34 thoughts on “Direita portuguesa, Agosto de 2021”

  1. Um episódio demonstrativo de que no caldo de cultura do radicalismo político medram os delírios da vitimização conspiracionista.
    Certos comentadores deste blog não deixarão de aqui botar faladura, com a candura hipócrita de quem não se vê ao espelho.

  2. e o ministério público não investiga esta tentativa de homicídio?
    o rosa & teixeira deve andar a pavonear o monoquini no meco e o alex a regatear o preço dos calções com os moços do benfas e do velho banco. depois não sobra tempo para anexação de mais um crime ao marquês.

  3. Valupro: estava aqui a pensar que o maior objectivo do José Sócrates para alcançar a imortalidade se resumia a saber pensar em GRANDE. Tanto assim é que até adivinho o seu desabafo ao perceber os pormenores explicados pela TVI sobre a golpada da parelha António Costa/Manuel Salgado-o-primo-do-primo-com-alzheimer-que-aliás-é-seu-dele, foda-se!-amigo-também com a alteração do PDM na CML, em 2012, e que valorizou os terrenos envolventes ao Palácio da Ajuda em 10, 20, 30, 40 e tal milhões em apenas vinte anos: .

    Olha só:

    – Pixotes aquele cabrão do Costa, o Salgado e o Medina não se orientam mesmo, pá! Entre muitas patifarias eu deixei um calote para o Pedro Nuno desatar, notem bem, no valor de 150 milhões + juros só com uns bonecos e o caraças do TGV… Pixotes esses gajos, pá, isto é o mercado a funcionar à grande!

    _______

    O Tribunal de Contas alertou o Governo para não pagar a indemnização de 202 milhões ao consórcio ELOS, no âmbito da obra do TGV que nunca avançou. Caso pague o valor a que foi condenado por um tribunal arbitral, os governantes responsáveis pelo processo podem ter de devolver esse dinheiro ao Estado.

    O alerta consta de uma carta enviada ao Governo e que foi consultada pelo Expresso. Em causa está a indemnização de 150 milhões de euros a que o Governo foi condenado por um tribunal arbitral, pelo facto de o projecto não ter avançado.

    Com os juros e os custos processuais, a factura já vai em 202 milhões de euros.

    https://zap.aeiou.pt/caso-tgv-tribunal-de-contas-avisa-governo-423508

  4. Perdoem-me as imprecisões que aqui posso vir a escrever.
    Há no texto do chega parecenças bem óbvias com o fascismo clássico, como foi muito bem narrado na biografia Filho do seculo. O perigo de vida que o líder vive diariamente, sempre rodeado com os guarda costas, a religião, a forma como se refere aos socialistas, etc. mas tempos como se viveram no sec passado, em que no telhado do popolo de italia estavam plantadas “fiats” automáticas prontas a cuspir balas (nas sedes dos jornais dos operários também), telegramas de Pareto “é agora ou nunca”, grandes personagens como o Vate (é um herói, sobrevoou a Jugoslávia e bombardeou-a com propaganda política) e Mussolini, geniais, mas muito violentas, não vão existir mais. O fascismo nunca irá ser como antes porque não existe clima de guerra civil nem multidões armadas capazes de levar a morte aos adversários como era típico dos Arditti. “transportavam a morte na adaga pela noite”. É impossível nos dias de hoje voltar a acontecer. Portanto, é estúpido (peço desculpa pelo termo) e atrasado escrever textos como aquele.
    Já Rio, também não entendi.
    Isto não quer dizer que não possa haver no futuro regimes sob forma de ditadura.
    Mussolini disse uma vez que os italianos gostam é de um fds prolongado para ir para a praia e ter em cima da toalha da mesa uma garrafa de vinho por duas liras. E nós também somos assim. Portugal e Itália são países muito parecidos. Mas hoje não voltam a aparecer mártires como padre Sturzo e o grande socialista reformador Giacomo Matteoti. Mussolini era um fingidor tremendo, disse à mulher deste último que faria de tudo para o encontrar, sabendo muito bem que ele jazia numa floresta.

