Ser imbecil não é uma virtude

O caluniador da última página do Público é um doente de Sócrates. Olha para o que se passou em 2008, 2009, 2010 e 2011, em Portugal e no mundo, e quer convencer toda a gente de que foi o Sócrates que esteve por trás dos esquemas financeiros do Lehman Brothers, do Goldman Sachs, dos bancos em geral, das falências em catadupa de empresas, aqui e lá fora, e não só. Para ele, Sócrates esteve ainda por trás das decisões da União Europeia, numa primeira fase, que visavam combater, com medidas que implicavam o crescimento das dívidas públicas, as consequências económicas da crise financeira geral. Só isto já seria suficiente loucura e sinal de destrambelhamento emocional. Mas a coisa não se fica por aqui. Não reconhece, e só a ideia de o admitir lhe provoca convulsões, o esforço feito pelo primeiro-ministro de então para evitar um resgate formal, muito menos o êxito desse esforço até ter sido atirado às malvas por quem só queria alçar-se ao pote.

Como o expoente da seriedade impressa, que dá pelo nome de Correio da Manhã, padece dos mesmos distúrbios e tem penetração nacional por intermédio de cafés, tabernas e salas de espera de meios de transporte e hospitais, criou-se no país um ambiente propício a que nada do que diga respeito a Sócrates seja tratado com razoabilidade e frieza. Assim é que, dois anos e tal depois da sua ida para Paris, tenhamos assistido à sua prisão em direto e ainda não saibamos, três anos depois do início da investigação, que provas havia para tão pesada, grave e inédita decisão. Mas ele lá esteve, encarcerado em Évora. E o JMT rejubilou. Agora, com Sócrates na rua, o caluniador vive expectante e insatisfeito e clama, dia sim, dia não, por um regresso do biltre ao cárcere.

O processo judicial aberto contra Sócrates por desconfiança quanto ao financiamento das suas escolhas de vida fez com que o caluniador desatasse aos beijos, agradecido, ao procurador Rosário Teixeira, ao juiz Carlos Alexandre e ao seu órgão oficial, o Correio da Manhã, por lhe terem corroborado a panca já antiga. São os seus heróis e, por isso, a osculação efusiva aos dois primeiros tem sido regular. É ver o que diz hoje.

Já não é a primeira vez que JMT vem defender os procuradores e o juiz e dizer que a excessiva quantidade de crimes cometidos por Sócrates é a razão da ausência de acusação. E lá vem a Cova da Beira, o Freeport, o Grupo Lena, o aldeamento de Vale do Lobo, o BES, a PT, etc. Crimes de Sócrates, ouviram? Ora, haver demasiados crimes e nem uma acusação para começo de ajuste de contas com um suposto criminoso é, para qualquer pessoa, estranho, além de ser uma contradição e um absurdo que só a alguém demasiado alucinado consegue escapar. Um crime basta, a meu ver, para ser formulada uma acusação. Acusem, com fundamento, o homem de um crime. Ao menos um. Algum. Qualquer que seja. Afinal prenderam-no. E isso, sim, é escandaloso, porque nos foi dito que havia indícios fortes. Não venham é dizer que são tantos os esquemas criminosos que nem sabem por onde acusar. Esta justificação é tão estúpida e pueril que mete dó. Eu sei que é poluição deliberada. Só que não existe a mínima qualidade e seriedade nisto.

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O juiz Carlos Alexandre volta à ribalta, desta vez através do Expresso, para dizer que lhe querem tirar os processos todos. Insinua que são as secretas e, deduz-se (só pode deduzir-se) que é a mando de Sócrates ou de Salgado ou dos dois. Ora, na cabeça do juiz, nada melhor, para combater essa “corja” de espiões a soldo de criminosos poderosos, do que desatar a dar entrevistas para acusar os arguidos de crimes não provados e dos quais não existe acusação, sabendo que essas afirmações lhe podem custar o lugar. Parece ser isso e é inqualificável. O juiz quer sair ou quer ficar? Se quer sair, seja frontal e peça-o, deixando-se de desculpas com supostas escutas (afinal ele também escuta outros); se quer ficar, cale-se e apresente queixa contra quem acha que o anda a escutar. Curioso é o vício, de que já suspeitávamos fortemente, de vir para os jornais procurar que se faça justiça. É tão vergonhoso como as “notícias” e fugas que aparecem plantadas num determinado pasquim. Se ele próprio não confia na Justiça e nos seus colegas, porque hão de outros confiar nele? Gosto da expressão inglesa “Get a life!” Esta é para ele.

