Quando o entrevistador sentado expõe teses

Não foi por nada que a fotografia do José Gomes Ferreira (jornalista da SIC) apareceu no elenco de ministros das Finanças convocados para uma das últimas reuniões do Eurogrupo. É que a fama do seu crânio já pode ter chegado longe. A sua tese sobre o BANIF, ontem ratonamente exposta na entrevista a António Costa, testemunha bem a  injustiça que é o homem não ser realmente ministro das Finanças. A sabedoria e a matreirice com que é apresentada, senhores. Ferreira conhece os segredos dos deuses. Ferreira priva com os deuses. Não percam.

Tem, pois, toda a razão e toda a graça Ferreira Fernandes no seu comentário de hoje no DN à dita entrevista. Uma treta de «preâmbulo» e, no conjunto, um formato assaz estranho. Para quem não viu, o que aconteceu foi que, finda a entrevista no estúdio conduzida pelo José Gomes Ferreira, sentado, frente ao entrevistado, também sentado, passou-se a uma segunda entrevista, de pé, também em direto para as câmaras, feita por outro jornalista ao longo de um corredor e depois de outro, em ritmo de amena cavaqueira. Ao contrário do que é costume aqui em Portugal, o segundo lote de perguntas do jornalista à saída do estúdio não incidiu sobre a forma como correu a entrevista lá dentro. Era mesmo sobre matérias políticas que não foram abordadas na sala ou que, tendo-o sido, se pretendia abordar de outro modo ou desenvolver. Era uma segunda entrevista, em que o jornalista parecia verdadeiramente entusiasmado e sem mais nada de importante para fazer. Supinamente cómico foi o facto de Gomes Ferreira alegar, no estúdio, a falta de tempo como pretexto para interromper o entrevistado, quando, afinal, havia todo o tempo do mundo para a segunda entrevista. Não sei o que foi mais parvo: se o José Gomes Ferreira propriamente dito com as suas teses e gráficos e loas à austeridade, se o melão com que o presentearam com a segunda entrevista.

14 thoughts on “Quando o entrevistador sentado expõe teses”

  1. o antónio costa foi à sic fazer um frente-a-frente com o zé gomes ferreira e à saída foi entrevistado pelo zé manel mestre, que mandou a boca do costa estar com pressa para ir embora. gostei muito do intervalo metido a martelo para publicidade a um livro de culinária dum marido que ninguém conhece duma gaija conhecida por ter sido muita boa.

  2. para os detractores aqui vai: o tunel rodoviário de s.gotardo que passa sob os alpes suiços,tem 16 km de comprimento.é o maior tunel do mundo. são uns megalómanos estes suiços.antes do tunel de v.real,se tivessemos um camião á nossa frente, tinhamos que andar muitos km atras dele,sem hipoteses de ultrapassagem!

  3. concordo contudo que se possa dizer sobre jgferreira.fala mais do que o entrevistado e não deixa acabar a resposta quando não lhe convém.é um canalha armado em esperto.a segunda entrevista na minha opinião possibilitou a costa concretizar algumas respostas interrompidas pelo sabujo de direita da sic noticias.esta entrevista com josé socrates,não tinha acabado,por que ele não tinha a “paciência de santo” do antónio costa. e nem admitia determinados comentarios!

  4. Jose Gomes Ferreira foi mal educado. Mais do que fazer perguntas, quis ouvir-se a interromper o entrevistado. Falou com uma altivez caricata. Julga que os portugueses são todos parvos. Entre outros exemplos, destaco a exposição daquele gráfico da evolução da dívida pública portuguesa com um traço único até meio do governo de Passos Coelho, dividido em dois, dívida bruta e dívida líquida de depósitos, após esse período, para causar a impressão de decréscimo. Anedótico.

  5. Porque é que a RTP não contrata o José Gomes Ferreira e o põe lado a lado com o José Rodrigues dos Santos? Assim estragava-se só uma casa, como em certos casamentos. Era uma economia de estragos com Zés ao quadrado lou com bestas quadradas. Ainda por cima dois saloios, presumindo-se de senhores.

  6. O Costa já não passa de um boneco nas mãos do tipo dos cachorros, dos professores encarneirados, e das prioridades sexuais do Bloco.

  7. ó bombinhas, voçe estava mal habituado! até há pouco tempo,era tudo a malhar nos governos ps,,agora com a geringonça,(que lindo nome) a coisa fia fino.vão ser anos a direita a ver o cú ao padeiro…

  8. jpferra, estou tentado a concordar contigo, mas não vi a segunda parte, só a entrevista com o taralhouco. Aqui, gostei que não tivesse perdido a cabeça mas não gostei de ter parecido algo manso.

  9. valupi eu também achei isso, mas repara que ele no meio da sua mansidão leve a água ao seu moinho numa linguagem que o comum dos mortais percebe, ainda por cima exibe um sorrisinho cínico que baste.

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