A piolheira e as carraças

As famosas gafes da Manela não o eram por serem em si disparates risíveis, impossíveis de resgatar por uma qualquer racionalidade política, antes por serem inconvenientes para a sua imagem. Por exemplo, falar em “suspensão da democracia” provoca associações inaceitáveis para a enorme maioria do público, sendo um imediato alvo de chacota. Porém, e como a própria explicou, o que estava em causa era algo perfeitamente exequível no curto prazo. É, por exemplo, o que acontece nos países sujeitos a resgates financeiros de emergência, tendo de se sujeitar às condições impostas pelos credores. Por essa razão as figuras gradas do PSD, logo após a queda da Grécia e da Irlanda, passaram a fazer claque para que Portugal fosse o próximo. Para além da humilhação de Sócrates e derrota certa do PS nas eleições, qualquer que fosse o programa de assistência iria sempre ao encontro dos interesses desta direita portuguesa: empobrecimento da classe média, depauperação dos pobres e salvamento dos privilegiados.

Agora, vários membros do Governo e deputados da maioria, com o Primeiro-Ministro à cabeça deste pelotão, exprimem-se usando uma atitude de consciente insulto, manifestando desprezo por aqueles que se queixam. Transmitem a ideia de não terem pachorra para aturar o berreiro do povoléu, até porque consideram os portugueses que não são ricos como um bando de calaceiros obesos viciados em subsídios estatais. A panaceia está a ser despejada a torto e a direito, para civis e militares, estudantes e funcionários públicos: emigrem, despeçam-se, desistam, desandem, desapareçam.

Donde vem esta violência verbal e comportamental? Vem do mesmo caldo da suspensão da democracia. Trata-se da oligarquia, a qual é exactamente assim, soberba e inimputável, há milhares de anos e seja qual for a geografia onde se constitua. Visto daí, Portugal será sempre uma piolheira com alguns condomínios fechados para protecção e remanso da gente séria.

10 thoughts on “A piolheira e as carraças”

  1. Gostava de ter escrito isto! Mas como não consigo fazê-lo tão bem, o Valupi fez-me o favor. Obrigado.
    Acrescento apenas: só é piolhoso quem quer e nâo quem esta corja pensa que é. O que nâo quer dizer que nâo haja muitos portugueses piolhosos. E até ranhosos como os que nos governam.

  2. pois é, bem visto! É o espelho de toda uma filosofia social-darwinista que anda aí. Enfim, talvez a Islândia forneça um contraponto.

  3. O cinismo e a hipocrisia do Valupetas já não surpreendem ninguém. Neste post ataca a «direita ranhosa», acusando-a, entre outras coisas, de desprezar e insultar quem se anda a queixar e berrar, de considerar os portugueses como privilegiados que vivem agarrados à teta do Estado ou aos seus subsídios, e de querer despedir funcionários públicos ou de os querer ver emigrados. O Valupetas lembra aqueles babuínos que perante a sua imagem reflectida num espelho não se reconhecem, e que por isso se lançam num ataque raivoso contra essa mesma imagem, acabando por destruir o espelho.
    É que os mais desatentos ou com memória muito fraca até poderiam concluir que o Valupetas defende quem decide protestar e mostrar insatisfação contra as políticas implementadas pelo governo (eleito democraticamente, e por isso com legitimidade para fazer o que quiser, como o Valupetas gosta tanto de lembrar, mas agora está esquecido). Mas não, pois ainda no outro dia o próprio Valupetas mostrou o seu desprezo pelos «imbecis» que foram manifestar-se para o Terreiro do Paço, acusando-os de transformarem a política num espectáculo (e isto vindo de um socretino e fã de um tipo que fazia politica como quem faz anúncios publicitários só pode ser motivo de gargalhada).
    Os mais desatentos também podem pensar que o Valupetas defende um projecto politico assente na defesa dos direitos sociais e de uma economia onde serviços como a saúde ou a educação devem ser garantidos pelo Estado e «tendencialmente gratuitos». Mas não, pois quando o agora estudante de «Filosofia técnica» era primeiro-ministro, Valupetas era um dos mais fervorosos apoiantes da luta contra os «privilégios» (os tais direitos sociais) e das «reformas» socretinas que abriram as portas à liberalização crescente da sociedade.
    E os mais desatentos podem pensar que o Valupetas defende leis laborais que protejam tanto o emprego dos funcionários públicos como o dos trabalhadores do privado. Mas não, pois no tempo de governação do dito «estudante» adoptaram-se leis laborais mais flexiveis, diminuiram-se os funcionários públicos (não renovando os seus contratos) e a taxa de desemprego duplicou, sendo que então o discurso do Valupetas era um discurso que reproduzia e se limitava a papaguear a cassete socretina que diabolizava os funcionários públicos, que os acusava de corporativistas, e que dizia que o Estado não era nenhuma agência de emprego.
    Assim, a que se deve esta «mudança» no discurso do Valupetas, para atacar agora o que antes defendia? É que no essencial não se alterou nada: o centrão desprovido de ideologia e tecnocrático que ele tanto exalta continua no poder, e é por isso mesmo que não há uma grande ruptura entre o governo «reformista» socretino e o governo reformista passista. Há apenas um levar mais longe aquilo que o Pinto de Sousa iniciou, e portanto se este era «reformista» o Passos é hiper-reformista, o que o Valupetas, se conseguisse reconhecer-se ao espelho, só podia elogiar.
    Enfim, a «mudança» no discurso do Valupetas é mera aparência: ele continua igual a si mesmo; continua a ser o mesmo impostor de sempre que diz o que diz em função das conveniências. Mas como babuíno que é está tão desatento às suas próprias palavras como aqueles a quem quer fazer a cabeça, e não se apercebe que se denuncia e desmascara a si mesmo.

