria-se uma empresa para “gerir”. Depois quando há bronca não foi ninguém . E isto está enraizado e disseminado pelo país: fazem-se obras, são inauguradas com o cromo do momento, com lápide e tudo, levam tempo a abrir para funcionar, mas quando se operacionalizam já precisam de manutenção e de dinheiro que não foi incluído no projeto ( que deve incluir funcionamento e manutenção…) e o ciclo de culpas recomeça até que haja alguma sorte e um qualquer esgoto mediático o tire da gaveta e traga para a ribalta para apertar com alguém de quem não gosta…. e por aí fora. Somos o que fomos … tá visto

  2. A dona em causa, economista de grande visão, imaginação, interpretação e mioleira de farta e aguda inteligência sempre protegida sob a sombra do seu enorme capacho, também, na mesma altura de 2009 afirmava constantemente que tal crise ou “abalozinho” era mais que previsível para quem percebia de economia.
    A cavaquista e seu mestre cavacão entre vários videntes economistas amigos, oráculos do pós-acontecido, adivinharam, acertaram, avisaram-se uns aos outros entre si mas esqueceram-se de avisar o governo e os portugueses a tempo.
    A visão destes manos é como a visão do Pacheco: ideólogo e íntimo da maltosa do BPN do cavaquistão nunca viu nada, nem como braço direito do chefe Duarte Lima nem como ideólogo de Cavaco viu este sonegar a Salgueiro Maia o que dava aos pides.

  3. “criticou também as instâncias europeias que, aquando do início da última crise, pediram aumento da despesa e depois se tornaram rígidos nesse tema.”

    Este é o excerto que interessa e que ajuda a desconstruir a tese do despesismo de Sócrates. O início da resposta a crise foi keynesiana e estava certa foi a cambalhota dada por Sarkosy e Merkel que obrigou Socrates aos sucessivos cortes nos Pec’s e que ajudaram a uma miserável campanha da direita e da esquerda. Hoje até o merceeiro concorda com os 600 € de ordenado mínimo. Canalhada.

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