Excelente notícia sobre o preço dos combustíveis

O Aspirina B está em condições de confirmar que hoje não haverá novo aumento do preço dos combustíveis até à hora de almoço. Também sabemos da existência de condições favoráveis para a manutenção dos preços durante o período da refeição, conhecida a apetência de operadores e especuladores para a comezaina alarve e demorada. A partir das 15h, mais coisa menos coisa, a situação volta à imprevisibilidade usual, podendo acontecer um ou dois novos aumentos ainda antes da hora de jantar. Assim, recomenda-se à população que tenha de viajar de automóvel, em especial no caso de longas distâncias, para se despacharem e saírem já de casa.

24 thoughts on “Excelente notícia sobre o preço dos combustíveis”

  1. dina, notícias fresquinhas é connosco mesmo. Até os textos mais antigos, quando lidos entre as 7 e as 8 da matina, têm perfume a rosmaninho.
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    Caro Comendador, onde é que leste a tese que suporta a pergunta? O facto de aumentarem não implica que estejam caros, podendo até continuar baratos.

    Vai ter de explicar melhor a questão, se fizeres o favor.

  2. Touché, Valupi. O post é pura partilha de informação útil. E é bem bonito, é uma ode ao conceito de serviço público. Eu tresli, assumi que havia uma mensagem subliminar que incluía operadores dessa gente dos petróleos a banquetear-se enquanto o bom povo pagava o desmando.

    (E estão caros ou baratos, Valupi? Os combustíveis…)

  3. A gasolina aqui está cara, 2,19 o litro (em reais), transformando em euro fica 0,84. Tem uma promoção perto de casa, abastecendo 20 litros ganha-se um ingresso para o circo. Temos cara de palhaço mesmo!

    Quanto estão pagando?

  4. Comendador, como fanático utilizador dos transportes públicos, mas acalentando o paradoxal sonho de ser o primeiro proprietário de eléctrico privado, considero que estão baratos. O critério estabelece-se a partir do conforto das carruagens de Metro às 9 da manhã, com espaço entre os passageiros para dançar o tango, e pelas inevitáveis e serpenteantes bichas nas rodovias, onde os condutores solitários se ajuntam ritualmente para iludir o medo de existir. Aliás, estas crises económicas são fonte de racionalidade nos países onde a obesidade é epidemia.

    E tu, que pensas dessa questão?
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    Karin, por cá o gasóleo está a 1,369 e a gasolina a 1,479 euros.

  5. Levando em conta Valupi que a vida aqui é mais barata que Portugal, pois temos favelas e muita gente passando fome, o salário mínimo sai R$ 415,00, convertendo fica 1074,85 euros. Lógico que nossas culturas são diferentes também, comemos arroz e feijão diariamente, e por ai o feijão é substituído pela batata, que aqui é bem mais caro. Azeite, vinho do porto, bacalhau são iguarias, que só é vendido no Natal e sexta-feira santa.

    Mas estamos felizes com o que temos e não há diferença entre nós.

    Qualquer dia faço-lhes uma visita!

  6. Valupi, em sintonia. Dois tópicos:
    i) O preço do petróleo, mesmo considerando os mirabolantes 127 dólares por barril de Brent, representa um preço de gasóleo “na bomba” inferior ao custo de uma bica (e o meu referencial é o Café Avenida lá na minha aldeia, não é o preço da bica numa área de serviço…). O resto do preço são impostos e impostos sobre impostos.
    ii) Com este cenário (e Portugal não é o país onde o preço dos combustíveis é mais caro), é claro que a rapaziada árabe se ri quando se lhes pede que regulem em baixa o preço do petróleo. Repare, um litro de gasóleo custa menos que uma bica no Avenida, isto incluíndo os custos de extracção, petróleo em alta, custos de transporte, de refinação, de armazenagem, de transporte dos refinados, do pessoal da estação de serviço, impostos sobre lucros, amortização da estação de serviço, manutenção, publicidade.
    iii) O preço é o mercado quem o faz. E o mercado agora inclui a China e a Índia. E o que querem a China e Índia? Conforto, processar alimentos, mobilidade, acesso ao que nunca tiveram. Numa perspectiva naif, diria que está a acontecer a coisa certa, ou seja, que o custo de meio mundo estar em condições de ter o que nunca teve (e falo de alimentos, de aquecimento) é a rapaziada do Ocidente perder meia hora para ir abastecer na bomba mais barata, andar a pé para ir ao café, não lhe sobrar dinheiro para trocar de carro de três em três anos. Ou seja, o que muitos de nós gostariam que acontecesse, a distribuição da riqueza, o acesso ao mercado está a acontecer. À custa de menos qualidade de vida da nossa parte? Pois, dói…
    iv) Finalmente, o óbvio. Petróleo a trinta dólares torna-nos preguiçosos, torna desinteressante o investimento em energias alternativas. Com petróleo a duzentos dólares, começamos a ficar miraculosamente imaginativos na procura de soluções.

    Maneiras que é isto…

  7. Na minha modeste opinião, os esquerdistas de ontem são os fascistas de hoje. Perdoem-me a insolência bravia :-)

    (estou com vontade de acender a fornalha antes de ir de férias)

  8. Karin, é muito mais o que nos liga do que o que nos diferencia. Mas as diferenças também são boas, e ainda bem que existem.

    (entretanto, as tuas contas parecem-me muito estranhas – que história é essa do salário mínimo ser 1074,85 euros?!….)