  4. Estes (DS) comunas social-fascistas, continuam a não aprender nada, sempre iguais a si próprios. Só que, e infelizmente, têm sido os coveiros deste país. Vá, sigam em frente, apoiem OBJECTIVAMENTE este governo que ajudaram a eleger.

  5. Como eu disse, o problema dos babuínos como o Valupetas e daqueles a quem ele faz a cabeça (como os seus cães de guarda) não está na sua capacidade de «apreensão» ou de «aprendizagem». Nesta matéria mostram, como o cão de Pavlov, que «sabem» fazer associações entre fenómenos e estabelecer relações entre eles. Ou seja, «conhecimento» e consciência não lhes falta…
    O problema deles está mesmo na sua incapacidade de reconhecimento, como, uma vez mais, um socretino cá do sítio (e por isso apoiante do «reformismo» do Pinto de Sousa) revela, ao não reconhecer que o governo que tipos como eu «ajudaram a eleger» dá continuidade (aprofundando, é certo) às politicas económicas e sociais iniciadas pelo Pinto de Sousa.
    Aliás, sendo eu um «comuna social-fascista» é evidente que sou também responsável pela destruição do país. E quem se opõe aos «social-fascistas» são, naturalmente, os responsáveis pelo desenvolvimento do país. Estou a falar, claro, da socretinada e da coelhada. E daí que seja «estranha» a «repulsa» mútua» entre eles. Mas eu acredito que com um treino mais intenso, mais tarde ou mais cedo, babuínos, cães de guarda e coelhos deixarão de atacar os espelhos para onde olham…

  6. Peço desculpa por me ter restringido aos animais quando referi a incapacidade destes para se autoreconhecerem. Claro que os esquizofrénicos, como este último maluquinho que não diz coisa com coisa, também têm dificuldades a esse nivel.
    Mas se os primeiros são facilmente domesticáveis, o maluquinho em causa, porque vive constantemente em tensão consigo mesmo (e com a sua dupla personalidade socretino-passista) pode tornar-se perigoso e agressivo. Eu próprio fiquei aterrorizado e com esta sua última intervenção que faz arrepiar qualquer um…

  7. Cancelem as buscas. O ds está aqui entre nós e já não vai mais longe: está a ver se nos mata de riso!

    Por mim, fico saciado: nem tenho que procurar mais diversão, é só apreciar o espetáculo da minha esquizofrenia dualista a ver a minha “personalidade socretina” a tornar-se perigosa e agressiva para com a minha “personalidade passista”!

    És passado de todo, ds, e nem tens consciência disso. Dou-te os meus parabéns: «felizes os pobres de espírito…».

  8. Ó meu maluquinho, claro que eu sou um pobre de espírito! Quando o ponto de referência são os esquizofrénicos com dupla personalidade como tu, é natural que quem só tem um espirito seja pobrezinho.
    Estás a fazer progressos se já consegues apreciar a tua esquizofrenia, mas continuas a não dizer coisa com coisa…

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