A violência como estratégia

Luís Montenegro, nesta quarta-feira, carimbou os juízes do Tribunal Constitucional como irresponsáveis e desertores. A novidade desta violência verbal pode surpreender pela dessacralização da relação entre os pilares legislativo e judicial do regime, algo nunca antes visto. Ainda mais surpreendente é tal degradação vir da direita, tradicionalmente orgulhosa na pretensão de ser a protectora das instituições judiciais.

Só que estamos a lidar com uma outra direita. É uma direita nascida da antiga, sim, mas que apenas assimilou a dimensão cínica, oportunista, hipócrita e rapace da praxis da geração anterior. De fora deixou a experiência da conquista da liberdade, algo que não se limita ao 25 de Abril, e do compromisso ao centro para o desenvolvimento social. Depurada dessa memória, a direita actual não tem outra agenda para além das ambições individuais. É uma direita que não tem medo de nada nem de ninguém, por isso cultiva a violência enquanto técnica e exibição de superioridade. Como provou em 2009, pode montar golpadas que envolvem escutas a conversas privadas de primeiros-ministros, campanhas de ódio sistemáticas, inventonas jornalísticas para perverter actos eleitorais a mando da Presidência, tentativas de derrube do Governo recorrendo à perseguição judicial. Como provou em 2011, pode afundar o País inteiro num resgate que iria inevitavelmente causar uma incalculável devastação económica só para conseguirem chegar ao poder. Como prova todos os dias, a sua dedicação não está na defesa da comunidade, está na obediência aos senhores que montaram a presente reengenharia social.

Esta direita permite-se ser impunemente violenta porque se sabe num país onde a violência é igualmente um factor operativo na esquerda. Aqui, é o sectarismo fanático que estilhaça qualquer possibilidade de unidade. Pelo que esta direita e a esquerda pura e verdadeira acabam por querer exactamente o mesmo: um permanente estado de violência, a necessidade de se imaginarem rodeados de inimigos para se acharem no direito de cometer as maiores atrocidades.

14 thoughts on “A violência como estratégia”

  1. isto é chantagem sobre os juizes, nomeados pelo psd.estes juizes já ficaram a saber que no final do mandato,não há mais renovaçao.parabéns pelo poste.

  2. “A violência é um factor operativo na esquerda”

    “Aqui é o sectarismo fanático que ……….de unidade”

    Lindas palavras para um pacifista e nada sectário estrôncio do “centro”

  3. val,

    Acho que ainda nao percebeste que estes gajos se querem demitir e ir a eleições a tempo de apanharem o Seguro do outro lado.

    è preciso uma desculpa… urgente!

    miguel

  4. Mas o que é que os partidos à esquerda do PS têm a ver com o assunto ? Algum deles criticou o TC, ou os juizes, ou a constituição ?

    Por acaso ja consideraste a hipotese de os teus discursos serem mais audiveis se deixares de ter espuma na boca ?

    Boas

  5. e o sindicato dos juízes ainda não pediu uma audiência ao palháçio de belém? no tempo do sócras já haveria becas rasgadas e perucas a arder à porta de s. bento.

  6. Lá do alto do Reino da Traulitânia (dos 27%), Luis Montenegro acusa os juízes de serem “irresponsáveis e desertores”. E os outros 73% dos portugueses, também são “irresponsáveis e desertores”?!…

    Entretanto, no G7 — é o grupo dos 7 países ocidentais pós-desenvolvidos, embora os próprios estejam convencidos que (ainda) são outra coisa — discute-se o conflito com a Rússia. O nosso Portugal pode ter, na questão económica que aflige o Ocidente, os olhos ligeiramente mais abertos, pois passou directa e fulminantemente de economia emergente para economia pós-desenvolvida. Quanto aos soberbos que ocupam as sete cadeiras do G7, eles condenam-se, com tanta austeridade e neoliberalismo, ao pós-desenvolvimento. Mas ainda não sabem…

    E nós, com estas aventesmas miguelistas nas cadeiras do poder, nem sequer temos capacidade para falar com os gajos do G7; para olhá-los, olhos nos olhos, e dizer-lhes umas verdades inconvenientes…

  7. os partidos à esquerda do ps,na sua” luta pela poder “subscrevem a 100% as criticas que a direita faz ao partido socialista,ou pelo siêncio cúmplice ou por apanhar a boleia para malhar tambem no ps.o partido que com todos os defeitos e virtudes é o pilar da vida democratica em portugal.tudo que de bom temos ,tem a mão maioritaria do ps.se o querem tornar minoritario, a direita agradeçe com juros o reforço da sua votação.façam-no, mas não fujam às responsabilidades como fizeram no chumbo do pec 4 e na vinda da troika. este comportamento já teve consequencias,com a morte a prazo do bloco.a factura para o pcp há-de chegar quando o ps tiver a coragem para denunciar a estrategia antes e depois de abril dos comunistas. falar em socialismo cientifico para portugal ,depois do que aconteceu na europa,é de gente que está a precisar de “fisoterapia mental” ou seja ,umas mocadas na cabeça para ficarem mais espertos! apoucar esta europa a precisar de reformas profundas, mas ignorar os paises comunistas ainda vigentes, com politicas subscritas pelo pcp,só pode ser um exercicio levado a cabo por uma cambada de imbecis! nota: em alguns casos eu compreendo o seu posicionamento, não querem perder o repeito dos trabalhadores e a cobertura na empresa, por parte do partido e sindicato,e por isso ,esperam pela reforma para mandar o partido à merda.exp.não faltam.

  8. “os partidos à esquerda do ps,na sua” luta pela poder “subscrevem a 100% as criticas que a direita faz ao partido socialista,ou pelo siêncio cúmplice ou por apanhar a boleia para malhar tambem no ps.”

    Estamos a falar da decisão do TC, não estamos ? E das reacções da direita à decisão do TC, não é ? Onde é que o nunocm viu uma reacção de simpatia, ou de sintonia, por parte dos partidos à esquerda do PS (livre, BE, PCP, MRPP, etc), com a direita nesta questão ?

    As vossas criticas contra o PC (de que não sou adepto, muito longe disso) soariam melhor se v. não se comportassem na pratica como caricaturas de estalinistas.

    Livra…

    Boas

  9. Qual a admiraçao da “elevação” do montecoiso?
    Não passa do lavador do copos da loja Mozart … lembram-se?

  10. Artigo 10.º da Lei n.º 34/87, de 16 de Julho “Crimes de Responsabilidade dos Titulares de Cargos Políticos”, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 108/2001, de 28 de Novembro, Lei n.º 30/2008, de 10 de Julho, Lei n.º 41/2010, de 3 de Setembro e Lei n.º 4/2011, de 16 de Fevereiro

    Coacção contra órgãos constitucionais
    1 – O titular de cargo político que por meio não violento nem de ameaça de violência impedir ou constranger o livre exercício das funções de órgão de soberania ou de órgão de governo próprio de região autónoma será punido com prisão de dois a oito anos, se ao facto não corresponder pena mais grave por força de outra disposição legal.

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