24 thoughts on “Ser imbecil não é uma virtude”

  1. «Não venham é dizer que são tantos os esquemas criminosos que nem sabem por onde acusar. Esta justificação é tão estúpida e pueril que mete dó»: óptima formulação e uma descrição precisa da farsa judicial a que se assiste.

  2. Boa tarde cara Penélope,

    “Assim é que, dois anos e tal depois da sua ida para Paris, tenhamos assistido à sua prisão em direto e ainda não saibamos, três anos depois do início da investigação, que provas havia para tão pesada, grave e inédita decisão.”

    O show off do aeroporto – sem nenhum flagrante delito – disse logo tudo sobre as verdadeiras intenções do caso. E de Justiça, como está agora na moda, bola!

  3. João Miguel Tavares é um dos principais beneficiários de rendimentos ilegais e criminosos que a vida de José Sócrates proporciona. Sem as calúnias e insinuações espúrias que sobre ele escreve e fala todas as semanas, teria, concerteza, mais dificuldade em suportar o seu nível de vida (falta saber se menos ou mais faustoso do que aquele que persegue).

  4. A fisionomia dos imbecis tem traços inconfundíveis :
    – falam de boca aberta, riso de animal estúpido e muita baba.

    Podem ou não ter defeito na fala provocado por neurónios a menos ou pancadas na mona.
    A este não falta nada :
    – é mesmo um repugnante imbecil.

  5. É que o homem tem 510.000 euros de dívida aos bancos e anda a ver se alguém lhe emprestadá alguma coisinha que amortize a dívida…

  6. Para o Costinha, o caso Sócrates e o juiz, está muito longe das suas preocupções.
    O Costa é que sabe como fintar a crise.

  7. Já que o juiz não participa oficialmente a sua suspeita de estar sob escuta, como seria sua estrita obrigação, só se pode concluir que admite que essas escutas sejam legais e passem por outro juiz e pelo MP, nesta república dos magistrados judiciais «anti-políticos» não-eleitos que parece estar a nascer.

    Será possível? Não faço ideia, mas uma coisa é certa: ao contrário do juiz stakhanovista dos processos especiais, quem o anda a espiar está em posição de gozar férias e levar a aparelhagem de escuta para a praia, senão não se ouvia o marulhar das vagas.

    A não ser que seja algum puto lá do bairro que tenha descoberto o número do telemóvel e julgue que já chegou o carnaval.. Nunca se sabe.

  8. Na capa do Manhocas de hoje, em letras vermelhas garrafais:

    “6 MILHÕES DE FICHEIROS”

    Bem me parecia que estávamos quase a chegar ao incontornável «Holocausto», chave, pedra de toque e trave mestra destes tempos embusteiros que vivemos. Dentro em breve, nas vitrinas do processo Marquês:

    MALAS! (cheias de dinheiro)
    SAPATOS! (para dar à sola)
    DENTES DE OURO! (em paraísos fiscais)
    SABONETES! (para as lavagens)
    FERTILIZANTES! (made in Manhocas)

    NUREMBERGA PARA O SÓCRATES, JÁ! E as provas e perícias, é claro, serão dispensadas, uma vez que os factos serão declarados «públicos e notórios» e o tribunal limitar-se-á a tomar devida nota deles. C’est la vie

  9. A Síria, Senhor porque lhe dás tanta dor e porque os deixas mentir assim.

    O Papa Francisco que faça uma conferência de imprensa transmitida pela RT.
    Seria muito importante útil.

    Seria também importante e útil que a Europa do Sul que tantas dificuldades atravessa não se desse ao luxo de embargos obrigados pelos ricalhaços e aproveitasse o comércio com um imenso país que, felizmente veta, tem milhões de consumidores e mantém o contraditório activo.

