Campanha branca

Este vídeo feito pela TVI dispõe bem e recomenda-se a deprimidos, mal-amados e sócios do Benfica. É mais uma peça da campanha branca, aquele fenómeno onde se tenta atacar Sócrates com estratagemas ribaldeiros e se acaba a contribuir para o seu sucesso. Neste caso, é tudo imbecil como manda a lei não escrita do nosso atraso de vida. Liga-se uma manobra de marketing da SONAE/Optimus com a pulsão destrutiva dos que farão qualquer tonteira para manter o marasmo nacional, e nasce o melhor que a oposição consegue produzir: a completa instrumentalização do Público e seus jornalistas para criar factos políticos artificiais. Belmiro de Azevedo e Carvalho da Silva de mãos dadas e a rir, cirandando nas eiras e beiras dos seus ódios ao engenheiro, é o quadro desta operação debochada.

Que ambiciona a matilha ― Público, TVI, Intersindical, Fenprof, PCP e BE ― que montou a marosca e apareceu a mostrar as favolas no lançamento? Coisas simples e belas: que Sócrates perca a maioria; que Sócrates, ainda antes de perder a maioria, seja demitido por Cavaco; e que Sócrates, ainda antes de ser demitido por Cavaco antes de perder a maioria, seja enjaulado no Tarrafal por causa de uma filmagem que Manuela Moura Guedes ofereceu aos portugueses como símbolo do seu amor pela justiça e respeito pela verdade. Aí sim, finalmente livres, os comunas, os pulhas, os broncos e os reaças poderiam descansar. O cabrão deixava de ser um estorvo, o bolo voltaria a ser fatiado nas proporções pré-2005.

Entretanto, um bicharoco de nome Luciano Alvarez apresentou o plano da luta. E o que escarrapacha é extraordinário. Trata-se de um panfleto político para activistas acéfalos, escrito ao melhor estilo profético das Testemunhas de Jeová. Embriagado ou bêbado com a proximidade do 25 de Abril, imagina a turbamulta a cantar em coro de norte a sul do país [sic], perseguindo Sócrates até à humilhação final, onde o tirano será corrido do burgo pelos decibéis do povo unido. Para lembrar aos acólitos que estamos a lutar contra o fascismo, foi buscar José Mário Branco numa citação desasada; mas que tem o mérito de chamar a atenção para eventuais erros dos bardos-pistoleiros que vão para o palco disparar as suas armas contra o sistema. Só que de eventuais erros, neste grandioso plano Público, Luciano não quer nem ouvir falar. Tem apenas uma preocupação, a abrir e fechar a prosa: informar os autores da música de que ela já não lhes pertence, e qualquer coisa que digam a seu respeito que saia fora da tramóia não será admitida pelo team do Zé Manel.

Alvarez garante que a letra é bem clara e que é um manifesto contra o Governo, toda ela. O que faz antecipar que iremos ouvir muitos professores, muitos sindicalistas e muitos agitadores profissionais do PC e BE a gritar a plenos pulmões que já levam 30 anos de ladroagem no bucho. Vai ser uma autêntica revolução se esta moda de dizer a verdade aos portugueses continuar a espalhar-se.

45 thoughts on “Campanha branca”

  1. Não sei se ja repararam que

    o CEstado não reune há uma enormidade de tempo…

    ACapucho verbera conduta de Dias Loureiro em se manter naquele órgão…

    assim PR não o convoca, dado as respectivas opiniões viriam inquinadas for that…

    outrossim que

    a campanha de um novo Provedor afecto a PPD tem óbviamente relação directa com tal de CEstado

    por sua vez fundamental para decisões de PR sobre regular funcionamento das instituições…

    logo para possível futura dissolução de AR

    se, por maioria de razaão, PS não tiver maioria absoluta…

    Tão a topar todo o filme

    os recados de S. Exa. o da cooperação estratégica

    um freeport contínuo, e um BPN sem desvios de informação…

    estranho não?

    abraço

  2. há gajos que nascem com o traseiro voltado para a Lua, sempre ouvi dizer. O Belmiro perdeu não sei quantos milhões com a queda de tal forma que deixou de estar naquelas revistas muito in das fortunas. Como não leio isso não sei dar pormenores.

    A crise foi desencadeada pelo custo da guerra do Iraque, suportado em espirais de financiamento embustadas, que como por sua vez se baseou numa mentira sobre armas de destruição maciça e terrorismo mundial afectou todos os laços fiduciários do sistema, numa escala que ainda se está por ver.

    A invasão do Iraque foi decidida e legitimada naa cimeira das Lajes.

    Mas em termos teóricos e ideológicos o Fernandes e a Sousa foram os principais paladinos não só da justeza da invasão mas mesmo da sua necessidade face a um imperativo de defesa da liberdade na Europa e ainda aquela admiração néscia pelas lideranças para condimentar, no caso a liderança do arbusto.