  5. Muita atenção a um pertinente comentário natalício a este artigo: não é de todo descabido que os tentáculos de Sócrates tenham desenvolvido este maldito vírus que nos importuna e tanto desgosto nos causa.
    Se me permitem, indo um pouco mais longe, mas ainda dentro dos limites da lucidez atualmente permitidos, cuidado, muito cuidado com as radiografias, mamografias, tomografias, ecografias, que têm por único objetivo ver-nos por dentro. Não se deixem enganar.

  6. “Chega de Vila Real diz que “funcionários do Governo” no centro de vacinação “iam tentar injetar veneno”

    e a presidência da república não faz um comunicado a dizer que injecção de veneno é um poder atribuído ao marcelo.

  7. Isto é o Rui Rio a tentar ter piada, só que ele não tem nenhuma. é um tipo rabugento, não tem sentido de humor, é embirrento (aposto). Nesse sentido, é um homem intratável como há muitos. Mas não faz dele um mau político.

  8. ora faz lá uma lista das sucessivas mentiras para vermos até onde vão os teus conhecimentos psicogalvanométricos.

  9. Concordo com o Eduardo Ricardo. Notam-se os efeitos da silly season nas tentativas de picardias políticas.. até seria mais interessante comentar as catacumbas de paris que comentar o Chaga (já se sabe que são um bando de acéfalos-nada de novo aqui). Será o Rio parecido com aquele tio chalupa nos jantares de família que manda piadas para o ar e ninguém apanha? eheh beijinhos

  10. Caro as sucessivas mentiras de António Costa

    Respeito muito as pessoas limitadas, motivo pelo qual não te respondo.

    Fica bem e as melhoras
    José Marques

  11. ora fodasse… e agora o que é que eu vou fazer com aquele simulador de devolução de taxa do irs que comprei ao aldrabão de massamá.

  12. “E esta, hem?”, como único comentário do líder da oposição, consegue ser mais irresponsável e mais imbecil do que a tirada paranoica dos chegunços de Vila Real.

    Mais lhe valia ficar calado. Não acerta uma.

  13. Emprego regressou aos níveis pré-pandemia – INE.
    Comparado com o 2º. trimestre de 2019, as exportações aumentaram 2,9% – INE.
    Imaginem o que teria acontecido se a pandemia fosse gerida por um governo da direita portuguesa. Sim, eu sei… Os salários são baixos

  14. Caro Eduardo Ricardo :
    Não te esqueças da arma fundamental dos fascistas italianos que foi o óleo de rícino !!!
    Com ele, a direita italiana pôs a Bota a obrar em leque, a feder de tal maneira que a marcha sobre Roma mais pareceu uma barrela !
    Para sorte nossa, essa droga não funcionou no lago de Como e o Duce acabou ,invertido, no Duomo de Milão !!!
    Exemplo olvidado pela direitinha da treta que anda por aí a pedi+las ….

  15. Valupi, se acaso ainda não conheces, aposto que vais gostar deste, ou pelo menos ouvi-lo com atenção. Um americano de lei numa América e num mundo demasiadas vezes de duvidosa lei, reinando sobre cardumes, bandos e manadas de neurónios gripados, desgraçadamente com pouca culpa dos donos. Um bípede com um cérebro funcional e verbo a condizer, que não me canso de ouvir. Os vídeos são de 2011, mas o homem continua por aí. E aposto que haverá por aqui mais cérebros funcionais que também gostarão (bullies mariconços e pidalhada excluídos, obviamente):

    https://youtu.be/waNM0VF4ZBQ

    https://youtu.be/0NypIYCASV4

  16. José Marques
    11 DE AGOSTO DE 2021 ÀS 20:55
    Envenenados estamos nós com as sucessivas mentiras de António Costa :)

