Disputatio – III

Este debate mostrou à saciedade as limitações e ineficiências do modelo, com Sócrates cedo a intervir fora da sua vez, e depois a permitir-se interromper Jerónimo com crescente à-vontade. Acontece que essas fugas ao regulamento não prejudicaram os telespectadores, antes introduziram maior interesse no debate. A certo ponto, creio que já ninguém sabia em que segmento específico estava a discursar, e desconfio que as réplicas de 1 minuto chegaram a ser repetidas no mesmo tema. O diálogo espontâneo foi sempre benéfico, mas introduz um elemento disruptor que se torna ambivalente, como se viu com Portas. Enfim, as ocorrências consolidam a evidência: as regras deveriam ser trocadas pela autoridade do jornalista em cada debate, o qual faria a gestão das intervenções segundo os seus critérios. Para um perfeito equilíbrio, cada interveniente teria um pacote de tempo fixo para o total das suas intervenções.


Sócrates é sanguíneo. Enfrenta o adversário com o olhar, só olha para baixo quando vai buscar informação. O resto do tempo é passado a expressar a sua paleta de emoções, frontal e sincero. Esta característica tinha toda a vantagem em ser disciplinada para os dois embates seguintes, qual deles o mais tóxico. Veja-se o que aconteceu no final do debate, onde a sua descontracção nervosa gerou uma expressão retórica que se presta a ser manipulada, quando disse desconhecer se Pina Moura ainda estava na administração da TVI. Trata-se de uma afirmação de efeito, inócua, pretendendo assinalar a factual distância aos responsáveis, mas que um momento de cabeça fria o levaria a evitar. Especialmente com Ferreira Leite, o ideal seria que Sócrates conseguisse domar a impulsividade, transformando-a em tranquila assertividade. O confronto com uma mulher, e esta, é um terreno armadilhado onde a força deve estar ao serviço da atenção e da lógica. Com Louçã, os antídotos para a demagogia torrencial que vai ser despejada deverão ser apresentados só na sua vez de falar, de modo sintético e taxativo. Interromper Louçã parece-me errado, o desafio está em manter uma atitude de envolvimento intenso que não se deixe parecer fulanizada. Sócrates está ali para representar a comunidade, o bem comum, não para provar que é capaz de reduzir Louçã a um silêncio acabrunhado ou a um atabalhoamento irascível, pois esse espectáculo já foi dado várias vezes no Parlamento.

Jerónimo é o ancião bom. Inspira natural confiança, parece leal, estar de boa-fé. E esse é o problema. Porque há nele a mesma obstinação apocalíptica que se encontra numa Testemunha de Jeová. Sei do que falo, pois já passei dezenas e dezenas de horas a falar com esse especial tipo de fanáticos, dos mais básicos aos mais artilhados. E eles não estão cognitivamente capacitados para criticarem a sua crença, entram em automático estado de negação. O que é inevitável, pois ter um qualquer distanciamento crítico implicaria perder o pouco que têm: uma história que compreendem. Assim com o Jerónimo, e tantos como ele no PCP e alhures, que não compreendem este mundo nem esta época, com as suas crescentes complexidades e desafios, mas que têm uma história simples para contar. Nela, há ricos e pobres. Há diferenças aferidas materialmente, é esse o único critério. Há, portanto, injustiça social. A justiça consistirá em equilibrar a balança, tirando a quem tem e dando a quem não tem. Sendo este o paradigma, é inútil estar a lembrar ao Jerónimo que este Governo fez mais pelo combate à pobreza do que qualquer outro, pois essas medidas não acabaram com a pobreza, ela continua aí. Assim, é como se nada tivesse sido feito, como se não existissem medidas que melhoraram a situação, que tiraram milhares de pessoas e famílias da miséria. Só poderiam existir se tivessem sido da responsabilidade dos comunistas, os únicos autorizados pela bíblia marxista a combater a pobreza. No fundo, os comunistas que Jerónimo representa são proprietários dos pobres, e querem manter esse monopólio donde lhes vem o poder político. Esta postura é simplista e perigosa, sempre o foi, mas agora notou-se ainda mais: Jerónimo deixou ficar a ideia de ser incapaz de ripostar a Sócrates ou de concretizar propostas com acutilância e detalhe. Na verdade, o seu discurso só embalava na cassete emocional, quando falava de crimes contra os trabalhadores e de professores ofendidos. Tal foi a fragilidade intelectual exibida que ficámos com uma radiografia do que é o poder executivo no PCP, onde Jerónimo será o avozinho que parece ser. O avozinho que não tem de saber de tudo o que se passa, ou a quem qualquer versão dos acontecimentos, desde que contada por um camarada, passa a ser uma prova de que o paraíso continua no mesmo lugar. E, tal como as Testemunhas de Jeová, os comunistas também sabem que este império do mal, cheio de ricos e americanos, está perto do fim. Estamos quase lá, na terra prometida onde o maná será distribuído em doses rigorosamente iguais. Basta votar na CDU.