  10. O Costa e a Catarina e a Mortágua vão ter acesso às contas bancárias de toda a gente, e o Sócrates aí vai ter a fortuna à mostra.

  11. É pá, olhem para isto:
    http://observador.pt/2016/09/18/correio-da-manha-corrige-noticia-sobre-subornos-do-grupo-lena-a-socrates/#comment-post-1685747-1373512

    O Manholas a ver se escapa ao pagamento de uma indenização ao Grupo Lena.
    Um “erro” desta magnitude, é lá … sem comentários !
    De caminho ainda mete o procurador na fornalha em brasa com azeite e tudo …
    É claro que agora sempre pode dizer que teve acesso ao processo porque é assistente e foi levantado o segredo interno MAS ,,, e ANTES ? quando ainda havia segredo interno quem lhes fornecia as manchetes ? HUM ? se calhar vai ser por aqui que qualquer dia destes … e Lá vão DOIS: o Procurador !
    Apertem com o Manholas que eles “abrem” tudo !

  12. A Jasmim antecipou-se :)) Vi a “notícia” e rebolei a rir quando o Manhas citava o Procurador. Ainda pior! Ficamos a saber mais sobre o procurador que ainda “não” sabíamos.
    Agora chovem notícias a semana toda e vem Rosário Teixeira para a ribalta a dizer que não quer investigar mais e passa a batata a outros . É de rir!! Esta novela vai ficar na História de Portugal!

  13. Citação do artigo do Observador: «A “retificação” do Correio da Manhã surge na página 7 do jornal deste domingo, sem chamada de capa nem menções na última página. O site do jornal também não faz referência visível à correção.»

    É interessante especular sobre a origem desta falsificação pura e simples (dado o número e extensão das citações é impossível alegar um «simples engano» acidental), assinada pelo duo Laranjo & Dâmaso, porque talvez permita um breve olhar sobre as técnicas usadas nestas nossas instruções de processos, anteriores à existência de acusação, onde até do juiz, suposto guardião dos direitos e garantias do arguido, se aceita com naturalidade um comportamento de inquisidor encarregado de extrair confissões através dos instrumentos de persuasão ao seu dispor, que não são poucos, a começar pela privação de liberdade, humilhação na praça pública e autorização de adiamento sine fine de qualquer formulação de acusação.

    Com efeito, a rectificação manhosa não altera minimamente as citações entre aspas, mas tão somente a boca que as profere! Afinal não são palavras do CEO da LENA que está a ser interrogado, mas sim — imagine-se! — pérolas literais do Rosário, do próprio procurador em pessoa, a apresentar simples suspeitas por provar ou requintadas aldrabices como se fossem factos consumados…

    Em que expectativa? Acham difícil adivinhar o contexto? Aqui fica o meu palpite: o que o procurador está a fazer, sob a mais que provável égide benevolente do juiz, é a tentar enganar a testemunha que se sabe em risco de se tornar arguida, fazendo-lhe crer que as suspeitas já estão provadas e afirmadas por outras testemunhas, e procurando a sua corroboração, o seu conhecimento, de «crimes» que, de qualquer modo teriam uma baixa probabilidade de lhe serem imputados, uma vez que anteriores à assunção do seu cargo na empresa.

    Chama-se a isto recrutamento de testemunhas através de chantagem indirecta, e não parece ter mudado muito desde os bons tempos dos familiares da Inquisição. De modo que na ausência das «delações premiadas» por que o nosso bom (e único, ao que parece) juiz dos direitos e garantias suspira, há que improvisar…

    Ouvi dizer que alguns dos frequentadores deste blogue são uma espécie de Baker Street irregulars, não exactamente do Sherlock Holmes, mas, nada mais, nada menos, que do próprio Napoleão do Crime em pessoa, de modo que aqui fica mais uma curta reflexão que talvez lhe possa permitir um acesso mais profundo à psicologia do super-juiz monástico, humilde e recatado que parece agora ter optado por uma nova carreira de vedeta mediática coleccionadora de casas, automóveis e dívidas a pagar.