    José Marques

    Valupro: tu que, à conta a Operação Marquês e das outras patifarias da pandilha do José Sócrates, Armando Vara, Manuel Pinho & C.ª, iLimitada, és um expert em golpes de tesouraria, digamos assim, deverias analisar cuidadosamente a excelente reportagem da TVI. Está ali tudo: consegues imaginar quantas e tão volupiosas luvas circularam pelas mãos, e pelos bolsos!, dos mânfios do PS na CML a cada novo “patamar” de desafectação durante o processo-crime sobre os terrenos envolventes do Palácio da Ajuda? Tens ali tudo: os irmãos franceses que só entram na jogada no fim e não dão a cara, o rapaz da Junta de Freguesia que, pensando positivamente, é o filho ou o neto do senhor Santos da drogaria da Ajuda, família respeitável que formou os filhos e casou as filhas com um funcionário do antigo Banco Nacional Ultramarino e um tenente da GNR, e que faz em tudo lembrar o Pedro Marques tesoureiro no Montijo que ajudava o pai ao balcão, até tem e tudo os governos do Cavaco Silva para dar continuidade à coisa!, um arquitecto Gonçalo Byrne já velhote e mei gágá não se importa de meter os pés pelas mãos perante uma jornalista bem preparada que misericordiosamente o exibe enfiado oficialmente naquele lodaçal alfacinha, um gajo do clube desportivo, ou de uma sociedade recreativa e filarmónica?, existente algures na Ajuda que defende com unhas e dentes a CM do PS e as promessas do “mercado a funcionar” que lhe abre/m a torneira dos subsídios na CML ou uns painéis de publicidade ou um patrocínio nas camisolas (nos tempos antigos esta típica personagem tinha uma alcunha e era importante nas épocas eleitorais: era um galopim que, a bem ou tratando os eleitores coercivamente sopapos e a pontapés, fazia a verdade por mais absuarda que fosse prevalecer e, favas contadas, tornar-se ganhadora). Afinal este é o mundo em que o abanado António Costa cresceu, dá nome às coisas ó Marques!

    https://tvi24.iol.pt/amp/sociedade/reportagem/ajuda-uma-especie-de-ovni-quer-aterrar-aqui-e-competir-com-o-palacio

  17. “Um americano de lei numa América e num mundo demasiadas vezes de duvidosa lei”

    Registe-se, sem sombra de ironia, a produção duma frase, finalmente, digna de concordância. O que é tanto mais relevante, visto à luz dos graves defeitos do produtor da frase. Não surpreendendo, portanto, que, paralelamente ao reconhecimento do evidente mérito intelectual de Chris Hedges, o autor da publicação das 9:46 ainda não se tenha dado ao esforço de, com imparcialidade e distanciamento crítico, tornar explícita a sua opinião sobre o aproveitamento que um órgão de informação russo (reputado nas suas quebras da isenção jornalística ) retira do contributo de personalidades que, à semelhança de Chris Hedges, estão conotadas com setores ou causas de dissidência política ocidental: seja o ex-primeiro ministro independentista escocês Alex Salmond, o antigo presidente equatoriano e anti-imperialista Rafael Correa, ou Jesse Ventura, antigo praticante de luta-livre, ex-governador do Minnesota e conspiracionista do 11 de Setembro.
    Falta ao autor do post das 9:46 dizer algo de concreto sobre as motivações pessoais que podem estar na base da participação dessas figuras num órgão de informação que é braço estratégico do Estado russo, elencando as que se lhe afiguram mais notórias: o complemento de reforma , o gosto da transgressão, a sedução do holofote, o fascínio do microfone…
    Falta ainda que diga de sua justiça relativamente à participação de Alain Soral (estrela do conspiracionismo de extrema-direita), enquanto comentador do debate eleitoral entre Sarkozy e Hollande, na RT América, em 2012.
    Que diga o que pensa acerca do tempo de antena concedido a Thierry Meyssan (reputado negacionista do 11 de Setembro e defensor do regime de Bashar-al-Assad) para que este, sob a alegada condição de “jornalista de investigação independente”, comente a guerra da Síria.
    Que também dê opinião relativamente à presença na antena da RT de Lyndon LaRouche, príncipe da contra-cultura conspiracionista, enquanto “activista político” e comentador da via política egípcia.
    Que explicite quais as regras da deontologia jornalística que justificam que a RT tenha atribuído, sucessivamente, ao seu colaborador Ryan Dawson, a competência de “ jornalista” quando comentou a guerra no Iémen, a qualidade de “bloguista político” quando analisou a anexação da Crimeia, o estatuto de “militante pela paz e ativista dos direitos humanos” quando falou das bases militares norte-americanas no Japão, as competências de “autor e analista” quando emitiu opinião sobre o conflito territorial sino-japonês, as credenciais de “jornalista especialista de assuntos asiáticos” quando comentou a tensão entre as Coreias e, finalmente, a categoria de “analista geopolítico”, quando falou de Guantánamo. “Esquecendo-se” de acrescentar que a esse acumulado de competências Ryan Dawson acrescenta no currículo o de bloguista negacionista.
    Tendo o autor da publicação das 9:46 dado, em certo momento do passado, pretensa lição de campeão dos princípios, aguarda-se que, em coerência, venha justificar a assimetria da sua exigência jornalista. A assimetria dum julgamento que é implacavelmente crítico para com os media (“merdia”) ocidentais, mas ostensivo na brandura relativamente ao media russos, diríamos mesmo, conivente no silêncio.
    Esperamos, pois, que o autor da publicação das 9:46 dê, desta vez, respostas claras.
    Deixando, de vez, de andar a desenterrar pides e de vitimizar-se como criança. Como é próprio dos bípedes com cérebro funcional. Verdadeiramente funcional. Como promete a frase transcrita no início.