    Conclusão: o Belmiro perdeu posição e fortuna à conta da investida do seu funcionário Fernandes. Encomendada? O feitiço contra o feiticeiro?

    E só não sou mais verrinoso porque simpatizo com a cara do Paulo.

  3. o Luciano tem razão, está lá tudo, Valupi…

    claro que podia ser um hino aos governos dos últimos vinte anos (pelo menos) desde o Cavaco até Socrates, passando pelo Guterres, Durão, Santana e Sócrates…

    era só trocar a palavra “ingenheiro”, pela de doutor ou professor (ou ainda Calimero)…

  4. Quem não está com Sócrates é “a matilha ― Público, TVI, Intersindical, Fenprof, PCP e BE ” conceito democrático? Ou valupi está desesperado porque o seu menino de oiro está a ser desmascarado?

  5. Sócrates, Isaltino, Ferreira Torres,Felgueiras,…o País tem os lideres que merece..pois não tem consciência critica adora os seus messias

  6. Meu caro amigo

    É doentio o tipo de discurso que adopta na tentativa desesperada de defender o que é indefensável.
    Começamos a assitir à derrocada do querido líder. É extraordinário a task-force do menino de oiro.
    cumprimentos
    AC

  7. aires bustorff, muito bem visto. De facto, há muito mais no que se passa do que aquilo que se vê espelhado na comunicação social.
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    z, como sempre, trazes uma tese bem interessante.
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    luis eme, se podia ser para os Governos dos últimos 20 anos, não será para este, então. Porque não se relaciona com as diferenças de cada Governo.

    Contra o que é, isso sim, não levanta duvidas: contra a política, qualquer. Apresenta a tese de que estar no poder governativo equivale a ser ladrão. Creio que as pessoas que alinharem nesta demência estão a cavar a sua própria sepultura cívica, pois o único desfecho é a ingovernabilidade – ou a tirania, pois…

    Já agora, diz lá tu que sabes, qual foi o Governo em Portugal que gerou unanimidade ou do qual ninguém se queixou? Se não conseguires em Portugal, serve um qualquer no Mundo.
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    olho, está a ser desmascarado em quê e por quem? Tens de trazer mais informação para ver se moemos farinha.
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    AC, também tu ganharias em explicar um bocadinho melhor as ideias. Que as tens, não duvido, apenas acontece ter a antena da telepatia a dar problemas.
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    Ibn, a tua vacuidade começa a ganhar peso. Creio que é a primeira vez no Universo que tal se observa.

  8. cá p’ra mim o engenheiro refere-se ao eng. belmiro, o patrocinador dos xutos. trata-se de um grito de revolta de um empregado seu numa das caixas do continente.

  9. O Alvarez limita-se a noticiar e a fazer a sua apreciação do possível impacto da musiquinha sobre as próximas eleições. Não vejo ali nenhuma conspiração.

    A letra da canção dos Xutos é bacoca. Muito apropriadamente posta na boca de um ladrão com trinta anos de currículo prisional. Que, por essa razão, se julga especialmente bem colocado para mandar bitaites sobre a política e decidir sobre quem é que é ladrão.

    Se já repararam, qualquer delinquente, carteirista do Metro, ladrão por esticão, traficante, chulo ou inútil tem esta visão ‘série B’ da política e dos políticos: andam todos a gamar. É uma visão que, compreensivelmente, os desculpabiliza. Eles, coitados, apenas fazem pela vida, não fazem mais porque não podem. Os verdadeiros ladrões são “os políticos”.

    A esquerda rasca alinha pela mesma ideologia. É o grau zero do esquerdalho que não vê um boi à frente do nariz. A cantiga do ladrão dos Xutos é perfeitamnente apropriada para ser propaganda eleitoral do Bando de Esquerda, pois comungam basicamente da mesma visão primária da política. Não sei é se isso lhes vai render alguma coisa, sinceramente.

  10. Valupi, com ou sem vacuidade,

    Eppur si muove!

    Bem sei que gostavas que tudo fosse vácuo no processos que envolve o teu mestre, contudo, não é. Em Outubro logo verás se estes teus textos idiotas e laudatórios ajudaram a elevar ou a enterrar o Ícaro.

    Larga o vinho pá

  11. Sinceramente, já não há pachorra! Nik diz que a canção é bacoca. Eu acrescento e não serão os Xutos também eles próprios BACOCOS. A FIRMA continua a trabalhar a todo o gaz. Os resultados como já disse não serão os esperados. Já estão a carregar demasiado nas tintas. Um dia, não já nós infelizmente, os arquivos estarão disponíveis e os historiadores irão fazer História. Então muita coisa virá a lume sobre esta cloaca. A propósito, sabem alguma coisa do BCP, BPN ou BPP? Perguntem aos dos costume, pode ser que eles nos elucidem. Agora vou colocar a dentadura no copo e fazer ó-ó.