    Começo por recordar a insistência prévia da imprensa manhosa — basicamente o próprio Manholas e restantes orgãos do grupo — em três episódios da vida do referido juiz, todos eles presumivelmente reveladores das pressões inauditas da quadrilha do príncipe dos ladrões sobre ele: a tentativa de atropelamento da sua mulher; o assalto de intimidação a uma das suas residências para colocar uma pistola apontada a um retrato de um dos seus filhos; e finalmente o envenenamento maldoso do seu cão.

    Eu cá, sobre a «tentativa de atropelamento» da Sra. Alexandre, que afinal parece ter tido um condutor perfeitamente identificado, um processo normal que decorreu em tribunal, uma atribuição de indemnização avultada à vítima e nenhuma de tentativa de homícidio voluntário ao condutor responsável, já tinha formulado uma opinião. De modo que, por mim, o óbvio suspeito número um, José Sócrates Pinto de Sousa, pode ir em paz.

    A entrevista ao Expresso ajuda-me a começar a formular algumas explicações alternativas para a história da pistola apontada ao filho. Vejamos o que nos conta o juiz:

    1) Por um lado, diz que «não me levaram coisas que são facilmente fungíveis em dinheiro», mas por outro, diz que andaram «à procura provavelmente de artigos em ouro, que encontraram. Uns anéis e umas coisas dos meus miúdos. A minha cunhada ia connosco para o Algarve, o cordão dela também ficou em nossa casa e perdeu-se…». Perdeu-se? Terei lido bem? Bom, digamos que foi roubado como (presumivelmente) as restantes coisas que «encontraram». Portanto, para visita de intimidação, e correndo o risco de diluir o impacto da intimidação, os intrusos não só juntaram o útil ao agradável e sempre levaram umas coisitas que «encontraram», como até as escolheram de entre as mais facilmente «fungíveis em dinheiro»…

    2) E mais declara: «Também foram ao quarto dos meus filhos, onde deixaram uma fotocópia do bilhete de identidade do meu filho mais velho e o fragmento de uma arma do meu sogro, uma Smith and Wesson antiga, que já só tinha fragmentos». Confesso que esta da fotocópia e do «fragmento (no singular, ainda por cima) de uma arma que já só tinha fragmentos» (e era do sogro) me intriga. Mas que fragmento será esse? Gatilho? Tambor? Cano? Cabo? Culatra? Mistério. Uma possível explicação, uma vez que a arma do sogro não parece ter sido introduzida pelos intrusos, e sim encontrada in loco, pode ser que a arma não estivesse legalizada — calculo que a profissão de juiz seja daquelas que conferem o direito legal a posse de arma, mas que essa posse requeira a respectiva licença, como é o caso até para as armas de valor estimativo da cidadania considerada menor em direitos — e daí a preocupação do nosso juiz em sublinhar que se tratava apenas de uma «arma antiga» (aparentemente um revólver Smith & Wesson e não exactamente algum arcabuz decorativo num triunfo de armas mural…) e até apenas de um bocadinho da arma, que era assim muito, muito pequenininho, nada que pudesse magoar ninguém. Enfim, admitamos que teria sido a arma toda — a arma do sogro, recordemos — e que o resto são deformações prudenciais de linguagem que se entendem. Mas e a fotocópia deixada no quarto dos filhos? Onde diabo a terão ido buscar os meliantes? Se a fizeram eles, porque razão não usaram o original? A conclusão que me parece mais natural é que a fotocópia do BI, como o «fragmento de pistola», foram encontrados in loco pelos larápios de cordões de ouro, o que nos deixa muito longe de algum planeamento intimidatório. E o resto é chiqué.

    De modo que, pela nossa parte, o principal suspeito fica igualmente absolvido de suspeitas e pode ir em paz.

    Last but not the least, fica por resolver o envenenamento do cão. Será que se procedeu a autópsia antes de a imprensa manhosa avançar com a tese do «veneno de ratos»? Não sei. Haverá quem saiba? Sobre esta deixo pairar a dúvida, mas reconheço que pode não haver imbecis apenas do lado da Justiça à Portuguesa.

