Mentir, omitir e falar que é uma tristeza

Dirigindo-se aos dirigentes e apoiantes do PSD presentes no claustro da Pousada de Viseu, Passos Coelho interrogou: “Se vos fosse dado a escolher contrair dívida em 2011, em 2010, em 2009, em 2008, em 2000, em 99 – que foi quando esta dívida pública foi gerada, foi nestes últimos quinze anos -, se vos fosse dado a escolher a cada um ‘querem em 2013 pagar quase oito mil milhões de euros de juros de dívida’, os senhores tinham dito ‘queremos’?”.
“Alguém aqui teria dito, ‘com certeza, eu não me importo de prescindir de saúde, de educação, de segurança social, e prefiro pagar juros da dívida que vamos contraindo’? Alguém teria dito isso? Com certeza que não”, prosseguiu

O que se terá passado em 2008, 2009 e 2010 para que, sendo o governo o mesmo de 2005, 2006 e 2007, a dívida tenha aumentado? Ou, nas palavras desta espécie de primeiro-ministro, “tenha sido escolhido contrair dívida”? Conta aí, ó Passos. Que escolha foi essa? E depois conta aos outros. Não sejas egoísta, nem vigarista.

Este é um exemplo de como o PSD fala para ignorantes ou pulhas, pois não consta que alguém tenha saído da sala. Outro exemplo: Passos omite os anos de 2011, 2012 e 2013 das suas contas, justamente aqueles em que a dívida pública mais aumentou, por coincidência sob a sua responsabilidade. Omite as consequências dos buracos que as suas políticas radicais abriram e que, esses sim, estão a destruir o que resta de serviços públicos de saúde e educação e de poder de compra de milhões de portugueses. E com a agravante de tal ser propositado. Ser cínico, hipócrita e falar para simplórios é isto.

12 thoughts on “Mentir, omitir e falar que é uma tristeza”

  1. coelho em modo faq, faz as perguntas, dá as respostas e livra-se das questões. uma aberração capcio-falaciosa aplaudida por 250 idiotas, a padinha atraía mais público e falava melhor português.

  2. oh lisbanhada! lembras-te quando é que os irmões limão puseram a economia de pantanas e o que é que europa receitava para resistir à crise? não, andavas na catequese do das neves e agora fazes figura de parvo para ver se chegas a sacristão.

  3. o julio de matos ainda funciona? se afirmativo,ponham-lhe um colete de forças e internem-no,mas com urgencia.esse exemplo do anterior governo socrates,dei-o há cerca de uma hora a um estarola que vinha com a mesma narrativa da direita e que tanto agrada ao pcp!

  4. Mas vocês perceberam o que diz o segundo parágrafo de Passos?! Aquilo pode (deve!) ser interpretado como uma escolha entre “prescindir da saúde, da educação e da segurança social” e “preferir pagar juros da dívida”. É o verbo “preferir” que fixa a relação lógica entre as duas afirmações, e não a conjunção “e”. O que ele, de facto, nos diz é que preferia pagar juros a prescindir do Estado Social; o que é, decerto, o oposto do que nos quereria dizer…

    Percebe-se que Passos Coelho não tenha querido recuar até à época aurea do Prof. Oliveira Salazar, e se tenha ficado pela evocação das virtudes financeiras do Prof. Cavaco Silva. Só que tais virtudes (de forretice orçamental) sofreram visível degradação com o render de gerações; pelo que a inversão, por Passos Coelho, do adversativo é… compreensível!…

  5. O estarola-mor, limita-se a seguir a estratégia de sempre ou seja baseia-se nas
    “narrativas” que atribuem todas as culpas sobre a dívida ao outro que, todas as
    semanas era chamado de “mentiroso”, “ilusionista”, no grande circo de S.Bento!
    Hoje, dois anos e meio depois vemos que a situação do País se agravou de modo
    quase, incontrolável, devido à incipiência e incompetência do des-governo formado
    na base de muitas mentiras que foram ditas aos portugueses e, o mais grave, com
    o alto patrocínio do Pilatos de Belém o pior presidente que, tudo procura fazer para
    deixar de ser o pior p.ministro que não teve uma visão de futuro para o País apesar,
    das carradas de dinheiro entrado vindo da U.E.!!!

  6. Por outro lado, o DN afiança que Passos Coelho afirmou que “a dívida contraída nos últimos 15 anos levou a prescindir de saúde, educação e segurança social no presente”; mas o que o texto de Passos Coelho nos diz é que, nos últimos 15 anos, havia que optar entre “prescindir da saúde, da educação e da segurança social” e “preferir pagar juros da dívida”.

  7. Mas o que se sabe é que este governo prescinde da educação, da saúde e da segurança social por sua própria culpa. Foi Vítor Gaspar que se dispôs, por deformação ideológica, a pagar a dívida ainda mais à bruta que o exigido, pelo memorando originalmente acordado com os credores.

  8. Portanto, quando se contrai dívida, perde-se o direito à saúde, à educação e à segurança social.

    Resta explicar ao Passos que todos os países desde sempre contraem dívidas – algumas delas enormes. E não consta que isso tenha equivalido a cortar nos direitos humanos.

    Resta perguntar ao Passos o que tinha na cabeça quando decidiu aumentar de forma historicamente brutal a dívida pública, como realça a Penélope.

    E já agora se não há dinheiro para investir na educação pública, onde foi ele desencantá-lo pra financiar o privado? Fazendo as contas em casa, descobre-se.

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