O MAL QUE DIVIDE AS ALDEIAS (4)

Em termos do grande encontro, ou recontro, chamem-lhe embate se quizerem, entre o Mal e a Humanidade, há que ser amigo da verdade de todos os tempos e há que ser realista até ao desconforto doloroso, mesmo que esse seja o preço que cada um terá de pagar para permanecer acordado ou simplesmente diferente. Dói admitir, mas repare-se no triunfo, ainda que passageiro porque descaradamente desumano, do Mal sobre o Bem, exuberantemente inegável a toda a largura do espectro das cores do engano apresentado panoramicamente na frente de qualquer observador atento. Só um despeito sumamente irrealista ou ingénuo se lembrará de menosprezar ou ignorar as aptidões do Mal e a grande perícia que demonstra nas suas actividades de endrominação, ou de ver defeito geométrico no desenho, ou funcional na organização e distribuição estrutural ou de instabilidade na construção do grande edificio que alberga o cérebro central da índole malfazente.

Que ninguem perca um segundo sequer a duvidar da suprema organização e astuta inteligência que presidiram à obra maldosa levantada a poder de ouro mitológico vindo não se sabe donde, ano após ano, década sobre década, século após século, e depois depositado como aposta no pano verde de escombros renováveis da politica e da intriga sob o olhar impávido e comprometido das quintas-colunas com ninho nos antros da grande finança e nos grandes palácios da religião ou mosteiros de alquimistas.. O Mal está de parabéns como sempre esteve desde que se organizou em partido encapotado, sem dúvida nenhuma, a usufruir lucros capitalizados, vivendo alegremente à grande e à latina nas grandes capitais, senhor do seu nariz arrogante, corroendo memórias confusas e manipuláveis ou mantendo sob prisão o subconsciente do ente que ainda consegue respirar, ou permanecendo confortavelmente longe das recordações dos que por cá já passaram e que agora apenas são capazes de pensar ou criticar com corações de perdão e sem azedumes. E não é de há pouco esta teia e organização. Foi sempre assim desde que a História deixou de ser escrita em linhas direitas.

Mas a Humanidade é um monstro sagrado respeitável e praticamente indestrutivel, uma senhora enorme com bilhões de filhos de todas as idades, com um destino colectivo que não pode ser mantido eternamente longe da capacidade de percepção do individuo que dela é parte integrante, e até se pode dar ao luxo de dormir plàcidamente a dois passos de soldados e generais do Mal que não fecham os olhos, meio-acagaçads com receio de morrerem sem deixarem saldos anímicos visíveis, ou de serem reduzidos a pó biologicamente intransmutável, ou chorosos porque ninguem lhes dá garantias nenhumas de que não serão reencarnados na forma de filhos de gente pobre duma tribo da Somália, em vez de o serem nas mais apetitosas posições de vantagem que agora desfrutam. Problemas que as consultas de oráculos e rezas a Isis e Osiris ainda não conseguiram resolver.

Alguns dirão que o Mal nem é assim tão mau. Pois não. Só é (se traduzirmos para miudos e linguagem simples as politicas concretas dos seus representantes em governos por esse mundo fora) contra a Família, unidade fundamental e natural de resistência a uma planeada sociedade robotizada e robotizante modelada a partir de organizações secretas piramidais onde não se pergunta com indiscrição, onde impera o dogma e onde 95 por cento das infantarias patetas não têm a mínima ideia donde vêm nem onde assentam os valores que dizem perseguir e abraçar. É contra Deus, seja qual for a definição, variedade da interpretação ou intensidade da crença. É contra a sobrevivência depois da morte sem o tal regresso reencarnável ou bilhete de ida e volta, porque aceitar isso arrastaria consequências políticas incalculáveis numa transformação da atitude do individuo em relação ao poder que abalaria os alicerces onde se apoiam as várias ordens fundadas na ronha e na pouca-vergonha. É pela guerra, pois claro, se necessária, conveniente, lucrativa e estratégica e como instrumento imprescindível à sua continuação no poder ou alargamento do mesmo. É pelo estrangulamento da ciência, não só através da imposição de deuses já ultrapassados dessa ciência que permite, mas tambem através do encobrimento de verdadeiras descobertas cuja natureza põe em risco esse mesmo poder, e é, em remate importantíssimo, pela falsificação da História, derradeira acusação e corpo de delito.

Tudo somado não monta a grande coisa, passe a ironia ou intenção de levar isto para o lado do gozo. Outros dirão que não há provas de que este Mal existe e se existe é só nalgumas cabecinhas. Ou, alternativamente, que este Mal é um mal necessário, à prova de bala e sindicância. Enfim, em terra de Perpétuas não há Englantina que não tenha opinião tambem à prova convenientíssima de arranhar os rabos a gente importante. Por mim, poderiamos muito bem passar sem ele – sem Ele, ficaria melhor, ao lado da auréola, coroa, tridente e pêra de bode.

TT

5 thoughts on “O MAL QUE DIVIDE AS ALDEIAS (4)”

  1. frases que fascinam:

    “desde que a História deixou de ser escrita em linhas direitas”

  2. E isso..,

    Antes que o fascínio o derreta tem que nos dizer primeiro em que férias de Verão e em que kibutz de Shangri La perdeu a virgindade rectal para depois pegarmos no historial e darmos o nosso parecer sobre se isso terá realmente contribuído para a vesânia que o impele a usar um nick diferente cada vez que insere aqui um comentário curto e mesquinhote. Poderá evitar despesas se decidir a partir de hoje grudar-se a um nick muito fixo. Cabral e Adão são duas sugestões, mas nós prefeririamos corresponder-nos consigo se quizessse ser a Gabriela aqui do Aspirina. Roger…

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