A gestão da crise dos transportadores e o que ela revela da cultura política do PS

É óbvio que o Governo, e mais uma vez, está a gerir bem uma crise original. Também as crises na Saúde e no Ensino foram originais e bem resolvidas, e tudo isto começou com a crise do aeroporto na Ota e sua boa resolução. Neste caso dos bloqueios nas estradas, e das consequências materiais e psicossocias resultantes, aquilo que o oportunismo e irresponsabilidade chama de passividade é, como se está a ver, estudo. O Estado de direito, e sua autoridade, não desapareceu — pelo contrário, alargou-se e envolveu a ilegalidade; ou seja, cresceu de modo extraordinário e a prazo. Aceita-se que um grupo profissional aja como foras-da-lei porque se compreende que a lei é feita para o homem, não o homem para a lei. O homem que bloqueia está baralhado, e ainda pressionado por uma reacção social internacional que o compele à emulação. É um grupo que precisa de ajuda, justificando que se dê tempo para que ele descubra a solução possível numa situação de evolução imprevisível. Embora o tempo seja limitado e acabe a qualquer momento, seguindo-se a resolução do problema por via policial e judicial, foi quase comovente assistir a esta verdadeira, e raríssima, exibição de solidariedade por parte das mais altas autoridades institucionais.

É por estas e por outras que o PS se tornou no único partido onde se pensa a política. E se ter só um partido com essa capacidade é insuficiente e perigoso, não ter nenhum seria trágico.

14 thoughts on “A gestão da crise dos transportadores e o que ela revela da cultura política do PS”

  1. Em Espanha já começaram a prender piquetes de foras-da-lei. Em Portugal não se pode esperar mais. Não devíamos ter esperado tanto, sequer. Complacência com foras-da-lei, dá sempre péssimo resultado. E vai piorar muito, se o governo não intervir já. Porrada neles, já! A Constituição proíbe expressamente o que os transportadores estão a fazer. A lei é para se cumprir, ou dentro de dias ninguém a cumprirá.

  2. O problema, meu caro Valupi, é que nenhum país atingido por esta “crise” dos combustíveis precisa de partidos, ou de dirigentes de partidos, com “estudiosa” calma e e jeito para “pensar politica” para resolver porra nenhuma. Não deveria precisar. A “crise” do petróleo é falsa, artificial, cuidadosamente planeada, tendente a tensões que podem, entre outras coisas, levar-nos a uma nova guerra, no mínimo arruinar economias de paises, tudo meticulosamente baseado em mentiras à espera que jornalistas com garra e meninas com responsabilidades catedráticas as denunciem. Os periódicos terrores que esta mafia dissemina entre os povos de todo o mundo são parte dum execrável plano de dominação. Nessa campanha colaboram governos corruptos, deputados maricas, grande parte deles eleitos com 70 por cento de desconto, sem coragem nem fibra para informarem o povo sobre as verdadeiras origens destas “crises”, ideologicamente ou praticamente alinhados com os conspiradores. Colaboram também os pretensos “ecologistas” com falta de ar, parte do “reseau”, bem organizados, orquestrados e pagos para servirem a mesma cambada.

    Lê isto aqui abaixo, e mais, se quizeres, no The Independent do passado dia 9. Depois podes ir à capelinha mais próxima e rezar três Avé Marias de reiteração da inabalável crença no teu Estado de Direito (leva o Nik contigo, não te esqueças, e um rosário sobressalente):

    “There is more than twice as much oil in the ground as major producers say, according to a former industry adviser who claims there is widespread misunderstanding of the way proven reserves are calculated.
    Although it is widely assumed that the world has reached a point where oil production has peaked and proven reserves have sunk to roughly half of original amounts, this idea is based on flawed thinking, said Richard Pike, a former oil industry man who is now chief executive of the Royal Society of Chemistry.

    Current estimates suggest there are 1,200 billion barrels of proven global reserves, but the industry’s internal figures suggest this amounts to less than half of what actually exists”.

  3. Nesta crise dos transportes, quando muitos pediam até medidas contra o normal funcionamento da democracia e a intervenção sobre a Galp, ou a pura e simples renacionalização…
    A estratégia conduzida pelo governo, a enorme paciência de que deu mostras, a racionalidade das suas propostas, e sobretudo, o facto de que não teve que recorrer a medidas extremas ou à repressão policial tão amplamente sonhada e pedida por muitos sectores, permitiu uma assinalável, uma enorme vitória que vai constituir um marco na governação com valores e com sensibilidade social.
    Foi a vitória da democracia sobre a arruaça.
    Tudo ao contrário do desejo dos que, repetidamente, sonharam com escorregadelas repressivas e ou soluções fáceis ao nível da desorçamentação das Contas Públicas e do abandono dos princípios de gestão da coisa pública.
    Foi a salvaguarda dos esforços dos portugueses para manterem uma linha de rumo racional.
    Finalmente foi gigantesco o contributo que estas actitudes deram para a definição de medidas sociais na Europa e, vejam lá, para o ganho do Sim na Irlanda: É que as imagens da repressão violenta quer em França, quer em Espanha, desgastam a confiança nesta Europa que todos os dias se constroi. Hoje, na Irlanda com o Tratado de Lisboa. Era bom que ganhasse o Sim e o Não fosse derrotado, lá como cá, por KO
    Terminaram os sonhos dos que ansiavam ver o PS deitar fora os votos juntamente com cargas policiais!

