Corre tudo bem na esquerda

O que melhor convém à esquerda, se a ideia for a de repetir o histórico sucesso desta legislatura, é vermos PS, PCP e BE chegarem ao domingo eleitoral antagonizados por questões identitárias e usando e abusando de uma retórica pessimista quanto a acordos futuros. É dessas diferenças que nascerá a legitimidade para repetirem a supina criatividade e responsabilidade democrática que constituiu no Parlamento uma maioria viabilizadora da única fórmula governativa possível face aos resultados e circunstâncias das eleições de 2015.

O PSD não teve mais votos do que o PS. Passos não derrotou Costa. O PSD teve de concorrer coligado para usar o método de Hondt a seu favor, pelo que não pode reclamar os votos da PAF como um exclusivo do PSD. E Passos chegou a ser indigitado primeiro-ministro, mas só para se esgotar a farsa da sua vitória de Pirro. Quem venceu as eleições legislativas de 2015 foi a esquerda, por isso a esquerda governou com o PS no Governo e uma maioria de esquerda no Parlamento nesta legislatura de boa memória e regeneração patriótica.

Se o PS tiver maioria absoluta, Costa mostrará que tipo de legado vai deixar na história política nacional. Irá desprezar os novíssimos amigos do (per)curso 15-19 ou provar-lhes que valeu a pena terem arriscado confundir os fanáticos nas bases de apoio respectivas? Se o PS não tiver maioria absoluta, as lições pragmáticas e os processos de comunicação e decisão na esquerda, nascidos nesta legislatura, terão tudo para se manterem e até serem consolidados, expandidos e melhorados.

A mais bela esperança é a de que o acordo de 2015 tenha quebrado para sempre o bloqueio do sistema partidário à esquerda que condicionou negativamente 40 anos de governação em Portugal. Aumentar a diversidade dos partidos que aceitem transportar às costas o madeiro do poder executivo é aumentar a liberdade de todos e de cada um.

2 thoughts on “Corre tudo bem na esquerda”

  1. A mais bela esperança é a de que o acordo de 2015 tenha quebrado para sempre o bloqueio do sistema partidário à esquerda que condicionou negativamente 40 anos de governação em Portugal e que permitiu que Cavaco e a Direita tivessem feito o que fizeram à Industria, à Pesca e à Agricultura, destruíram tudo e hoje estamos mais pobres e cheios de dívidas.

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