A propósito da condecoração do padre Dâmaso, vale a pena pensar nisto:

Each of us has perhaps much to say, but there is little to say about that much.

*

Pessoa, Prosa Íntima e de Autoconhecimento, Assírio & Alvim, p. 405

22 thoughts on “A propósito da condecoração do padre Dâmaso, vale a pena pensar nisto:”

  1. Isto é a mais pura das hipocrisias
    Se Sócrates merece a minha censura este acto do PR não fica atrás

    Há vinte anos, quando era primeiro-ministro, Cavaco Silva recusou-se a conceder àquele militar uma pensão “por serviços excepcionais e relevantes”. A atitude do então chefe do Governo provocou um sonoro coro de protestos, tanto mais que foi conhecida aquando da concessão de uma idêntica pensão a dois inspectores da extinta PIDE/DGS.

    Contactada pelo Expresso, a viúva de Salgueiro Maia manifestou a sua “satisfação” pela homenagem que o Presidente decidiu prestar ao capitão de artilharia, responsável pela rendição de Marcelo Caetano no quartel do Carmo, na tarde de 25 de Abril de 1974. Natércia Maia não conhece pessoalmente Cavaco Silva. “Só me cruzei com ele uma vez, quando António Guterres tomou posse como primeiro-ministro. Não estava à espera desta homenagem e fiquei contente, pelo que representa de reconhecimento do papel do meu marido e dos valores com que ele sempre se identificou”.

    Natércia Maia estará presente, às 10 horas da manhã do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, junto ao monumento erguido ao seu marido. O mesmo não acontecerá com o presidente da Associação 25 de Abril. “Nós não fomos convidados e só soubemos pelos jornais”, lamentou o coronel Vasco Lourenço. “Neste caso aplica-se o ditado: a casamentos e baptizados…”. Vasco Lourenço observou que a associação que lidera “nunca foi convidada pelo Presidente Cavaco Silva para as cerimónias do 10 de Junho. Ao contrário do que sucedeu com os anteriores Presidentes da República”.

    Em 1988, o próprio Salgueiro Maia requereu a concessão de uma pensão destinada a contemplar os chamados “serviços excepcionais ou relevantes prestados ao país”. A atribuição daquela pensão dependia obrigatoriamente de um parecer favorável do Conselho Consultivo da Procuradoria Geral da República. Com data de 22 de Junho de 1989, o parecer, votado por unanimidade, sublinhava que “o êxito da Revolução muito ficou a dever ao comportamento valoroso e denodado daquele que foi apodado de Grande Operacional do 25 de Abril”. Enviado ao primeiro-ministro e ao ministro das Finanças, o parecer nunca foi homologado.

    Esta recusa só viria a ser conhecida três anos depois, quando o executivo de Cavaco concedeu a mesma pensão a dois inspectores da extinta PIDE/DGS, António Augusto Bernardo e Óscar Cardoso. Bernardo foi o último chefe da delegação da DGS em Cabo Verde, enquanto Cardoso foi um dos pides que se entrincheiraram na sede da rua António Maria Cardoso e que fizeram fogo sobre uma pequena multidão, tendo causado os únicos quatro mortos da revolução.

    Esta estranha dualidade de critérios do Governo provocou uma enorme tempestade política, que culminou com um polémico processo judicial instaurado pelo Supremo Tribunal Militar contra Francisco Sousa Tavares, devido à virulência das críticas que fizera na sua coluna no jornal “Público”.

    Por outro lado, o então Presidente da República, Mário Soares, também se demarcou ostensivamente. Dois meses depois dos dois ex-pides serem agraciados, Soares escolheu o Dia das Forças Armadas para condecorar, já a título póstumo, Salgueiro Maia com a Ordem Militar de Torre e Espada.