  18. E o Duce e a Pettachi, no Duomo, em Milão ? Uma imagem que não agrada aos direitolas, admiradores do Botas, do Rosa Casaco e outros pides que, por mais enterrados, insistem em mostrar a caveira …
    Ai, ai, ai, esta gente de quem se fala , e depois se diz : e ainda…
    Outros há de quem querem dizer mal, citam a obra feita e acrescentam : mas…
    Só os tolos não vêem a diferença .

  19. Camacho :
    Então nem uma palavra sobre os resultados da guerra USA no Afganistão ?
    Os cow . boys estão a melhorar ! Desta vez não saíram pelo telhado da Embaixada !
    Saigão é uma lição !!!

  20. Tenho-me perguntado sobre o boletim clínico do Coiso. Afinal, devia era preocupar-me com o deste Parece Ser Uma Espécie de Coiso.

  21. Chevy, o que queres que te diga, é o costume: entradas de leão, saídas de sendeiro. Já quanto ao filme “Um Violino no Telhado”… perdão, “Um Helicóptero no Telhado”, se tivermos em conta a velocidade de avanço dos polibãs, não estamos livres de um remake dessa heróica e edificante epopeia. Pelo sim pelo não, já reservei bilhetes de balcão, primeira fila. Uma coisa te garanto: a rapaziada de Hollywood não tardará a presentear-nos com as suas habituais e heróicas versões do acontecimento, abarrotando de heróis espadaúdos “made in America”, comendo polibãs ao pequeno-almoço e atroando os ares com o novo e virilíssimo grito de guerra: “Polibãs nunca! Vivam os jacuzis e os banhos de imersão! Oh yeah!” (em americano erudito: Olé!)

    E já agora, pelo sim pelo não, oremos.

  22. Chevy, quanto aos verdadeiros “resultados da guerra USA no Afeganistão”, posso referir alguns, todos eles magníficos:

    1 — Enorme incremento dos lucros e valor das acções das hipermercearias humanitárias Lockheed Martin, Boeing, Raytheon, General Dynamics, Northrop Grumman e muitas outras, todas elas discretas e generosas instituições sem fins lucrativos, fabricantes de democráticos e eficazes produtos de desconstrução de construções primitivas (típicas dos locais a desconstruir), posteriormente “modernizadas” e desinteressadamente reconstruídas por outras hipermercearias da mesma “nação excepcional”, democraticamente construtiva, construtora e humanitária (com algumas sobras generosamente atribuídas à criadagem satélite europeia e natista).