24 thoughts on “Disputatio – III”

  1. As caricaturas do marxismo e do socialismo feitas pela «autoridade» em assuntos filosóficos (e também religiosos, parece) são cada vez mais ridículas. Até porque, se repararem bem, a dita «autoridade» que diz que os outros têm uma «visão simplex», preconcebida e acrítica da realidade, é o mesmo tipo cujas «análises» ao dito marxismo se servem (e reduzem) quase sempre da mesma cassete acrítica, preconcebida e «simplex» que vê constantemente nas personalidades em causa, nas suas atitudes, e nas suas ideias, comportamentos religiosos. É natural, portanto, que para esta «autoridade» a justiça social seja uma questão secundária (uma questão do domínio religioso ou do outro mundo, talvez) e que se resolve (ou se vai esquecendo) com medidas caritativas e avulsas, como foi característico do «governo que mais fez pelo combate à pobreza»(sic), mas que ao mesmo tempo adoptou medidas ao nível laboral e sócio-económico que contribuem para a precarização e empobrecimento da população.
    É caso para dizer que este governo de «esquerda» é o novo ópio do povo (do povo socretino, claro). Ou, pelo menos, é o ópio da dita «autoridade» que fica em estado de euforia e de alucinação sempre que evoca o nome do Pinto de Sousa. Porque fé, ou fezada, no inginheiro é coisa que não lhe falta… Mas é um fé paradoxal, irracional, e nessa medida, até é uma fé muita mais genuína que a tal dos «marxistas». Porque é que eu digo isto? Porque a «autoridade» diz que o problema do Jerónimo é ser de confiança, ser leal e estar de boa-fé. Estranho? Não. Porque a verdade é que a «autoridade» tem fé num tipo que não é de confiança (mente constantemente), que é desleal (à suposta matriz ideológica do seu partido) e cuja máquina de propaganda nada deve à boa-fé. Valupi é, por isso, um kierkegaardiano comprometido com o absurdo, sempre pronto para o defender. Acima da ética, dos princípios, e da verdade estará sempre a lealdade absoluta ao Pinto de Sousa. Nas palavras do Valupi, Pinto de Sousa é o representante do bem comum, personifica a comunidade (projecções delirantes da «autoridade», diria Feuerbach), sendo que, ao mesmo tempo, esse ser absoluto ordena que esse povo ou comunidade sejam sacrificados, mortos se for necessário. E a «autoridade» fanática e devota do absolutamente absurdo ouve, repete e obedece, sempre angustiado e desesperado com a possibilidade de não corresponder e de não cumprir com a sua missão. Perante a possibilidade de estar sempre em pecado, em falta para com o seu senhor, delira e inventa coisas àcerca dos outros. Vê os outros à sua imagem, até porque para a caricatura de Kierkegaard, a verdade é sempre subjectiva: a verdade são as suas mentiras, como o seu Senhor já nos ensinou…

