Oremos. Mas a quem?

A teoria do «big bang» é verdadeira, a evolução é um facto, mas deus existe, não se assustem, diz o papa Francisco. Deus criou tudo, incluindo o princípio de tudo. Depois, ficou a assistir. Perdido de gozo, imagino eu, porque má consciência não se permite ter.

Francis explained that both scientific theories were not incompatible with the existence of a creator – arguing instead that they “require it”.

“When we read about Creation in Genesis, we run the risk of imagining God was a magician, with a magic wand able to do everything. But that is not so,” Francis said.

He added: “He created human beings and let them develop according to the internal laws that he gave to each one so they would reach their fulfilment.

“The Big Bang, which today we hold to be the origin of the world, does not contradict the intervention of the divine creator but, rather, requires it.

“Evolution in nature is not inconsistent with the notion of creation, because evolution requires the creation of beings that evolve.”

A explosão inicial estava afinal sob controlo do criador e a miséria por que passam os humanos, surgidos muitos milhões de anos depois, até atingirem o bem-estar, os que o atingem, também faz parte do plano. Há um criador, mas ele deixa-nos à vontade, parece que com uma leis apenas. Um querido.

Bom, o papa Francisco é simpático e descontraído e decerto já percebeu o ponto da questão no que à religião diz respeito. Por isso, não sei que dizer destes contorcionismos narrativos dirigindo-se aos crentes. Ou o povo crente é analfabeto e/ou estúpido e acredita que há algum sentido em tão disparatadas explicações e tentativas de conciliação entre religião e ciência (e aí Francisco dá a ração pretendida e digerível), ou o povo crente pouco liga à maior ou menor profundidade das palavras dos representantes de deus na Terra, muito menos às explicações científicas, gosta é do simbolismo, do mágico e do ritual (e aí não é necessariamente para eles que Francisco fala). As duas hipóteses podem coabitar.

Deus é uma ideia que convém. Ponto final. Por isso, tanto faz o que dizia Bento XVI sobre o desenho inteligente ou o que agora diz o papa Francisco. Do ponto de vista dos fiéis, tudo o que eles disserem está bem. Francisco, aliás, parece ter a noção do que se passa. Por isso, tem confiança suficiente para abraçar a ciência, todas as ciências, incluindo as cósmicas. Mesmo as que demonstram que deus é uma criação do homem. No limite, penso que o papa podia até declarar com todas as letras que deus é uma ficção. Continuaria a ter fiéis. Só que é arriscado. A ortodoxia da Igreja não aprecia. Um dia destes, pode acordar morto.

13 thoughts on “Oremos. Mas a quem?”

  1. acho tão pouco inteligente abordar a religião assim, Penélope. até porque orar é íntimo e secreto e raramente partilhável – como tudo o que se sente e não se vê. os crentes não são ignorantes, são crentes.

    e se a crença também dá para isto,
    https://www.youtube.com/watch?v=opFgeLWgoDI

    eu sou feliz por ser uma não crente católica que crê que a crença pode, sim, fazer-nos a todos mais felizes. :-)

  2. o ministro da propaganda do iraque, de nome pires de lima,anunciou com muita alegria, que hoje, portugal é o 5. país “mais amigo” de fazer negocios. devem ter chegado a esta conclusão, depois de ter ouvido os chineses,que só lhes falta comprar o governo! estão a dizer-me que já comprou!

  3. “Ou o povo crente é analfabeto e/ou estúpido e acredita que há algum sentido em tão disparatadas explicações e tentativas de conciliação entre religião e ciência.”

    Penélope, os crentes acreditam que um morto-vivo, com 2014 anos de existência, filho de uma virgem, lhes irá dar possibilidade de irem para o paraíso, se estes, simbolicamente, beberam o seu sangue e lhe pedirem, por telepatia, perdão pelos pecados que uma mulher – feita a partir de uma costela de um homem – cometeu, influenciada por uma cobra falante.
    Achas mesmo que se vão acreditar nessas tretas do Papa Francisco ? Jamais.

  4. A crónica e comentários destes sócioslistas põe a nu a sua natureza ateia, verdadeiros comunistas envergonhados. Estes metem-me asco, prefiro a honestidade de um stalin de um mao ou até de um fidel que tudo fizeram para que acabasse a religião com pouco sucesso diga-se.

  5. Imaginem um super jogo de simulação, imagem um adolescente com um supercomputador, imaginem….

    Pronto é isso, uma super simulação num super computador…

    é pouco ? pois, uma versão moderna dos elefantes e das tartarugas

  6. Que a Igreja se concilie cada vez mais com a ciência é uma virtude que se deve enaltecer, pois houve tempos em que a teve por inimiga.

    Até porque a Igreja não se envergonha dos avanços científicos que também proporcionou nem dos seus fiéis que, com o seu génio, igualmente o fizeram.

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