    2 — Incremento estratosférico da produção de ópio (e seu derivado heroína), com a “nova democracia” afegã a responsabilizar-se por 95 a 97 por cento da produção mundial.

    Pormenorizando: em fins de 1997, os talibãs proibiram o cultivo da papoila do ópio, alegando que era anti-islâmico. Ninguém lá na terrinha lhes ligou e em 1998, de acordo com o UNODC (United Nations Office on Drugs and Crime), a produção baixou apenas ligeiramente, de 2800 para 2700 toneladas, “recuperando” em 1999 para um recorde de 4600 toneladas.

    Em Julho de 2000, os polibãs decretaram nova proibição, de novo alegando ser anti-islâmico, mas desta vez tomaram medidas drásticas para a fazer cumprir, incluindo prisão e castigos físicos severos não só para os prevaricadores como para os chefes de aldeia e outros responsáveis das regiões onde o cultivo se mantinha. Resultado: de umas já “tímidas” 3300 toneladas em 2000, a produção sofreu uma redução drástica para 200 toneladas em 2001, de acordo com o “Summary Findings of Opium Trends in Afghanistan, 2005”, do UNODC (12 Setembro 2005), página 5. Do mesmo UNODC, há uma ligeira divergência no “Afghanistan Opium Survey 2018”, ainda online em PDF, que em vez de 200 toneladas refere 185 em 2001 (página 7). No “Afghanistan Opium Survey 2020”, que salta milagrosamente da página 11 para a 55, também online em PDF mas com uma definição inferior, as colunas no quadro equivalente são iguais (também página 7), mas em 2001 a produção em toneladas é omitida.

    Tudo isto antes da invasão americana. Com o glorioso advento da salvação bombista e humanitária, a coisa evoluiu assim: de 200 (ou 185) toneladas de ópio em 2001 (último ano polibã) passou-se milagrosamente para 3400 logo em 2002, 3600 em 2003, 4200 em 2004, 4100 (ligeira descida) em 2005, 5300 em 2006 e 7400 em 2007! Tudo como dantes, quartel-general em Abrantes! Back to business!

    Houve alguns, relativamente pequenos, altos e baixos, principalmente devido a variações climatéricas, e em 2017 bateu-se o recorde absoluto, com 9000 (NOVE MIL!) toneladas, que baixaram de novo em 2018 para 6400. Por falta de acordo com o Governo afegão, o UNODC não disponibiliza dados relativos a 2019. A produção estimada para 2020 era, no último relatório disponível do UNODC, de 6300 toneladas (previsão num intervalo estimado de 5400-7200).

    Claro que apareceram logo umas teorias da constipação de que a redução drástica de 2001 se deveu a manobra polibã para reduzir a oferta e aumentar artificialmente os preços nos anos seguintes, mas teorias da constipação são o que são e esta, como a das armas de destruição maciça do Saddam, não passa de justificação, ou desculpa, para a merda que fizeram depois.

    Uma coisa há que reconhecer, porém: algum tempo depois da invasão americana, os próprios talibãs, relativamente isolados do exterior, aproveitaram o incremento da produção de ópio a que não podiam opor-se, fizeram vista grossa e, como contrapartida, impuseram taxas aos produtores, assim financiando o seu esforço de guerra. À beira de chegarem de novo ao poder, a ver vamos o que fazem, não para já, mas daqui a uns dois ou três anos, quando consolidarem o controlo do país.

    Mais alguns dados:

    De 1980 a 1989 (início da intervenção URSS em 1979, saída em 1989), a evolução da produção, em toneladas, foi a seguinte: 200, 225, 275, 488, 160, 450, 350, 875, 1120, 1200.

    De 1990 a 1992 (Najibullah já sem apoio soviético), os números são: 1600, 2000, 2000.

    De 1993 a 1995: 2300, 3400, 2300.

    De 1996 a 2001 (era talibã): 2200, 2800, 2700, 4600, 3300, 200 (ou 185).

