Até tu, Crato?

A facilidade com que a direita chama de mentirosos aqueles que pensem diferentemente só é ultrapassada pela facilidade com que a direita mente indiferentemente como se à sua volta ninguém pensasse. Mesmo assim, causou surpresa ver Crato a despedir-se da sua imagem de intelectual honesto para vestir a fatiota do reles hipócrita manipulador.

O atraso de Portugal, o falhanço da esperança de Abril no que ao desenvolvimento económico diz respeito, nasce desta confluência de uma direita caluniadora e decadente com uma esquerda racista e burra. Os ataques à política da educação do primeiro Governo Sócrates revelaram a força das inércias instaladas e protegidas ferozmente por uma organização que supera a Igreja Católica em conservadorismo: o PCP. Por razões de estratégia desalmada, a direita aliou-se aos comunistas e bloquistas para fazer do Ministério da Educação um alvo preferencial do desgaste do Governo socialista. Foi um escabroso espectáculo esse em que aqueles que pretendiam manter os seus privilégios corporativos intactos andavam de braço dado com aqueles que pretendiam a ruína das escolas públicas. Quanto aos reais interesses dos alunos? Puta que os pariu.

Maria de Lurdes Rodrigues conta a sua versão da inventada derrapagem colossal da Parque Escolar. Importa ouvir o que diz se quisermos tomar contacto com os factos. Mas também é obrigatório ouvi-la para se tomar consciência da complexidade, e enraizamento no concreto das situações governativas, das decisões cujo objectivo é o bem comum. Um bem rejeitado e boicotado pela esquerda, primeiro, e pela direita, depois. Absoluta irresponsabilidade em elites que, apesar de se dizerem ideologicamente antagónicas, comungam da mesmíssima falta de patriotismo.

10 thoughts on “Até tu, Crato?”

  1. Um dia pensei aderir a um partido político que parecia diferente. As pessoas de recta intenção que entraram nos partidos devem tê-lo feito a pensar o mesmo que eu nessa altura.
    Ao fim de alguns meses, que nem deu para ficar encartado, abandonei, desiludido para todo o sempre, ao descobrir que, afinal, eram “todos iguais “. Atacava-se o adversário porque era adversário e não porque as propostas políticas fossem melhores ou piores.
    Fugi. Até hoje. Da partidarice.
    Acredito que haja gente com “espirito de missão” e entre na política para servir o seu país. Vi em Sócrates, que não conheço de lado nenhum, uma dessas raras pessoas com “espirito de missão” na política. Se estou enganado, o tempo me chapará na cara a ilusão. Porém, olhando para os que precederam Sócrates e para os que lhe usurparam a função, fico mais convencido que vi bem. O ódio dos politicos de merda ou de sarjeta uniu-se, da extrema esquerda à extrema direita, contra alguém que emergiu diferente no pantanal da mediocridade política. Foi trucidado. Todos presenciaram o espectáculo indecoroso e infame da destruição do ex-PM Sócrates. O povo português pôde, em pleno século XXI, “apreciar” ao vivo e a cores, como funcinou, por quase cinco longos séculos, a puta da “Santa Inquisição” que nos preverteu a alma. Foi ver gente acima de qualquer suspeita, activa no processo inquisitorial e no atiçar das chamas, comendo à mesma mesa com os “homens bons”, cobardemente calados e coniventes nesse seu silêncio.
    Esta primeira década do seculo XXI ficará na história como o triunfo dos patos-bravos cavaquistas que minaram e destruiram a esperança nascente. “O país está a degragregar-se”, escrevia um comentador na última edição do semanário Expresso. Ruiram as instituições democráticas: a presidencia da república ocupada por um rancoroso semi-demente; o parlamento esvaziado de sentido; um governo de gansters; uma justiça entregue às corporações sindicais; as polícias corrompidas até à medula das secretas; a comunicaçâo social comprada por mafiosos e entregue a mercenários e assassinos a soldo, eufemisticamente ainda chamados de jornalistas…
    Puta da Santa Inquisiçâo que nos pariu!

  2. É isso mesmo.

    E fui ludibriado por ele. Convenceu-me que era um intelectual honesto e descubro agora que o que ele na verdade é, é um reles hipócrita manipulador.

  3. O Crato nunca me enganou, basta atentar no seu percurso científico-político: de Presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática para Presidente da «Tagusparque, S. A.» (uáu…), acumulando as suas funções com as de comentarista “político” sobre temas de Educação Nacional e, agora, sim senhor, Ministro, da dita!

    De tão alto que destarte subiu, só podia mesmo ser grande a queda…

    Quanto ao conservadorismo e egocentrismo interesseiro de Direitas e comunas, penso que já vai sendo tempo de nos desenganarmos: vão ser sempre assim!

    O remédio não é chorar sobre o leite derramado e esperar que um dia estes sacanas mudem. Parece-me que os que se reclamam de ser alternativa deveriam prestar mais atenção a algo que a Esquerda decente, patriótica e consciente sempre descurou, talvez por ingenuidade, talvez por incompetência, talvez ainda por imperativos morais ou éticos: a qualidade da Comunicação. Que como é óbvio pessoas como M.ª de Lurdes Rodrigues não possuem, por mais carregadas de razão que possam estar.

    Já o Lenine o sabia: sem cativar o imaginário popular, não se concretizam mudanças revolucionárias. A Política também é espectáculo, também é coração, não pode ser apenas razão. E ao P. S. competente, patriota e revolucionário de José Sócrates sobrou em determinação e eficiência o que faltou em “marketing” e propaganda popular.

