Nem mais

Subscrevo inteiramente este artigo de Azeredo Lopes, no Jornal de Notícias.

Na Ucrânia, ao contrário do que diz Barroso, o ponto de não retorno não foi atingido agora; foi estabelecido há mais de um ano. Pela Europa, com a Alemanha à cabeça. E para ridículo da Europa.

 

 

5 thoughts on “Nem mais”

  1. Penso que só terá faltado destacar a diferença — que se mantém e que poderá ser determinante no futuro próximo — entre a atitude dos Estados Unidos (que parece terem-se deixado envolver a contragosto) e a fanfarronice do bando de galinhas cacarejantes em que a diplomacia da União Europeia se tornou.

  2. O apoio de Portugal aos golpistas da Ucrânia e o alinhamento do governo português com os interesses expansionistas da NATO e da Alemanha no Leste europeu é algo que nunca foi objecto de verdadeiro debate em Portugal. Nesta questão, como noutras, os portugueses estão a ser tratados como gado descerebrado pelo governo e pela comunicação social. A oposição, tirando os russófilos do PCP, não parece ter opinião própria sobre o que se tem passado na Ucrânia desde que o presidente democraticamente eleito foi derrubado na rua. Tudo se passa como se houvesse aqui matéria incontroversa, sem lugar a qualquer análise ou discussão. Como se não tivéssemos outro remédio senão alinhar com a estratégia germano-americana da NATO. Como se Portugal não fosse um país independente e não tivesse interesses próprios nem direito a ter uma qualquer política externa.

    Este fim de semana, Barroso, o velho militante anti-soviético que ainda é presidente da comissão europeia deu o mote e logo o aluno Passos Coelho começou a debitar declarações: que a UE não pode “assobiar para o lado” na questão ucraniana, etc. O PS de Seguro parece estar à espera de que uma posição sobre o assunto lhe seja soprada pelos socialistas europeus. Nada se deve esperar da cabeça do líder socialista.

    A histeria anti-Putin grassa livremente. Putin foi eleito com mais de 60% dos votos? Pois foi, mas é um “ditador”. A sua política em relação à Ucrânia tem o apoio de mais de 80% da população russa? Pois tem, mas o regime russo não é “democrático” e Putin “governa com mão de ferro”.

    A sagrada integridade territorial da Ucrânia, de que a UE e os EUA agora tanto falam, afinal é o quê? Esse país, que nunca tinha existido autonomamente nem nunca tinha tido fronteiras certas, foi criado pelo regime comunista da URSS sem perguntar nada aos vários povos que lá viviam. A Crimeia foi oferecida à Ucrânia em 1954 por Khrushchev completamente à revelia dos russos e dos outros que lá viviam. Quando da queda do regime soviético, todos os povos tiveram direito a fazer valer os seus direitos, excepto os russos da Ucrânia do Leste. A maioria dos ucranianos, mesmo assim, elegeu democraticamente os pró-russos Kuchma e Yanukovitch para presidentes? Não interessa, eram “ditadores” e “corruptos”… porque eram aliados da Rússia e não da NATO.

  3. E a queda do avião?

    De repente um silêncio enorme. Nunca mais se falou na imprensa. Se calhar foram os pro nazis ucranianos.

    Schiu….não se fala mais nisto

  4. Um artigo notável – bem informado, excelente organização expositiva, muito longe da chiadeira que para aí anda!

  5. o ponto de não retorno começa cada vez que acaba a esperança na voz de quem está cá e ouve quando liga para ter notícias de familiares e amigos de lá. o ponto de não retorno sente-se no coração.

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