    Fontes:

    https://www.ecoi.net/en/document/2054613.html
    (Relatório UNODC 2020, com acesso disponibilizado no link para o PDF. Para o de 2018 aparece directamente o PDF, que não sei como meter aqui, mas que se encontra facilmente no Google em “Afghanistan Opium Survey 2018”)

    Na insuspeita Voice of America, uma achega:

    https://www.voanews.com/south-central-asia/un-survey-finds-37-spike-afghan-poppy-cultivation

  23. Chevy, ainda sobre os “resultados da guerra USA no Afeganistão” (rubrica “perdas e ganhos”), mais uma achega.

    A “defunta” petrolífera americana Unocal (que se fundiu em 2005 com a Chevron, deixando de operar independentemente) acalentou durante muito tempo o projecto de construção de um oleoduto a partir da região do Cáspio, atravessando o Afeganistão de norte a sul, muito perto e paralelamente à fronteira com o Irão, prosseguindo pelo Paquistão e desembocando no oceano Índico. Por um lado, curto-circuitava o Irão, que “ganhava” concorrência acrescida dos países do Cáspio no fornecimento de petróleo (e provavelmente gás) aos países do Índico, Pacífico e parte de África compradores de energia. Por outro, aumentava a concorrência em relação à Rússia, que se preparava para ampliar a sua rede de oleodutos para oriente com o mesmo propósito: fornecimento a clientes dessas regiões.

    Um dos consultores da Unocal era, nessa época, o criminoso de guerra… perdão, o humanista e filantropo Henry Kissinger. Outro era Zalmay Khalilzad (americano de origem afegã), ex-embaixador americano no Afeganistão, no Iraque e nas Nações Unidas. Zalmay Khalilzad “served as the Special Representative for Afghanistan Reconciliation at the State Department since September 2018. Previously, he served as a counselor at the Center for Strategic and International Studies (CSIS) and the president of Gryphon Partners and Khalilzad Associates, an international business consulting firm, based in Washington, D.C.” (da Wikipédia)

    Sobre a Unocal, também na Wikipédia (em https://en.wikipedia.org/wiki/Unocal_Corporation?wprov=sfla1 ):
    _______________________________________

    Unocal was one of the key players in the CentGas consortium, an attempt to build the Trans-Afghanistan Pipeline to run from the Caspian area, through Afghanistan and probably Pakistan, to the Indian Ocean. One of the consultants to Unocal at that time was Zalmay Khalilzad, former US ambassador to Afghanistan, Iraq, and the United Nations.

    In the 1980s, CIA chief Bill Casey had revived the agency’s practice of gaining intelligence from traveling businessmen. Marty Miller, one of Unocal’s top executives, conducted negotiations in several Central Asian countries from 1995, and voluntarily provided information gained on these trips to the CIA’s Houston station.

    In 1996, Unocal opened an office in Kandahar, Afghanistan, while the Taliban were in the process of taking control of the country.

    Unocal rented a house in central Kandahar directly across the street from one of [Osama] bin Laden’s new compounds. They did not choose this location deliberately. Most of the decent houses in town straddled the Herat Bazaar Road. Also near was the Pakistani consulate, which housed officers from [the Pakistani military Inter-Services Intelligence, the] ISI.

    — Steve Coll, Ghost Wars

    In 1997,

    Robert Oakley [ex-US ambassador to Pakistan, now on Unocal’s ad hoc advisory board] advised Miller to reach the Taliban by working through Pakistan’s government [then led by Benazir Bhutto]. He also suggested that Unocal hire Thomas Gouttiere, an Afghan specialist at the University of Nebraska at Omaha, to develop a job training program in Kandahar that would teach Pashtuns the technical skills needed to build a pipeline. (…) Unocal agreed to pay $900,000 via the University of Nebraska to set up a Unocal training facility on a fifty-six acre site in Kandahar, not far from bin Laden’s compounds. (…) Gouttiere traveled in and out of Afghanistan and met with Taliban leaders. (…) In December 1997 Gouttiere worked with Miller to arrange for another Taliban delegation to visit the United States. (…)

    — Steve Coll, Ghost Wars

    Unocal seems to have had a deeper role. Intelligence “whistleblower” Julie Sirrs claimed that anti-Taliban leader Ahmad Shah Massoud told her he had “proof that Unocal had provided money that helped the Taliban take Kabul [in 1996]”. And French journalist Richard Labeviere said, referring to the later 1990s, “The CIA and Unocal’s security forces (…) provided military weapons and instructors to several Taleban militia[s] (…)” US State Department officials openly promoted the pipeline, and former Secretary of State Henry Kissinger served as a Unocal consultant.