    Apesar do que dizia a Direita, a Sócrates faltou um golpe-de-asa afectivo para cativar muita gente que, com um pequeno aceno de coração, abriria os olhos para o secular embuste dos senhores morgados de antanho, ou o já quase secular engodo dos profetas dos amanhãs que cantavam, mas que já não têm nem voz nem tomates na dita. Só ar e vento que não dá para cantar nem uma pequena linha de côro, quanto mais levantar-se, ganhar cena e encher a sala com uma voz de gente.

  4. E sem esse “Povo de Esquerda” a votar em massa no P. S., nunca este Partido poderá voltar o poder governar com a mesma eficácia e determinação do primeiro Governo de José Sócrates. Haja quem no Partido Socialista perceba esta evidência de vez, ou a explique a quem detém o poder partidário, ou quem faça nascer um Partido novo que, sem as ambiguidades do P. R. D., nem os constrangimentos ideológicos do B. E., volte a congregar todos aqueles que, como eu e o Mário e tantos outros, se estão borrifando para clubismos partidários ou purismos ideológicos e só pretendem fazer avançar Portugal não só para níveis superiores de desenvolvimento económico e justiça social, como sobretudo para patamares mentais, cívicos e até civilizacionais mais consentâneos com a nossa pertença ao espaço europeu.

  5. O homem providencial é o que vê o que os outros não veem, diz o que os outros não dizem e tem todas as soluções bolso. Otelo é um homem providencial. Disse ontem que as eleições não são solução para Portugal e que basta o POVO “prender os políticos”, “prender os banqueiros” e “fazer uma constituição nova” (o povo ou a tropa, tanto faz, que Otelo não é picuinhas). Tal como o povo fez na Islândia, diz ele.

    A Islândia é um país com a população do concelho de Vila Nova de Gaia, com instituições democráticas regularmente eleitas e onde os políticos não estão presos nem a tropa se acha providencial. Um país onde o parlamento regularmente eleito encarregou um conselho constitucional eleito pelo voto popular para elaborar um projecto de constituição, que foi elaborado e agora aguarda aprovação pelo dito parlamento. Através da internet, o conselho constitucional também recolheu ideias e sugestões da população.

    Quanto aos banqueiros, a solução elogiada por Otelo é outra aldrabice de um Messias chalado. Na Islândia os tribunais colocaram em 2011 quatro banqueiros em prisão preventiva por alguns dias, para serem investigados. Estão todos em liberdade e a ser julgados pela justiça, não pelo povo nem pela tropa. Um deles foi há poucos dias condenado a dois anos de prisão. Quando Otelo diz que o povo deve prender os banqueiros portugueses, deve estar a pensar na solução que ele preconizou em 1975 para os reaccionários: transformar o Campo Pequeno num campo de concentração.

    P. S.: Jerónimo de Sousa é outro homem providencial, mas parece que não está completamente de acordo com o anterior. Afirmou hoje, num comentário às declarações de Otelo, que a “ruptura” com a política actual deve fazer-se através “da luta dos trabalhadores, das populações”, não das forças armadas. A ruptura, acrescentou Jerónimo, deve fazer-se no quadro da Constituição, que “acolhe e consagra” a luta das populações, diz ele. Se não sabia, fique a saber: a Constituição consagra a ruptura com a política através da “luta das populações”. Jerónimo não se pronunciou sobre a prisão de políticos e banqueiros. Parece que deixa isso ao critério da “luta das populações”.

  6. 40 anos de salazarismo é um lastro que custa a passar.

    A tentativa canhestra da defesa dos governos de Socrates, roça o ridiculo, se a realidade do que foram esses seis anos, desmente o que aqui se escreve, nada melhor do que distorcer a realidade.

    Maria de Lurdes Rodrigues, foi um desastre, as suas tentativas de reforma do sistema de ensino, assentavam na base cavaquista, do não tenho dúvidas e raramente me engano, só que a dita senhora se esqueceu , que fazer as reformas, sem os professores, e Contra OS PROFESSORES, era meio caminho andado para dar com os burrinhos na lama.

    Quanto aos ditos governos ” revolucionários” do Socrates, é para rir, Socrates esqueceu-se que era primeiro-ministro de um governo do PARTIDO dito SOCIALISTA, como o Soares meteu o socialismo na gaveta, e governou alegremente com o PSD e com CDS, até ser dispensado quando estes dois partidos regressaram ao poleiro.

  7. oh augusto! fazer reformas com os professores é o que tem sido feito desde abril 74 e é por isso o ensino está no estado em que se encontra e o ministério da edução pejado de comunas que boicotam tudo o que não seja reivindicação sindical.

  8. e depois quando o pai natal se apercebeu que as reformas do socrates eram de direita chamou os palhaços coelho & portas e foi com o gerómino & loução no combóio ao circo.

  9. a ver se percebo…portanto, a Maria de lurdes Rodrigues não percebia nada de educação nem de reformas do ensino(ao contrário da corporação dos professores, que sempre têm lutado pela mesma, e com ideias muito válidas, ainda por cima a dita ministra estava maculada pelo paradigma salazarista. e, pior ainda, pelo modelo cavaquista. Além disso, ofendeu muito, por palavras, actos e omissões a dita corporação do sprofessores, que nunca ofendeu pessolamente a senhora em questão.

    Felizmente, agora, foi abolido qualquer modelo de avaliação digno de nome – ainda melhor (pior?) que o bafiento anterior à nojenta ministra.

    Augusto, relaxa. Tudo está bem quando acaba bem… para os professores e para o nogueira dos bigodes.(eu, se tivesse fihos, fcava um poucochinho preocupada, mas como não tenho…)

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