Excepcionalmente vulgares

Quando olhamos para Portas e Louçã, vemos dois políticos excepcionais, excepcionalmente hábeis na retórica e na oratória. Nos seus partidos respectivos, não têm rivais nem delfins. Ao ponto de não se conceber o que possam valer esses partidos quando mudarem as lideranças. E, cada um à sua maneira, homens e partidos, têm sido más influências nas evoluções e convulsões da democracia portuguesa dos últimos 20 anos.

No debate desta noite, tivemos dois dos responsáveis pelo derrube do Governo, e pela consequente necessidade do pedido de empréstimo nas piores condições possíveis, a lavarem as mãos das suas responsabilidades. Pelo contrário, servem-se da situação criada para atacarem Sócrates e se atacarem entre si.

Claro que tudo isto é política, política convencional. Eles seguem regras, crêem conhecer os desejos da audiência, procuram exceder-se nessa lógica previsível. O que significa que não basta ser excepcional para fugir da vulgaridade. No caso destes dois, a sua força é a nossa fraqueza.

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