O lugar do vento

Desde sempre quis saber porque razão se chama moinho a este pequeno navio.

As velas projectam a velocidade que não desloca o moinho mas, pelo contrário, interioriza essa velocidade e transforma-a em farinha de milho e de trigo.

Alguns teimosos ainda fazem pão verdadeiro

porque recusam o pão de plástico do hipermercado.

De vez em quando um cabo trava o movimento das velas

tal como a âncora que imobiliza o navio, no sossego da tarde, no tempo suspenso,

no lugar do vento onde se junta o sal do mar e a argila desta terra singular.

A terra de onde parti e aonde hei-de voltar um dia para descansar perto do lugar do vento, sem obter resposta para a minha dúvida de sempre:

saber porque razão se chama moinho a este pequeno navio.

16 thoughts on “O lugar do vento”

  1. EU já disse isto mas as metáforas de uma sociedade degradada que é possível ler nestes textos superam o que de melhor se faz em muitos sítios. O problema surge mesmo quando já só pode sonhar com uma realidade melhor, porque a realidade sorumbática é triste e deprimente. E vazia de meios para fugir ao pão de plástico. Nos tempos que correm, urge apresentar propostas. Há dias, a desafio, respondi assim: http://tinyurl.com/dhz8rq. Mas são apenas as minhas.

    Carlos Santos

  2. “Farinha de trigo e de milho” … E de centeio, o pão da minha criação, no Alto Douro, meu caro José do Carmo Francisco ?
    Era bom o pão de centeio, é bom o pão de centeio, assim houvesse do verdadeiro.
    Jnascimento

  3. A minha mãe, que não conheceu o pão de farinha de trigo na infância, abomina o pão de centeio e o de milho.
    Nos anos trinta e quarenta do século passado, na Beira Baixa, havia povoações onde só se comia pão de trigo nos dias de festa.
    Abraço.

  4. Se «z» tem a ver com dormir ainda bem porque não quero ter leitores que sejam indivíduos como tu. Safa!

  5. Vai ver «por que razão» ao Dicionário de Literatura Jacinto do Prado Coelho e depois podes encher-te de moscas à vontade.

  6. Se o Jacinto fez ou encomendou a alguém (espero que não tenha sido a ti) uma entrada para esse dicionário a dizer bem da tua poesia, estou-me bem a cagar. Eu aqui não falo da tua literatura, que não me interessa absolutamente nada. Põe-me a dormir, no melhor dos casos. Eu falo é de ti, se anda não reparaste. Da tua veia de presunçoso incontinente, da tua visão umbiguista de tudo, do futebol à literatura.

    Ao menos podias ter aprendido português.

  7. Respondi assim porque tu és um provocador, não tens biografia nem bibliografia. Nunca passarás da cepa torta, um pequeno garrafão de veneno. Tens o atrevimento de dizer que falas de mim. Mas eu não quero!!! Só podes falar do que aqui se publica. O sapateiro não pode ir além da chinela. Safa!

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