Cu-incidências

Alguns dos que em Portugal exigiram segundo referendo ao aborto, e cujas repetições continuariam a exigir, até que o Inferno gelasse, enquanto não ganhassem, são também os que mais protestam contra o segundo referendo ao Tratado de Lisboa na Irlanda. Nos dois casos, para defenderem posições opostas, invocam sempre a democracia.

Como é larga, e lassa, a democracia destes democratas.

13 thoughts on “Cu-incidências”

  1. Senhor Valupi, a bem da verdade, houve em Portugal dois referendos ao aborto, o segundo dos quais por pressão dos que não concordaram com o primeiro. Acho que é fácil provar o que digo.

  2. O juri resolve democraticamente atribuir o título de rainha das costureiras do nosso bairro à menina Alice Costa que por acaso é minha filha… António Silva dixit.

  3. Parabéns por este post. É uma coisa que me aflige é ver os amigos dos referendos acharem que só se deve fazer um quando ganham e 2, 3, 4 quando perdem…assim foi com os defensores da legalização do aborto que são contra o Tratado de Lisboa (o tal tratado terrível que, segundo os amigos do não, ia introduzir o aborto na Irlanda…!!!). É oportunismo puro…

    Aliás, se a própria Constituição portuguesa prevê que os projectos e as propostas de lei rejeitadas numa sessão legislativa podem ser reapresentadas na sessão seguinte (na prática, no ano seguinte), porque não poderia o soberano repensar e mudar a sua decisão?

    Luís Vicente

  4. Certeiro,

    Um referendo quase nunca é uma boa ideia.

    A reserva “quase” visa salvaguadar os casos em que é imprescindivel destruir a situação criada por um primeiro referendo. Mesmo nesses casos, preferivel mesmo (mas impossivel) seria fazer com que o primeiro referendo nunca tivesse existido.

    Portanto, bem vistas as coisas, um referendo nunca é uma boa ideia.

    Quod erat demonstrandum.

  5. Tem razão… ou quase.
    Há uma pequena diferença, mas importante.
    Para voltar à proibição do aborto, basta outro referendo.
    Para fazer retorno nas opções económicas fundamentais do tratado de Lisboa, são precisos 27 referendos, todos no mesmo sentido (isto é: unanimidade), e mesmo para chegar sequer a realizar essas consultas, poderá dizer-nos que caminho seria necessário percorrer?!

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