Irá a indústria da guerra salvar a Europa?

Pelos padrões clássicos, a Europa já devia estar a organizar as tropas para um sangrento conflito interno norte-sul, alinhando um grande setor da França com o sul e sendo o Reino Unido um aliado importante contra a Alemanha. A situação económica e política justifica-o. A maior parte da Europa está neste momento e na prática «ocupada» pelos alemães. No entanto, nota-se o enorme pavor que existe em repetir o sucedido há 75 anos. Ninguém arrisca. Ninguém ousa. Nada. Ninguém arrisca sequer pôr em causa, muito menos abandonar, uma moeda única que apenas tem servido os interesses de um país. Assim, os Conselhos Europeus são sessões de sorrisos e palmadinhas nas costas. O resultado para as populações é o marasmo que todos observamos e a ameaça de abandono do Reino Unido, com ou sem Escócia, o único sinal de ebulição.

 

Nestas circunstâncias, nada melhor do que arranjar um motivo externo de união. Um inimigo comum. Ora deixa ver, Jarbas, apetece-nos um barbicacho com a vizinha Rússia. A União Europeia, afinal, constituiu-se como bloco dada a existência da União Soviética, não? Resultou uma vez, talvez resulte duas. E o Putin é o que sabemos. Que tal a Ucrânia?

 

O chamado Estado Islâmico também vem, inopinadamente, ajudar, e muito. Bastará um atentado de grandes proporções em solo europeu – e parece iminente – pelos discípulos do Maomé mais tresloucados que já vimos  para se declarar uma guerra e se mobilizarem tropas ocidentais – europeias e americanas – para a região. A indústria do armamento, há décadas em stand-by, voltará a florescer. Será a recuperação económica no seu mais trágico esplendor.

2 thoughts on “Irá a indústria da guerra salvar a Europa?”

  1. é tão triste (re)pensar outra e outra vez na crise da consciência europeia que esteve na base das grandes guerras: os europeus, na europa, sentem-se tocados sobretudo pelo que os separa. a europa que tem vindo a subsistir, digo a europa ocidental e potencialmente americanizada, pode bem transformar-se em russa – e isto não tem só que ver com a propaganda governamental difundida por entre russos. há décadas que, para os Russos, a Rússia é quem oferece ao mundo o novo evangelho: uma Santa Rússia.

    mas indo à questão. desde sempre que a Europa ocidental, remanescente da Europa, tem apenas uma via de salvação: unir-se e armar-se até ao osso. :-(

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