O que há com o diabo?

O jornal i não para de nos informar sobre o aumento de casos de “possessão demoníaca” e sobre o recrudescimento do exorcismo na frente católica, assim como sobre a reentrada do Diabo (com maiúscula) nas homilias do novo papa Francisco. Quase todos os dias há atualizações.

Para mim, que observo de fora, o Diabo faz todo o sentido e introduz a indispensável harmonia no edifício religioso – não se compreenderia que existisse um ser infinitamente bom e misericordioso, que nunca ninguém viu, mas alguns dizem sentir, e não existisse o seu contraponto, um ser mefistofélico que tudo faz para desviar os pobres homens da rota do paraíso. E que também nunca ninguém viu, mas cuja ação malévola, pelos vistos, alguns sentem. Ah, que seria do bem sem o mal? Da bonança sem a tempestade?

Mas somos também informados de que apenas podem ser exorcizadas as pessoas que não tenham doença física ou mental e de que a Igreja está a recrutar especialistas para a ajudarem a avaliar os diferentes casos. Empregos, portanto, boa notícia. Não li qualquer estudo sobre o perfil ou a origem das pessoas que atualmente se consideram possuídas, mas estou em crer que da América Latina não vêm apenas maçãs e uvas chilenas, carne argentina ou frutos tropicais para a Europa. Um papa para apascentar as almas que também aqui têm rumado também já veio. Faz sentido.

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