  12. São todos feios , muito feios , V. Não há nenhum digno do nosso amor e lealdade.
    È triste a realidade , mas há que encará-la. Andar a protelar , que é o que fazem os divididos em esquerda/direita à sombra do Salazar ( porra , já morreu á bué!) , fingindo que isto é que é bom : há partidos e poder repartido !!! democracia!!!
    Só que repartido por salazarinhos ,que tomam o poder ( e a massa produzida pelos tótós ) à vez , não repartido por nós , e isso não leva a lado nenhum que eu queira ir.
    Democracia , com D grande , nem vê-la , a partidocracia tapa-me as vistas.
    A verdade é dura : o país está tão ou mais desigual que no tempo da outra senhora , e a culpa não é da ditadura…
    Quem mexeu no meu queijo?

  13. Tudo depende como se usa os olhos, por vezes nem sempre funcionam para as suas naturais funções, mas enfim cada um os usa conforme melhor lhes faça mais jeito.

  14. Uma coisa em que eu já reparei é que nos posts do Valupi (agora apenas Val) não se encontra uma qualquer defesa de uma corrente ou de princípios ideológicos, um qualquer comprometimento ideológico. Afinal, o qual é o posicionamento político deste gajo? Ele até já confessou que não votou no PS nem que votará, mas apesar disso defende o Pinto de Sousa contra todos os «comunistas» e «reaccionários» que surgem como seus opositores, e descobre teorias da conspiração em situações onde o que está à vista são os esquemas e o chico-espertismo do seu «mártir».
    O que o move, então? Para mim é claro: o Valupi é um niilista da política, e o que o move é a inveja e o ressabiamento em relação a quem tem um projecto ideológico claro. Daí que a única coisa que os seus posts revelem em termos ideológicos sejam os seus ódios de estimação, principalmente aquele que ele classifica como a «esquerda imbecil». Na falta de um projecto politico que defina as suas posições resta-lhe estabelecer-se por oposição e despejar o seu ódio. Resta-lhe defender os «gestores» despolitizados do sistema contra quem quer a política e a discussão ideológica de volta ao sistema, e nessa medida resta-lhe defender personagens como o Pinto de Sousa, já que este é uma excelente personificação do niilismo politico, do vazio ideológico e da tecnocracia subordinada a interesses económicos particulares.
    Deve ser isto a «esquerda inteligente» que agrada ao Valupi: porque não é esquerda, e porque é suficientemente inteligente (ou melhor, chico-esperta) para se fazer passar por esquerda. Em suma, a dita «esquerda inteligente» é apenas o nada oportunista, e o Valupi é um dos seus melhores teóricos. Só não digo que é um dos seus melhores praticantes, porque como é evidente esse lugar está já está ocupado por aquele em favor de quem o Valupi tanto teoriza…

  15. assis, bem visto. É que engenheiros há muitos, de facto.
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    jv, exactamente. É trágico não haver alternativa ao actual PS. É isso mesmo que está na origem da actual decadência ética na disputa pelo poder.
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    Nik, discordo por completo com o que dizes do Alvarez. O que ele escreve é panfletário, não noticioso. E trata-se apenas de uma das várias, muitas, peças que o Público preparou.

    Quanto ao caldo dissoluto que a música celebra, pois. Pois, pois.
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    Ibn, achas que os meus textos terão alguma influência no que vai acontecer nas eleições? Ena, não te sabia um crente tão delirante no poder deste miserável blogue.
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    jafonso, BCP, BPN e BPP estão em segredo de justiça. E depois dizem respeito aos amigos do Cavaco. Seria indelicado estar a conhecer os podres desses finórios.
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    olho, o tipo é um aldrabão? Sabes mais coisas do que eu.
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    mf, o País não tem nada a ver com o Portugal de Salazar – tirando as bolsas salazaristas, organizadas à volta do Cavaco. Quanto ao resto, não ofendas a memória dos milhões que viveram na miséria material e cívica.
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    ds, fizeste uma interessante reflexão, muito obrigado. Vamos lá:

    – Antes de mais, “Val” é apenas um diminutivo para a indexação dos textos na linha de baixo dos mesmos, não um novo pseudónimo. Mas depois, por razões do sistema, também passou a nomear-me quando comento, mas isso foi já uma consequência imprevista. Não tem importância nenhuma a coisa, mas como falaste dela aqui fica o esclarecimento.

    – Confirmo que não votei PS e que não irei votar. A menos que o programa se propusesse refundar o sistema de Justiça. Ora, por várias razões, é altamente improvável que o PS se atrevesse a tal, pois a questão é de altíssima complexidade. Assim, não posso dar o voto a quem tem responsabilidades históricas na perversão da democracia através das disfunções da Justiça.

