Faits-divers

Marcelo está a tentar negociar um armistício. Como Cavaco fez o que ele mandou, é Marcelo que põe e dispõe. É com Marcelo que devem falar.

Que quer isto dizer? Que nada mais do que Marcelo comunique aos portugueses deve merecer um grama de crédito. Dizer que o caso das escutas é uma tempestade num copo de água implica a anulação da racionalidade mesma com que o Estado se constitui. Não é possível conciliar a existência de uma provada tentativa de conspiração eleitoral com origem em Belém e o respeito pela Constituição. Marcelo, com estas declarações, acaba de comprometer a sua candidatura presidencial se ainda restar algum juízo no País.

Os conspiradores não vão parar. Quem chegou ao ponto a que chegou, e com tantos anos a fazer o mesmo, não se arrepende nem regenera, faz figas. E volta a tentar. Marcelo, ao apelar ao esquecimento e sensatez, ao atacar a vítima, escolheu o lado da corrupção da Presidência. Não se trata de uma escolha insensata, mas espero que seja punida. Não estamos condenados à pulhice e o respeito próprio, para mim, jamais será um fait-divers.

12 thoughts on “Faits-divers”

  1. excelente, Val!
    vejo muitos a desmontar a barraca e fico angustiado. tenho dores que não irão desaparecer depois de domingo.
    vou tomar um banho

  2. o cavaco renuncia porque não vai promulgar os casamentos gay, agora lá a desculpa que ele vai arranjar não sei, mas se não é depressa ainda lhe dá uma coisa. Essa do plasma eu não sabia, nem sabia que ele tomava, mas na tomada de posse do Guterres eu nunca tinha visto uma ilustração tão nítida do que era cair em si.

  3. Como diz o nosso amigo tra.quinas,a angústia também me invade quando vejo muitos já a desmontar a barraca. Como disse um amigo que me lavou a alma na última terça-feira no auditório dois da Gulbenkian, amigo de outro amigo, Edward Said, que leio e releio com prazer, escutar é diferente de ouvir e lembrar diferente de remomerar. Rememoremos!

  4. Ó VAL, acha que em 2011 alguém se vai lembrar do que o Marcelo disse em Set de 2009? O people nem se lembra dos factos políticos de há um mês quanto mais daquilo que o Marcelo disse em 2009!
    A única coisa que fica na lembrança é a memória da existência da pessoa mas já ninguém se lembra porquê!

  5. É certo que as pessoas são a soma das suas partes, mas, com todo o respeito, nos momentos de campanha só se trazem a lume as partes que interessam.

    E, acredite, juízo é coisa que não resta ao País.

    Veja só como isto está e como o povo não sabe como é que há-de mudar. As pessoas votam naqueles em quem costumam votar (mais coisa menos coisa).

    O diferente é difícil de interiorizar e demora anos a manifestar-se

  6. Discordo, estou todos os dias rodeado de pessoas com juízo, colegas, amigos e familiares. Dizem que há uma inteligência colectiva que se revela nos actos eleitorais. Não é uma questão de anos, é de dois dias.

  7. “Há que distinguir entre a classe política e o Povo. A classe política deu uma importância enorme a este caso, mas o Povo não me parece que tenha considerado isto fundamental para a sua decisão. Confundiu-se um ‘fait-divers’ com as razões que levam o Povo a votar, que é a sua situação (económica)”, diz o Rebelo de Sousa

    a frase é suficientemente esclarecedora da postura da criatura.

    o povão, leia-se ralé, vota em função da paparoca na barriguinha e os políticos, diga-se poder, estão entretidos com os macaquinhos que metem na cabeça.

    felizmente temos uma sumidade suficientemente lúcida e disponível para nos prestar estes esclarecimentos. mais palavras para quê? é um artista nacional

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