  2. E eu ando cada vez mais desconfiado com as não publicações dos meus comentários, como aconteceu mais uma vez. É caso para dizer que o absurdo tem razões que a razão desconhece… Ou talvez não…

  3. Tive a felicidade de ver o debate entre José Sócrates e Jerónimo de Sousa, dou o tempo por bem empregue. Quando se ouve duas pessoas que não usam a demagogia como aconteceu ontem, o consumidor (telespectador) só ganha com isso.
    A comunicação social não dá valor a debates como o de ontem. Querem que os entrevistados façam sangue. É a maneira que lhes dá jeito, para alimentar a venda do seu produto. Comentam que Jerónimo de Sousa esteve mal, mas não realçam que perante um José Sócrates, e obra feita, é difícil argumentar o contrário, só demagogos como Francisco Louçã e Paulo Portas é que dizem o contrário – é como da noite quererem fazer dia. Prevejo o debate com Francisco Louçã, um lavar de roupa suja – pela parte dele. Louçã não sabe viver com a realidade, para ele viver tem de se socorrer do boato, da mentira e do vota abaixo. Com Manuela Ferreira Leite, faço um apelo para verificarem que não vai usar playback, para fazer frente a Sócrates, não tem classe, oratória, fair-play, dignidade, intelecto e honestidade para se meter nestas andanças. Quem te mandou tocar rabecão.

  4. Caro Val,

    Como sempre de uma lucidez brutal. É ver o nosso amigo DS e outros como ele em puro estado de negação. É lindo.

  5. Mas claro que percebi. E tu já percebeste que mais de 150 anos volvidos sobre a “tua” tese de ordenação social, muita água já correu sanita abaixo. Olha, ao contrário de ti, que, provalvelmente quererias a extinção de pessoas como eu (eu sei que tu sabes que isto não é brincadeira), olho para ti com o enlevo de quem olha para peças de antiquário. Fazem falta para nos recordar a história e a cautela que todos temos que ter para que certas tragédias não se voltem a repetir. Bem haja o meu caro Marxista.

  6. Não… Não percebeste. O que eu te perguntava é se percebeste qual o estado (ou o estádio) em que os Pinto de Sousistas se situam. Lê o meu segundo parágrafo com mais atenção.
    Ah… Outra coisa: tal como o Valupi também tens dificuldades em perceber que alguém que se reclame de «socialista» está (ou devia estar) mais próximo da tese que tem 150 anos, do que da outra tese (mais «moderna) que tem quase 250 anos. Sabes do que eu estou a falr, não sabes?

  7. Não… Não percebeste. O que eu te perguntava é se percebeste qual o estado (ou o estádio) em que os Pinto de Sousistas se situam. Lê o meu segundo parágrafo com mais atenção.

    Ah… Outra coisa: tal como o Valupi também tens dificuldades em perceber que alguém que se reclame de «socialista» está (ou devia estar) mais próximo da tese que tem 150 anos, do que da outra tese (mais «moderna) que tem quase 250 anos. Sabes do que eu estou a falr, não sabes?

  8. Gorjão, já te respondi duas vezes, mas como parece que este blogue funciona tão bem como pensa, vais ter de esperar por que a suprema «autoridade» proceda à sua libertação…

  9. Caro Val,

    Prefiro cem vezes os avozinhos tipo Jerónimo que tanto deprecias, que os modernaços
    sem princípios rígidos como o Pinto de Sousa. É certo que a verdade não é uma marca registada, mas são tantos os casos de verdade duvidosa a envolver Pinto de Sousa, que só mesmo um crente acrítico pode seguir com essa suprema fidelidade.
    Jerónimo mostrou à saciedade que é um homem de bem e uma pessoa civilizada. Não usou truques engenhosos para levar a água ao seu moinho.
    As teses defendidas por Jerónimo tem 150 anos. Têm. E depois? A exploração do homem pelo homem já terminou? Onde é que Marx está assim tão desactualizado? Quem é que vai mamando a mais-valia produzida por quem trabalha? Só porque uma coisa é velha deita-se fora?
    “Não matarás o teu pai e a tua mãe”. É um princípio que deve vir desde o princípio do tempo, ainda que seja um dos dez mandamentos dos cristãos. Estará este mandamento ou princípio desactualizado?
    Não é a tua inabalável fé no Pinto de Sousa que ditará a sua vitória. O diálogo vai continuar. Passa bem e acalma-te.