    – Não me posso identificar nem com a esquerda nem com a direita, tanto por não existir representação partidária credível, como por não existir fundamentação intelectual sustentável. Aliás, a própria noção de ideologia (enquanto conceito relativo à política moderna pós-Marx) me aparece como errónea, fonte de problemas e não de soluções.

    – Resta o centro, o qual não tem ideologia, ou cujo território teórico é relativo às condições concretas, realistas e sensatas de governo. Nessa esfera, as escolhas deixam de ser tribais (esquerda contra direita, o meu partido contra os outros) e passam a ser individuais. Isto é, procura-se uma meritocracia ou “aristocracia”. Esta seria a realização plena da democracia, onde os melhores governariam para o bem comum.

    – Então, e o Sócrates, pergunta o teu fanatismo? Sócrates, para mim, é o melhor político na actualidade para governar Portugal. No entanto, se sabes doutro melhor, apresenta-o. Se concordar contigo, e caso ele venha a ser atacado pelos pulhas como Sócrates está a ser, estarei ao teu lado na sua defesa. Na defesa, afinal, daqueles que são os melhores de nós, aqueles que queremos no Governo.

  16. Sócrates é surpreendentemente um grande político e estou convencido que a história lhe fará justiça. De facto, não há ninguém de valor a fazer-lhe oposição. Não votei em Sócrates mas não tenho dúvida de que o irei fazer nas próximas eleições. Mas a razão deste comentário visa a questão dos tribunais que suscitou. Se há falha neste governo é aí. Conseguiram instalar o caos e contribuiram para o descrédito. O ministro foi uma desgraça e o que fez foi sobreviver, não foi governar. Que poder tem ele, o ministro, para não o terem despedido a tempo e horas?

  17. Valupi, se estás ou és ideologicamente órfão e consequentemente não te identificas nem com a esquerda nem com a direita, mas antes com o centrão desprovido de qualquer identidade (que não seja o oportunismo) e de qualquer ideologia (que não seja o niilismo), não te podes esquecer que, por isso mesmo, esse centrão governa em função de interesses particulares e nunca em função do bem comum, já que a definição do que este é pressupõe a afirmação de um projecto politico e ideológico, sob pena desse conceito não passar de uma palavra com um significado vago ou mesmo vazio. Mais: não te podes esquecer que a corrupção moral e económica que «tanto» te revoltam estão intimamente ligadas ao dito centrão, ou ao sistema que existe tal como é, e tal como funciona, e que tu entendes ser o sistema das «condições concretas e realistas». Como já foi dito, os povos têm os governos que merecem – e por isso o Valupi centrista e politicamente descomprometido (e alheado, acrescente-se) tem a governação apolitica, corrompida e sem um sentido definido que merece.
    Depois, Valupi, apesar do teu niilismo politico, sempre tens posições afirmativas (e não apenas negativas) que acabam por ser o reflexo de principios ideológicos. E essa posição afirmativa traduz-se nessa abstracção que dá pelo nome de «meritocracia», e que, fazendo parte do discurso dominante actual (mas que se disfarça de não ideológico), serve para justificar qualquer medida tomada por um governo: um exemplo é o novo código do trabalho que precariza as relações laborais e que retira direitos, mas que é defendido por quem governa como promotor e premiador do mérito de quem trabalha.
    «Mérito», «moderno», «reformador», etc, são conceitos que estão na «moda» e que a cassete do poder utiliza para vender o seu produto. Quem controla a linguagem mais facilmente controla as mentes formatadas, que não se questionam àcerca dos significados de tais conceitos e daquilo que eles escondem, como se esses conceitos fossem desligáveis do sistema ou ideologia que os produziu.
    Mas como tu és um centrista sem qualquer ideologia e cujo ideal é a meritocracia tenho uma novidade (que não o devia ser) para te dar e que te vai agradar: para além do PS e do PSD, há um novo partido no centrão para pessoas como tu, e que se chama MMS, sendo que o «M» do meio significa «Mérito». Estás a ver como até há gente melhor do que o Pinto de Sousa, ao ponto de conseguirem apropriar-se de palavras e conceitos que ele (como vendedor da banha da cobra) não desdenharia?

  18. Feranando P, partilho da mesma surpresa: Sócrates é um grande político. Creio que a surpresa é generalizada, pois o que se tinha visto dele não chegava para antecipar o que esta legislatura revelou. Contudo, o seu trajecto pelo Ambiente, com Guterres, exibiu muitas das características do actual Governo.

    Quanto à Justiça, é preciso ter em conta que está aí o que sustém todo o regime. Daí a tremenda dificuldade de intervenção, qual operação ao cérebro.
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    ds, o que é para ti a ideologia?