    The Taliban and Unocal were in negotiations in Texas to discuss arrangements for the gas pipeline from Turkmenistan to Pakistan in 1997 although it faced competition with from the Argentine Bridas Corporation.

    While no deal was ultimately agreed with either company, the Taliban were leaning toward making a deal with Unocal as of August 1998. The company suspended work on the project following the U.S. cruise missile strikes on Afghanistan in response to the 1998 U.S. Embassy bombings and completely pulled out in December 1998 citing low oil prices and a need to cut costs in addition to regional instability.

    Unocal was also the third-largest member of the Baku-Tbilisi-Ceyhan pipeline from the Caspian Sea to the Mediterranean Sea.
    _______________________________________

    Voltando à vaca fria: com as vicissitudes “resumidas” acima e os 20 anos de bombismo democrático e humanitário no Afeganistão, que, para além dos biliões de dólares “subtraídos” sem qualquer contrapartida aos contribuintes americanos e dos 241 mil mortos afegãos (dos quais 70 mil civis), também lograram o feito heróico de engenharia criativa de reduzir a pó milhares de toneladas de calhaus, é claro que o projectado oleoduto da Unocal ficou inviabilizado. Com a presente retirada americana, e dada a evidente necessidade talibã de angariar meios financeiros que, pragmaticamente, lhes permitam satisfazer clientelas e consolidar o poder, não me surpreenderia que, a curto/médio prazo, reinstaurado o “princípio da realidade” com a chegada do corrupto senil Joe Biden à Sala Oral da Casa Preta, a Chevron entrasse em conversações com os novos senhores de Cabul para ressuscitar o projecto. Again: business as usual!

    Referências ao projecto da Unocal, entre outras, também no livro “The Grand Chessboard”, de Zbigniew Brzezinski, americano de origem polaca que se converteu no principal guru da estratégia do império para o controlo do planeta (edição de 1997 em papel, editora Basic Books, ISBN 0-465-02726-1), mapa na página 146.

    Da Wikipédia: “Major foreign policy events during his time [de Brzezinski] in office included the normalization of relations with the People’s Republic of China (and the severing of ties with the Republic of China on Taiwan); the signing of the second Strategic Arms Limitation Treaty (SALT II); the brokering of the Camp David Accords; the overthrow of the US-friendly Mohammad Reza Pahlavi and the start of the Iranian Revolution; the United States’ encouragement of dissidents in Eastern Europe and championing of human rights in order to undermine the influence of the Soviet Union; the arming of the Afghan mujahideen in response to the Soviet invasion of Afghanistan; and the signing of the Torrijos–Carter Treaties relinquishing U.S. control of the Panama Canal after 1999.”

    De referir que Brzezinski, conselheiro de Lyndon Johnson, conselheiro de segurança nacional de Jimmy Carter e fundador da Trilateral, começou a dada altura a mijar ocasionalmente fora do penico. Nos seus últimos anos, Brzezinski converteu-se em acerbo crítico de algumas parvoeiras das administrações americanas, mas nunca se livrou completamente do preconceito anticomunista, reciclado em russofobia mitigada. Por exemplo, criticou a invasão americana do Iraque, em 2003, mas apoiou o desastre que levou à desintegração da Líbia e condenou violentamente o regresso (e friso “o regresso”) da Crimeia à Rússia, de onde fora irresponsável e burramente subtraída em 1954 por um Nikita Kruschev perdido de bêbado, perante a passividade gerôntica do Comité Central do PCUS (e isto digo eu, não o Brzezinski). Defendeu durante muito tempo a entrada da Ucrânia na NATO (alegava que a Rússia deixaria assim de ser “uma potência euro-asiática”), mas, depois da reintegração da Crimeia, defendeu que fossem dadas à Rússia garantias firmes de que a Ucrânia nunca seria admitida na Aliança Atlântica.