  10. O grave problema dos comunistas é não perceberem que as suas intenções podem ser das melhores, mas que o Mundo já não precisa delas para nada, porque não é nenhuma Família dos quais eles sejam os patriarcas bonzinhos!

    Numa Sociedade livre, JÁ SOMOS TODOS IGUAIS e já não precisamos do Papá para cuidar de nós! A comparação dos comunistas actuais com as Testemunhas de Jeová é perfeita.

    É por isso mesmo que os comunistas não me incomodam, não me afectam, mas nunca me convenceram. Às tantas acabam por fazer pena, como as simpáticas e simplórias Testemunhas de Jeová…

    Sei que vão continuar assim, agarrados às suas rígidas, tristes e penosas convicções, eternas e imutáveis, até morrerem todos e acabar de vez o P. C. P. – de morte natural, como os octogenários felizes…

  11. Paulo Gorjão, só lhes resta isso, a negação, porque tudo o resto é trágico e horrendo.
    __

    M da M, qual o espanto que Sócrates seja atacado? Acaso não conquistou o poder? Acaso os seus adversários são pessoas de bem? O que te devia fazer pensar era o contrário: com tanto ataque, nada ainda se provou, a não ser a sua inocência nos casos que já foram investigados. Claro que destes factos não decorre que o devamos beatificar, mas o que é injusto é estar a assacar-lhe uma culpa cuja única fonte de aferição é uma suspeita. Aceitarias sem reagir que destruíssem o teu bom nome e honra com suspeitas? E se atacassem alguém da tua família, ou amigos, com documentos forjados e boatos escabrosos, que farias? Abre a pestana.

    Quanto à exploração do homem sobre o homem, tenho novidades para ti: antes do Marx nascer, séculos e milhares de anos antes, já se combatia. Esse tem sido o destino da Humanidade, um caminho de constante aproximação ao ideal da justiça. O que farias bem em meter na tua cabeça é a ideia de que há muitas formas de combater as desigualdades, não estamos limitados a Marx e aos que se dizem comunistas. Aliás, os exemplos que vieram desse grupo de gente são desgraçados e tirânicos. Abre a pestana.
    __

    Marco Alberto Alves, muito bem.

  12. Val,

    Poderei receitar-te do mesmo medicamento. Abre a pestana, Val! O teu ícone é certo que conquistou o poder. E depois? Também Hitler conquistou o poder em eleiçoes democráticas. Esse teu argumento é um não argumento. E olha que o Hitler só é chamado aqui para te dizer que o teu argumento é um não argumento. Longe de mim pensar que o teu ícone é comparável ao monstro alemão.
    Acaso pensas que desconheço a luta do Homem na sua longa caminhada civilizacional?
    Não penses assim, porque incorres na mais pura das arrogâncias.
    Não ignoro, igualmente, que o teu ícone tem sido acusado e que se tem defendido como pode. Podes utilizar os argumentos que quiseres, mas se os casos das casas da Guarda, daquelas cadeiras feitas com o mesmo professor – e por aqui me fico -, fosse connosco,já nos tinha caído o Carmo e a Trindade em cima. Ele é um dos membros do vértice do triângulo do poder. Conjunturalmente.
    Há, há muitas formas de combater a desigualdade; mas o caminho do teu ícone é o do agravamento das desigualdades. Mentira?
    Nunca defendi o comunismo vindo de outras paragens. Não há nenhum texto meu a glorificar os regimes do Leste, da China, da Albânia ou de qualquer outro país. Nem a romântica Cuba! O mesmo não poderão dizer, certamente, muitos dos teus amigos do PS, alguns com responsabilidades governativas.
    Estás do lado dos que estão na mó de cima e deixa-te ficar, que não tens lugar deste lado da trincheira. Aqui é que as coisas mordem. Defender os que mandam e tudo podem, não é grande avaria. Fica bem e acalma-te. Sobretudo, aprende a dar-te ao respeito.

