Sobre os sauditas e o extremismo islâmico – um excelente artigo no NYT

É longo, mas ninguém precisa de o ler todo de uma vez. Versa sobre a influência da Arábia Saudita e da versão ultraconservadora e literalista do islão sunita que por lá se professa e prevalece, o Wahhabismo, na difusão e na expansão do extremismo islâmico um pouco por todo o mundo. O autor do artigo não é categórico. Apresenta os vários ângulos da questão. Cita estudiosos que consideram, nomeadamente, ser a Arábia Saudita tanto a incendiária como a bombeira neste caso. Desenvolve e analisa estas contradições. Diz claramente que pode haver outros factores para o recrudescer da violência e do radicalismo em países concretos, e menciona-os. Vai buscar a História para contextualizar. Põe cifrões na questão. Em suma, um trabalho bem feito.

Vale a pena ler.

 

Deixo aqui umas breves passagens do artigo (em inglês), só para aguçar o apetite.

 

“The idea has become a commonplace: that Saudi Arabia’s export of the rigid, bigoted, patriarchal, fundamentalist strain of Islam known as Wahhabism has fueled global extremism and contributed to terrorism. As the Islamic State projects its menacing calls for violence into the West, directing or inspiring terrorist attacks in country after country, an old debate over Saudi influence on Islam has taken on new relevance.[…]

[…] “In the realm of extremist Islam, the Saudis are “both the arsonists and the firefighters,” said William McCants, a Brookings Institution scholar. “They promote a very toxic form of Islam that draws sharp lines between a small number of true believers and everyone else, Muslim and non-Muslim,” he said, providing ideological fodder for violent jihadists.

Yet at the same time, “they’re our partners in counterterrorism,” said Mr. McCants, one of three dozen academics, government officials and experts on Islam from multiple countries interviewed for this article.

Saudi leaders seek good relations with the West and see jihadist violence as a menace that could endanger their rule, especially now that the Islamic State is staging attacks in the kingdom — 25 in the last eight months, by the government’s count.[…]

[…]Thomas Hegghammer, a Norwegian terrorism expert who has advised the United States government, said the most important effect of Saudi proselytizing might have been to slow the evolution of Islam, blocking its natural accommodation to a diverse and globalized world. “If there was going to be an Islamic reformation in the 20th century, the Saudis probably prevented it by pumping out literalism,” he said.[…]

[…]Yet some scholars on Islam and extremism, including experts on radicalization in many countries, push back against the notion that Saudi Arabia bears predominant responsibility for the current wave of extremism and jihadist violence. They point to multiple sources for the rise and spread of Islamist terrorism, including repressive secular governments in the Middle East, local injustices and divisions, the hijacking of the internet for terrorist propaganda, and American interventions in the Muslim world from the anti-Soviet war in Afghanistan to the invasion of Iraq.[…]

[…]The second historical accident came in 1938, when American prospectors discovered the largest oil reserves on earth in Saudi Arabia. Oil revenue generated by the Arabian-American Oil Company, or Aramco, created fabulous wealth. But it also froze in place a rigid social and economic system and gave the conservative religious establishment an extravagant budget for the export of its severe strain of Islam.

“One day you find oil, and the world is coming to you,” Professor Ahmed said. “God has given you the ability to take your version of Islam to the world.”

One thought on “Sobre os sauditas e o extremismo islâmico – um excelente artigo no NYT”

  1. O artigo é excelente, uma demonstração da importância da boa imprensa.
    Nunca se vai conseguir explicar de forma fácil porque um jovem francês decide exterminar outros jovens num concerto, da mesma forma que é impossível usar a mesma explicação para fenómenos como o boko haram, os terroristas europeus, palestinianos, chechenos, e por aí fora. O que parece óbvio é que o islão tem-se tornado cada vez mais radical ao invés de abraçar valores que estejam mais de acordo com 2016. Esse radicalismo pode, eventualmente, facilitar este tipo de comportamentos. Da mesma forma que se assume que algumas ideologias devem ser “proibidas” por originarem movimentos problemáticos, a europa tem de, forçosamente, limitar a influência do islão na vida quotidiana, tal como foi feito com o cristianismo.

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