Exactissimamente

Devemos deixar falar aqueles que querem acabar connosco?

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NOTA

O texto de Miguel Romão problematiza a questão – aliás, núcleo de questões até bem diferentes – do convite a Marine Le Pen para participar no Web Summit como oradora. Nesse seu questionamento deixa uma visão na qual me revejo, a de que a força da democracia está na sua fraqueza extrema, na sua permissibilidade para ser atacada a partir do seu seio libertador. Nesse risco máximo encontramos a sua mais funda razão de ser, a sua glória, ao acabar por derrotar os inimigos da liberdade apenas recorrendo à liberdade. Algo tão difícil, e tão belo.

Apesar de concordar com o autor, e de preferir ver a senhora confrontada com argumentos perante os quais tivesse de responder, concordo igualmente com aqueles que querem boicotar o convite invocando o apoio do Estado ao evento e o direito a recusar tal associação em nome dos valores constitucionais que perfilhamos em Portugal e sua interpretação por parte de quem se insurge politicamente contra Marine Le Pen. Esse activismo, esse combate, é igualmente uma manifestação essencialmente democrática.

12 thoughts on “Exactissimamente”

  1. o combate é telefonar ao organizador para desconvocar a madame e bico calado, senão acabou-se a mama e vão web summitar para prá faxistolândia. parece que foi o que o costa fez e rematou com um comunicado a fingir que é a favor da liberdade de expressão dos faxos.

  2. O que eu não percebo é como se aceita a normalização do fascismo ou de forças de extrema direita, por cá ( https://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_Nacional_Renovador ) e se combate, e bem, a LePen . O “nao perceber” é só retórico, percebe-se muito bem Ainda me recordo da reacção da quase totalidade da esquerda à cena dos estudantes da Nova em boicotar a participação e Jaime NogueiraPinto e dos artigos e textos inflamados contra quem a dirigiu. Há sempre uns mais fascistas do que outros e nós sempre fomos uns heróis, mas lá fora como o CR7. Acusa-se o sistema deJustiça angolano e brasileiro, mas cá bico caladinho, normaliza-se o suave fascismo em nome da separação de poderes (ahahah) e do funcionamento do sistema.O que é perto e próximo, é complicado, é como no tempo do fascismo, falta de coragem civica. Mas uns herois contra o que está suficientemente longe para não sofrermos as consequencias. Ah Maretas fazes cá uma falta nesta relatividade pequenina.

  3. Esta malta não quer é ter o trabalho de preparar a receção adequada à senhora fáscia !
    Não querem é fazer o trabalho de casa, que consiste em preparar as perguntas adequadas a fazer à senhora para que as respostas que ela der ponham a nu o que ela representa na realidade.
    A luta anti-fascista não se faz usando os métodos próprios do fascismo, calando quem quer divulgar suas ideias. Faz-se contrapondo essas ideias e deixando depois que os ouvintes tirem suas conclusões.
    O problema é que hoje as democracias têm muitas vulnerabilidades, e os democratas militantes não têm respostas robustas a essas vulnerabilidades. Por exemplo não sabem explicar a razão a corrupção se desenvolve tão facilmente nas democracias ocidentais…

  4. “Nesse risco máximo encontramos a sua mais funda razão de ser, a sua glória, ao acabar por derrotar os inimigos da liberdade apenas recorrendo à liberdade. Algo tão difícil, e tão belo.”

    estas foram as palavras de chamberlain após apresentar o acordo do munique ao povo inglês?

  5. a malta que defende o direito da le pen falar na web summit, censura comentários?
    ai a beleza da democracia blablabla

  6. A liberdade de expressão é o melhor baluarte contra a estupidez e proibir é, e sempre foi, contraproducente. Os limites são conhecidos : podemos proibir (apenas) o que excede a expressão de opiniões politicas e passa a ser um apelo a violar normas constitucionalmente protegidas, em França, o apelo ao odio racial, em Portugal, uma organização assumidamente fascista.

    Por muito que vos doa, a Marine Le Pen não cabe em qualquer dessas excepções.

    Fazer de conta que cabe é o melhor serviço que lhe podem prestar, a ela, e o pior que podem prestar à democracia. Questione-se, conteste-se, apresentem-se dados que reponham a realidade, mas não se amordace, por favor !

    Ja ninguém se lembra que o Louçã passou a ser uma estrela de cinema a partir do momento em que foi a Sesimbra meter-se com o pai da Le Pen ?

    Boas

  7. Não, a Le Pen não é fascista. O partido dela afirma muito claramente querer respeitar todos os valores constitucionais (de resto, ela tem expulsado sistematicamente os membros do partido quando pisam a linha, incluindo o proprio pai) e é tão legitimo pôr isto em causa como seria legitimo suspeitar o partido comunista de querer subverter a ordem constitucional.

    Quanto ao processo que ela perdeu, foi precisamente em nome da liberdade de expressão : foi considerado, e bem, que o Mélenchon tinha o direito de criticar o programa da Le Pen acusando-a de ser fascista, da mesma forma que muitos criticos do Mélenchon acusam-no a ele de querer instaurar uma ditadura de esquerda avessa às liberdades fundamentais. Em democracia, estes excessos devem ser autorizados em nome do debate livre. Felizmente, não basta o Mélenchon chamar fascista à Le Pen para esta passar a sê-lo, nem basta alguém dizer que o Mélenchon é igual ao Chavez para isto passar a ser uma realidade. Entre as duas coisas interpõe-se o espirito critico de cada um.

    O ponto importante é que em democracia ninguém deve temer o debate, nem mesmo quando este é caricatural, excessivo, de ma fé, ou radicalizado. Combater ideias, em democracia, faz-se exclusivamente pelo debate esclarecido, nunca pela proibição ou pela censura. Existe uma razão simples para isso : quem proibisse alguém de defender que 2+2=5 apenas reforçaria o poder de seducção dos paranoicos que vivem impingindo aos pacovios que estamos todos nas maos de um complô maçonico que procura esconder-lhes a verdade verdadeira.

    Boas

  8. OK, let’s get an understanding :

    Chamem fascismo ao programa da Le Pen tanto quanto quiserem, o argumento parece-me fraco e de problematica eficacia, mas porque não…

    Agora, por piedade, não proibam a Le Pen de se expressar a pretexto que ela é fascista no sentido muito particular do preceito (excepcional e devido a circunstâncias historicas muito precisas) que consta da nossa constituição, que deve interpretar-se restritivamente em virtude de todos os outros preceitos que a mesma constituição contém…

    Não tentem proibir, primeiro porque vos falta completamente a base legal para tal, mas também, segundo e principalmente, porque é totalmente contraproducente…

    Mas, como é obvio, critiquem, desfaçam, refutem, mostrem que é estupido, etc.. Se precisarem do texto do U. Eco para isso, utilizem-no, mas vão descobrir muito cedo que não é por ai… A não ser, claro, que queiram apenas convencer quem ja esta convencido à partida.

    Boas

  9. viegas é nome de papagaio neoconeiro em libertação do cativeiro para onde o 25 abril o mandou. as trumpalhadas do observador e quejandos têm ajudado esta maltósia a sair do armário. agora querem pôr a malta a discutir os benefícios e virtudes de viver numa ditadura fascista em nome da liberdade de expressão e democracia que pretendem abolir. vai-te catar para outra freguesia que já contribuímos 40 anos para o peditório do botas.

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