  13. M da M, ninguém precisa de falar no Hitler para dar um exemplo relativo a eleições democráticas. Se o fazes, é com a intenção de acrescentar uma ofensa. Por isso, devias ter vergonha, pois estás a ofender não a Sócrates ou aos seus apoiantes, estás a ofender as vítimas do nazismo. E também devias estudar um bocadinho melhor a História da Alemanha, antes de dizeres que ele foi eleito democraticamente. Deixo-te uma pista: nem todas as eleições ditas democráticas ocorrem em condições legítimas.

    Que sabes do caso da Guarda e da licenciatura? Leste os processos, tens algo a acrescentar que as autoridades devem tomar conhecimento? Ou para ti o que interessa é a repetição das calúnias, mesmo após a investigação das situações? Tem vergonha, não ataques inocentes se não tens provas.

    Não faço ideia de qual seja o comunismo que defendes, mas basta que seja comunismo para estar errado aos meus olhos.

    Quanto a considerares que estou do lado dos que mandam, e que, por isso, não me dou ao respeito, é o que se espera dos que não compreendem o que é a democracia e que, por isso, tudo tentam para viver em ditadura. É o caso dos comunistas, precisamente.

  14. É assim mesmo, Val, mas estes senhores são do “quanto pior melhor” e tb são peritos em distorcer, nada a fazer senão continuar a desmascarar a infâmia!

  15. Val,

    Não queres dialogar, o problema é teu. A tua crença é maior que a minha, seguramente.
    Não fui eu que chamei à colaçaõ a subida ao poder através da conquista do mesmo.
    Tive o cuidado de te dar um exemplo caricatural, mas tu não entendeste. Não quiseste entender. E mais: tive o cuidado de te dizer que o teu ícone nada tinha a ver com o monstro alemão. E repito-o, sem quiasquer problemas. A tua cegueira é que não tem limites e só já vês insinuações em tudo.
    Dás-te por contente com aquelas trapalhadas todas? Olha eu não daria e se se tivesse passado com o Jerónimo de Sousa, eu não estaria assim tão convencido. Dá-te jeito fazer aquelas perguntinhas da treta, não dá? Se me dissesses que muitos outros têm feito o mesmo – caso das casas – eu não te direi que não. O problema é que o teu ícone tem as responsabilidades que tem e a sua vida é escrutinada quitidianamente. E achas normal aquela trapalhada da universidade? Conheces mais algum caso?
    Quanto aos comunistas portugueses, tu sabes tão bem como eu, que tiveram sempre uma conduta patriótica e de luta contra a tirania.Usas a falácia das questões internacionais
    para levares a água ao teu moinho, mas é um caminho enlameado.
    Quanto à democracia, não recebo ensinamentos de quem quer que seja. Comecei cedo
    e pratico-a quotidianamente. Para mim é um modo de vida. É uma forma de estar. Não tenho a arrogância de prescrever o que quer que seja para os outros. Não gastes as balas comigo, que não sou eu o inimigo principal.

  16. M da M, insinuação é o que tu fazes. Qual a relação entre subir ao poder e o Hitler, pode-se saber? Ou dizes o mesmo das situações onde o PCP, ou algum comunista, é poder? Ocorre-te sempre o Hitler quando ouves falar em eleições? Tem vergonha. Falar do Hitler é descer aos infernos.

