“Power is nothing without control”*

Menos mal que os socialistas mais próximos da direção de Seguro começam a compreender que não vão longe com a elegância no trato face às vilanias do PSD. Afirmam agora que, depois daquele congresso acusatório do fim de semana, nada será como dantes. Aguardemos para ver. Ou Seguro toma as agressões como ataques ao partido e reage em conformidade ou é esmagado; antes de mais, e como se tem visto, pelo exército adversário, arrastando consigo o partido, ou, senão, certo e sabido, pelas próprias hostes, fartas de hesitações e contemporizações.

A confraria dos raivosos anti-socráticos que se reúne daquela maneira tem um dos expoentes máximos numa criatura de peso chamada Carlos Abreu Amorim. Quem, ontem, no que era suposto ser um frente a frente com Marcos Perestrelo, do PS, resistiu mais de dois minutos a escutar o bulímico deputado laranja na RTP Informação (Grande Jornal, segunda parte, a partir do minuto 23), na expectativa de ouvir o que teria a replicar o seu civilizado e cordato interlocutor, pôde constatar, a par da incontinência verbal aguda de que sofre Amorim e que a moderadora até ao fim não controlou, o espírito vingativo totalmente alucinado que se apoderou do campo laranja e que transparece a cada momento pelas bocas de primários como este ou Menezes e ao qual dão execução ministros como Álvaro e Crato com as suas patrocinadas comissões de inquérito, mais o sindicato dos juízes.
Para esta gente desvairada, não chega o PS ter perdido as eleições. Sem que, racionalmente, ninguém consiga perceber porquê, querem mais. Fosse Amorim um imperador persa do século VI (difícil, devido, nomeadamente, aos óculos) e mataria Sócrates e os seus ministros dando-lhes a beber ouro fundido num cerimonial sádico, envolto em cânticos triunfais ou apocalípticos e concluído em grande orgia e fornicação. Definitivamente, não se enxergam. Estão de tal maneira possuídos que se esquecem do século e do continente onde vivem, a democracia lhes passa ao lado e só desejam ver todo o país num clamor de ódio, gritando vitupérios e brandindo facas na direção de Paris. Calma. E controlo. Mil e quatrocentos anos têm de ter feito alguma diferença.

*De um anúncio a uma marca de ténis pneus muito conhecida

8 thoughts on ““Power is nothing without control”*”

  1. Nem mais. Ou nem menos. E nesse bacanal contariam com a extasiada participação daqueles que odeiam todos os políticos por serem políticos, mais a desenfreada colaboração dos esquerdistas de vários costados para quem a existência de um partido do socialismo democrático é a maior ameaça à sua identidade.

  2. Ténis de carros. Porque o anúncio é da Pirelli.
    De resto, enfim, sem tirar nem por… temos o cócó que merecemos. O problema é que esse CAA não é, de todo, caso isolado (apesar de ter aspecto de ter o seu próprio campo gravitacional).

  3. Alto! Pára tudo!
    Valupetas, não te importas de nos explicar o que é isso de socialismo democrático? Se quiseres podes explicar-nos o que é o socialismo e o que é a democracia, separadamente, e depois o que é o socialismo democrático.
    E, já agora, também podias explicar por que é que os «socialistas democráticos» são uma ameaça à identidade dos esquerdistas imbecis, religiosos e decadentes. È que à primeira vista, e por definição, é impossivel qualquer confusão entre a identidade dos primeiros e a dos segundos. Ou não?

  4. Gonçalo: Lá está, um problema corrente dos anúncios. Lembro-me do Carl Lewis e dos seus pés (bem calçados) preparados para a corrida e esqueci-me completamente do objeto do anúncio – os pneus Pirelli. Vou corrigir.

    ds: Apesar de me identificar com o Valupi nessa matéria, creio que te enganaste de destinatário.

  5. Não enganei nada. Aliás, faço desde já um apelo ao Valupetas «genuíno» para ele dar continuidade aos seus posts «sê rei de ti próprio», por forma a poder desenvolver essa sua ideia contraditória e incoerente segundo a qual «um partido do socialismo democrático é a maior ameaça» à identidade dos partidos da «esquerda imbecil».
    Ainda outro dia ele disse que os «socialistas democráticos» estão mais próximos do CDS e do PSD e dos seus ideais liberais do que dos «amigos do Estaline». Se estão mais próximos daqueles então não podem ameaçar a identidade dos «imbecis».
    Agora, se essa ameaça à identidade dos «imbecis» deriva do facto desse partido ser «socialista», então o Valupetas é capaz de ter razão. Mas para ele, de facto, ter razão precisa primeiro de nos dizer o que é isso do socialismo. É uma ideologia? È um centrismo? O que é isso afinal, Valupetas? Estás preparado para deixar cair a máscara, ou não?

  6. ds: Sempre “meto o bedelho”. Mas há alguém lúcido hoje em dia que consiga estar próximo dos «amigos de Estaline»? Se eles existem, e pelos vistos existem (ler o “Avante!”), então eu estou o mais longe possível, tão loonge que até pode parecer que estou próxima desses outros… A relatividade.

  7. penelope, não é uma questãon dos amigos ou inimigos de estaline.É um diferendo entre a ideologia neoliberal mainstream,e um modelo que não acredita no neoliberalismo.

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