  14. A mim o que mais me intriga na personalidade deste Juiz é como é que um homem tão virtuoso, que trabalha tanto, que ganha um bom naco de ordenado (muito acima do salário médio, mas mesmo muito), e com vida tão espartana … tem tantas dívidas !!!!! Julguei que isso era só para os estroinas como um certo ex-PM !!!

    E depois vejo que o homem até os telemóveis compra a prestações ????? CREDO ! Que raio de gestão da economia domestica é esta ? Isto é uma ruína !
    E depois é este gajo que se mete a fazer julgamentos morais sobre as dívidas, os gastos, e os empréstimos do Sócrates ? Isto não podia dar bom resultado.

    Depois de ler excertos da entrevista ao Expresso fiquei com a impressão que o juiz enlouqueceu.

  15. Olhem para isto e vejam se isto é normal, a sério:

    – Carlos Alexandre: Não sei sequer se o meu colega Dr. Ivo Nelson de Caires Batista Rosa, que se encontra neste tribunal desde 9 de Setembro de 2015, tem telemóvel de serviço. Eu não tenho o número de telemóvel do meu colega e também não tive ocasião de lhe transmitir o meu número de telemóvel, apesar de sermos o substituto legal um do outro.
    – Jornalista: Não falam, não têm relação? (imagino, de novo, a cara de espanto dos jornalistas…)
    – Carlos Alexandre:Temos uma relação cordial e profissional, tenho de contactar com ele profissionalmente e quando nos cruzamos no corredor.
    – Jornalista: Só se falam no corredor?
    – Carlos Alexandre: Dou-lhe a saudação e ele dá-me a mim. Não acho que isso seja uma má relação.

    ISTO É NORMAL ?
    Este homem não estará a precisar de se tratar ?

  16. – Gosta de ter casas?

    – Gosto. Noutra encarnação devo ter sido pedreiro, não livre, mas pedreiro. Tive uma estagiária que me dizia que pela leitura da minha carta astral eu tinha sido perseguido pela Inquisição. Talvez por isso, não gosto de nada que me aperte o pescoço. Declarando assim as minhas fontes de rendimento espero poder justificar os meus tarecos – móveis, fogão, frigorífico…

    – A que propósito vem isso agora?

    – Acho que devo ser transparente e nem sequer peço aos outros que o sejam.

    – Uma situação financeira difícil cria condições de vulnerabilidade. Sente que pode ser posto em causa como juiz pela sua situação financeira?

    (…) Outra declaração de interesses:
    – Tenho três carros. Um Fiat Punto com oito anos já pago. Um BMW série 1 que está em uso por um familiar meu, pelo qual pago 120 euros por mês e que estou a pagar há seis anos. É como as casas. Não são minhas, são do banco porque ainda as estou a pagar. Meus são os casebres, 70 metros quadrados com uma parede ao meio e o tecto caído (…)

    (…)
    Estando a responder a uma pergunta sobre a informação relativa a offshores, escreve o jornalista que o Juíz Carlos Alexandre interrompe a conversa para voltar a falar do telemóvel:

    – Estou a pagá-lo a 15 euros por mês. Já há outros muito mais modernos. É como nos carros. Eu já perdi a mania dos carros. Esqueci-me de dizer que tenho um carro que ando a pagar há seis anos e comprei com intenção de o dar ao meu filho para ele ir para a fábrica. Ele não tem carro próprio. E tenho um BMW 520 que se vem sucedendo. Tinha a mania de trocar de carro de vez em quando, de cinco em cinco anos. Era um fetiche que tinha com os carros, algum complexo mal resolvido de não ter tido carro quando era miúdo. Estou a pagá-lo a 400 euros por mês e ainda me faltam 20 mensalidades. Se eu deixar de o pagar, os tipos telefonam-me e vêm buscar o carro. Ainda faltam 10 mil euros. Nem todos têm de ser assim geométricos e pretensiosos como eu. Sou assim e acho que não me podem levar a mal de ser assim, de ter as minhas contas certas e saber que tenho os telefones, água luz em oredem e o gás.

    ISTO É NORMAL ?

  17. Existe um risco sério de quem se vier a interessar pelos problemas da justiça portuguesa se concentrar excessivamente nos casos individuais de maus magistrados ou faltas de recursos, esquecendo o problema, a meu ver, principal e mais difícil de modificar.

