A culpa é do lobo mau

A reacção aos atrasos na entrega do Orçamento e documentos anexos é mais um pináculo do ridículo nacional, desta vez arrastando lúcidas figuras geralmente imunes ao contágio dos raivosos e dos decadentes. Que diferença faz, seja para o que for, a entrega acontecer a uma hora ou outra, num dia ou noutro? Aproveitar uma circunstância arbitrária, o limite legal, para atacar o Ministro das Finanças nesta altura de circunstâncias excepcionalmente graves e confusas é próprio de quem só procura o boicote da governação. O facto de serem muitos a fazê-lo, e de dominarem a maior parte da comunicação social, é uma pressão corrosiva. E não vai parar, nem diminuir.

Entretanto, Teixeira dos Santos deu um espectáculo surpreendente. Calmo e sobriamente bem-humorado, despachou em pouco tempo a apresentação do Orçamento mais importante dos últimos 25 anos e tratou dos jornalistas sem esforço. Ficámos a saber que não se fazem omeletas sem galinhas, e que veremos ao longo de 2011 se têm ovo. Também disse que montou algumas armadilhas contra as raposas – mas que a galinha dos ovos de ouro há muito foi comida pelo lobo mau.

5 thoughts on “A culpa é do lobo mau”

  1. Os mercados! Ao menos que fique claro que esta crise é a ditadura dos mercados. E nós cidadãos, amochados! Os bancos centrais é que têm a emissão de moeda na mão e financiam os mercados, digital, desta não escapam. E financiam os Estados, se quiserem, a juros sociais.

    Arriscamo-nos a viver sob a égide simbólica de Portugal (tratado de Lisboa, presidente da comissão, vice-presidente do BCE) a vergonha indizível do maior ataque contra os direitos dos cidadãos perpretado desde há muito. A negação do projeto templário original chamado Portugal.

  2. A assumpção da incapacidade para gerir os destinos de um País deveria ser razão, mais que suficiente, para que a pessoa em causa apresentasse a sua demissão. Faria um favor à sua imagem e principalmente a Portugal. A situação, não é apenas difícil, é dramática. De acordo com as previsões do FMI para a totalidade dos 217 países, no período 2011-2015 Portugal terá um crescimento anual médio de 0,84% (*) (aproximadamente 0,5% quando corrigido pelas actuais medidas de austeridade prevista no OE deste ano), ocupando a última posição (ÚLTIMA). Imediatamente acima encontra-se a Grécia com um crescimento médio de 1,08%. Tenhamos consciência que o estado actual e as perspectivas futuras exigem muito mais do que cosmética politiqueira: recomenda um contrato de desenvolvimento a médio prazo, credível, em que todos nós nos revejamos e que mereça a nossa confiança. Tal implica uma alteração de paradigma por parte de toda a classe política, onde, acima de tudo, imerja o sentido de missão e boa gestão da Coisa Pública. Caso tal não aconteça temo que seja a estabilidade social e a coesão nacionais que estarão postas em causa. * (…)

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