    Quando pensas vir conhecer a terra dos criadores do Brasil?
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    Comendador, fico a aguardar esses outros 4 tópicos. Entretanto, e deixando as diferentes explicações para a alta de preços, o fenómeno mais interessante é o de ser evidente que não há recursos para uma China e uma Índia a consumirem à 1º Mundo. Isso é um assunto fascinante, porque todas as políticas, seja onde for, têm essa meta para os países em desenvolvimento ou países pobres. Completa irracionalidade a nascer da mais legítima ambição.

    Mas sim, as energias alternativas avançam. E já nos podemos imaginar a viver em cidades sem fumo de escapes automóveis, daqui por 15 anos, entre outras maravilhas da nossa maravilhosa inteligência. Isso também será engraçado para a festa da geopolítica.

  9. Realmente eu coloquei errado, o correto são 160,23 euros o salário mínimo, mas se a moeda vigente aqui fosse o euro, o salário ficaria 1074,85..

    Olha, a vida aqui está dura viu, muita pobreza. Vou trabalhar de manhã e ao passar nas ruas do centro de São Paulo, me deparo com cenas chocantes onde ninguém acredita: crianças de rua cheirando “cola” no meio da calçada. É um absurdo como nenhuma autoridade se abilita a fazer alguma coisa, os policiais passam e fazem vista grossa, em plena rua comercial. A desigualdade social é muito grande, poucos tem “muito”, e muitos tem “muito pouco”. A classe média é rara. Temos que batalhar para pagar as contas.

    Mas vamos falar de coisas boas, hoje está frio e é dia feijoada, feito com feijão preto e carne de porco, acompanhado de couve manteiga com alho e farofa. Poderiam colocar um tópico de comidas típicas, eu adoro pastel de belém e aletria..

  10. esta Karin é só saúde, lá fiquei eu a lamber-me, mas confesso que tenho ali umas trouxas de ovos e torresmos, sopa de grão com espinafres, presunto e muita água de granito para o castrol, mas o castrol queima-se bem na luta que eu agora vou bravo

  11. ***Espernear de parvos***

    Em 2002 um barril de petróleo custava 70 dólares , o que equivalia, grosso modo, a 77 Euros; hoje ele custa (cerca de) 120 dólares – o que equivale, sensivelmente, a 77 Euros!
    No entanto, se compararmos o preço da gasolina em 2002… com o preço da gasolina de hoje…

    —» Em 2002, as refinarias estavam sob o controlo do Estado.
    —» Hoje em dia, as refinarias estão sob o controlo de privados… ou seja, estão à mercê de ESPECULADORES.

    —» Só os PARVOS é que não sabem isto: quando se deixa que os produtos de primeira necessidade fiquem à mercê de especuladores… os especuladores ‘brincam com isto’ (leia-se, manipulam os preços a seu belo prazer).

    —» Eu, se vender uma coisa que é minha… e depois tiver prejuízo com isso… eu não ando por aí a espernear feito parvo!!! Eu, pura e simplesmente, tenho de me aguentar com a bronca!!!
    —» Ora, se as refinarias eram um bem público, e se foram vendidas (estando agora à mercê dos especuladores) as pessoas não podem andar por aí com um espernear de parvos!!! Ou seja, agora as pessoas têm de se aguentar à bronca (leia-se, não tivessem sido BURRAS).

    P.S.1.
    Não se esqueçam de privatizar a rede pública de água: irá ser um fartote ver os especuladores a ‘brincarem’ com o preço da água.

    P.S.2.
    Eu já disse isto ‘n’ vezes: os montes de idiotas úteis que andam por aí, que abram os olhos duma vez por todas: o CAOS proporciona oportunidades que os Capitalistas Selvagens adoram aproveitar…

  12. Fantômas,

    Lamento desapontar-te mas estando de férias prefiro serões solitários na minha quinta. Recupero a minha sanidade mental em menos de 2 segundos.

  13. Hoje já quase toda a gente percebeu que acabou a comida barata, a energia barata, os combustíveis baratos ou a água barata. Estão a tornar-se bens de luxo ou quase, a que cada vez terão mais dificuldade de acesso as classes médias e de menores rendimentos.
    Como é possível que o governo português ainda recentemente tratasse a questão dos combustíveis como uma birra dos condutores mal habituados, subordinada em termos de importância ao equilíbrio orçamental ? Onde estão as previsões e as medidas preventivas que seriam de esperar de um governo responsável ?
    Como se explica a resignação e passividade da Europa perante o encarecimento acelerado de produtos de que dependem os seus mais básicos padrões de vida, ao ponto de ter que ser acordada por um Manuel Pinho ansioso por encontrar bodes expiatórios ?
    São todos incompetentes e irresponsáveis ou há outras explicações para este fenómeno ?
    Convém talvez compreender que, mesmo dentro de um país como o nosso, nem todos são afectados da mesma forma e alguns até podem sair beneficiados destas crises. Quem exporta para Angola e é pago pelos rendimentos do petróleo talvez não tenha razões de queixa, ou quem é accionista da Galp, ou quem vende para a Venezuela às cavalitas do governo de Sócrates, ou quem tem sempre os combustíveis, e não só, pagos pelas empresas ou pelo Estado.
    Esta questão dos preços do petróleo, do acesso ao crédito e aos produtos alimentares pode afinal ser, no essencial, mais uma forma de certas classes expoliarem outras.
    Também ao nível internacional, nomeadamente na Europa e EUA, conviria perceber quem ganha e quem perde com este terramoto. Para sabermos se estamos perante aprendizes de feiticeiro que jogam um perigoso xadrez contra as potências emergentes, em que as peças são poços de petróleo e mísseis nucleares.

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