Quo vadis, Carvalho?

Manuel Carvalho, Amílcar Correia, Ana Sá Lopes, David Pontes e Tiago Luz Pedro assinam um editorial onde apresentam a sua visão para o novo ciclo do PúblicoOs compromissos da Direcção Editorial – o qual, como é inevitável numa inauguração, está cheio de boas intenções e melhores ideais. Os baluartes do mundo onde queremos viver, “democracia” e “liberdade”, são invocados de alto a baixo, deixando-se a garantia escrita de se ir “respeitar o Estado de direito”, defender os valores “da democracia liberal”, “das liberdades individuais”, “da fiscalização e controlo dos poderes”, entre outras promessas de arrebimbomalho. Fixe, da minha parte não se espalhará sequer a sombra de metade de uma dúvida acerca da autenticidade e integridade dos que publicaram tal manifesto.

Curiosamente, hoje também podemos ler o colunista mais popular do jornal onde o Carvalho é agora director em plenas funções, João Miguel Tavares, a descrever-se como “bom liberal“, uma piada que ele repete amiúde. Acontece que a popularidade deste senhor não tem qualquer relação com as noções de liberalismo disponíveis nas bibliotecas e discorridas nas universidades e quejandos. Ao contrário, a sua fama decorre exclusivamente da exploração de crimes cometidos por agentes da Justiça e mandantes na indústria da calúnia, à mistura com pulhices onde faz ufano a apologia do desprezo pelo Estado de direito e pelas liberdades individuais, colando-se a um poder policial e judicial que não questiona por concebê-lo como arma política contra os alvos da sua predilecção. Esses alvos são políticos e sobre eles verte sistemáticos, maníacos, assassinatos de carácter e apelos a que sejam vítimas de violência.

Não gastaria o meu latim com a infeliz personagem se ela tivesse continuado a ser paga pelo esgoto a céu aberto. Quando é o DN ou o Público, ou a TSF ou a TVI, a dar-lhe aquilo com que se compram os melões em troca das suas cagadas, aí o problema passa para as respectivas direcções, administrações e accionistas desses órgãos. Gostam do serviço tóxico que ele presta no espaço mediático? Tudo bem. Mas então não nos provoquem engasganços de pasmo e fúria ao se vangloriarem como “referência da imprensa de qualidade em Portugal”. Ou o Manuel Carvalho, o Amílcar Correia, a Ana Sá Lopes, o David Pontes e o Tiago Luz Pedro, mais a família Azevedo, calhando terem familiares e amigos a quem o caluniador profissional fizesse o que faz com o Domingos Farinho ficariam impávidos e serenos a verem o Público servir para um linchamento cujo móbil é a promoção da marca do canalha?

Talvez não seja um acaso que neste editorial não se toque no tema da Justiça, nem no dos variadíssimos poderes fácticos que moldam parte decisiva dos acontecimentos políticos, sociais e económicos, apenas se apontando ao Governo e à oposição como horizonte preferencial da propalada fiscalização e controlo dos poderes. Talvez isso signifique que nem esta nova Direcção do Público tem força, ou vontade, para começar a fiscalizar e controlar os poderes que violam o Estado de direito e as liberdades individuais, que se substituem aos tribunais e que vendem a sua capacidade para serem indecentes e verdugos – começando logo aí por essa casa onde hoje nos pediram dinheiro em nome da democracia e da liberdade.

4 thoughts on “Quo vadis, Carvalho?”

  1. «Um jornal independente de todos os poderes. Um jornal a par das mudanças e dos desafios do país. Um jornal livre, inconformista, irreverente e crítico.»

    É tão bonito e confortável para a consciência escrever palavras caras dedicadas aos valores fundamentais da democracia e e sua defesa.
    Mas alguma vez o “público” foi um jornal independente do poder e interesses do seu dono?
    Qual o significado da brutal campanha suja posterior contra o PM Sócrates por este não se deixar corromper interferindo no gigantesco negócio a favor da OPA da Sonae e que dura até hoje e da qual campanha o tavares oportunista faz parte?
    E que dizer da liberdade e independência de um jornal que se propôe ser instrumento, promover e ser autor de um golpe de Estado contra o governo democrático legítimo para o derrubar e substituir por outro amigo e submisso do jornal e seus donos?
    Donos que já foram bem claros quando afirmaram publicamente que “quem quiser mandar no jornal que ponha lá o seu dinheiro”.
    Também estes novos-velhos jornalistas do “público”, tal como diz o dono, se como dizem pretendem um jornal livre e independente têm de lá pôr a sua massa caso contrário serão sempre contratados para obedecer ao dono.

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