  19. as ideologias são sistemas de expectativas no universo do saber – U. Eco

    (parece que vem aí novo trambolhão nas bolsas)

  20. Caro Ds, o problema deste país reside numa questão muito simples.
    Vivemos há muito tempo acima das nossas possibilidades, o endividamento atingiu valores que não deixam mais margens de manobra e devemos assumir cívicamente todas as nossas responsabilidades perante o desgovernamento de que fomos alvos de toda a nossa classe política, sem excepção. Pouco importa saber agora quem teve mais,ou menos culpa, quando todos a tiveram na mesma proporção, pois acabaram sempre por cometer os mesmos erros, quando foram poder.
    Agora que se obteve uma maioria tentou-se fazerem-se reformas que viessem minimamente racionalizar os parcos recursos de que dispomos. Claro como cidadãos muito cientes dos nossos direitos e mal habituados, concordamos que realmente a crise existe, e que deve ser resolvida à custa dos outros mas nunca á nossa.
    Isto vem a propósito dos direitos que foram tirados aos trabalhadores no novo código do trabalho, embora fossem, como é norma nos políticos, apresentados como prémio ao mérito.Quem conhece nosso funcionalismo público sabe muito bem que a grande maioria destes trabalhadores na realidade têm muitos direitos,para aquilo que produzem,e os deveres foram minguando naturalmente cada vez mais ao longo dos tempos, que em muitos casos, e eu conheço alguns(inclusive de quadros superiores, principescamente pagos) que nem aparecem nos seus locais de trabalhos e outros que só fazem figura de corpo presente e se tornam grandes cibernautas.
    Quando aparece alguém que diz que se tem por fim a isto através de reformas, com avaliações etc…etc…cai o Carmo e a Trindade e arranjam-se todos os subterfúgios possíveis imaginários para desacreditar o autor desta ignóbil tentativa de querer retirar DIREITOS (aldrabão,canalha,corrupto,gay etc … etc… tudo serve, nem que sejam rumores, meias verdades para denegrir o homem que já foi condenado na praça pública sem que se tenha provado mínimamente alguma coisa. Não posso garantir que o homem não possa ter alguma culpa, mas claro que é preciso provar primeiro para se julgar depois.
    Uma coisa é certa, para que possamos entrar num ciclo com alguma credebilidade de retoma em termos de futuro, não tenhamos a menor dúvida que vão ser necessárias muitas medidas bastantes dolorosas, principalmete no sector público; vá ser necessário baixar drásticamente salários, reformas, acabar com benesses, perdas de regalias já aquiridas nas áreas sociais, moralizar a vida pública,a justiça etc…
    Os lobies vão tentar travar o processo, manipulando-o conforme puderam.
    Os políticos vão ter de resistir à vontade de tirar dividentos políticos em vez de se resolveram problemas, ou em alternativa o caos.

  21. Sim, sim, a questão é muito simples, jv: o jv brindou-nos com o tal discurso tecnocrático oficial já conhecido e que nos diz que gastamos mais do que produzimos e ao qual se acrescenta que isso se deve muito aos «privilégios» laborais e sociais, em particular na função pública «incompetente». Vai daí é necessário fazer «reformas» (palavra mágica) para tornar o país mais «moderno» (outra palavra mágica e hipnotizante) e recompensador do mérito (nova palavra mágica). Ora, isto traduzido quer dizer que é «necessário» diminuir as competências e funções sociais do Estado para tornar o país economicamente mais liberal e recompensador das desigualdades sociais. E é assim que num discurso «inovador» e «todo porreiro, pá» se descobre qual é o verdadeiro projecto ideológico que guia quem está no poder…
    E o instrumento fundamental para conseguir tudo isto é a avaliação dos trabalhadores por objectivos trimestrais ou semestrais; o mesmo tipo de avaliação que premiava o «mérito» daqueles que conduziram as finanças internacionais à crise actual, e penalizava a «incompetência» de quem infelizmente não tem as «capacidades» nem os «conhecimentos» dos Madoffs, dos Oliveiras e Costas, dos Jardins Gonçalves, ou daqueles que sentados no poleiro do poder (como os Pintos de Sousa) implementam políticas de apoio ou salvação a estes «explorados» do mundo do capital – porque para isso há sempre dinheiro…
    Enfim, é preciso, conclui o jv, lutar contra os lobbies e os interesses corporativos dos profs, dos funcionários públicos e dos trabalhadores em geral, porque aqueles que eram antes considerados como os verdadeiros lobbies e as corporações do mundo financeiro e industrial já não o são, sendo agora legítimos parceiros e camaradas de quem está no poder (os Coelhos e os Varas estão aí para nos lembrar isso) e de quem precisam de apoio, e tal como estes estão empenhados em «desenvolver», «reformar» e «modernizar» o país … no sentido das relações económicas e laborais do século XIX.