    A escolha não foi por acaso: era a única condecoração portuguesa que dava direito a uma pensão…

    Texto publicado no Expresso de 5 de Junho de 2009

    http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=1259441

    http://aeiou.expresso.pt/cavaco-criticado-por-biografo-de-salgueiro-maia=f520190

  2. Isto só prova que há muito boa gente que gostaria de ter tido um certo 25 Abril, e não aquele que tiveram…

  3. A culpa não é do Sócrates é TUA.

    O 25 de Abril só veio por a descoberto o povo de merda que somos.
    A culpa não tem uma só morada, é fácil culpar as elites, quando na verdade a maior das culpas reside na matéria prima, deste povinho.

    E. Prado Coelho teve ainda tempo e lucidez de o dizer sem papas na língua.

    Precisa-se de matéria prima para construir um País
    Eduardo Prado Coelho – in Público

    A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres.

    Agora dizemos que Sócrates não serve.

    E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.

    Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.
    O problema está em nós. Nós como povo.
    Nós como matéria prima de um país.
    Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro.

    Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.

    Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

    Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ….e para eles mesmos.

    Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.

    Pertenço a um país:

    – Onde a falta de pontualidade é um hábito;
    – Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
    – Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.
    – Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
    – Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é ‘ muito chato ter que ler’ ) e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.
    – Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.

    Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser ‘ compradas ‘ , sem se fazer qualquer exame.

    – Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.

    – Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.

    – Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.

    – Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.

    – Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.

    Não. Não. Não. Já basta.

    Como ‘ matéria prima’ de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.

    Esses defeitos, essa ‘ CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA ‘ congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte…

    Fico triste.

    Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.

    E não poderá fazer nada…

    Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.

    Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.

    Qual é a alternativa?

    Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror?

    Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa ‘outra coisa’ não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados….igualmente abusados!

    É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda…

    Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.

    Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer.

    Está muito claro… Somos nós que temos que mudar.

    Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:
    Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, tolerantes com o fracasso.

    É a indústria da desculpa e da estupidez.

    Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.

    Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.

    AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.

    E você, o que pensa?.. MEDITE!

    EDUARDO PRADO COELHO

  4. João, não gostei nada desse discursozinho reles do Eduardo Prado Coelho, pois parece ansiar de forma doentia por uma ditadura ou coisa parecida. Mais um que, à maneira do Pedro Costa, só vem a público para dizer mal do país e dos portugueses. Acho a visão estreita, limitativa, vista pelo binóculo da ignorância, persporrência e enfatuamento de barriga cheia.

  5. Eu até acredito que, com matérias-primas dessas (gente que em vez de fazer algo construtivo, destrói pela crítica), não se vá a lado nenhum.

  6. Sabia bem que o EPC não era bem visto por estas bandas, e que o rótulo de intelectual disto e daquilo não deveria demorar mais de meia horita a aparecer. Fico com a tua opinião, fica lá com a minha que não te fará mal nenhum.

    Não nutro pelo homem, particular admiração, apenas uma extraordinária concordância com algumas reflexões, como esta, que aparentemente não te agrada.

    Presumo pelo teu último comentário, que não consideras a crítica algo construtivo, aqui pareces ser tu a demonstrar uma extraordinária concordância com Estaline, Mussolini, Franco, Salazar, …

    O EDP fez muito, eu já fiz alguma coisa, e tu de certeza que também…

    PS: Um leitura atenta do texto, revelar-te-á que não anseia de forma alguma a uma ditadura, mas sim a uma revolução, não como as que conheces, mas a uma revolução moral, a que faz falta.

  7. O que ele escreveu não é nenhuma novidade. Porém que não me venham cá dizer que os outros países são modelos de virtude. Esse país de que ele fala parece um país mais sonhado que real. Os utopistas vivem mais nas nuvens do que no arrozal em brasa. Chafurdou o nariz no laudaçal que é Portugal e espirrou o texto acima. Mas os outros, que já fizeram a sua revolução moral e são garantes da maior virtude, cheiram a rosas!

  8. É mais um pançudo barrigudo a ter beneficiado do pós-Revolução de Abril e deixou as caganitas azedas para a geração seguinte. O EPC julga que a vida é estrutura!

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