    A saber, esse problema é o da cultura judicial prevalecente desde longa data, que continua a formatar as mentes jurídicas e a lavar os cérebros em aprendizagem, como ainda recentemente tive oportunidade de verificar ao ouvir, numa das cadeias de televisão, algumas curtas entrevistas sobre o novo prolongamento do prazo do inquérito Marquês e seus (desde já mencionados) posteriores prolongamentos eventuais, com alunos de Direito, alguns dos quais de Direito Criminal, bem como dirigentes associativos etc..

    Quem quiser perceber isto melhor, dedique mais atenção ao papel que entre nós se atribui ao Ministério Público, não como orgão de investigação objectiva e acusação justa a partir dela, mas simplesmente como máquina de obter condenações. Não é por acaso que o número que, na abertura do Ano Judicial, a Procuradora Geral indicou como dos «melhores da Europa» dizia respeito à percentagem de condenações obtidas e não a procedimentos satisfatórios levados a cabo. Pelo mesmo critério, o melhor Ministério Público do mundo deve ter sido o do procurador Vishinsky, sob o regime estalinista, com 100% de condenações conseguidas.

    «Fazer justiça» no linguajar jurídico português, quer dizer «obter condenação», não quer dizer «julgar com justiça». Foi por isso que todos os agentes e corporações da «justiça» respiraram de alívio, como um só homem, quando se conseguiu encerrar e sepultar o processo Casa Pia no sepulcro caiado em que ainda hoje ninguém ousa tocar nem ao de leve. E, ao que parece, «quanto menos se falar nele, melhor», diz quem sabe…

  18. Viva o Aspirina B que tomado pela manhã alivia mesmo e dá mais luz ao dia.

    Talvez tenha passado a Gungunhana Meirelles e Jasmin o episódio mãnhas no dia da grande conferência de imprensa do CEO do Grupo Lena.
    Na tv que dá voz às aldrabices do mãnhas, dâmaso no seu tom de arenga e boca retorcida, prometia confirmar tudo.
    Acontece que a laranjo (mais cuidada desde que foi alertada para o necessário banho) disse bem claro que aquelas afirmações eram do rosário.

    Eles sabiam muito bem o que estavam a fazer.
    Talvez a violenta indignação do CEO do Grupo Lena e sua firme decisão de os fazer pagar por perdas e danos desse urgência a este desmentido de faz-de-conta.

    Tenho curiosidade em saber quanto ganha o Professor Rui Pereira para se sujeitar a fazer-de-conta que fala tecnicamente sobre um chorrilho de calúnias, juízos de valor em pescadinha acusatória, sem ter a tentação de se levantar em directo.

    Estará como o alexandre pejado de dívidas descontroladas que aquele soldo do Diabo lhe faz falta?

    O Ex. Primeiro Ministro José Sócrates deve dois valentes erros de casting nos seus ministros :
    Teixeira&Pereira

    Com professores que avalizam este intencional massacre de calúnias não se pode esperar que os alunos de direito mostrados pela sic não se cinjam aos cabeçalhos do esgoto a céu aberto.
    Ainda bem que já sou idosa.
    A classe que vai ocupar magistratura e direito mete medo.

    Se aqueles estudantes de direito não foram escolhidos para debitar em mau português o que a sic parece obrigada a pôr no ar ficará a justiça inteira nas mãos de bandalhos deformados.

    Conheci outros inimigos figadais de José Sócrates na política sueca da rtp 3.
    Merecem observação.
    Parece que um deles também ensina …e como ensina …

  19. Não quero estragar a festa (e nem tenho motivos para isso), mas.

    … «salas de espera de meios de transporte», que caraças.
    … «por desconfiança quanto ao financiamento das suas escolhas de vida», …?

    Penélope, com tanta originalidade ainda conseguirás aceder ao Top 20 dos candidatos a um prémio Nobel da Literatura nos próximos anos e serás recordada para sempre.

  20. ò érica, baza para o redtube que lá apreciam os teus broches linguísticos. ortorrômbica do caralho, duvido que algum taxista perceba para onde a gaja quer ir ou vir.

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