Não subestimemos o nosso potencial como farol da humanidade

A propósito da higienização (de “Ὑγίεια”  (lê-se «higuía»), palavra de origem grega, que significa actualmente saúde) dos hábitos alimentares e dos alimentos vendidos em hospitais e escolas públicos, mas também em restaurantes e cafés, deploro este artigo idiota que apresenta como exemplos de boas práticas os países europeus que disponibilizam tacinhas com cubos de açúcar totalmente expostos e à discrição nos estabelecimentos de restauração e, supostamente, chocolates Mars, Coca-Cola, bolachas de chocolate, Bolicaos (que são o que os miúdos gostam) ou sanduiches de maionese com atum  e “cornichons” em tudo o que é máquina ou bar em edifícios públicos como “snacks” para matar as pequenas fomes.

Eu gostaria de aqui lembrar, em matéria de saúde e higiene, que, em muitos desses países “exemplares”, como a Bélgica ou a França, os trabalhadores de padarias e pastelarias desconhecem por completo a utilidade de objectos como luvas ou pinças e servem os clientes agarrando os bolos e os pães com as próprias mãos – sabendo nós como manuseiam o tempo todo moedas e notas e como é inevitável que, ao longo do dia, cocem a cabeça (ou outras partes do corpo que me abstenho de nomear, mas mesmo assim nomeio o nariz) pelo menos umas vezes. Pois é, são países, como a Holanda, em que a comida típica de rua é batatas fritas com maionese ou salsichas gordas com maionese e cebola (Alemanha) e onde os distribuidores automáticos são invariavelmente abastecidos com “gauffres”, cobertas ou não de chocolate, barras de chocolates e por aí fora. Saudável até dizer chega.

Convém, no entanto, assinalar que é notória a evolução no bom sentido dos snacks oferecidos em locais públicos, como o metro e outros, em muitos desses países. A opção de pão escuro, com vegetais e carnes saudáveis e ausência de molhos está já bastante generalizada, assim como os sumos de fruta mais saudáveis que os refrigerantes tradicionais, carregados de açúcar disfarçado pelo gás. Sinal de que há alguma preocupação com a alimentação saudável e uma clara discordância daquilo a que a articulista despeitada chamaria “o Estado a meter o bedelho onde não é chamado” (embora eu desconheça se há por lá legislação que regulamente a oferta de alimentos em máquinas ou quiosques). Mas é uma boa tendência. Quanto aos hospitais estrangeiros, desconheço o que as máquinas oferecem, mas tenho péssimas recordações da comida de um hospital de renome em Bruxelas. Já o de Viseu, público, onde ainda há pouco tempo esteve a minha mãe, as refeições eram verdadeiramente cinco estrelas. Sei, porque provei, dado o pouco apetite da paciente. Muito melhor a comida e mais saudável e saborosa do que em muitos dos restaurantes ali à volta. Infeliz e inexplicavelmente, o bar e as máquinas à entrada não acompanhavam em quase nada aquele excelente regime dispensado aos doentes. Pelos vistos, é o que se pretende mudar. Parece-me bem. Referir que se passará a vender aipo é caricaturar sem grande piada.

Correndo o risco de parecer agente do Governo ou do ministro da Saúde, que não sou, se não queremos miúdos obesos e adultos diabéticos ou hipertensos, o Estado tem que fazer alguma coisa. Não só a nível da educação e da melhoria do nível de vida das pessoas, mas também cumprindo a sua parte da responsabilidade na oferta de alimentos por contrato público, já que a outra parte da responsabilidade, sem dúvida a mais importante, para o bem e para o mal, cabe à família. A utilização do episódio da lagarta no prato de uma cantina escolar, ou de frango cru noutra, para desdenhar de toda e qualquer medida de prevenção de doenças que incida sobre a alimentação é apenas ridícula. Por coincidência, nessa escola de Braga, até era uma empresa privada a prestar o serviço, regime que tem tudo para agradar à colunista. Qualquer expediente serve para criticar o Governo. Quanto aos alimentos biológicos, se é verdade que os produtos biológicos são mais caros, também é verdade que o incentivo assim dado a tipos de agricultura que utilizam menos químicos é positivo. Isto anda tudo ligado.

6 thoughts on “Não subestimemos o nosso potencial como farol da humanidade”

  1. acabar com a coca/(pepsi cola e com as batatas fritas e demais merda matutano e danone arrumava o assunto , se acompanhado pela troca do tablet , pc e tal por brincadeira ou dança ou passeio .
    a lagarta era indício claro que a alface era fixolas :) não me fez impressão nenhuma . já o frango cru , que nojo.
    mas é bem feita essas cenas todas , a vingança do fumador magro serve-se fria .
    as pessoas comem demais , pasam a vida a comer e a lavar pratos . duas vezes por dia , um temtempé a meio , e prontos , está o dia feito.

  2. Sobre a lagarta na cantina: é sinal que a salada é boa (a lagarta é especialista nessas matérias).

    Sim, aquilo que se vende nas máquinas das urgências dos hospitais lembra o diabo a tentar-nos para acompanharmos (com maior celeridade) quem se encontra por lá deitado em macas.

    Por fim, é óbvio que tudo serve para atacar o Governo. E vai piorar à medida que o Marcelo vai soltando os seus famosos tiques de personalidade, os potenciais negócios vão sendo apresentados pela nossa Direita aos interessados , os jornalistas (?) forem almoçando com maior assiduidade com a nossa Justiça (?).

    Mas tudo isso é só sinal que as coisas estão a ser bem feitas pela Geringonça e, no final, é o que nos interessa.

  3. Não vai faltar muito tempo para que as doenças relacionadas com ortorexias e anorexias consumam mais recursos e vidas do que as relacionadas com a obesidade.

  4. Ok, o estado tem o dever de “orientar” os hábitos alimentares das pessoas de modo a proteje-las de problemas de saúde. Então para começo de história, e fazendo algo que teria um impacto dramático na saúde da população, seria proibir a venda de tabaco e alcóol. Assim parece coisa de novo rico.

  5. de acordo Penélope. os olhos são os primeiros a comer e só podem comer mediante a oferta. então, por que não oferecer alternativas saudáveis? é por aí. no que ao codex alimentarius diz respeito tenho a certeza de que os países da UE têm um controlo apertado nessa questão e o espírito empresarial está cada vez mais responsável – agora que há broncos em incumprimento e na coça das frutas, há. :-)

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