Lapidar

«Nós estamos sempre a ser surpreendidos, neste momento, pelo passado. Porquê? Porque chegam as pessoas e fazem uma interpretação que nunca nos tinha ocorrido, e aí está o passado a surpreender-nos. Naturalmente, daí nasce um movimento para redefinir o futuro, só que o futuro acontece antes de chegarem ao fim e vem o futuro a surpreender-nos.»

*

«Neste momento, muitas vezes me ocorre um comentário do Bismarck, que disse o seguinte: uma leviandade pode conduzir a um desastre. Aconteceu com o arquiduque. Mataram um arquiduque e pagámos isso em milhões de vítimas.»

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«Tive um avô, que não conheci, que era empregado de um moinho, vejam bem, e que teve oito filhos. Naquela época, numa aldeia, todos fizeram a instrução primária. Conheci o meu avô materno. Esse já teve outra vida porque esteve no Brasil ainda muito jovem exilado, tinha tomado parte lá numas coisas políticas, e esse teve muita influência em mim. Ele costumava estar sentado numa pedra, que eu agora tenho, porque a Junta das Estradas tirou a pedra para abrir a rua e eu disse que comprava a pedra [risos]. Tenho a pedra em Lisboa. Era o assento do meu avô e eu também lá vou ler o jornal às vezes. Ficou-me este conselho que ele repetia constantemente: "Vocês digam o que pensam e depois sejam fiéis ao que tiverem dito." Nunca me esqueci disso.»

*_*

Adriano Moreira
parte 1 + parte 2

7 thoughts on “Lapidar”

  1. Mataram um arquiduque e pagámos isso em milhões de vítimas.

    Não é bem assim. A morte do arquiduque, só por si e em rigor, jamais teria sido causa para uma guerra. A guerra foi causada por políticos estúpidos e descuidados, que transformaram, eles, a morte do arquiduque num casus belli.

    A guerra também não necessitaria de ter causado milhões de vítimas. Esses milhões foram causados por generais estúpidos e incompetentes, que não perceberam que, no tempo das metralhadoras, não se podia fazer a guerra como no tempo de Napoleão. Políticos e generais mais competentes teriam entendido que aquela guerra não poderia levar a nada se não à ruína de todos.

  2. teve oito filhos. Naquela época, numa aldeia, todos fizeram a instrução primária.

    Notável. Seriam todos filhos, ou também haveria filhas? É que, naquele tempo, meninas, mesmo inteligentes e dotadas, eram tiradas da escola primária antes de a concluírem. Foi o que aconteceu às minhas avós.

  3. “mataram um arquiduque e pagámos isso com milhões.”
    Alguma coisa me está a escapar. Se estamos a falar do “chanceler de ferro” ele não podia estar a referir-se à morte do arquiduque em Sarajevo porque nessa altura, Junho de 1914, já o Bismark estava enterrado há 16 anos.
    Neste pardieiro tão ilustre não há ninguém que queira esclarecer?

  4. Anónimo das 22:32

    “Neste momento, muitas vezes me ocorre um comentário do Bismarck, que disse o seguinte: uma leviandade pode conduzir a um desastre”.
    O Bismarck só disse “uma leviandade pode conduzir a um desastre”.

    A segunda parte:
    “Aconteceu com o arquiduque. Mataram um arquiduque e pagámos isso em milhões de vítimas.”
    É uma afirmação do Adriano Moreira. Ele aplica a frase do Bismarck a esse facto que ocorreu postumamente ao Bismarck. Também podia ter dito assim: “Aconteceu com o Trump. As pessoas elegeram-no e deram cabo do mundo todo outra vez”. Ou assim ” Aconteceu com o Bolsonaro. Elegeram-no e o Brasil implodiu, a Amazónia ardeu, e agora vamos todos morrer asfixiados”.
    Tás a ver a ideia ?

    Tás contente Jorge ?

  5. Gosto das coisas que Adriano Moreira diz e até parece que fico tonto e extasiado e não sou capaz de ler tudo de uma penada mas mas mas ele não diz tudo ou melhor ele não diz nada. É um homem inteligente que estudou mas não sabe, por opção ou condição ou seja lá porquê que a sociedade vive dividida em ricos, 2% ?, e pobres, 98%?, e que toda a miséria moral e material assenta na ganância dos ricos. Este Papa é boa pessoa e até o defendo ante a incompreensão de muitos ante o seu sentido de justiça mas o Papa anda pela Ásia a pregar desta vez contra que forças? Serão as comunistas que se agigantam e por isso vai procurar ser outro papa polaco. Surgem os Papas para zonas específicas onde a agitação se transforma em regressão social. Parece estranho mas um Papa da América Latina para refrear a progressão social e eles vão aparecendo em catadupa, foi o Brasil, o Uruguai, a Bolívia, a Venezuela… No tempo do polaco o auge foi a URSS. Os Papas aparecem assim como arautos de uma mudança que o capitalismo lhes confere porque a Igreja está sempre do lado dos ricos já observava Cantiflas no filme do Bom Pastor. É a luta de classes que quer queiram quer não é a alavanca que transforma a humanidade. Não lhe causa remorsos ter sido um Ministro de um governo Fascista? Já fez algum acto de contricção?.

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