  22. Pois para mim pouco conta o discurso oficial, conta aquilo que penso, que admito possa ser rudimentar.
    Interessa-me acima de tudo os factos e alguns são bem idenficados em parte naquilo que argumenta(Coelhos, Varas etc…)
    Caro Ds, é desta retórica sempre muito bem concebida,bem estruturada que soa como música de fundo, mas que na realidade nada de concreto produz, e sinceramente para mim já há muito tempo se tornou num ruído insuportável.
    Acha que o seu belo discurso(que eu não consigo «traduzir» de outra maneira, a minha limitação não o perfmite) contribui de alguma maneira para a solução de alguma coisa?
    Acha que «o meu discurso tecnocrático oficial» (ate fiquei pasmado com as minhas capacidades) tem alguma coisa que não aconteça com o país a que pertencemos?
    Em relação aos «privilégios»(julgo que sabe o que a palavra significa) só alguns têm acesso a eles e entre estes uma grande maioria são da função pública.
    Sabe como a função pública funciona na generalidade?
    Sabe porque é que um dos motivos que leva o actual governo manter alguma crediblidade perante a uma grande parte dos portugueses que é precisamente a sua tentativa de corrigir o que se passa na função pública. Toda a gente sabe como isto funciona.
    Há funcionários públicos que deveriam ter sido julgados pelo «crimes» que cometeram impunemente ao longo de vários anos, dou-lhe um exemplo, eu conheço uma sra professora que em três anos não conseguiu ensinar aos seus alunos da primária a ler. No fim do terceiro ano a maioria da turma não sabia ler.
    Só sabiam aqueles que os pais os ensinaram.Ela hoje recebe uma reforma muito merecida de mais de 2000 euros. Seria interessante verificar o que estes alunos são hoje em dia, eu conheço alguns . Pergunte à sua volta e vai ver o que muita gente tem para lhe contar.
    Claro que há os competententes estes até não se importam de ser avaliados e as reformas para eles não são realmente uma palavra mágica, mas com bastante sentido.
    Sabe que um dos grandes culpados da degradação do ensino foram os sindicatos que nunca permitiram com o beneplácito das oposições políticas,que se fizessem uma reforma estruturada do ensino.
    Apreciaria que da sua parte viesse uma crítica objectiva, com alternativas, que fossem muito mais válidas do que as minhas, que realmente padecem de todos os males que apontou, provando que realmente estou enganado.

  23. Ao JV se me estás a querer ofender chamando-me paneleiro, não ofendes porque estou-me cagando para o que dizes. Entendeste? Agora desinfecta que este olho respondeu-te pela última vez. Podes falar para as paredes
    Entendeste?

    “olho, o tipo é um aldrabão? Sabes mais coisas do que eu.” Pelo vistos não sou cego nem surdo

    Dedicado aos pseudosocialistas que se vêm ao ouvir José Sócrates

    Este é o maior fracasso da democracia portuguesa
    por Clara Ferreira Alves

    Eis parte do enigma. Mário Soares, num dos momentos de lucidez que ainda vai tendo, veio chamar a atenção do Governo, na última semana, para a voz da rua.