    Quanto ao que dizes dos casos, assumes-te como mais um dos que alimentam a campanha negra. Para ti, o que importa é que haja uma suspeita, já nada mais a pode apagar. Assim, só me resta esperar que nem tu nem alguém a quem queiras bem venha a ser vítima dos mesmos métodos que estás a apoiar. Tem vergonha.

    Os comunistas portugueses que a História de Portugal permite conhecer lutaram contra uma ditadura, sim, mas queriam impor outra, a do proletariado, a deles. O comunismo não quer a democracia, quer a tirania. Se não sabes isto, não sabes nada.

    E se não és o inimigo principal, então não te comportes como inimigo principal. Se não tens nenhuma prova contra Sócrates, ou qualquer outro cidadão, dá-te tu ao respeito.

  17. Alto! Pára tudo!! A «autoridade» em filosofia disse que o destino da humanidade é um «caminho constante de aproximação ao ideal de justiça». Sim, leram bem! Para a «autoridade» a humanidade tem um «destino»! Para a «autoridade» há um «caminho constante», ou seja, um sentido na História. E para a «autoridade» o fim para que se caminha é a «Justiça»! Perceberam? Eu percebi: a «autoridade» tem uma visão teleológica da História, mas é uma visão idealista e hegeliana da História. Por outras palavras, para a «autoridade» também há uma «terra prometida» à espera dos homens.
    Como eu notei no meu outro comentário, a «religiosidade» que a «autoridade» apontava aos marxistas é algo que ela também partilha. A sua «mudivisão» da realidade (para citar o «absoluto») é portanto uma mistura de Hegel com Kierkgaard, de racionalismo com irracionalismo, sendo que o ponto de contacto entre estes dois opostos é a devoção e adoração fanática de um «messias», de um «mártir», de uma «vítima» que dá pelo nome de Pinto de Sousa: o absoluto que está acima de todas as coisas, de todas as suspeitas, de todas as interrogações, de todas as dúvidas, de toda a racionalidade; mas que ao mesmo e de forma hegeliana se materializa na História liderando os homens (os portugas) no sentido da «modernidade» (para citar, outra vez, o «absoluto»).
    Qual é o seu problema com o marxismo, então? È, como a «autoridade» deve saber, ter posto a sua «mundivisão» de cabeça para baixo, dando lugar a uma visão materialista da realidade, da História. E isso, para um idealista, é lixado! E é por isso que nunca vai perceber que o capitalismo, o seu funcionamento, nunca conduzirá a qualquer justiça, pois não é isso que o move. Até porque, como nos dizem os liberais, o «livre» funcionamento do mercado não pode ser bloqueado por estes moralistas e idealistas. È preciso por a «autoridade» de cabeça para baixo, porque o gajo anda com a cabeça na lua!

  18. Val,

    Acusas os outros dos teus métodos. O PCP lutou contra uma ditadura, mas com a intenção de instalar outra. Foi com “patranhas” destas que se fez o comício da Fonte Luminosa, que foi o guarda-chuva onde todos os que têm partilhado o poder em Portugal, com os sucessos que se conhecem, encontraram abrigo. O PS deu cobertura a essa gente toda e foi difamando o PCP até à exaustão. Lembras-te das célebres listas para fusilamento ou coisa parecida? Isso eram dados objectivos. Objectivíssimos!
    O que nos separa, caro Val, é que a tua crença é muito maior do que a minha. Eu, apesar de ser comunista, não sou ateu. Sou agnóstico, facto que talvez te surpreenda, mas que é uma atitude intelectual em relação à religião, bem diferente da tua, que se aproxima da crendice.
    Tu pensas que os portugueses são todos crentes como tu? Tu tens uma visão totalitária que queres impor aos outros? Se Portugal fosse um país a sério e não um país de compadres, tudo seria cristalino. Mas os interesses cruzam-se e os poderosos têm privilégios que os cidadãos comuns não têm. Portugal tem uma justiça com dois pesos e duas medidas e a diferentes velocidades. E isto preocupa-me.
    Mantém-te calmo e sê inteligente. Às vezes paresces-te com o padre Fontes.