    Apoiou a candidatura de Obama ao primeiro mandato, mas também disse, mais tarde, que não compreendia algumas das suas políticas. Era contra a ameaça de uma intervenção israelita contra o Irão e chegou a fazer declarações interpretadas como ameaça de os EUA abaterem aviões istaelitas a caminho de eventual bombardeamento do Irão, quando sobrevoassem o Iraque controlado pelos americanos. Chegou a defender o diálogo dos Estados Unidos com o Hamas e promoveu o livro “The Israel Lobby and U.S. Foreign Policy”, de John Mearsheimer e Stephen Walt (edição em português da Tinta da China, “O Lóbi de Israel e a Política Externa dos EUA”). A seu favor tinha, também, o confessado desprezo que nutria por Tony Blair, outro corrupto de primeira e criminoso de guerra (e esta também é minha e não de Brzezinski).

  24. Camacho :
    O brigado pelas informações, algumas já conhecidas…porém a tônica geral prevalece : não há novidades !
    O modelo de atuação é sempre o mesmo, a retórica nauseante repete-se, o embargo total a Cuba lá está, há sessenta anos !
    Mentes modernas, que trabalham em ponto morto !
    Um grande país, com tanta gente de qualidade que apreciamos , e consente esta clique dirigente abaixo de cão …

  25. Mestre das omissões vergonhosas e dos silêncios cobardes, o estimado camacho, à boleia das estatísticas da produção de ópio no Afeganistão, do fracasso norte-americano e da falência política do corrupto governo afegão, serve-nos o prato requentado do seu anti-imperialismo vesgo.
    Desfrutando, por antecipação, do orgasmo de ver Cabul transformada em nova Saigão, o poltrão camacho já terá reservado bilhete de ida para aquele país. E ali dar testemunho excecional de coragem, no seu acolhimento dos libertadores de Cabul e na celebração da restauração emancipadora da sharia.
    Fiel à sua incoerência de princípios, camacho ganhou, por mérito próprio, o direito a que lhe chamem talibã.
    O “talibã camacho”. Fica-lhe muito bem o nome.

  26. A forma como a Itália (e também o Japão) foi tratada pelos aliados (a liga dos vencedores da guerra) no que respeitou às negociações, foi inferiorizada pelos franceses e americanos desmedidamente (o presidente Wilson, descrito no livro como um homem muito religioso e com má opinião pelo Poeta, chegou a escrever um artigo num jornal francês a dizer que iria privilegiar a França acerca de limites de fronteira franco italiana e cidades importantes) ou seja, muitas das suas pretensões não foram atendidas. Isso também ajudou o partido fascista.
    Há um episódio engraçado no primeiro dia da legislatura num outubro de 1919 (acho eu). Toda a esquerda (metade das cadeiras da câmara) levantou-se (com cravos no peito?) e deixou o rei Vítor Emanuel lll a discursar para uma sala meia vazia. Só que ninguém soube aproveitar isso.
    A divisão entre socialistas e comunistas, e dentro dos comunistas a cisão entre os maximalistas e os outros não tão radicais, também contribuiu para os fascistas formarem governo com outros partidos. Havia maximalistas que eram tão radicais que consideravam posições risíveis como de extrema direita, mas isso também é preciso contextualizar. Havia comunistas que chegaram a viajar muito e a conhecer Lenine, levando os seus conselhos de volta a Itália. No livro também há considerações de Lenine sobre o povo italiano.
    Todo o livro é muito bom, e no final de cada capítulo todos os excertos de cartas, telegramas (da polícia, dos partidos ), comunicados, discursos contribuem para toda essa riqueza.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.