    A lucidez, uma das suas maiores qualidades durante a sua longa carreira politica.
    A lucidez que lhe permitiu escapar à PIDE e passar um bom par de anos, num exílio dourado, em hotéis de luxo em Paris.
    A lucidez que lhe permitiu conduzir da forma “brilhante” que se viu, o processo de descolonização.
    A lucidez que lhe permitiu conseguir que os Estados Unidos financiassem o PS durante os primeiros anos da Democracia.
    A lucidez que o fez meter o socialismo na gaveta durante a sua experiência governativa.
    A lucidez que lhe permitiu tratar da forma despudorada amigos como Jaime Serra, Salgado Zenha, Manuel Alegre e tantos outros.
    A lucidez que lhe permitiu governar sem ler os “dossiers”.
    A lucidez que lhe permitiu não voltar a ser primeiro-ministro depois de tão fantástico desempenho no cargo.
    A lucidez que lhe permitiu pôr-se a jeito para ser agredido na Marinha Grande e, dessa forma, vitimizar-se aos olhos da opinião pública e vencer as eleições presidenciais.
    A lucidez que lhe permitiu, após a vitória nessas eleições, fundar um grupo empresarial, a Emaudio, com “testas de ferro” no comando e um conjunto de negócios obscuros que envolveram grandes magnatas internacionais.
    A lucidez que lhe permitiu utilizar a Emaudio para financiar a sua segunda campanha presidencial.
    A lucidez que lhe permitiu nomear para Governador de Macau Carlos Melancia, um dos homens da Emaudio.
    A lucidez que lhe permitiu passar incólume no caso Emaudio e no caso Aeroporto de Macau e, ao mesmo tempo, dar os primeiros passos para uma Fundação na sua fase pós-presidencial.
    A lucidez que lhe permitiu ler o livro de Rui Mateus, “Contos Proibidos”, que contava tudo sobre a Emaudio, e ter a sorte de esse mesmo livro, depois de esgotado, jamais voltar a ser publicado.
    A lucidez que lhe permitiu passar incólume às “ligações perigosas” com Angola, ligações essas que quase lhe roubaram o filho no célebre acidente de avião na Jamba (avião esse carregado de diamantes, no dizer do Ministro da Comunicação Social de Angola).
    A lucidez que lhe permitiu, durante a sua passagem por Belém, visitar 57 países (“record” absoluto para a Espanha – 24 vezes – e França – 21), num total equivalente a 22 voltas ao mundo (mais de 992 mil quilómetros).
    A lucidez que lhe permitiu visitar as Seychelles, esse território de grande importância estratégica para Portugal.
    A lucidez que lhe permitiu, no final destas viagens, levar para a Casa-Museu João Soares uma grande parte dos valiosos presentes oferecidos oficialmente ao Presidente da Republica Portuguesa.
    A lucidez que lhe permitiu guardar esses presentes numa caixa-forte blindada daquela Casa, em vez de os guardar no Museu da Presidência da Republica.
    A lucidez que lhe permite, ainda hoje, ter 24 horas por dia de vigilância paga pelo Estado nas suas casas de Nafarros, Vau e Campo Grande.
    A lucidez que lhe permitiu, abandonada a Presidência da Republica, constituir a Fundação Mário Soares. Uma fundação de Direito privado, que, vivendo à custa de subsídios do Estado, tem apenas como única função visível ser depósito de documentos valiosos de Mário Soares. Os mesmos que, se são valiosos, deviam estar na Torre do Tombo.
    A lucidez que lhe permitiu construir o edifício-sede da Fundação violando o PDM de Lisboa, segundo um relatório do IGAT, que decretou a nulidade da licença de obras.
    A lucidez que lhe permitiu conseguir que o processo das velhas construções que ali existiam e que se encontrava no Arquivo Municipal fosse requisitado pelo filho e que acabasse por desaparecer convenientemente no incêndio dos Paços do Concelho.
    A lucidez que lhe permitiu receber do Estado, ao longo dos últimos anos, donativos e subsídios superiores a cinco milhões de Euros.
    A lucidez que lhe permitiu receber, entre os vários subsídios, um de dois milhões e meio de Euros, do Governo Guterres, para a criação de um auditório, uma biblioteca e um arquivo num edifico cedido pela Câmara de Lisboa.
    A lucidez que lhe permitiu receber, entre 1995 e 2005, uma subvenção anual da Câmara Municipal de Lisboa, na qual o seu filho era Vereador e Presidente.
    A lucidez que lhe permitiu que o Estado lhe arrendasse e lhe pagasse um gabinete, a que tinha direito como ex-presidente da República, na… Fundação Mário Soares.
    A lucidez que lhe permite que, ainda hoje, a Fundação Mário Soares receba quase 4 mil euros mensais da Câmara Municipal de Leiria.
    A lucidez que lhe permitiu fazer obras no Colégio Moderno, propriedade da família, sem licença municipal, numa altura em que o Presidente era claro está… João Soares.
    A lucidez que lhe permitiu silenciar, através de pressões sobre o director do “Público”, José Manuel Fernandes, a investigação jornalística que José António Cerejo começara a publicar sobre o tema.
    A lucidez que lhe permitiu candidatar-se a Presidente do Parlamento Europeu e chamar dona de casa, durante a campanha, à vencedora Nicole Fontaine.
    A lucidez que lhe permitiu considerar Jose Sócrates “o pior do guterrismo” e ignorar hoje em dia tal frase como se nada fosse.
    A lucidez que lhe permitiu passar por cima de um amigo, Manuel Alegre, para concorrer às eleições presidenciais uma última vez.
    A lucidez que lhe permitiu, então, fazer mais um frete ao Partido Socialista.
    A lucidez que lhe permitiu ler os artigos “O Polvo” de Joaquim Vieira na “Grande Reportagem”, baseados no livro de Rui Mateus, e assistir, logo a seguir, ao despedimento do jornalista e ao fim da revista.
    A lucidez que lhe permitiu passar incólume depois de apelar ao voto no filho, em pleno dia de eleições, nas últimas Autárquicas.
    No final de uma vida de lucidez, o que resta a Mário Soares? Resta um punhado de momentos em que a lucidez vem e vai. Vem e vai. Vem e vai. Vai… e não volta mais.