  19. M da Mata, quais são os meus métodos? Que é isso da Fonte Luminosa? Qual é a visão totalitária que me atribuis? Por que razão estás sempre a dizer aos outros para terem calma?

    Lá para fazeres acusações não tens grandes dificuldades, mas para as provar, ou sequer explicar, é tudo muito mais complicado. No entanto, posso-te garantir que jamais me ocorreria falar do Hitler para o relacionar com qualquer português, mesmo que fosse o mais retinto comunista. E também te garanto que não acuso ninguém sem provas, e nisso vai uma grande diferença entre nós, parece.

  20. Val,

    Tá bem. Queres assim, leva lá a bicicleta. Não foi minha intenção trazer o Hitler para estabelecer quaisquer comparações. Quis apenas dizer-te que o teu argumento era um não argumento. Tudo o que inferiste a partir daí é resultado da tua prodigiosa imaginação. Então passou-te pela cabeça que eu quis estabelecer algum paralelo?
    Não me tomes por um tortuosso perverso, que eu sou linear e cristalino. Faz por sê-lo também, que, no fundo, será esse o caminho mais produtivo para ambos.
    Como deves já ter notado, o meu registo é sereno e sem palavrões. E tu mesmo, comigo, já ganhaste algo: não recorreste ao palavrão e àquele calão em que és pródigo em muitos dos teus textos. Saúde.

  21. M da Nata, eu escrevi que Sócrates era atacado por ter o poder. Estava a relacionar com os casos que trazias. Sim, havia casos, mas também, ou principalmente, porque havia inimigos, havia tentativas de lhe tirar o poder, não tinha nada a ver com eleições. E os casos ainda não deram em nada de diferente do que a constatação da sua inocência. Ou tens outras notícias? Tens tu provas seja do que for? Se não tens, por que alinhas na campanha negra? Não creio que precises de ir buscar Hitler para argumentares contra estas evidências. Trouxeste Hitler porque quiseste, não porque fosse necessário, sequer fizesse sentido.

    És tu que desvairas com alusões a ser-se tortuoso, perverso, linear, cristalino. Mas que conversa é essa? Que é que tu tens com o facto de alguém usar ou não usar palavrões? E ainda acusas os outros de te lembrarem o padre Fontes?!…

  22. Val,

    Não sei porque continuas a insistir, quando já te disse que quis apenas dizer que o teu argumento era um não argumento. Eu não alinho em campanhas negras, mas também não me deixo embalar por vitimizações, para colher votos junto dos portugueses.
    Não não tenho nada novo e nunca quis alimentar qualquer campanha. O que eu desejaria era que a justiça fosse célere e esclarecesse o que há para esclarecer, quando os casos surgem. Ganharia Portugal e o regime democrático.
    Escrevi noutro blogue que não aceito argumentos extra-políticos para disputar eleições e chamaram-me ingénuo. Foi acerca do caso MMG, no Corta-Fitas. E defendi, obviamente, o teu engenheiro.
    O que nos diferencia é que tu achas que tudo o que venha de um comunista é mau. E é contra essa visão que eu me bato, fundamentalmente.

  23. Se te bates contra essa visão, perdes o teu tempo, pois essa não é a minha visão. Eu bato-me é contra a má-fé. Como estás constantemente a fazer nesta discussão. Agora dizes que a vitimização é para ganhar votos. Mas qual vitimização? Quais votos? O que todos sabem é que há milhares de eleitores que repetem as calúnias, insinuações e suspeitas que tu repetes. Portanto, a campanha negra teve sucesso, tirou votos ao PS sem que nada tivesse ficado provado – pelo contrário, pois algumas investigações mostraram que nada de ilícito ou irregular se passou.

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