  4. boa malha, as they say. o exército sempre podia servir para alguma coisa. mas soube-me bem estar uma hora na fila para abastecer ao sol de esturra. suei um bocado, fiz novos conhecimentos e descobri na rádio radar uma música nova do anthony e outra que pelo débito por segundo e sotaque só pode ser dos phoenix. não tão fixe como aquela do verão passado, ou do outro. uma com um verso genial, long time no see, long time no say.

  5. O MFerrer é o protótipo do Novo-Fascista – “a vitória da democracia sobre a arruaça”, tons salazaristas recauchutados – de pó de arroz, maior e vacinado, pronto a ir ao forno e a ser mamado ainda quente. Ele acusa e explica. Abre-se como uma gatinha convencida: a polícia não desancou nos descontentes porque cairia mal no goto dos votadores irlandeses.Obrigado pela informação, seu nabo. Pode meter o seu comentário no orgão desinformador do Partido Maçosocialista. Há uma medalhinha para si a ser preparada em Bruxelas.

    E o que é essa coisa do Tratado de Lisboa? Simples, nas palavras dum senhor chamado Philip Jones, bom para quem tem andado a ouvir as bruxelices de gajos como o M(Mel?)Ferrer:

    “Alright’ let us take a look at what this ‘Treaty’ is really about. What is the difference between this document and the original Constitution ? German Lawyer, Klaus Heeger, a researcher and legal advisor to the Independent Democratic group in the EU Parliament has drawn the following conclusions regarding the two documents:

    According to his analysis, the Constitution granted the EU 105 new ‘competences’. The ‘Treaty’ also grants 105 new areas of competence. Out goes the EU symbols (Flag, Anthem, Motto) in comes Climate Change. The remaining 104 areas remain the same.

    The EU will take ownership of Police, Military, Nuclear Weapons, Currency Reserves and North Sea Oil as outlined in the Treaty document. Serving members of our Police and Armed Forces will be required to take an oath of loyalty to the EU. Refusal will result in dismissal. The EU will have complete control of all military matters, equipment and facililties.

    Political parties will be abolished, phased out or realigned. Only Pan European parties will be allowed. Independence parties will effectively be outlawed as under the 1999 ruling of the European Court Of Justice (case 274/99), it is illegal to criticize the EU. (Even before the Irish Vote, News from Brussels indicates that plans are afoot already to eliminate any ‘Eurosceptic groups within the EU Parliament). The EU will have the legal right to close National Parliaments and Assemblies”.

  6. luis eme, eles que me telefonem. Embora não acredite que tenham dinheiro para me pagar.
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    Milu, concordo muito (muito!) com o teu comentário.
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    Nik, ver-te de braço dado com o Mira Amaral é uma visão escabrosa.
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    SUBSTANTIA, acho que te estão a faltar alguns dados do problema. Esta alta não decorre das estimativas das reservas, mas da confluência de factores diferentes, alguns sem qualquer relação entre si, como sejam as opções dos investidores que fazem a especulação e a política de investimento tecnológico na prospecção de petróleo, até ao consumo das economias asiáticas.

    Seja como for, o futuro próximo vai ser muito mais limpo para os pulmões, é o que esta crise consagra.
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    MFerrer, é isso mesmo. Neste caso, alguém teve coragem para aplicar os ensinamentos de Sun Tzu.
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    susana, há sempre quem lucre com as crises, e tu foste uma dessas beneficiadas.

  7. “…como sejam as opções dos investidores que fazem a especulação e a política de investimento tecnológico na prospecção de petróleo”.

    Amanda-nos mais profundas como essa e irás fazer sombra ao teu filósofo preferido no campeonato das frases que não nos dizem nada. Não fui eu que te falei em estimativas. Se as estimativas viessem à baila ter-te-ia lembrado das recentes descobertas dos brasileiros, ainda por confirmar, mas que eles calculam os põem numa posição de igualdade com as reservas dos Estados Unidos, nada mau apesar de tudo. Como podes deduzir das declarações desse especialista no artigo do Independent de Londres, petróleo “provado” e medido ascende à bonita soma de mais de 2.400 bilhões de barris. Cerca de 330 barris por cabeça viva neste planeta. E não te esqueças que um autocarro carrega 40 ou cinquenta passageiros. Quanto às “estimativas”, the sky is the limit.

    Mas pela tua conversa quanto mais há duma coisa mais escassa e cara ela se torna. O que é ridículo de se pensar, quanto mais de se dizer. Em que lei económica do capitalismo super-humano a que bates a pala quando te apetece estás a pensar? Põe isso aqui para ensinares os meninos.. Podemos não ter jeito para compreender as arrancadas filosóficas do José Gil, mas passeiam por aqui algumas dezenas de marxistas anarquizantes apaixonados pela doida democracia capazes de te causarem alguns suores frios.

    Se a produção, contabilização e manipulação do petróleo estivesse nas mãos de meros “capitalistas”, ainda a coisa não iria mal. Mas não vou entrar nisto para te evitar desmaio comatoso seguido de atrapalhação.

  8. SUBSTANTIA, sabes quantos especialistas em petróleo existem debaixo de cada pedra da calçada?

    Tu é que abdicas de lidar com a complexidade do problema, no que talvez faças bem se quiseres proteger o delírio. Não interessa nada ter petróleo que não se consegue explorar, pois ele não chega ao mercado. E para haver mais, tem de haver mais furo, e furo mais profundos, e tudo isso tem custos que certos países têm optado por conter. Se a isso juntarmos o fenómeno do crescimento económico asiático, e como ele se reflecte na procura, e ainda o do investimento de especuladores que fazem dinherio na intermediação, o que está a acontecer é apenas lógico.

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