    Clara Ferreira Alves
    Expresso

  24. Caro Olho, vi logo que não entendeste, mas explico.
    A função natural dos olhos é de percepcionar em todas as direcções e não só naquela que nos dá mais jeito. Sabe que há pessoas que funcionam como se tivessem palas laterais nos olhos, que só lhes permitem ver numa determinada direcção e quando alguém lhes tente tirar as palas, permitindo-lhes poderam olhar noutras direcções eles reagem mal, porque na realidade a pala não pode ser removida, por ser mesmo de ordem natural, quando assim é paciência…
    Quanto a falar para as paredes concordo que pode ser por vezes vantajoso, porque além de naturalmente não perceberam, não deturpam o que lhes dizem…

    Ps As tendências recalcadas, conseguem-se manifestar de forma espontânea

  25. Há indivíduos que por vezes se acham excelentes avaliadores de carácter espécie de Psiquiatras de pacotilha, e mandam umas postas de pescada para tentar manifestar com um ar de superioridade a pequenez daquilo que são.
    Os cães ladram e a caravana passa

  26. Ó olho, bandalho aldrabão, quando é que a Clara Ferreira Alves escreveu essa merda fascistóide no Expresso?

    Eis o artigo que ela realmente escreveu, em que essa frase figura no fim do artigo e não no título, que é este:

    «A justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca»

    por Clara Ferreira Alves, 10 de Janeiro de 2009

    Transcrevo:

    Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram, que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido. Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, desde o 25 de Abril distribui casas de RENDA ECONÓMICA – mas não de construção económica – aos seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de gratidão passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a “prostituir-se” na sua dignidade profissional, a troco de participar nos roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada mas mais honesta que estes bandalhos.

    Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO PODER. Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos políticos e pelo poder judicial. Agora contínua a ser o VERDADEIRO PODER mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido. Para garantir que vai continuar burro o grande “cavallia” (que em português significa cavalgadura) desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação das Novas Oportunidades.

    Gente assim mal formada vai aceitar tudo e o país será o pátio de recreio dos mafiosos.

    Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo “normal” e encolhem os ombros. Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.

    Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas Consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.

    Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.

    Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal e que este é um país onde as coisas importantes são “abafadas”, como se vivêssemos ainda em ditadura.

    E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogues, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.

    Do caso «Portucale» à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém que acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?

    Vale e Azevedo pagou por todos.

    Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida?

    Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?

    Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?

    Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?

    Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?

    Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.

    No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém?

    As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.

    E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?

    E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente “importante” estava envolvida, o que aconteceu?

    Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.

    E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente “importante”, jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?

    E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?

    O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.

    E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?

    E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.

    Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento.

    Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.

    Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os “senhores importantes” que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.

    Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.

    Este é o maior fracasso da democracia portuguesa.

  27. A Clara Ferreira Alves nem deve suspeitar, mas o falso artigo dela anda a ser espalhado por estes pidezecos desinformadores, tipo «olho», por tudo quanto é blogue fascista.

  28. Tens razão Nik, realmente há individuos que só sabem utilizar a preceito um olho.
    Depois admiram-se do resultado das merdas que espalham…

  29. Este olho não é, por acaso, o mesmo que publica excertos de posts do Valupi como comentários nas notícias do expresso? Se calhar não.

  30. Não sou de esquerda nem de direita, cada vez mais céptico e menos democrata ou a tender para o anarca… epá nem sei. Mas sei outras coisas:
    Facto 1: A canção dos Xutos é imediatamente associada ao nosso PM (pela expressão “Sr. Engº”). Não que ele tenha as culpas do estado a que isto chegou, mas porque no contexto actual “faz parte do sistema”.
    Facto 2: O “sistema” (não necessariamente o PM) é pérfido, corrupto e abominável (quem negar isto anda com uma visão muito afectada). BPN, Freeport, Casa Pia, etc etc etc. Há aqui coisas a mais. E há demasiada promiscuidade (à esquerda e à direita), entre o dinheiro, o poder, a justiça (e já agora a comunicação social).
    Facto 3: O actual PM já atingiu o pináculo do seu poder pessoal, a partir daqui é sempre a descer (e preparem-se para ver os ratinhos muito fiéis a começar a abandonar o navio).
    Facto 4: Sabem quem me lembram as discussões em torno da figura do nosso PM? Pensem comigo… sempre que se fala nele a conversa divide-se em facções radicais, uns amam-no outros odeiam-no. Agora puxem pela memória.. lembram-se de umas célebres assembleias gerais do Benfica aqui há uns anos, quando por lá andava aquele senhor que agora está em Londres? Pois é…

  31. Mas já agora: E se a canção dos xutos em vez de se chamar “sem eira nem beira” e falar no “Sr. Engº” fosse de uma temática alternativa, do tipo:

    Letra:”E se amanhã houvesse uma revolução de que lado é que tu estavas?”, Título: “Golpe de Estado”.

    E já agora: E se amanhã houvesse uma revolução quantos Portugueses é que a iriam apoiar? 10%? 20% 30%? Mais ou menos do que em 1990? Mais ou menos do que em 2000? Mais ou menos do que em 2005? E porquê?

    Preocupem-se mais com isso do que com as “guerrinhas” PS/PSD, porque pelo andar da carruagem…

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