22 thoughts on “manda urgentemente algum cheirinho de alecrim”

  1. Esta é a madrugada que eu esperava
    O dia inicial inteiro e limpo
    Onde emergimos da noite e do silêncio
    E livres habitamos a substância do tempo
    Sophia de Mello Breyner

    Ah! Se eu pudesse respirar o mesmo ar de então!

  2. Na Pontinha também aconteceu esse cheirinho a alecrim. O PC estava numa barraca do Conselho Administrativo, ao lado do campo de futebol. «Aqui Posto de Comando do MFA…» Ai que saudades…

  3. joni, essa é outra.

    zeca, obrigada por deixares aqui esse poema.

    z, tu mostras como a história continua. :)

    josé, é curioso como se pode ter saudades duma mudança. porque ela permanece.

    teresa, esta música é maravilhosa. aliás tenho andado a ouvi-la com frequência, nos últimos tempos. e quanto a essa banda desenhada, que bela iniciativa!

    daniel, isso são saudades do presente. ou do futuro.

  4. Por certo devido à criptonímia que grassa neste blogue, obviamente dicultando a pesquisa, não vejo provas onomásticas de dedicação sincera aos heróis da luta contra o fascismo made in Portugal. É só blabla agradecido e lágrima no olho contente com a liberdade que se tem. Não vejo ninguém Valentão como eu, que tive a arrojada e irremediável iniciativa de dar a um dos meus afilhados o nome dum preso político de Salazar que aguentou dois dias na tortura da “estátua” e uma semana sem dormir e nunca confessou nadinha. Se a reviravolta de Abril tivesse seguido os trâmites da de Moscovo cinquenta e tantos anos antes (que era o que muita gente tinha planeado para Lisboa, mas no fim decidiram que o melhor era comprar o futuro do país a prestações e deixarem-se de merdas) que nomes de rapazes e raparigas com a mesma idade da Revolução de Abril estariam hoje a assinar os comentários neste blogue?

    De acordo com um livro grosso que ando a ver se tenho a pachorra de ler ao até ao fim – duvido, porque não me conta metade do que é é importante – depois da Revolução Russa as crianças não eram baptizadas, nem sequer registadas pelo civil. A isso começou a chamar-se “outubração”.

    Nem mais nem menos. Outubravam-se as crianças, e quem não o fizesse tinha a Checka em cima, provavelmente acusado de novembrista ou decembrista para calendariar as questões. Mesmo com falta de pão, chá – leite nem se fala, pois claro, porque as vacas eram umas grandes reaccionárias e recusavam-se a comer feno- as meninas recebiam nomes bonitos como Diktatura, Oktiabrina, Serpina (foice), Terrora, Engelina (de Engels), Parishkommuna, etc., e às vezes lá ia uma Traviata ou Vinaigrette por engano porque soavam a nomes de revolucionárias italianas e francesas. Aos rapazes, o que é que se espera? chamava-se-lhes Melor (Marx, Engels e a Revolução de Outubro); Embrião; Marlen (Marx e Engels), Molot (martelo) e provavelmente muitos outros baseados em nomes de ferramentas.

    Reparem, não quero chatear ninguém neste dia de festa, estou a vender pelo mesmo preço que comprei. Aprilinas, Álvaras, Otélicas e Melantúnicas, não levem isto a mal.

  5. Susana,

    De manhã tentei chegar ao Chico Buarque, mas não era possível.Agora sim. A rescendência a alecrim infiltrou-se toda nas narinas e subiu aos olhos, extasiados sempre,com imagens de um Abril que começa a precisar de renascer.
    Obrigada por este belo momento que me permitiu o reencontro com a minha juventude.

  6. Só gente despudorada e sem-vergonha poderá negar a ternura, visão politica e sinceridade do teu desabafo, Lia. A verdade é para se dizer. Disseste-A de cara erguida em meia dúzia de palavras. Do que precisamos é de mais gente honesta, corajosa e bem informada como tu.. Abril anda mesmo a precisar de renascer, no mínimo a precisar dum tónico ou dumas vitaminas ou minerais, duma massagem com óleo virgem de coco, sei lá. Tens carrradas de razão e, pelo menos no que me toca, digo-te já que poderias tê-la toda bem embrulhada e para teu exclusivo uso se aquilo de que te queixas agora não fosse o resultado directo do Abril que santificas com modos que não têm nada a ver (laugh, laugh, Olaf) com os daqueles que provavelmente criticas por irem à missa.

    Sugiro, com cautela receosa de extremismos e para evitar cair no velho e fastidioso enfado, chamarmos Maio a esse novo Abril – Maio de rejuvenescimento ou ressurreição seguida de lubrificação das engrenagens, e Maio porque, além do particularismo que todos conhecemos de ser o mês das flores, dos Iluminados, das peregrinações a Fátima e marchas robóticas da classe uperária, também calha logo começar para a semana. Que dizes a esta minha ideia tocada de raspão por puro génio?

    Entretanto, se fores escritora como muito boa senhora que aqui vem, podes começar já a rabiscar os capitulos de denúncia e autocrítica que comporão o livrinho cor de rosa que as massas irão precisar para limparem a alma dos pecados políticos e desvios filosóficos.

  7. Só agora é q consegui ver o Chico….bem legal. Lembro-me da dessa “bossa nova revolucionária”…
    Como é que consigo saber qual o endereço do youtube?
    A esse alecrim juntamos a manjerona e temos uma caldeirada política. Para ela temos vários cozinheiros.

  8. é q não aparecia o endereço….mas tb sou básico
    qt aos cozinheiros… nem uma omelete eu deixava que eles me fizessem Mas não sou mau tipo: deixe-os lavar a loiça

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.